terça-feira, 16 de novembro de 2010

Seminário Eleições 2010 - CCH/UENF

CCH tem seminário sobre perspectivas pós-Lula

O Curso de Ciências Sociais da UENF convida para o seminário "Eleições 2010:
resultados e perspectivas pós-Lula". Será nesta quarta, dia 17, às
17h, no Auditório Multimídia do Centro de Ciências do Homem (CCH) da
UENF.

A mesa terá participação dos professores Sérgio Azevedo, Hamilton
Garcia, Hugo Borsani e Mauro Campos, todos da UENF, além do professor
Vitor Peixoto, da Fundação Getúlio Vargas. A moderadora será a
professora Wania Mesquita.

O evento é uma organização do curso de bacharelado em Ciências Sociais
e da Coordenação de Extensão do CCH/UENF.

Fonte: Ascom/UENF

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Alain Touraine: besteiras valém mais quando ditas por um

sociólogo francês

Roberto Torres

„vivemos numa nao sociedade, na qual as pessoas estao interessadas em coidas sem significado (…) minha principal idéia é que a globalizacao é o fim da sociedade (...) o que restou é o mercado puro”, disse, entre outas coisas, ao Jornal O Globo em entrevista. Veja o link abaixo:

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/11/14/perigo-de-retrocesso-no-brasil-existe-diz-alain-touraine-923025303.asp

A profissao de sociólogo não é algo fácil de legitimar. Não é fácil, acima de tudo, demarcar o campo próprio de observação da ciencia da sociedade, e, em alguma medida, diferenciá-lo da capacidade comum a todos de observar e descrever a sociedade. Acredito – eis meu esforco auto-legitimador – que só é possível fazer ciencia da sociedade indo além do senso comum. Bons exemlos deste esforco se econtram em distintas vertentes teóricas. Dois dos maiores autores da sociologia ocidental no pós-guerra – Pierre Bourdieu e Niklas Luhmann – levam esta necessidade de romper com o senso comum para a discussao de conceitos fundamentais da sociologia, e nos dois casos isto se nota quanto ao próprio conceito de sentido, ao qual se vincula, para os dois, qualquer pretensao de formular um conceito de sociedade ou de vida social. Tanto para Bourdieu como para Luhmann, em que pese os distintos desdobramentos em cada um dos casos, duas rupturas fundamentais com relacao ao que o senso comum entende por sentido são as seguintes: 1) a ruptura com a idéia de que o sentido social é atribuído por sujeitos e 2) a ruptura com a idéia de que acoes econômicas instrumentais, no mercado, ocorreriam desprovidas de sentido, como que “fora da sociedade”. A segunda ruptura é uma consequencia direta da primeira.

Que o sentido social não se forma pelas atribuicoes de sujeitos significa que ele deve ser buscado no encadeamento prático (Bourdieu) ou recursivo (Luhmann) de acoes ou operacoes elementares. É um enorme ganho de conhecimento em relacao a Weber, por exemplo. Que acoes econômicas só existem como tais na medida em que são produzidas e reproduzidas por encadeamentos práticos ou recursivos de sentido era algo que Weber, ainda preso à filosofia da consciência, já intuia. Nenhum destes desenvolvimentos fundamentais da nossa disciplina parece fazer parte do modo de pensar do sociólogo francês Alain Touraine.

Que existem diferencas teóricas insuperáveis na sociologia, claro. Mas dizer que pessoas se interessam por coisas sem significado e que o mercado (“puro”?) não faz parte da sociedade é a melhor forma de mostrar que sociologia não serve para nada. É abrir mao que qualquer esforco mínimo de ruptura com o senso comum. Um horror! Que o senhor amigo de certas pessoas não inova em nada que acha que inova, sabe-se de longa data, e esta ilusao é até bem comum em nossa disciplina. Mas as besteiras que ele disse ao O Globo são dignas de quem desconhece praticamente um século de desenvolvimento da sociologia. Contrapor “as pessoas” com seus significados ao “mercado”, contrapor o mercado à sociedade como duas entidades de natureza distintas é o lamúrio papal de todo domingo.

Enfim, quem quiser veja a entrevista aqui. Sendo generoso, eu diria que é uma caricatura bem feita do senso comum sociológico de quem vive e assiste o fim do eurocentrismo como se fosse o fim do mundo e da sociedade. Ah, claro... tudo isso com as análises e previsoes sobre o “populismo” no Brasil... Esses amigos do “príncipe”... Será Touraine um reforco intelectual para “refundar o PSDB”?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A LUTA CONTINUA

Nos idos dos anos 90, a clássica banda britanica Deep Purple, após uma forte crítica diante de um disco que pouco vendeu, lançou um já clássico como resposta, intitulado 'T he battle rages on'. Sugestivo. É assim que me sinto agora, com uma capa recente da Veja em mãos. Desesperada com a derrota de lavada para o PT na última eleição presidencial, a direita brasileira continua explicitando seu racismo de classe e usando suas armas públicas para disseminar o ódio e confundir o povo brasileiro.

Após o mega sucesso de Tropa de elite 2, a revista elege o Capitão Nascimento como 'Primeiro super-herói brasileiro'. Quem me dera que isso fosse mera brincadeira de gibi. A chamada ao pé da capa suscita a questão, mais ou menos assim, qual o recado que estão mandando milhões de brasileiros que assistiram e aprovaram o filme...Como manipulação da opinião pública é uma arte da direita e não é novidade para ninguém, vamos pular esta parte.

