segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Deu na The Economist

Após uma série de matérias absolutamente positivas sobre o Brasil, a THE ECONOMIST reportou semana passada (04 de setembro) o caso dos grampos.

Por um lado, a matéria destaca a resposta rápida do Presidente da República. Por outro, fez questão de relembrar o caso da privatização da Telebrás no governo FHC, onde também houve um grampo que revelava atitudes pouco ortodoxas do Ministro Chefe da Casa Civil e o então Presidente do BNDES.

A matéria ainda remete rapidamente ao conteúdo da conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres – CPI da Pedofilia. Informação esta que pode parecer mais do que o é para um público pouco afeito aos assuntos brasileiros. Não deixou de reportar o tratamento pelo primeiro nome entre o Presidente do STF e o Senador, assim como a forma com que se despediram (“um abraço”). Informalidades um tanto estranhas para os anglo-saxões.


Segue o texto na íntegra:


Wiretaps in Brazil

Spying on justice

Sep 4th 2008 | SÃO PAULO
From The Economist print edition

The top spooks eavesdropped on the top court


VIEWED from any angle, the revelation that Abin, Brazil’s intelligence agency, recorded a conversation between Gilmar Mendes, president of the Supreme Court, and Demóstenes Torres, a senator, is ugly. Either someone told the agency to bug the highest judge in the land, or the senator’s phone was bugged—or an agent was freelancing. Any of these scenarios would be bad enough. But according to the source who handed the transcript to Veja magazine, the agency has also bugged the offices of the president and his chief of staff, as well as numerous congressmen.

In response to the news, President Luiz Inácio Lula da Silva on September 1st ordered an inquiry and temporarily suspended Paulo Lacerda, the country’s chief spook, and senior officials in his agency. Mr Lacerda denies that his men bugged Mr Mendes. He has Lula’s backing, for the moment. In the meantime, all three branches of government—legislative, executive and judicial—are wondering whether they really were spied on, by whom and for what purpose.

The topic of the conversation between the two men, which took place on July 15th and lasted just a few minutes, was not top secret: Mr Torres called Mr Mendes to discuss an inquiry into paedophilia. That a legislator might call up a senior judge for a chat seems odd, as does the conversation’s tone, which was all first names and laughter. Mr Torres even signed off with an abraço (a hug).

Eavesdropping incidents are not new. A decade ago a presidential conversation was caught when the office of the national development bank was bugged while the Telebrás phone company was being privatised, presumably so that a bidder could gain an advantage over rivals. Other incidents have occurred since, suggesting that Abin agents and phone-company employees can all too easily be bribed. The result, according to one political consultant, is that “the telephone in Brazil has become like Google: once you say hello, information is there for everyone to see and hear.”

domingo, 7 de setembro de 2008

Seminário: Política,Eleições e Soluções para Campos dos Goytacazes

Senhoras e senhores,

Divulgo aqui importante evento coordenado pelo professor Hamilton Garcia (CCH - UENF) que visa discutir, nada mais e nada menos, a política em Campos dos Goytacazes na era após a operação Telhado de Vidro.

Como o professor Hamilton diz, este evento já é um sucesso por tentar constituir "um fórum permamente de políticas públicas da cidade".

Sem dúvida ocupa uma abissal lacuna no debate político local contemporâneo pelo nível de sistematicidade com que se apresenta.

Claro que quem viver verá. E será um momento em que personagens da política local não contarão com seus escudos simbólicos tradicionais.

Espero, ainda, que não tenhamos a tradicional claque paga de sempre acompanhando determinados personagens... Sei que certos grupos não estão usualmente acostumados com qualquer vestígio de liberdade comunicativa. Mas, cabe só lembrar que na Universidade pode pegar mal levar torcidas organizadas e truculentas...

Divulguem e prestigiem!

Seminário: Política,Eleições e Soluções para Campos dos Goytacazes

Realização: Coordenação CISO/CCH;
Apoio: Reitoria da UENF-DR, Direção do CCH, PPG em Soc. Pol., C.A.CISO;
Coordenação: Hamilton Garcia;
Organização&Divulgação: Coordenação CISO/CCH e ASCOM.

Objetivo: discutir a situação atual de Campos e propor políticas, visando o desenvolvimento local sustentável, a serem apresentadas aos eleitos em 2008.
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1ª Mesa (10/9, 4ªf), Dinâmica Política e Sociedade:

sessão única (9h-12h)-> Adilson Sarmet (ex-Vice-Prefeito) [ASCOM+], Denise Terra (CEPECAM) [HG+], Fábio Siqueira (sindicalista) [HG+], Hamilton Garcia (UENF), Roberto Henriques (Vice-Prefeito) [HG+].

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2ª Mesa (18/9, 5ªf), Sociedade e Políticas Públicas

1ª sessão (9h-12h)-> Agricultura (Frederico Veiga [Cooplanta] [HG•] e Fábio Coelho [UENF] [HG•]), Controle Social (Roberto Moraes, CEFET) [HG+], Desenvolvimento (Conrado Aguiar [PMCG] [ASCOM•] e José Viana [UFF] [RB+]), Sustentabilidade Sócio-Econômica (Aílton Mota, UENF [HG•]).

2ª sessão (14h-18h)-> C&T (Almy Carvalho, UENF) [HG+], Controle Social (Luís Aguiar, FRC-CECOP) [HG+], Educação (Luciano D'Angelo, UCAM) [HG+], Sustentabilidade Ecológica (Arthur Soffiati, UFF) [HG+], Sustentabilidade Econômica (Geraldo Coutinho, FIRJAN [HG+]);

debatedores convidados-> Hélio Anomal (PT) [RB•], Graciete Ramos (PCB) [HG+], Odete Rocha (PCdoB) [RB+], Paulo Feijó (PSDB) [ASCOM•], Rosinha Garotinho (PMDB) [HG•].

obs: os nomes c/ • foram contatados, os c/ + foram confirmados e os c/ - não confirmaram.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Em Tempo: Programação do 3° Festival ARTPOIESE

Prezad@s,

Divulgando a programação completa do complexo Festival Artpoiese, organizado pelos colegas de graduação da UENF de diversos cursos.

Trata-se de uma intervenção cultural no campus Leonel Brizola onde ofertam eclético repertório sócio-político.

Forró,punk, blues, hardcore, música caipira....

Diversidade sexual, questão fundiária, segurança pública....

Fotografia, origami, pão (?!?)....

Enfim, vale a pena dar uma passada pela UENF para prestigiar o evento.

Eis a programação:

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3° Festival ARTPOIESE
1 a 4 de Setembro na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

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SEG 01/09



09:00
ABERTURA

TEATRO: JOÂO PLANTADOR DE CIDADES.
Com trabalho da animação cultural do CIEP Clóvis Tavares
Animador Rudolf Rotchild

Centro de Convenções

14h – 17:00 h
GRUPO DE DISCUSSÃO:
Filme: Grass
Henrique Back
(sociólogo)

Local: Centro de Convenções.

17:00-20:00 h
PALCO ABERTO

- Banda Átomos Eletrizados

- Banda Jardim Invisível.

Local: Concha Acústica

20:00-22:00
ALTERNATIVA SEM PALCO

- Oficina de Forró.
Babá.



Local: Centro de Convenções

22:00 h
samba e chorinho

- Lene Moraes

- Sabóia mais não afunda.

- Vitrola de três.