O que mais me apavora é a raiva de classe incitada contra as classes populares. Um super-herói nacional sempre simboliza e impõe uma identidade, ao invés de simplesmente emanar, como figura folclórica, da opinião do povo. Eu sempre critiquei o mito da brasilidade, cujo super-herói até então era o Zé Carioca, figura pacífica e do bem. Agora, a direita derrotada e raivosa, irada com a revolução concreta pela qual passa o Brasil contemporaneo, tenta forjar um super-herói ainda pior, pois se o Zé Carioca representava a figura passiva do brasileiro, ambígua, pois ao mesmo tempo bondosa, agora nosso super-herói é um ser honesto, ético, porém, como sempre foram todos os mitos brasileiros, porém, portador de uma ambiguidade muito pior.

Pior porque ele é mau, corajoso, sinistro, dá tiro na cara de traficante perigoso, lidera uma tropa de homens humildes transformados em máquina de guerra, contra outros homens e mulheres humildes, que como efeito de nossa desigualdade estrutural, se tornam criminosos e um problema para a segurança das classes estabelecidas. Por isso, Capitão Nascimento é o herói da classe média, que assiste com gozo quando passa no Fantástico o Caveirão subindo o morro e 'matando geral'. O pior é que tentam generalizar o mito para todos os brasileiros, incluindo aqueles mais humildes que, como sempre, serão os mais prejudicados por ele.

Que saudade do Zé Carioca. Se fosse ministro da cultura hoje, distribuiria um gibi com história de paz e amor para todos os brasileiros, e para as classes estabelecidas enviaria, como último privilégio, exemplares de uma edição especial, com capa dura, para que, por essa estética, eles pudessem dignar-se em aceitar e colocar para enfeitar suas estantes, no lugar da raivosa revista Veja.

domingo, 7 de novembro de 2010

externalizando os problemas


O retardo em assumir culpas históricas não é a unica forma de manifestacao da arrogância e do conservadorismo católico em sua autointitulada missao de ser “autoridade moral mundial”. A dificuldade de assumir culpas presentes também confirma a mesma coisa. Em visita à Espanha neste fim de semana o senhor Josef Ratzinger teve a pachorra de atribuir à uma suposta “laicidade agressiva” a falta de credibilidade e de fiéis da Igreja no país. E pior: além de tentar “externalizar” os problemas de uma instituicao desmoralizada por sua própria dinamica, Ratzinger ainda teve a coragem de comparar a suposta atual “agressividade laica” dos espanhóis com o “anticrelicalismo” da segunda república (1931-1936) e do perído anterior à guerra civil provocada pelo golpe de Estado apoiado pela hierarquia da Igreja.

ANÁLISIS: La visita del Papa

No es verdad

Solo desde una ignorancia irresponsable puede afirmarse que en España se practica hoy un "laicismo agresivo", o que existe una clerofobia tan radical como la que se desató en la Segunda República, entre 1931 y 1936, y en los primeros meses de la guerra incivil provocada por un golpe militar apoyado por la jerarquía católica. ¿Quién informa al Papa? Lo dicho ayer por Benedicto XVI antes de poner pie en tierra española es una impertinencia impropia de un hombre sabio. También es diplomacia hostil frente a un Estado que sigue tratando a cuerpo de rey a la Iglesia romana en España, pese a proclamarse aconfesional y laico en la Constitución de 1978. No es posible achacar la declaración de Benedicto XVI a un desliz. El Papa lanzó esa execración en un encuentro que ya es protocolario en los viajes del Pontífice romano, cuando se reúne con los periodistas que vienen en el mismo avión para responder a preguntas pactadas.

Se supone, por tanto, que Benedicto XVI cree que, efectivamente, los actuales gobernantes son unoscomecuras, como suele decir la extrema derecha, y que España vive sumida en el clericalismo desordenado que en el pasado asesinó a clérigos y quemó Iglesias (enfrente, otros españoles, igualmente criminales, ejercían la misma violencia en nombre de una belicosa Iglesia que se decía perseguida).

La realidad es hoy tan clamorosamente distinta que hasta el Papa debe saberlo. Pocos Gobiernos han tratado mejor que éste a la Iglesia romana, desde la muerte de Franco y la cancelación del repugnante nacionalcatolicismo que sirvió de sostén durante décadas al brutal dictador. La España del siglo XXI no ha cancelado ni uno solo de los privilegios eclesiásticos, entre otros una situación de paraíso fiscal absoluto, con la excepción del IVA. Peor: solo el Gobierno Zapatero ha cedido a una demanda episcopal desoída por los presidentes que le precedieron, fuesen de derechas, de centro o de la izquierda. Después de años de fracaso del mal llamado impuesto religioso (la idea de que cada religión se financie con donaciones de los fieles), el Ejecutivo socialista elevó en 2007 a definitivo el generoso sistema de financiación pública a la Iglesia católica, e incluso incrementó un 34% la cuota del IRPF que Hacienda entrega a los obispos por las declaraciones de los fieles que lo deseen.

El resumen es confesional: el Estado financia actividades católicas con no menos de 6.000 millones de euros cada año (colegios, clases de religión, capellanías, reconstrucción de templos, salarios de obispos...). ¿Es eso laicismo agresivo, o anticlericalismo amenazador? Haría bien el Papa si pregunta a sus pastores por qué el pueblo no les hace caso, salvo una minoría, y sobre las causas de la creciente descristianización.


sábado, 6 de novembro de 2010

Avanço da Dilma

Em sua primeira fala depois da eleição, a presidente Dilma Rousseff apresentou o compromisso com a erradicação da miséria. Foi um avanço no compromisso do presidente Lula, quando em seu primeiro pronunciamento anunciou o compromisso com a erradicação da fome.

O debate presidencial de 2010 evitou o tema da erradicação da pobreza. Discutiu-se manter ou abolir o programa Bolsa Família, se o seu valor seria aumentado e se seus beneficiários teriam um mês adicional por ano. Nenhum jornalista perguntou e nenhum candidato prometeu fazer a bolsa ser desnecessária, graças à erradicação da pobreza.

Já eleita, Dilma assume este compromisso, mas sem dizer como fará. Se o caminho for apenas ampliar a transferência de renda, ela não conseguirá cumprir sua promessa. Além da falta de renda, pobreza é falta de segurança, de escola com qualidade, de habitação, de saúde. Comida é possível comprar com renda, habitação já precisa de apoio público, os demais itens somente serão atendidos diretamente pelo Estado. Nenhuma transferência de renda será suficiente para garantir que o pobre pague escola privada, hospital privado, água e saneamento em sua casa ou policiais para protegê-lo.

A presidente Dilma precisa explicitar como será seu programa para a erradicação da pobreza, sem ficar presa à renda, para não se perder, como Lula nos primeiros meses do complicado programa Fome Zero. Para acabar com a fome, Lula precisou descobrir a renda da Bolsa Escola transformada em Bolsa Família.

A inclusão social é, sobretudo, o resultado da “distribuição” de conhecimento. A educação de qualidade para todos é o caminho para a erradicação da pobreza. A presidente Dilma mostrou vontade de avançar, da “luta contra a fome”, do Lula, para a “promoção da erradicação da miséria”, mas para isto terá que entender que o caminho é a educação.

Dilma precisa descobrir a educação e definir desde já seu programa de revolução na educação de base, fazendo-a igual para toda criança do Brasil, em um prazo que não será curto. Seu primeiro passo deverá ser substituir dois, três ou diversos dos Ministérios já existentes por um que se dedique exclusivamente à educação de base. Enquanto o Ministério da Educação cuidar do ensino superior, ele continuará impossibilitado de ser um instrumento da revolução na educação de base.

O segundo passo será enfrentar e definir o cronograma de federalização da educação de base, com uma carreira nacional do magistério e um programa federal de qualidade educacional em horário integral, com escolas bonitas, confortáveis e bem equipadas.

Este programa deve ser implantado por cidades, onde os prefeitos desejem aportar suas contribuições e onde todos os partidos locais se comprometam a manter a continuidade do programa, mesmo depois da conclusão dos atuais mandatos.

A ideia do pacto nacional pela educação, já proposta por diversas pessoas, inclusive pelo candidato do PDT nas eleições presidenciais de 2006, que o Serra voltou a propor em 2010, pode ser iniciada por município, com o apoio do governo federal. Isto foi feito em 2003, em 29 pequenas cidades, no começo do governo Lula, com o programa Escola Ideal, mas interrompido logo no começo de 2004, com a reorientação do governo Lula para concentrar o apoio federal no ensino superior.

Lula cumpriu seu compromisso de acabar com a fome, porque usou o instrumento certo, uma simples transferência de renda. O programa já existia e ele, com sensibilidade e firmeza, ampliou-o até os limites necessários. Se ficar presa apenas a uma Bolsa maior, Dilma vai fracassar. Terá ido além do Lula na ambição da meta, mas ficará aquém dele na realização dela.

A missão da Dilma de erradicar a pobreza identifica-se com a busca de ficar na história como a alfabetizadora do Brasil, a líder que iniciou a revolução educacional capaz de fazer com que os filhos dos patrões e dos políticos estudem nas mesmas escolas dos filhos dos mais humildes trabalhadores. Caso contrário, ela pode até ir um pouco além do Lula, mas não realizará o que o Brasil precisa. Teremos que esperar mais tempo por outro presidente que fará a revolução brasileira pela educação.

Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF

Jobim defende soberania da América do Sul e critica Otan e EUA


do Vermelho

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticou veementemente as estratégias militares globais dos EUA e da Otan — aliança militar ocidental. Ele afirmou que nem o Brasil nem a América do Sul podem aceitar que “se arvorem” o direito de intervir em “qualquer teatro de operação” sob “os mais variados pretextos”.

Jobim disse que o Brasil não aceita discutir assuntos relativos à soberania do Atlântico enquanto os norte-americanos não aderirem à convenção da ONU sobre o direito do mar, que estabelece regras para exploração de recursos em águas nacionais.

Ele lembrou que os EUA não firmaram a Convenção sobre o Direito do Mar da ONU e, portanto, “não reconhecem o status jurídico de países como o Brasil, que tem 350 milhas de sua plataforma continental sob sua soberania”. “Como poderemos conversar sobre o Atlântico Sul com um país que não reconhece os títulos referidos pela ONU? O Atlântico que se fala lá é o que vai à costa brasileira ou é o que vai até 350 milhas da costa brasileira?”

Também referiu-se a uma “alta autoridade” americana que defendeu “soberanias compartilhadas” no Atlântico. “Não pensamos em nenhum momento em termos de soberanias compartilhadas. Que soberania os Estados Unidos querem compartilhar? Apenas as nossas ou as deles também?”, questionou.

O ministro da Defesa falou na abertura da 7ª Conferência do Forte de Copacabana, promovida pela Fundação Konrad Adenauer, ligada à Democracia Cristã alemã, para criar um “diálogo” entre América do Sul e Europa em segurança.

América do Sul

Ele se disse contrário ainda as alianças militares entre a América do Sul e os Estados Unidos. “Nossa visão é a de que podemos ter relações com os EUA, mas a defesa da América do Sul só quem faz é a América do Sul”. O ministro defendeu que o Brasil não deve se aliar a forças militares que não aceitem o comando de outros exércitos. “Os EUA não participam das forças humanitárias da ONU porque não admitem ser comandados por outros exércitos. Não podemos aceitar esse tipo de assimetria”, declarou.

Papel dominante

Em resposta ao alemão Klaus Naumann, ex-diretor do Comitê Militar da Otan, que disse que a Europa é o “parceiro preferencial” de que os EUA necessitam para manter seu papel dominante no mundo, o ministro disse: “Não seremos parceiros dos EUA para que eles mantenham seu papel no mundo”.