Local: Concha Acústica

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TER 02/09




OFICINA
Origami:
Marcello Pimentel 9h a 12h
D.A. BIO P4

Pão:
Luís Eduardo Nogueira 8h a 12
Copa do P5

14-16:30 h
MESA REDONDA:
DIVERSIDADE SEXUAL
Alan Soares (Advogado)
Daniela Bogado
Fábio Bila
Local: Centro de Convenções.
16:00-18:00
TEATRO
“Intervenção Cênica”
Grupo Cerveja com farofa
Grupo de Artes Cênicas da UNIRIO.
Local: Gramado do DCE
18:00-21:00
PALCO ABERTO
- Banda Instinto “R”
- Banda do aluno Tiago Reis



Local: Concha Acústica

20:00-22:00
ALTERNATIVA SEM PALCO

- Mostra de Pesquisa:
“ Árvore do conhecimento em comunidades do Parque Estadual da Desengano.”
Camila Borges e Renata Souza
Local: Centro de Convenções

22:00 h
Hard Core e Blues

- Eixo Nacional

- Big Head



Local: Concha Acústica

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QUA 03/09




OFICINA
Fotografia:
Yuri Teixeira
Centro de Convenções
9h a 12h

Filtro de sonhos:
Gabriele Araújo
9h a 10:30
Gramado do
DCE

Fabricação de sabão:
Felipe Vasconcellos
10:30 a 12h
Copa do P5
14-15:30 h
MESA REDONDA:
MOVIMENTOS SOCIAIS X LATIFUNDIO
Leopoldo (MST)

Local: Centro de Convenções.
15:30-17:00
MESA REDONDA:
O PAPEL DA UNIVERSIDADE? Relações Público- Privadas
SINTUPERJ

Local: Centro de Convenções
17:00-20:00
FILME
NÓS DO MORRO


Local: Centro de Convenções.
20:00-22:00
ALTERNATIVA SEM PALCO
- Sarau.
Carlos Bruno

- Grupo Caipira tradicional

Local: Centro de Convenções
22:00 h
Rock eletrônico e Rock

- Lixo é luxo

- Evolução da espécie

- Projeto Zero

Local: Concha Acústica

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QUI 04/09





OFICINA
Reencantamento Pessoal:
João Fava e Fábio Bertassi. 9h a 12h
Gramado do DCE.

Arte com Bambu:
Douglas Braga , Felipe Vasconcellos e Betão
9h a 12h
Gramado do DCE

Graffit:
Raízes em Movimento 9:30 h
Muro Lateral da UENF.
14h-16:30 h
MESA REDONDA:
SEGURANÇA PÚBLICA
Raízes em movimento


Local: Centro de Convenções.
14h-16h
TEATRO
“Comedias da vida privada”
Grupo Cerveja com farofa.

Local: Centro de Convenções.
18:00-20:00
PALCO ABERTO
- Banda Avadhutas

Local: Concha Acústica
20:00-22:00
PALCO ABERTO

- Hip Hop com:
Consequentes
Diversatividade
Dizzy ragga

Local: Concha Acústica.
22:00 h
Reggae

- Coletivo Anarcosom

- Restinga

- Manga Brother

Local: Concha Acustica

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE BOURDIEU EM JUIZ DE FORA

Caros, é com satisfação que divulgo o maior seminário sobre Bourdieu já realizado no Brasil, com alguns dos maiores especialistas do autor na atualidade. Aos amigos que quiserem vir, o ônibus para cá de Campos é pela Viação Rio doce, compra-se a passagem no shopping estrada, 43 reais. é um onibus por dia que sai do shopping estrada às 19h. quem quiser pode falar comigo que na medida do possível tento ver alguma hospedagem com os amigos daqui. Fabrício Maciel

II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE TEORIA CONTEMPORÂNEA

CONFLITO SOCIAL NO CENTRO E NA PERIFERIA DO CAPITALISMO: PIERRE BOURDIEU COMO PONTO DE PARTIDA

ORGANIZADOR: Prof. Jessé Souza (UFJF)

REALIZAÇÃO: CEPEDES (Centro de pesquisas sobre desigualdade da universidade de Juiz de Fora) e Mestrado e Doutorado em ciências sociais da UFJF.

LOCAL: Auditório do ICH/UFJF (Juiz de Fora, MG)

Dias 3, 4 e 5 de Setembro de 2008


Entrada gratuita.

Inscrição com certificado de participação e acesso à tradução simultânea dos convidados estrangeiros: R$ 20,00



PROGRAMAÇÃO


Quarta feira dia 3 de Setembro


Abertura: 13:30h: Prof. Rubem Barboza (Coordenador da pós-graduação em ciências sociais da UFJF) e Prof. Jessé Souza (coordenador do CEPEDES/UFJF)


Mesa redonda: Bourdieu e a sociologia crítica. (14h às 18h)
Presidente e comentador: Raul Magalhães (UFJF)

Jessé Souza (UFJF)
Octávio Bonnet (UFJF)
Edmilson Lopes Jr (UFRN)
Emerson Rocha (CEPEDES/UFJF)

Palestras (19h às 22h)

Franz Schultheiss (St Gallen, Suiça)
David Swartz (Boston,USA)


Quinta feira dia 4 de Setembro

Mesa redonda: A sociologia de Boudieu aplicada a contextos específicos (14h às 18h)
Presidente e comentador: Renarde Freire Nobre (UFMG)


Roberto Torres (CEPEDES/ Uni Humboldt, Berlim)
Gilberto Salgado (UFJF)
Maria de Lourdes Medeiros (CEPEDES/UFJF)
Fabrício Maciel (CEPEDES/UFJF)

Palestras (19h às 22h)

Bernard Lahire (Lyon, França)
Uwe Bittlingmeyer (Freiburg, Alemanha)

Sexta feira dia 5 de Setembro

Mesa redonda: A sociologia de Bourdieu e o conflito de gênero. (14h às 18h)
Presidente e comentador: João dal Poz (UFJF)

Patrícia Mattos (UFJF)
Mirian Goldenberg (UFRJ)
Lília Junqueira (UFPE)
Roberto Torres (CEPEDES/Uni Humboldt, Berlim)

Palestras (19h às 22h)

Claudia Rademacher (Berlim, Alemanha)
Thomas Leithäuser (Bremem, Alemanha)

Blog de Atílio Boron - mais um reforço na rede

Prezad@s,

Reproduzo abaixo o texto de divulgação de mais um substantivo reforço na subversão dos blogs pelas ciências sociais... Afinal, partimos do princípio que estes, os blogs, podem ser utilizados para algo muito mais além do que mera fruição narcísica.

Eis abaixo o comunicado do professor Atilio Boron, da UBA (Universidade de Buenos Aires, conhecido pensador marxista latino-americano, onde centra boa parte de seus esforços especialmente no campo da filosofia política.

Boa leitura!

Hola tod@s:

Me complace en anunciarles que he creado un blog en donde podrán encontrar mis artículos y notas de actualidad. Está recién comenzando pero creo que, en pocas semanas, será un archivo de gran utilidad para quienes quieran seguir mis intervenciones públicas sobre algunos asuntos de la coyuntura. También iré incluyendo otros materiales, no necesariamente mis reflexiones, que facilitarán el estudio de los problemas de nuestro tiempo.

La dirección es:

http://www.atilioboron.com

Los invito a visitarlo. Cualquier comentario o sugerencia será muy bienvenido.

Reciban un fraternal abrazo de

Atilio


Dr. Atilio A. Boron
Director
PLED, Programa Latinoamericano de
Educación a Distancia en Ciencias Sociales
Avenida Corrientes 1543
C 1042 AAB Buenos Aires, Argentina
www.centrocultural.coop/pled

domingo, 31 de agosto de 2008

Convite NEDIGER - UFF Campos

Na data de 05 de setembro, às 15 horas na UFF/ESR, o NEDIGER (Núcleo de Estudos sobre Ética Diversidade de Gênero, Etnia e Racismo) inicia as atividades de seu grupo de estudos "Emancipação Humana, Gênero e Racismo", que é parte complementar do projeto de pesquisa integrado "Mediações necessárias e possíveis ao processo de emancipação humana em Marx, no contexto da reestruturação produtiva capitalista e dos direitos humanos", realizada pelo núcleo.

A abertura do grupo de estudos ocorrerá com a apresentação intitulada "Diferentes leituras sobre a questão racial brasileira", realizada pelo prof. Edson Borges, Prof. de História da África e Antropologia da UCAM, mestre em Antropologia pela USP, pesquisador do Centro de Estudos Afro-Asiáticos e editor da revista Estudos Afro-Asiáticos.

Os interessados em participar devem enviar e-mail para nediger@vm.uff.br, informando dados como nome, telefones de contato, e-mail, curso que realiza e instituição/entidade a qual estão vinculados.

Na xerox da UFF encontra-se uma pasta (nº75) com textos relacionados a apresentação, que podem ser lidos previamente a mesma, no sentido de melhor embasar a sua compreensão e qualificar o debate a ser travado no encontro.

Haverá emissão de certificados aos participantes.

sábado, 30 de agosto de 2008

Machado de Assis - Curso promovido pelo PGPS - UENF


Prezad@s,

Divulgo importante iniciativa do curso de Políticas Sociais da UENF, de onde parte dos integrantes deste blog são oriundos, que é um curso sobre Machado de Assis e o século XIX ministrado pelo professor Dr. Thomas Sträeter de Heidelberg.

Detalhes no cartaz aqui deste post. Se me permitem emitir uma opinião... Parece ser imperdível!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

WGS sobre a imprensa

PARTE I




PARTE II

Mais uma positiva... contra o estereótipo

A The Economist mais uma vez realiza uma matéria sobre o Brasil. Desta vez sobre violência. Segue abaixo na íntegra.



Aug 21st 2008 | SÃO PAULO
From The Economist print edition

Contrary to stereotype, the murder rate is falling

Brazil
Not as violent as you thought



ASK foreigners what comes to mind when they think of Brazil, and a teenage gunman wearing flip-flops may not be far behind pirouetting footballers or carnival dancers in sequined bikinis. This image partly reflects the success abroad of films such as “City of God” and, more recently, a violent tale about Rio de Janeiro’s rampaging police called “Elite Squad”. It is also grounded in fact. One recent study suggested that Brazil had the fourth-highest murder rate among the world’s larger countries, behind Venezuela, Russia and Colombia. Since Brazil has 190m people, this adds up to a lot of corpses.

But something unforeseen is happening. The number of murders in Brazil is falling (see chart). Most of the improvement is due to a sharp fall in São Paulo, Brazil’s most populous state. Figures released by São Paulo’s government show that the number of murders has halved in the past five years. Strip out this state and things look less good. But there have been some improvements elsewhere. In Rio de Janeiro state the murder rate has declined from a high of 64 per 100,000 people in the mid-1990s to 39 last year. All this suggests that more recent national figures, when they are available, may see an acceleration in the downward trend.




AP A better chance of growing up

Even those who question the integrity of police statistics, like Sérgio Adorno of the University of São Paulo, say that something has changed. Nowhere more so than in places like Jardim Ângela, a poor suburb of São Paulo. In the 1990s it was dubbed the world’s most violent neighbourhood. That prompted a reaction, led by James Crowe, an Irish Catholic priest who has worked there for the past 17 years. It began with a pilgrimage to the nearby São Luís cemetery, where so many young men were buried. It resulted, among other things, in the creation of Brazil’s first community police force. The murder rate there has fallen from the equivalent of 112 per 100,000 people in 1995 to 33 in 2006.

There is much academic debate as to what else might lie behind the fall in São Paulo’s murder rate. Perhaps this is not surprising: argument continues over what caused a similar decline in the United States during the 1990s. In São Paulo’s case, there seem to be three reasons.

The first is tighter gun-control. A 2003 law restricted the right to carry guns. A subsequent amnesty and gun buyback programme took half a million weapons off the streets. The following year saw the first drop in the murder rate. A new effort to take more guns out of circulation will begin later this year.

Second, changes to policing have played their part. Killings involving São Paulo’s police have declined (at one point in the early-1990s they accounted for a fifth of all violent deaths). According to Josephine Bourgois of the Brazilian Forum on Public Safety, a research group, the police have also become better at solving murders. A 700-strong murder squad was set up, and claims to have raised the proportion of homicides that are solved from the national average of just 8% to 70%. The squad uses computer profiling to spot patterns and to act preventively.

The third factor is demographics. The 1990s saw a bulge in the proportion of 19-24 year-olds, which coincided with a rise in youth crime, points out Alicia Bercovich of IBGE, the statistics agency. Between 2000 and 2006, the proportion of 15-24-year-olds in São Paulo’s population fell slightly, from 19.4% to 17.6%.

In some places these broader trends have been reinforced with local changes, such as requiring bars to close earlier. A decline in the use of crack cocaine may also have helped. Finally, in some areas of São Paolo a criminal gang called the Primeiro Comando da Capital has acquired a temporary monopoly of criminal thuggery, reducing the need to kill rivals. Yet problems such as gang violence become easier to deal with when the murder rate is falling. If it continues to do so, at least one Brazilian stereotype may need to be retired.

domingo, 24 de agosto de 2008

Cana no Caderno Mais - FSP

Eis importante dossier no Caderno Mais da Folha de São Paulo sobre o problema da cana:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/inde24082008.htm

Recomendável para nós de Campos dos Goytacazes, RJ, e também para os colegas Nordestinos que por aqui passam. Afinal, alguma sensatez deve predominar sobre este tema.

Como diria o professor Hélio Coelho: "Essa cana.. é sacana!"

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mostra de Cinema da Faculdade de Medicina de Campos RJ

Divulgando aqui a sugestão de Elizabeth Gama:

O CORTE, do Costa Gravas, vai ser exibido hoje, 20/08, na 4ª Mostra de Cinema da Faculdade de Medicina de Campos às 18h, com entrada franca e aberta ao público em geral.

Como em todos os dias (vai até 22/8) haverá debate ao final da exibição. Os debatedores de hoje serão Aristide Sofiati, Sérgio Diniz e Jair Araújo.

A programação tem ainda:

21/08 - O CHEIRO DO RALO, comédia dirigida por Heitor Dhalia e protagonizada por Selton Mello. Debatedores: Odila Mansur, Renato Moreto e Aluísio Barbosa;

22/08 – UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA, do diretor belga Frédéric Fonteyne, com Nathalie Baye e Sergi Lopez. Os debatedores serão: Lucia Talabi, Paulo Pinho e Vera Marques.

Agora é só para dar água na boca: A LULA E A BALEIA foi o filme de segunda feira e ontem foi a vez do fantástico A VIDA DOS OUTROS, com Marcelo Lessa, Roberto Carvalho Filho e Avelino Ferreira, como debatedores.

Vale a pena conferir e participar.


Obs: Costa Gravas é sempre imperdível... Vale a pena conhecer e, para os iniciados, debulhar a obra do mestre.

domingo, 17 de agosto de 2008

Maria Fumaça, Trem de Ferro?



É com grande prazer que divulgo aqui um vídeo em primeira mão, ao menos no mundo dos blogs, produzido pelo colega Gerson Tavares do Carmo, mestre em Cognição e Linguagem e doutorando em Sociologia Política no CCH/UENF. O vídeo em questão é de 2001 mas ainda não havia sido disponibilizado no You Tube, tarefa que realizei há alguns dias.

Trata-se de um curta metragem com quase 06 minutos de duração que nos apresenta, sob o inconfundível compasso do “Trenzinho do Caipira” do mestre Heitor Villa-Lobos, um tema extremamente interessante e complexo. Gerson trabalhou particularmente com o conceito de “memória” em sua dissertação e buscou se aventurar especificamente na memória dos Ferroviários que atuavam na Estrada de Ferro de Cantagalo.

Como documentário demonstra influências do aparentamente inesgotável “Nós que aqui estamos por vós esperamos”, filme de 1998 produzido pelo intrépido Marcelo Masagão. A influência é perceptível pela predominância em P/B do curta de Gérson e pelo estilo, com frases curtas mescladas em fotografias, visando conferir uma outra concepção de movimento ao que concebemos como dinâmica cinematográfica “padrão” hollywoodiana. Todavia além deste tipo de apresentação de documentário o curta também é entremeado por falas dos sobreviventes da Ferrovia, demonstrando evidente emoção na sua forma de lidar com a máquina.