Segundo Jobim, a Europa “não se libertará” de sua dependência dos EUA e por isso tende a sofrer baixa em seu perfil geopolítico. O da América do Sul tenderia a crescer, pelo crescimento econômico e os recursos naturais, água inclusive, de que dispõe em abundância, enquanto escasseiam no mundo.

Energia Nuclear

Na avaliação de Jobim, as relações entre os países signatários do Tratado Sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares também é assimétrica e penaliza aqueles que buscam gerar energia nuclear para fins pacíficos. Para ele, não há problemas no interesse da Venezuela em dominar essa tecnologia. “A Venezuela sentiu o problema da sua base de energia elétrica ser hidrelétrica e teve inclusive que fazer racionamento”, disse. “A Venezuela fez tal qual o Brasil. E nós aplaudimos”, complementou sobre o país vizinho, considerado um problema no continente pelos EUA.

Cuba

As críticas de Jobim aos norte-americanos ainda abordaram a relação do país com Cuba. “Qual foi o resultado do bloqueio a Cuba? Produziram um país orgulhoso, pobre e com ódio dos EUA”, disse.

Para o ministro, os riscos à segurança da América do Sul e os conflitos do futuro estarão relacionados à água, minerais e alimentos. “Isso a América do Sul tem. Temos aqui o aquífero Guarani, a Amazônia, somos os maiores produtores de grãos e de proteína animal do mundo”, enumerou. “Temos que nos preparar para isso”, advertiu sobre possíveis ameaças futuras.

As declarações do ministro Jobim ratificam no terreno da defesa, os traços determinantes da política externa brasileira. O Brasil optou pelo caminho do exercício da sua soberania, da integração regional e do anti-hegemonismo estadunidense. O pronunciamento reveste-se de grande atualidade, porquanto a Otan, pacto militar agressivo sob a hegemonia norte-americana se reunirá ainda este mês em Lisboa, para definir o novo conceito estratégico. Entre outros pontos, na pauta da cúpula da Otan estão a expansão do raio de ação, com foco para todas as regiões do mundo, incluindo o Atlântico Sul.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Do Blog do Artur Xexeo

No momento seguinte ao da vitória de Dilma Roussef na eleição presidencial, um ator quase roubou a cena da nova presidente da República. Todo mundo viu na televisão o primeiro discurso da presidente eleita, e ninguém conseguia entender a presença de José de Abreu no palanque. Daí para a fama de papagaio de pirata, foi um pulo. Aqui, em artigo exclusivo para o blog, José de Abreu conta o que fazia no palanque.

Sobre Piratas, Papagaios, Torturas e Torturados

José de Abreu

"A melhor piada foi do músico Leoni, que me lançou como protagonista do filme 'O Papagaio d'Os Piratas do Caribe'.


E a pior, exatamente de um humorista, o Gregório Duvivier, que lançou meu nome (ainda bem que foi apenas o nome, não eu) para o Ministério da Figuração, logo eu que vivo fazendo novela das oito.


A verdade é que, naquele momento, quando tiraram os outros papagaios do palco e eu ia descer, uma mão firme me segurou, um olhar carinhoso cruzou com o meu e me senti estimulado a ficar. E fiquei.


Eu estava entre amigos, lutadores, como eu, da boa luta. E vitoriosos numa batalha onde golpes baixos eram lançados a toda hora, um aborto na canela, uma homofobia nas partes pudendas, um bispo protetor de pedófilo pisando no dedão... Terrorista, ladra, assassina, era o que se dizia dela, minha companheira de luta contra a ditadura, que de branda nada tinha. E tome machismo, preconceito, baixarias.


Estava feliz e emocionado, a lembrar dos censurados, dos torturados, dos assassinados pelo terror de Estado.


E pensei:
- Melhor ser papagaio de pirata que pirata sem papagaio."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A democracia nao é uma obviedade: é preciso defender a legitimidade do voto popular e enaltecer o valor de uma oposicao que nao seja uma cópia do Tea Party


Para os Reinaldos de Azevedos de todo os páis, a vergonhosa fúria contra "voto nordestino" é um júbilo diante da derrota que as urnas impuseram ao projeto de importar o estilo "Tea Party" como projeto popular. Para nós deve ser um aviso de que a direita está mais raivosa do que nunca e de que a histeria americana do momento segue sendo o sonho de consumo de boa parte do campo conservador.