Para os familiarizados com o conceito de “reificação” o documentário ilustra bem, nas falas dos personagens, este fenômeno tão moderno.

Dentre as grandes questões nacionais ainda não suficientemente debatidas o trabalho de Gerson também partilha de uma concepção determinada de desenvolvimento. O problema da “disputa por memória” é entremeada por questões políticas. E a tônica aqui é também recolocar em questão a nossa opção para sermos um país rodoviário, justamente com todos os produtos negativos (sociais e econômicos) que possam advir disto.

Por essas e outras, além de também destacar esse tipo específico da categoria da classe trabalhadora brasileira que teve importante participação neste processo de nossa formação de classe, o curta metragem de Gerson é interessante.

Bom filme!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

PROF. BERNARD LAHIRE EM JUIZ DE FORA

É com grande satisfação que divulgo a todos o mini curso oferecido pelo Prof. Bernard Lahire na Universidade federal de Juiz de Fora, cuja ementa segue abaixo. Cabe lembrar que trata-se aqui de um dos principais, senão o principal, ex-alunos e bourdiesianos mais críticos e influentes da atualidade.

TÓPICOS ESPECIAIS EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Prof. Bernard Lahire

Quinta feira dias 14 e 21 de Setembro das 14h às 17h no auditório do ICH/UFJF

“teoria disposicional e contextual da ação”


O curso pretende abordar temas referentes à construção de uma “teoria disposicional e contextual da ação”. O curso focará tanto os aspectos teóricos como a explicitação da noção de “disposição” e transferência de disposições, assim como os aspectos metodológicos, tais como a reconstrução cientifica das disposições, e, finalmente, os aspectos empíricos propriamente ditos, com ilustrações de pesquisas levadas a cabo pelo Prof. Lahire na França.


Bibliografia


Lahire, Bernard, A cultura dos indivíduos, Artmed, 2006

Lahire, Bernard, O homem Plural, Artmed, 2004

Lahire, Bernard, Retratos sociológicos, Artmed, 2003.

sábado, 2 de agosto de 2008

O sentido político do estilo de vida



Roberto Torres

No último texto que Brand publicou neste Blog, ele quis ressaltar o quanto uma sociedade regida pela ciência e pela perícia técnica pode atrofiar a definição do “bem viver”, do que é uma “boa vida” em termos coletivos, nos termos de uma quantificação sobre a vida. O tema empírico em foco, a recente “Lei Seca”, dizia respeito a um desses casos onde o Estado, por meio da Lei, regula deliberadamente o estilo de vida das pessoas, obrigando-as a escolher uma combinação determinada do consumo de álcool com a direção do automóvel. A questão prática torna-se a seguinte. Uma lei é criada justificando-se na tese, já amplamente comprovada na redução do número de mortes por acidentes depois de sua aplicação, de que a maior parte dos acidentes graves é causada pela combinação do álcool com o volante. Então, o Estado usa a Lei para retirar do estilo de vida de grande parte do que podemos chamar de “classe média” o tipo de comportamento que representa a extinção de muitas vidas, de pessoas desta própria classe, com as quais de algum modo estendemos nossa afeição familiar.
O tema da quantificação vem à tona quando fica evidente que o Estado está priorizando a expectativa de vida das pessoas em termos da duração e do risco de sua extinção. Este dado evidente nos causa certa perplexidade e apreensão, pois parece suspender a ordem normal das coisas, onde a política decide tomar conta que questões que julgamos espontaneamente não pertencer a ela. Parece evidente que o estilo de vida não deveria ser regulado por uma política de Estado visando aumentar a duração da vida biológica de (algumas) pessoas. É essa “politização anômica” que Brand no fundo denuncia quando questiona o uso da ciência para justificar este tipo de intervenção perniciosa. Em resumo, a politização do estilo de vida seria contrária à “normalidade política”, traindo a própria legitimação jurídico-democrática do Estado na medida em que viola do direito civil básico de “ir e vir”.
A regulação quantitativa da vida surge como algo estranho e fora da vida política, ou seja, como algo que existe por “si mesmo” e sem relação com as diferenças de poder. Existe uma visão de que o estilo de vida das pessoas não depende de relações de poder e que não implicam uma distribuição desigual de todo tipo de valor e reconhecimento na sociedade e em qualquer espaço político visto como tal. O pressuposto desta visão é o “esquecimento” de que, em “tempos imemoriais” de decisões arbitrárias, o Estado (com seu aparato burocrático e militar) agiu com o “arbitrário da força” não só para controlar como também para produzir o estilo de vida das pessoas. Esquece-se, acima de tudo, que a política pública assumiu um dia na História a tarefa de distribuir desigualmente tanto as condições como os estímulos concretos para que determinado tipo de pessoas, com modos de vida semelhantes, fossem arbitrariamente beneficiadas com estes recursos escassos. Cria-se um “silêncio coletivamente orquestrado” sobre o fato de que estes recursos significam antes de tudo o que Foucault chama de “bio-poder”, tudo aquilo que serve para fomentar a vida com injunções desigualmente distribuídas e aplicadas. Pensemos por exemplo no risco de vida que nossa “ralé” de pobres e miseráveis precisa naturalizar, às vezes com muito bom humor, por ter que viver de modo arriscado na linha de tiro da delinqüência, nas camas dos hospitais, nos ambientes contaminados e propícios à aquisição de doenças “de pobre”, chegando ao limite de “aceitar” a doença como parte do próprio corpo e logo ter a extensão de vida probabilisticamente diminuída. Para reagirmos ao poder da “estatística” precisamos saber que ela faz parte dos corpos humanos, que está habitando, como diria Bourdieu, “a zona mais oculta dos corpos”, sob a forma de uma segurança quantitativa em relação à vida, correspondendo a uma certeza probabilística que incorporamos em nosso “ser” de acordo com nossa origem social.
Esta distribuição desigual da segurança sobre a vida institui um regime de escassez em que a sociedade é, no limite, divida entre amigos e inimigos, numa oposição binária que por sua vez instaura uma contradição, ainda que latente, entre aqueles que o “poder social” escolhe “fazer viver” e aqueles a quem sentencia “deixar morrer”. Apenas em situações extremas, como no Nazismo, é que esta contradição latente costuma vir à tona, e uma raça tida como inferior ser abertamente perseguida em prol de uma vida melhor para a raça tida como superior. Mas é assim que todas as sociedades modernas, pelo menos as com pobreza e marginalidade significativas, que são 90% do mundo, fazem e/ou ratificam no ambiente de todas as suas instituições e práticas. Com o decorrer do tempo, no entanto, como o Estado monopoliza a força e com ela a capacidade de produzir bens simbólicos para disfarçar o seu uso nestas instituições e práticas, as famílias e classes privilegiadas pela distribuição desigual do bio-poder se esquecem de que todo seu estilo de vida depende desta apropriação diferencial da expectativa quantificada sobre vida.
Inclusive a própria reação crítica à quantificação do estilo de vida, típica de todas as variantes estéticas e políticas do “expressivismo” e da “vida autêntica, só faz sentido na suposição de que haja o privilégio de uma expectativa de vida experimentada espontaneamente em termos quantitativos. Todos nós que projetamos nossa vida em termos de uma carreira, ou sob a base dela, possuímos de modo quase natural a sensação de uma segurança quantitativa sobre a duração de nossa vida. A questão é que esta segurança existencial não existe para todos. E ela é uma questão política desde quando podemos saber que envolve a apropriação arbitrária de recursos e estímulos para a duração e a quantidade da vida. Não devemos estar fechados à descoberta de que o consenso secreto mais importante de nosso mundo social possa ser aquele que, escondendo uma guerra de “raças”, a pusesse em marcha por outros meios, mas sem nunca descuidar da disputa pela existência dos corpos em relação ao mundo.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Que Cazzo é Esse????????

Estava eu zapeando pela grande rede em busca de novidades sociológicas e eis que descubro este interessante blog, o Que Cazzo é Esse??? - http://quecazzo.blogspot.com/

Os autores, dois professores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e um da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) se dedicam a discutir elementos pesados da teoria social contemporânea, oferecendo um menu eclético, mas, ainda assim, “deglutível” (perdoem o neologismo). Os textos são leves e partilham desta nova obsessão das ciências contemporâneas, e não só das sociais, que é a divulgação científica.

Destaco particularmente a entrevista do belga Frédéric Vandenberghe como um dos feitos do blog. - http://quecazzo.blogspot.com/2008/06/entrevista-com-frdric-vandenberghe.html

Boa leitura!

PS: Senti falta apenas dos marcadores que poderiam facilitar, sobremaneira, a navegação pelos temas do blog.

Revista Nossa UENF - nº 3

Como é praxe aqui neste espaço divulgamos a excelente revista produzida pela Assessoria de Comunicação da UENF (Ascom):

http://www.uenf.br/Uenf/Downloads/ASCOM_433_1216299306.pdf

É só clicar no link acima.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A MÁQUINA VAI BEM, OBRIGADO

por Fabrício Maciel
Passando agora alguns dias na planície tenho a oportunidade de ver, mais uma vez, a regularidade de certos traços desprezíveis da história campista. A campanha da tão celebrada e reclamada chapa Arnaldão-PT está bombando. Para não decepcionar amantes e críticos, a máquina eleitoral local não deixa a desejar em nada diante dos anos anteriores. Como sempre, a pequena burguesia interesseira, sem opinião e de péssimo gosto é mobilizada, inclusive com seus parcos recursos, geralmente carros próprios, para sair pelas ruas de Guarus, parte mais pobre da cidade, a fim de divulgar as novas velhas promessas de seus novos heróis da antiguidade. A esperança é sempre ter uma boquinha, um emprego para um parente ou amigo, caso os heróis de sempre voltem para o lugar de onde nunca saíram.
Recomendo aos saudosos pelos valores petitistas de outrora que evitem as principais avenidas de Guarus, pois do nada poderão ouvir, com todo o brado e poética dos sambinhas de campanha que em letra e ritmo apelam para a pseudo-alegria brasileira toda a atenção, o nome de Hélio Anomal como vice do eterno prefeito do coração, como vem cantando a musiquinha de campanha atual.
Não gosto de ficar repetindo o óbvio, mas só para reforçar o espírito de indignação que costuma sucumbir diante das evidências relativistas do cotidiano, onde tudo é possível e tolerável, na era de incertezas e fim de tudo que já critiquei em texto anterior, não custa dizer que o volume de recursos para a campanha já é evidente. A potência dos carros de som e o material em papel e plástico utilizados já são de assustar, logo no início, ainda mais que a eterna primeira dama do coração é candidata a vereadora, pois não custa nada cercar o coxo por todos os lados. É claro que a máquina vai bem, obrigado, obrigada pela necessidade de manter garantidos os votos de quem é obrigado a votar e não pode fazer uso da margem formal de escolha que tal obrigação permite pois a barriga obriga a dizer obrigado, quando aperta a mão acalentadora do (eterno prefeito do) coração. (O Idem aqui é óbvio para a avaliação da campanha concorrente, aquela da florzinha e da criança).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ainda existe uma esperança no PT de Campos


Hoje, o Xacal escreveu um belo post no seu Blog (“a trolha” http://atrolha.blogspot.com/2008/07/no-forno.html) sobre a possibilidade de uma reorganização de forças com o objetivo de devolver a credibilidade do PT em Campos. O texto, cheio de indignação, reflete o sentimento de muitos de nós. Recomendamos a leitura.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

“Lei Seca”: qual sociedade nós queremos?*

Medidas como esta que o governo tomou em relação ao consumo de álcool, sempre são ótimas oportunidades para que a sociedade possa debater os valores mais profundos que orientam sua organização e que legitimam a conduta da ação de seus membros, ou seja, abrem-se as portas para que façamos aquelas avaliações que o filósofo Charles Taylor chama de “fortes”. No entanto, se nós cruzaremos ou não esta porta é uma outra questão, a qual começa a ser respondida com uma frase do filósofo alemão Heidegger.
Certa vez, Heidegger disse que a ciência é a típica forma de pensamento de uma sociedade decadente. Eu como sou um ignorante completo da filosofia heideggeriana, não sei o que ele quis dizer com essa frase, mas nem por isso sou impedido de tecer conjecturas a respeito dela. Ao meu ver, a patologia oriunda da introdução exagerada de um “pensamento científico” em uma sociedade, tem muito a ver com a atrofia que esta gera entre os indivíduos e grupos no que tange a fazer avaliações sobre as condições últimas da existência. Assim poderemos dizer: pobres são aqueles indivíduos ou grupos incapazes de avaliar profundamente qual caminho devem seguir. Desse modo, ao relegar ao “pensamento científico” a base das decisões sobre as quais deveremos tomar em relação aos caminhos de nossa sociedade e da conduta de nossa ação, apequenamos as possibilidades de avaliação sobre nossa existência. Numa linguagem mais sociológica, poderíamos dizer que, o empobrecimento do debate gerado pela supremacia do “pensamento técnico-científico” oculta toda gama de valores que estão em jogo, e porque não dizer (num sentido sociológico) que mantêm intacta a ordem do sistema, agindo inconscientemente de forma bastante conservadora.
Em vista do que comentamos acima, somos capazes de ver como a pergunta “qual sociedade nós queremos” é reduzida à colocação de vírgulas ou de guerras estatísticas nos nossos principais debates (com isso não quero dizer que instrumentos como a estatística e a própria ciência não sejam importantes, mas sim dizer que eles estão deslocados de suas funções). Somos enganados, ou nos enganamos, ao acreditar que a ciência é capaz de responder todas as questões, como é o caso da polêmica nova “Lei Seca”. Perdemos muito tempo discutindo se cota permitida deve ser 0,2 ou 0,5 ou 0,5000, numa expectativa infantil de que a ciência possa nós dar uma medida exata de como nós devemos nos comportar. E com isso negligenciamos inúmeras questões fundamentais que giram entorno dessa lei.
II
Seria impossível neste pequeno texto analisar ou mesmo listar todos os pontos de suma importância que se referem a este debate e que estão escondidos, por isso vou elencar alguns e comentar apenas um. Dos pontos a serem debatidos poderíamos citar que (1) esta lei pune a maioria pelo desvio de uma minoria, isto é, os que sempre lidaram com o álcool e o trânsito de forma saudável terão seus direitos cerceados pelo desvio de uma minoria; (2) o conservadorismo arraigado (no popular, caretice) cria um bode expiatório entorno do problema, neste caso o bode expiatório é o álcool. Crer que o déficit de concentração e outros impactos físicos gerados por uma taça de vinho ou por um copo de cerveja possam ser muito diferentes dos gerados pela exposição ao sol forte durante uma atividade esportiva por algumas horas ou o exagero numa refeição “pesada”, também não parece razoável. (3) Não nos perguntamos sobre todas as motivações entorno desta lei, ou será que o único objetivo é a proteção de vidas? Ninguém se pergunta se existe nela o interesse de um determinado segmento religioso (o qual cada vez aumenta mais seu poder no congresso) em impor seu estilo de vida sobre toda a população. E por último, mas não esgotando as questões sobre esta lei, podemos nos perguntar qual sociedade nós queremos, o que implica em perguntar qual modelo de Estado nos queremos. Queremos um Estado tutelar que infantiliza os indivíduos? Enfim, dentre estes aspectos gostaria de ressaltar a força moralista conservadora que serve ocultamente como a motivação principal de muitas das “ações coletivas” da sociedade brasileira.
A radicalidade desta lei denota claramente a incapacidade de lidar com o problema, que sem dúvida tem origem na incapacidade de tematizar profundamente e de forma madura questões desta natureza. Ao ter que lidar com a densidade emocional que envolve o lado sombrio do ser humano, -- muito bem representado pelo mito de Plutão e o seu reino, no qual drogas, sexo, violência entre outros elementos que fazem parte de nossa condição tem um papel de destaque -- a nossa sociedade se acovarda e escolhe a saída mais fácil, porém não a mais eficaz. Para solucionar os inúmeros problemas do nosso trânsito criamos um “bode expiatório” para ser sacrificado em praça pública na esperança que tudo se resolva. Uma cultura de agressividade no trânsito, aliada a péssima condição de nossas estradas, ao péssimo sistema de transporte e à um código de trânsito não aplicado, desaparecem ante a esse “bode expiatório”. Somos incapazes de ver o estrago causado por uma cultura agressiva no trânsito em que uma “fechada” é confundida com uma afronta à virilidade, uma ultrapassagem um ataque à honra, e uma alta velocidade uma afirmação da masculinidade. O trânsito brasileiro é a manifestação de um estado de guerra em que outras ansiedades que nada tem a ver com o álcool são extravasadas. Só mesmo acreditando que o álcool é uma coisa do diabo para achar que ele tem poderes de transformar um cidadão pacato em um potencial assassino no trânsito. O álcool pode ser tão somente o combustível que acentua as características dos indivíduos que vivenciam o trânsito de forma agressiva e como uma afirmação da virilidade. Não sou bom em estatísticas, mas acho que nós deveríamos nos perguntar se nos acidentes em que motoristas tinham bebido, se o carro não era mais do que um meio de transporte para este motorista.
Se seguirmos está lógica na qual moralismo se associa ao cientificismo teremos a receita pronta para uma escalada conservadora sem limites, a qual mantêm a sua hegemonia justamente porque anula as possibilidades de debate antes mesmo de seu surgimento. Para proteger a vida, restringiremos o viver.