O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter


Ontem, dia do resultado das eleições presidenciais, que deveria ser um dia de festa da democracia, ficou marcado como um dia em que o preconceito e o ódio tomou conta do Twitter, tão popular que é no Brasil. Um dia em que os Nordestinos foram tratados de forma altamente discriminatória. Um dia para não ser esquecido.
No Brasil, é muito comum se escandalizar com preconceito contra negros e gays. Casos assim ocupam páginas de jornais, provocam discussão e tem o tratamento que merecem ter.Mas, infelizmente, ainda existe o preconceito com relação à região de procedência, que é algo ainda pouco levado a sério e divulgado pela imprensa. E é algo que me assusta pela proporção com que tem crescido.
Eu sou Nordestina, de Fortaleza, Ceará. Nascida e criada aqui, com todos os sotaques e trejeitos característicos da região. Falo “oxente” e “vixe”, porque cresci com estas palavras fazendo parte do meu vocabulário. E tenho um baita orgulho de ser cearense. Por nada sairia daqui, porque aqui é o lugar que eu amo e onde me sinto feliz, com seus defeitos e virtudes.Por isso, me senti muito ofendida e triste com as mensagens que vi ontem no Twitter.
Para quem não acompanhou, tivemos um espetáculo digno de Goebbels. Vergonhoso, repugnante, capaz de fazer qualquer nordestino se sentir mal. Ver pessoas incitando a discriminação, pessoas com estudo e conhecimento incompatível com suas palavras, me provocou uma profunda tristeza.
Vejam vocês a que nível chegamos:
E a pior de todas:
Há muitos mais. Basta fazer uma busca no Twitter por “Nordestino“. Me recuso a comentar estes tweets.
Para quem não sabe, isso dá cadeia. Quem diz é a lei 7.716, de 1989, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. A lei afirma:
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores.
O preconceito tem que ser divulgado, não pode simplesmente ser aceito ou ignorado. O preconceito é crime e deve que ser tratado como tal. Não é porque uma pessoa nasceu em outra cidade, outro estado, outra região que será menos capaz do que você. Somos todos brasileiros, apesar das diferenças regionais.
Da mesma forma como muitos nordestinos são discriminados ao ir para o sul/sudeste, somos todos discriminados ao irmos para os Estados Unidos ou Europa, porque para eles tanto faz se você fala oxente, meu ou bah. Você é brasileiro e será taxado e julgado por isso. Agora imagine sofrer isso no seu próprio país.
Espero que você que é leitor do Mundo Tecno, reflita sobre isso. Tenho certeza de que, como meu leitores são pessoas inteligentes, irão se arrepender caso tenha falado alguma bobagem, e eu o desculpo por isso. Espero também que tenham consciência de que, no final das contas, nós estamos todos no mesmo barco.
Respeito ao próximo é o primeiro passo para vivermos em um país melhor. Então, vamos nos respeitar?

sábado, 30 de outubro de 2010

O QUE É REPÚBLICA NO BRASIL DE 2010?


Recentemente, comemoramos os 25 anos da nova república. Há um grupo de intelectuais e políticos, dentre os quais conheço e tenho amizade com vários, que defende o ideal da democracia brasileira através da perspectiva de aperfeiçoamento de nossa nova república, ou seja, a que vivemos no contexto pós re-abertura democrática. Intelectuais como Werneck Viana e Chico de Oliveira, que dispensam apresentações, bem como Fernando Henrique, têm apresentado críticas sistemáticas ao governo atual e assim assumido o papel de oposição em nossa dinâmica democrática atual.

Gostaria de apresentar algumas lacunas e algumas pequenas confusões que, a meu ver, surgem do posicionamento desta atual oposição ao governo do partido dos trabalhadores. A primeira:

O que é oposição?

Penso que não podemos confundir oposição x situação com direita x esquerda. A primeira "oposição", pra não perder o trocadilho, refere-se simplesmente a condição contextual de qual coligação partidária está no poder e qual não está. Este ponto me parece fundamental, pois parece ser um dos pilares da insatisfação e consequente crítica de muitos intelectuais que outrora apoiavam o partido dos trabalhadores.

Agora, direita x esquerda é outra coisa. São definições de lugares políticos inspiradas no contexto da revolução francesa que se formam a partir de ideologias. Um dos principais argumentos dos defensores da nova república é que são oposição ao governo atual e que este deixou de ser esquerda quando chegou ao poder. Aqui existe uma pequena confusão que merece esclarecimento. Chegar ao poder não significar deixar de ser esquerda, não necessariamente. Um dos principais argumentos sustentados por pelo menos três correntes intelectuais inspiradas nos três nomes citados acima é o de que o PT não fez o que poderia fazer quando chegou ao poder.

Logo, teria deixado de ser esquerda e necessitaria de uma oposição que se apresentasse como a nova esquerda. Parece que as idéias de Chico de Oliveira representam os ideais dos partidos "pequenos" da nova suposta esquerda brasileira, e principalmente do Psol. Estes sustentam um discurso um pouco mais assumidamente radical do que os outros dois grupos. O argumento é simples, o PT não implantou o socialismo porque não quis, e pronto. Respeito, mas considero uma postura muito confortável, principalmente para intelectuais como eu que tem seus empregos e sua dignidade garantida, se esconderem em partidinhos que não vão chegar ao poder tão cedo e se evocarem como oposição e defensores do socialismo.

O argumento em defesa do PT, neste ponto, é realista. Considero socialista e revolucionário, no sentido contextual da palavra, o enfrentamento teórico e político, desde o primeiro governo Lula, da questão social central do Brasil, a da desigualdade econômica crônica. Um dos argumentos do segundo grupo de oposição, representado por Fernando Henrique e que apóia a candidatura do PSDB, é o de que o PT teria meramente continuado alguns programas sociais anteriores. Este argumento é falso, porque não se trata de uma continuação. O PT sistematizou e criou programas novos e integrados em uma dimensão inédita na história do Brasil, sendo os principais o Bolsa Família e o Microcrédito para pequenos empreendimentos.

Logo, chegar ao poder não significa deixar de ser esquerda. Dilma disparou em pontos nas pesquisas recentes, usando roupas vermelhas com a tradicional bandeira do PT e tendo como frase central no horário eleitoral, "A presidente que não vai deixar privatizar a Petrobrás e o Pré-Sal". O argumento e a postura são legitimamente de esquerda e não estão sendo abandonados, por pessoas que não abandonaram o navio quando a real esquerda chegou ao poder no Brasil. Há algum tempo atrás eu não imaginava que chegaríamos a um momento deste no Brasil. Agora que chegamos, devemos ter frieza e saber com ele lidar. Agora que uma esquerda organizada desde a classe trabalhadora brasileira chegou ao poder e tenta mais uma vez se reeleger, para continuar negociando contra o mercado e o capital internacional e em favor do bem estar geral da população, me vêm intelectuais com o discurso de oposição e da república.