* Este texto é apenas um convite ao debate, o espaço é muito pequeno para que desenvolvesse os vários temas que mencionei no texto a contento.

domingo, 6 de julho de 2008

CAMPANHA NACIONAL UNIFICADA PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO

Dear Friends,

I have just read and signed the online petition:

"CAMPANHA NACIONAL UNIFICADA PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO"

hosted on the web by PetitionOnline.com, the free online petition
service, at:

http://www.PetitionOnline.com/cut4025n/

I personally agree with what this petition says, and I think you might
agree, too. If you can spare a moment, please take a look, and consider
signing yourself.

Best wishes,

George Gomes Coutinho

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Para a prefeitura


quarta-feira, 2 de julho de 2008

I Encontro Estadual de Ensino de Sociologia

Prezad@s,

A despeito da Vejinha e de FHC finalmente a Sociologia adentra as fileiras, junto de sua avó a filosofia, do Ensino Médio (ou ensino secundário) após o longo exílio nos anos de chumbo. Cabe apenas reforçar que no lugar destas tiveram lugar as temíveis "Moral e Cívica" e "OSPB" com sua retórica nacionalista e francamente anti-reflexiva.

Bem, como muito tem sido especulado, vide a Vejinha, divulgo o I Encontro Estadual de Ensino de Sociologia (site do evento: http://www.ieees.fe.ufrj.br/) onde muito poderá ser desmistificado. Dentre as questões os visitantes verão que não estarão sendo ensinadas temas como "faça sua própria guerra de guerrilhas em sua escola", "linchando o burguês". "queimando igrejas em cinco passos" ou "deflorando as filhas da classe média" como querem crer.

Em verdade, apesar de ser um tema absolutamente polêmico em um país de analfabetos funcionais, a sociologia e a filosofia podem ser mecanismos deflagradores de processos de reflexividade contribuindo tanto para o famoso "conhece-te a ti mesmo" quanto também para situar jovens em formação diante de temas e processos que afetem a qualidade de suas vidas em sociedade.

Assim este primeiro encontro é oportuno para esta conjuntura. Divulguem, conheçam e participem.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Retórica da Intransigência contra o Biodiesel


Nos últimos dias, duas publicações sobre o biodiesel chamaram a atenção. A primeira fora publicada pela revista “The Economist”, no dia 26 de junho, e trouxe uma análise positiva à produção brasileira no artigo “Lean, green and not mean”. Expressava claramente um posicionamento contrário à crítica ecológica e alimentar, que prevê o desmatamento da Amazônia e o aumento dos preços dos alimentos como conseqüências indesejáveis da produção do biodiesel.


A “The Economist” trazia ainda análises da pesquisadora Márcia de Moraes (USP), onde se desmistifica as condições de trabalho na maioria das plantações de cana – por este estudo, as mortes por motivos de trabalho nos canaviais brasileiros são menores do que em outros setores produtivos similares (a mecanização é um dos principais fatores explicativos, em algumas regiões já é responsável por mais de 60% da colheita). Dessa forma, a matéria foi um tiro certeiro nos principais pilares das críticas conservadoras tanto externas quanto internas.


Não obstante, hoje o jornal americano “The New York Times” traz uma crítica ao biodiesel que desconsidera absolutamente a produção brasileira. O jornalista Jad Mouawad, que nasceu em Beirute e fora criado em Paris, analisa os riscos das variações climáticas para os preços do biodiesel pelas recentes inundações dos Estados produtores de milho (corn belt – principalmente, Iowa, Illinois, Indiana e Ohio).


Em duas páginas de matéria (intitulada "Weather Risks Cloud Promise fo Biofuel") , o jornalista não cita sequer uma única vez a produção brasileira. Também nada fala sobre a tecnologia Flex, criada no Brasil, que permite a utilização de múltiplas matrizes energéticas, que poderia diminuir os riscos das variações de preços ao consumidor.


Não é novidade alguma a disseminação do medo como tática de mercado. Entretanto, a matéria do “The New York Times” torna ainda mais clara a forte atuação na imprensa de grupos de interesses da indústria petrolífera.


Se a crítica ecológica não tem fundamento, então, criticaram-se os riscos do desabastecimento alimentar. Como também não se sustentaram por muito tempo, o risco das variações de preços é a mais nova invenção da velha tática do conservadorismo como forma de frear as evoluções e os progressos.


Nas duas primeiras críticas (ecológica e abastecimento alimentar), havíamos presenciado as “teses da ameaça”, já que a introdução do biodiesel ameaçaria tanto as florestas quanto os preços dos alimentos (apesar de serem contraditórias, se ameaça o abastecimento, não poderia ameaçar a floresta, pois esta já não existiria! Mas a lógica não é o forte destes críticos...). O discurso das oscilações dos preços, provocadas pelas variações climáticas, inova a retórica e insere a “tese dos efeitos perversos”, pois a alternativa do biodiesel introduziria ainda mais imprevisibilidades nos mercados.


Para completar a tríade das “retóricas da intransigência” de Albert Hirschman falta apenas a “tese da futilidade”. Quiçá esta esteja reservada aos próprios críticos e suas críticas!

Entrevista com Carlos Alberto Campista



Voltamos a nossa série de entrevistas com o uma conversa com o Ex-Prefeito Carlos Alberto Campista. O “Campista”, como é conhecido na política local, é advogado, foi presidente e fundador da FAMAC (Federação das Associações de Moradores de Campos), vereador no período 1988-1990, em que também foi o presidente da câmara dos vereadores, deputado federal 1990-1994 e 1997-1998, sua última participação da política foi como prefeito de Campos no ano de 2005 durante quatro meses.
Avisamos aos nossos leitores que esta entrevista contou com a participação do blogueiro “Xacal” do “A Trolha”.
1. O Sr. foi um dos membros importantes do movimento político que veio a ser chamado de “Muda Campos”. Desde a ascensão deste movimento ao poder, com a eleição de Garotinho em 88, podemos dizer que esse grupo está de alguma forma até hoje no poder em Campos. Como o Sr. avalia esse processo?
Campista: Acho que sim. O próprio Prefeito Mocaiber é de uma geração política que começou com o Garotinho. Avalio que se trata de um processo normal de evolução política e social, onde uma geração substitui a anterior.