Muita gente me parece simplesmente atuar no mero jargão da "oposição pela oposição". Mas vamos no que realmente importa para decidir uma eleição. O terceiro grupo, cuja figura de Werneck me parece baluarte, é o que votou em Marina e agora migra em boa parte para o lado da "oposição". Outra parte permanece se percebendo como a "terceira via", insatisfeita com tudo, mas que não resolve nada. Ora, alguém precisa governar o país, alguém precisa trabalhar...Bem, os três grupos compartilhar com um argumento que me apavora pelo seu simplismo: o de que a figura carismática de Lula tenha engolido o partido e seja ameaça aos ideais republicanos e, logo, à democracia.

Outra confusão que merece esclarecimento: democracia e república não são sinônimos. Parecem ser no discurso do PSDB e do PV. Temos no Brasil formalmente uma república presidencialista e buscamos um processo de construção democrática, ponto este no qual todo mundo concorda, desde o PT até todos os seus opositores. A confusão central está na questão do que é democracia e de como construí-la. O discurso compartilhado principalmente pelas correntes do PSDB e do PV, bem como de seus aliados, formais ou não, explícitos ou não, é o de que a democracia se alcança pelo aperfeiçoamento da república. Acho que o PT e intelectuais simpatizantes concordam com este ponto. Entretanto, para a oposição atual, que não é esquerda como eu já disse, o caminho é o aperfeiçoamento das instituições democráticas de nossa nova república, ainda adolescente.

Este posicionamento tem duas limitações. Primeiro, é abstrato, porque considera a república como instituições, mas não considera os interesses das pessoas representadas por elas. Esta é a marca do PT. Sempre foi, uma vez que se origina na classe trabalhadora brasileira. Segundo, o que completa o anterior, este posicionamento é omisso e falho na luta contra a desigualdade porque, na medida em que se concentra no aperfeiçoamento do Estado, com o discurso anti-corrupção, não enfrenta os maiores corruptos e geradores de exploração, que são os senhores do mercado. E isso além de reduzirem o discurso anti-corrupção ao discurso anti-PT, como se este partido tivesse inventado isso.

Encerrando, é possível ser de esquerda estando no poder. Este é outro ponto teórico manipulado contra o PT. O argumento sutil é o de que esquerda e direita simplesmente não existem, sustentado mesmo por pessoas das três correntes que apresentei, que ao mesmo tempo, na prática, se percebem como esquerda, nova esquerda ou terceira via, o que no final dá tudo no mesmo. Bem, ser de esquerda no Brasil de 2010 significa enfrentar o mercado com a legitimidade e os recursos do Estado, como vem sendo feito desde Lula. Defender e construir uma república significa sistematizar políticas de diminuição gradual da desigualdade econômica, ponto este intimamente associado ao anterior, ou seja o enfrentamento e a negociação sistemática diante do mercado e do capital internacional. Construir uma democracia significa buscar com políticas concretas, e não com discursos abstratos acerca de instituições, o bem estar de todos os seus representados, e não meramente esperar que o desenvolvimento econômico e o aperfeiçoamento institucional operem por osmose ou por mágica a redução da desigualdade social no Brasil contemporâneo.

Desejo um excelente final de semana e um bom voto a todos os brasileiros.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vídeo Aula Portal Capes

Prezad@s,

Uma pausa para respirar....

Divulgo a didática aula do pessoal da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina sobre "Novo Portal Períodicos Capes".

Está disponível aqui:



Vale a pena...Divulguem! O Portal ainda é muitíssimo subutilizado.

O QUE É DEMOCRACIA NO BRASIL DE 2010?

Os tucanos falam em democracia o tempo inteiro. Na reta final, tentam desesperadamente associar a imagem do PT e principalmente de Dilma ao autoritarismo. Estranho isso. Nos faz refletir sobre um dos conceitos mais primários das ciências sociais. Então, vejamos o que seria a democracia no Brasil de 2010.

Se alguém evoca com veemência um dos valores fundadores do ocidente, é preciso observar quais são as práticas e a visão de mundo desta pessoa ou deste grupo para ver se são coerentes com os valores que afirmam defender. De modo simples, no pensamento moderno qualquer prática que se diga democrática deve se apresentar como contrária a qualquer comportamento que pareça autoritário.

Na antiga democracia grega, este conceito não era sinônimo de igualdade política e social. Remetia-se a um formalismo de enfrentamento e discussões nos quais não participavam os escravos, considerados naturalmente como gente inferior. Estes não eram, neste sentido, cidadãos, pois não participavam das decisões da cidade. No contexto dos Estados nacionais modernos, sob o qual vivemos, a idéia de democracia e o esforço em se criar instituições coerentes com ela foram ampliados. Democracia hoje significa igualdade política e social, o que naturalmente pressupõe igualdade econômica, exatamente o que faltava para que a democracia grega fosse perfeita e o que supostamente colocaria a democracia moderna como superior a antiga.

Curioso isso. Os tucanos atuais no Brasil, pseudos-baluartes da democracia, que falam em união e paz o tempo todo, não apresentam a igualdade econômica como prioridade em seus discursos, e muito menos em suas práticas partidárias e programas de governo. Que idéia de democracia é essa? O projeto político e o discurso partidário do PT, por outro lado, tem como prioridade a redistribuição sistemática de renda e o amparo econômico às classes populares. A IGUALDADE ECONÔMICA É PRIORIDADE PARA O PT. Logo, devemos desconfiar da tentativa de associação da imagem deste partido com o autoritarismo.

Por isso, em vésperas da eleição mais acirrada no Brasil desde a re-abertura democrática, devemos pensar bem em no que é ser democrático e no que é ser autoritário na realidade brasileira atual. O discurso pseudo-democrático do PSDB é abstrato, pois só fala em desenvolvimento econômico o tempo inteiro, sem enfrentar a questão básica de como este desenvolvimento deve lidar com a questão da injustiça social no Brasil, ou seja, sua desigualdade econômica. Neste aspecto, é semelhante ao ideal de democracia grega, praticado apenas por quem era considerado cidadão, e estes eram os que tinham superioridade econômica, ou seja, não eram os escravos.

É assim que o PSDB vê e trata as classes populares no Brasil, ou seja, não as considera sistematicamente, não as coloca como prioridade na ação do Estado. Acusam o PT de ser autoritário exatamente por fazer isso. Logo, fica fácil deduzir qual ideal de governo é realmente democrático e sinônimo de igualdade política, social e econômica. Pensando e agindo desta maneira, os governos tucanos sempre trataram as classes populares como sub-cidadãos, exatamente como se fazia com os escravos na Grécia antiga.

Na verdade, o que está por trás do maldoso discurso contra o PT, de que a distribuição de renda, o que não significa tirar de quem tem, mas usar o Estado para reparar desigualdades históricas, associando o PT a uma idéia de autoritarismo, é o egoísmo de classes privilegiadas que prioriza a manutenção de uma sociedade meritocrática e, logo, desigual. Não por acaso as privatizações, marca registrada dos tucanos, são sempre uma prioridade neste ideal de desenvolvimento. O ideal democrático deles é entregar os recursos nacionais nas mãos do mercado, a principal instituição moderna geradora de desigualdade. Assim, a pergunta que não se deve nunca calar, considerando que democracia deveria ser sinônimo de igualdade em todos os aspectos da vida, é a seguinte: quem pratica realmente a democracia no Brasil de 2010?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Atualização da Carta à População do Norte/Noroeste Fluminense

Prezad@s,

Fiz a atualização da carta com as novas adesões. Até o sábado pela manhã é possível participar da mesma.

Creio que por volta de meio-dia do sábado enviarei a carta atualizada em um último esforço de militância e lucidez política digital. Afinal, em meio a tanta desonestidade intelectual e baixaria, nossa contribuição ambiciona apresentar uma narrativa cristalina e de alto nível sobre o que temos na memória do que foi uma temerária gestão do PSDB particularmente no campo de educação, ciência e tecnologia.

Podem enviar as adesões para meu e-mail: georgecoutinho@gmail.com

Até lá, por favor, espalhem a carta. Vamos apostar em nosso poder de convencimento. Mesmo sabendo de nossos limites.

Por fim, mesmo que eu não responda ou atualize imediatamente eu lhes peço paciência. Esse é um ato de militância espontânea e enquanto trabalhador tenho que atender demandas outras.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

QUEM É A ELITE DA TROPA?

Em resposta ao meu Xará Bill, considerando a importância do tema, posto este texto que não contraria o dele em alguns pontos, mas discorda em outros, mantendo assim a saudável prática do debate respeitoso que sempre buscamos neste blog, e que infelizmente se perdeu na atual campanha eleitoral à presidência. O texto foi levemente editado para esta versão aqui. Temos aqui um debate sobre a política atual, mas também sobre os limites e possibilidades da arte no mundo contemporâneo.


É curioso que um filme cujo subtítulo é "o inimigo agora é outro" e cujo tema central é o combate à corrupção na política seja lançado no Brasil em pleno início de segundo turno para eleições presidenciais entre PSDB e PT, cujos discursos e práticas políticas, contrário a um dos sensos comuns mais difundidos sobre o tema, o de que seriam a mesma coisa, são exatamente o combate à corrupção no Estado (PSDB) e o interesse na redistribuição de renda e na ascensão econômica e política das classes populares (PT).

Achei engraçado que, quando foi lançado o filme "Lula, filho do Brasil", ouvi gente dizendo coisas do tipo "apenas Hitler financiou um filme próprio", sem naturalmente provar que Lula teria financiado o próprio filme. Agora me aparece este Tropa 2 em pleno segundo turno... A estratégia dos tucanos, filiados ao partido ou não, assumidos ou não, ou seja, uma das maiores estratégias dos inimigos do PT, tem sido a associação, na maioria dos casos, implícita e sutil, da imagem do partido ou de figuras expressivas dele, com o autoritarismo.

Como toda mentira para "pegar" precisa ser sutil, ou seja, uma meia-verdade, que apele para aparências e dados parciais, neste caso não é diferente. Não posso afirmar que o filme é dos tucanos ou pago por eles, mas como cidadão antes de tudo, eleitor e intelectual, posso refletir e apresentar algumas possíveis afinidades entre o filme e os discursos simpatizantes aos tucanos.

Como eu dizia, acerca do filme sobre a vida de Lula, os inimigos do PT sustentaram o argumento do autoritarismo, central ao lado do argumento da corrupção no Estado. No geral, tentaram associar a imagem de Lula ao fascismo, mesmo depois de oito anos de sucesso no governo, em favor das classes populares. Em sua passagem na UFJF, que presenciei, pude escutar algum incauto desdenhando da performance de Lula, que fala gesticulando os braços, e associando-a ao "Hay Hitler".

Primeiro, há um preconceito de classe nesta postura tucana, cuja maldade me entristece, pois ao escarnecer o jeito de classe popular de Lula também se escarnece e explicita o preconceito contra a classe trabalhadora e a ralé, que ele mais representa. É lógico que a imagem contrária é a do jeito bem comportado, da pessoa calma e auto-controlada, da figura de FHC e que Serra se esforça a ser.

Como toda mentira é ambígua, precisa confundir o leitor, agora sutilmente se associa a imagem específica de Dilma ao autoritarismo. Para parecer crítico, o argumento conservador tentou ser sutil. Conseguiria, se não tropeçasse em seu próprio preconceito de classe, que não consegue esconder a raiva pela ascensão econômica e moral das classes populares no Brasil de Lula. Nem me venham com a falácia da continuidade da política dos tucanos, pois tal ascensão dependeu da sistematização de políticas específicas de redistribuição, como o fomento pesado ao crédito para a chamada classe C.