2. A eleição municipal de 2004, que o elegeu, foi absolutamente conturbada, tanto que anulada. Não obstante a perda do mandato, o Sr. foi o único que sofreu sanções jurídicas de inelegibilidade. Alguns atores, como Adilson Sarmet em entrevista a esse blog, apontam que sua curta administração na prefeitura foi exemplar, desse modo contrariando muitos interesses. O Sr. acredita que pode haver alguma conexão entre a maneira como o senhor conduziu a prefeitura e as punições seletivas aplicadas pelo Poder Judiciário?
Campista: Conforta-me, sobremaneira, que pessoas da qualidade ética do Dr. Adilson Sarmet tenham aprovado as práticas políticas de minha curta gestão como Prefeito. Significa que essas práticas podem, no futuro, tornar-se a regra e não a exceção. Entendo que “as punições seletivas” a que se refere a pergunta, se devem mais à chamada “judicialização da política”, onde cada vez mais os impasses próprios da política são dirimidos pelo Judiciário, e não pelo povo, a quem, constitucionalmente, cabe o direito de preencher os cargos eletivos.Alguns cargos, como o de Prefeito, não são preenchidos por concurso público, mas providos pela escolha livre e direta dos cidadãos que têm direito ao voto.Então, é de se perguntar, em primeiro lugar: Se mais de 100.000 pessoas afirmam, pelo voto, que querem ser governadas por determinado cidadão, é certo que um outro cidadão, mesmo sendo um Magistrado, diga que essa escolha não é válida? Com que base válida pode-se admitir que “uma vontade” valha mais do que “100.000 vontades”? O que, então, significa o tal Poder Popular, a quem é concedido o Direito, e não o Dever, de preencher determinado cargo público? No caso de Campos, o mais curioso foi que o Judiciário além de haver anulado o pleito, de onde saí vencedor, proibiu-me de candidatar-me novamente na eleição que aconteceu alguns meses depois, em substituição àquela. E o que é pior: Na sentença que concluiu pela anulação (uma peça de mais de 30 folhas) não consta sequer indício, muito menos qualquer afirmação, de que tenha eu, enquanto candidato, cometido qualquer crime eleitoral, ou, de qualquer modo, tenha utilizado qualquer prática condenável na conquista do voto.

3. Qual foram as principais marcas da sua curta administração? E quais foram os interesses contrariados?
Campista: As principais marcas: Administração, transparência e ética. Os interesses contrariados foram os daqueles que não gostam de que o dinheiro público seja administrado com transparência e ética.

4. O senhor acredita que fazer política sem utilizar certos mecanismos clientelistas seria uma ingenuidade, sobretudo na realidade que temos em Campos? É possível enfretar os grupos que estão hoje no poder a partir de uma política em que estes mecanismos não desempenhem um papel importante? Como?
Campista: A definição de “mecanismos clientelistas” é de difícil compreensão. No governo FHC aconteceram os chamados programas sociais, e na época se dizia que isso ajudou a reelegê-lo. Recentemente disseram o mesmo sobre o Lula, com o “bolsa escola” e assemelhados. Nas eleições de 2004, em Campos, a Prefeitura tinha o “vale-alimentação” e o Estado o “vale-cidadão”.Será que tais práticas podem ser consideradas de “mecanismos clientelistas”? – Pessoalmente, acho que não. Num país, como nosso, onde a renda é profundamente concentrada, e a fome uma realidade, o Poder Público pode e deve dar ênfase aos programas sociais que funcionam como uma espécie de distribuição de renda. Dizer que isso tenha o poder de influir positivamente numa eleição, tenho dúvidas, pois se sabem histórias de eleitores que recebem tais benesses de um político e votam no adversário.Acho que aqueles que afirmam que isso influi no resultado da eleição são os mesmos que defendiam antes o ponto de vista que “o brasileiro não sabe votar”.
De outro lado, se “clientelismo” pode ser definido como retribuição, isso é outra coisa. Isso existe, acho, desde os primórdios do Brasil, e realmente pode influir consideravelmente no resultado de uma eleição. A retribuição do favor pelo voto é uma tônica nas eleições proporcionais (vereador, deputado estadual, etc.), mas pouco influente nas eleições majoritárias ( prefeito, governador, etc). Nestas, outros fatores( idéias, perfil e história pessoal do candidato) têm maior peso no resultado. Naquelas, a retribuição vem permeada do fator gratidão, valor que me parece muito caro à história da brasilidade. Lembro-me de uma frase famosa de um Deputado Estadual daqui da região que repetia que “um favor pessoal rende mais votos do que uma rua calçada”. À pergunta como mudar, eu respondo que só quando o eleitor brasileiro, em sua maioria, vier a compreender que o voto é um direito seu e não um dever. Isso será, no entanto, muito difícil enquanto estiver na Constituição que o voto, embora sendo um Direito, é obrigatório. É óbvio que, em sendo um direito, não pode ser obrigatório.

5. Hoje o Senhor está filado ao PT, como avalia os últimos movimentos do seu partido, desde a participação no governo Mocaiber como também a postura do partido frente à próxima eleição?
Campista: Não tenho condições de responder a essa pergunta, porque, ante outros compromissos inadiáveis, não tenho participado das discussões. Mas, por conhecer as principais lideranças partidárias, tenho o sentimento de que as decisões são ponderadas, democráticas e justas.

6. Como ex-prefeito de Campos, quais os principais desafios que o senhor acha que o próximo prefeito de Campos deve enfrentar?
Campista: O maior desafio continua sendo o de saber e de decidir qual a melhor destinação da aplicação dos recursos dos royalties de petróleo, traduzida no melhor benefício à sociedade.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Papel e eficiência burocrática


Não é exclusividade do Estado brasileiro situações insólitas que ocorrem em função da diferenciação das esferas que o compõe. A diferenciação é uma máxima moderna. Há a necessidade de se separar objetivos do Estado e objetivos de governo. Se de um lado o governo é a expressão mais ou menos explícita dos interesses partidários, por outro a administração pública deve zelar para que estes interesses não se confundam com o Estado mesmo, parasitando-o em torno dos interesses políticos sazonais. A confusão de limites é o que tem causado nossos maiores males públicos. Falta de diferenciação? Não, formalmente ela está lá. Falta de instituições coibidoras de excessos? Também não, elas também existem. Acho que existe um problema, que não explica tudo, posto que a diferenciação produziu uma complexidade de causas e conseqüências jamais discretas ou simples, mas pode indicar um elemento de análise importante, quem sabe de conseqüências administrativas. Refiro-me a uma diferenciação nos papéis, que serve de base para a execução mais ou menos eficiente das exigências da administração pública moderna. Nós não conseguimos ainda criar a figura auto-justificável do funcionário público, aquele que se identifica com o papel a ponto de reduzir a sua vida profissional a esta dimensão. Não se consegue vincular a vida à sua dimensão profissional no Brasil, o que faz com que aqueles limites sejam borrados e o privado acabe invadindo o público. Vários autores já escreveram a respeito, contrastando esta nossa postura pública ao nosso outro privilegiado, os americanos, reproduzindo as antigas imagens de progresso e prosperidade que dificilmente hoje nos convence, haja vista os interesses particularistas da família Bush, e dos amigos do Texas, serem reiteradamente privilegiados quando se fala em política energética, ou alguém acredita que a escalada no preço do petróleo é simplesmente uma acomodação dos preços internacionais do barril? Escrevo porque ainda estupefato assisto aqui no Rio Grande do Sul a CPI do DETRAN, que levou a depor o secretário da casa civil a partir da exibição de uma fita em que ele explicitamente quer fechar com o vice-governador uma “paz”: lotear cargos estaduais e incluí-los em esquemas de financiamento de campanha com dinheiro público. O secretário é taxativo, a fita é evidente, mas em uma postura esquizofrênica nega tudo o que fez anteriormente, re-significando palavra por palavra, obliterando uma postura particularista com elementos republicanos dos mais nobres. É fato que as coisas estão mudando, como já se escreveu neste blog, os escândalos estão mais evidentes a partir de uma maior atuação do ministério público e do aumento da concorrência política (a competição parece ser uma virtude da democracia liberal). Mas penso que o preço ainda é alto no Brasil para se manter as coisas mais ou menos funcionando, tudo seria mais fácil e menos custoso se a diferenciação dos papéis ocorresse de forma generalizada, se eles não fossem somente atributos de promotores responsáveis ou de uma oposição fiscalizadora de fato. Esta falta de limites poderia ser uma questão cultural, mas o que se poderia dizer então do Rio Grande do Sul, o Estado supostamente com a maior cultura cívica do país? Acho que esta identificação entre personalidade e papéis passaria pela melhoria nas condições de formação de nossa burocracia estatal, imprimir o imperativo técnico através de programas de incentivo à capacitação e valorização da função pública. É contraproducente nossas falsas imagens do funcionário público e do político, que se localizam em torno de expressões como “moroso”, “corrupto” e “ineficiente”. Afinal, neste estado de coisas, ninguém assumiria um papel vinculado a estas formas simbólicas. E não fazendo, não há identificação, relação duradoura e, finalmente, desempenho formalmente esperado e substancialmente executado. Ao lado de mecanismos funcionais de eficiência burocrática, acho que se deveria ressaltar de alguma forma os mecanismos socializadores da personalidade ao papel.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Porque debater um fenômeno como o clientelismo?

O cúmulo de toda arrogância é a afirmação arbitrária de que não se deve dizer o “óbvio”. E eu estou aqui querendo sim falar do óbvio, de algo que é tão óbvio que às vezes perdemos o sentido do que ele significa. Parece muito evidente para todos nós o que fazemos neste Blog, numa atividade de debate. Mas acho que essa evidência do que fazemos contribui para que as vezes desprezemos a definição do nosso objeto de debate (o tema) na sua relação com o mundo em que vivemos. Parece óbvio discutir clientelismo, o voto e a representação política. Desde quanto eu comecei a me preocupar com política, eu percebo o clientelismo como algo vulgar e desprezível enquanto prática. Sentia e sinto desprezo tanto pelos patrons como também pelos clientes.
E todos nós aqui sentimos esse desprezo, pois ele é objetivo. Nenhum de nós aqui pode negar isso, pois agir assim seria cair na incoerência absoluta entre o que fazemos e os valores que usamos para prezar e desprezar as pessoas de acordo com o engajamento que elas também mantêm com esses valores. Porque estudar o clientelismo é a primeira questão para pautar o debate sobre esse tema, pois ela é a que deve fazer o inquérito de nossos valores, daquelas crenças que moram no mais profundo de nossa alma, devoções que nos vinculam ao mundo e às pessoas de um modo sem o qual não nos imaginamos vivos. Então podemos sair da obviedade é por em questão, ou seja, trazer para o debate e a análise racional, o que Weber chamava de “relevância valorativa do objeto”.
Queremos estudar o clientelismo porque ele está em tensão com nossos valores. A análise racional, que um senso comum ilustrado pode fazer tão bem ou melhor que um especialista, é uma arma cognitiva que usamos para “reduzir a complexidade” (ou o poder, diria Foucault em vez de Luhmann, ) de algo que o mundo nos põem em relevo, ou seja, em estado de destaque, positivo ou negativo, com nossa visão de mundo e com nossa “estadia no mundo”.Vivemos, nosso corpo e nossa identidade, em ameaça diante do mundo, na medida em que não somos o mesmo que ele, que vivemos em tensão com sua ordem. Na história humana, boa parte dessa tensão deve-se aos impasses entre o mundo “como ele é” e os valores morais que ganharam nossa adesão. Precisamos então saber quais os valores que nos põem em tensão com o mundo do clientelismo.
Essa pergunta deve focar antes de tudo a visão global de mundo, pelo menos na política, que o clientelismo contraria. Falar disso não é algo menos importante, por a princípio tratar somente de algo que já está dado, que não tem a ver com o futuro e as mudanças. Quando não falamos sobre nossos valores esquecemos as condições necessárias para que alguém os pratique e os leve a sério. Assim achamos que eles são universalmente bons para todos. É por não sabermos justificar os valores que o relativismo ganha tanta força hoje; que cientistas sociais tenham o cinismo de defender o “respeito à diferença” com o clientelismo.
O clientelismo trai uma visão de mundo politicamente ordenado por pessoas autônomas que podem escolher seus interesses em acordo com uma visão a longo prazo sobre sua comunidade, mais ou menos inclusiva, como a comunidade nacional ou a de classe. A democracia só faz sentido como algo, ainda inexistente, que imaginamos para o dia em que as pessoas puderem, no mínimo, votar com autonomia, a começar pelo sentido primário de não “escolher com o estômago”. Nesta prisão à urgência, em interesses cuja relevância obedece à privação de alimento para uma pessoa, ninguém pode ser autônomo, nem mesmo votar com autonomia.
Autonomia é sempre o ato de “nomear”, de se apropriar de algo pelo nome, dominando uma certa linguagem, de modo a mostrar seu caráter político, advindo da arbitrariedade da força, e propondo uma “reavaliação” da própria ordem. Nesse sentido, a educação é tudo sem o que não se tem mais nada, e vencer os obstáculos a uma educação que favoreça à escolha consciente começa por abolir a fome, como pensa o Governo Lula, e que o faz muito superior ao de FHC. Se, como Vitor e Renato propuseram, a desvinculação de um patron significa que o Bolsa Família não é clientelista e logo permite uma liberdade de escolha na vida política, é somente na condição de que as pessoas de fato se acostumem com o regime de alimento garantido, e tenham na vida cotidiana a “segurança alimentar”. Se matar a fome deixa de ser uma preocupação, a escolha política sobre a vida torna-se possível, livre da prisão à mera sobrevivência. Certamente, quanto maior for o consenso político em torno do Bolsa Família, mais ele tem chances de atingir sua meta de “libertar o povo”, de tornar cidadãos os filhos ou netos dos que hoje votam no Lula porque ele é a certeza do Bolsa Família. Não há nada mais justo do que esse motivo, mas nada menos opressor também. Entre comer e escolher qualquer outra coisa a não comer não se pode escolher senão comer, caso ainda se lute por ficar vivo. Ai não há autonomia.
E quando dizemos que os interesses imediatos não devem ser menos legítimos do que os de longo prazo, esquecemos que a possibilidade de ter os de longo prazo é o que diferencia um pobre sem futuro na vida de nós que gozamos o presente sem nos reduzir a ele e que assim lançamos nosso valor num futuro. Há uma concepção de homem, junto com nossa visão de mundo, que nos faz enquadrar alguém que vende votos como alguém que não pensa no futuro e por isso mesmo valendo menos do que os que pensam e agem em vista dele. Talvez a duração e a melhoria do que é hoje o Bolsa Família, possa, a longo prazo, trazer uma segurança alimentar mínima, para que famílias planejem a vida antes de ter que defendê-la da fome e da subnutrição. Para isso é indispensável fazer o que Fábio Wanderley Reis queria dizer com “democratizar o clientelismo”, ou seja, fazer dos pobres clientes permanentes de um Estado Providência que cumpra a função de criar condições para que futuras famílias se formem no contexto precário e predatório, onde as solidariedades mais contextuais em torno dos interesses mais decisivos da vida, que dão sentido a qualquer solidariedade política mais ampla, não se estabilizam.