Bem, a criação da imagem autoritária de Dilma tentou ser sutil, por exemplo, em edições recentes da Veja, que está fazendo uma seqüência cujas capas todas se remetem ao trocadilho do "Polvo" no poder. Numa delas, a sacanagem disfarçada de crítica e bom senso finge admitir que reconhece avanços de Lula, postura ensinada com todo o cinismo e fingimento da classe média mais estabelecida, e praticada por seu mentor FHC. Ele andou escrevendo coisas recentes neste tom. A revista dizia que Lula resolveu o problema do autoritarismo e da discórdia, mas que Dilma parecia ser um passo atrás neste avanço do partido e do governo.

O mesmo preconceito de classe que tenta associar os representantes das classes populares no poder com autoritarismo, é o que ditou o tom do Tropa de Elite 1, sobre o qual publiquei um artigo (O que o BOPE representa para a brasilidade), cujo link se encontra em meu blog www.macielfabricio.blogspot.com. Neste primeiro filme, o tema explícito era a corrupção da polícia e a dificuldade de se enfrentar o problema da segurança pública. O tema implícito era o preconceito de classe, visível se observarmos com calma que, ao invés de um problema de corrupção, como principal questão nacional, o que temos é uma questão de classe, na qual a realidade do BOPE é ralé matando ralé, pois os membros do batalhão são em maioria oriundos de classes populares, colocando seus corpos em defesa das classes estabelecidas.

Agora, em pleno segundo turno, o inimigo tucano não é outro, como afirma o Tropa 2. O inimigo é o mesmo, ou seja, as classes populares, só que o ódio incitado, por ser o momento da eleição, não é diretamente contra a ralé desesperada na miséria que comete crimes, como no primeiro, mas sim contra os seus representantes que estão no poder. Afinal, nunca se falou tanto em corrupção, algo presente em todo capitalismo que já existiu e em todo Estado nacional moderno, logo, presente em cento e poucos anos de Brasil república anteriores ao governo Lula. Mas, parece ficar claro com o discurso dos tucanos e com este filme Tropa 2, se olharmos com calma que, como a mentira tem que ser sutil, é lógico que o bordão seja "o inimigo agora é outro". O tema assumido do filme é a corrupção da política, como todos sabem.

Achei curioso a fala de um conhecido diretor do cinema brasileiro, Daniel Filho, no último festival de cinema realizado no Odeon do Rio de Janeiro, sobre o fato de o filme de Lula ter sido indicado para competir ao Oscar estrangeiro. Engraçado como as coisas sutilmente se encaixam. Ele acaba de lançar um belo filme sobre Chico Xavier, certamente uma das personalidades mais importantes da religiosidade brasileira, e por acaso também em época de eleição. Seria ingenuidade e imprudência de sociólogo se eu afirmasse ao leitor que tudo isso é encomendado pelos tucanos. Mas posso incitar a reflexão das afinidades de uma concepção de classes estabelecidas com a produção artística em plena época de eleição, e não qualquer eleição, mas sim uma na qual o único governo depois de Getúlio que enfrentou severamente a questão social central do Brasil, que é a de classe, procura eleger sua sucessora.

Daniel Filho, inconformado desde seu lugar estabelecido de classe, com o fato de o filme que mostra ao mundo um representante do lado mais prejudicado do Brasil chegando ao poder ter sido indicado no lugar dos conservadores, fino que é este diretor, foi afinado com o discurso que atribui ao PT o autoritarismo e, logo, deixa nas entrelinhas que os democráticos são outros...Seu comentário foi educadamente sarcástico: "como é mesmo o nome do filme? Lula, o 'dono' do Brasil?" (o nome correto do filme é "Lula, o filho do Brasil"). Com todo o respeito que tenho às religiões, como instituições legítimas, e a religiosidade como um todo, como fenômeno humano universal, bem como à figura de Chico Xavier e a seus fiéis e admiradores, como sociólogo tenho a obrigação de não esconder o dado de que o espiritismo se trata de uma religiosidade muito mais de classe média no Brasil, ainda que Chico tenha ajudado muita gente pobre. Nada disso é calculado. Acho que temos aqui a expressão artística de um conteúdo de classes estabelecidas, contrário aos ideais do governo federal atual, sendo este o que tenta sistematicamente minimizar a desigualdade de classe no Brasil.

Assim, a pergunta que quero deixar para a reflexão é: o que é ser autoritário e o que é ser democrático? O discurso do combate à corrupção no Estado refere-se à "nação" e ao "país" em abstrato. Ora, ninguém fez isso melhor do que Hitler...O discurso e a prática que admite a pesada desigualdade de classe no Brasil é concreto, pois não existe um país ou uma nação sem classes sociais. A própria existência do conceito de classe só faz sentido se pensarmos na desigualdade. Logo, quando ele é sutilmente tirado de foco pelo discurso anti-corrupção, abandona-se a questão social mais importante, marca esta registrada dos tucanos e de seus simpatizantes.

Espero ter contribuído para uma reflexão sobre quem é a "Elite da tropa" que afirma agora pretender enfrentar a corrupção na política, corrupção esta que por acaso sempre favoreceu às classes estabelecidas e não às classes populares. Ou alguém acha que a ralé, despedida do mercado e a classe trabalhadora brasileira, dispersa batalhando em grande parte no trabalho precário, levam vantagem com a corrupção em Brasília?

Quanto à ralé, foi o PT que sistematizou todas as políticas de amparo imediato. quanto à classe trabalhadora, nossos batalhadores, também foi o PT que fomentou recursos para suas ascensão e melhor qualidade de vida. Então, caro leitor, quem é o inimigo nesta história?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CARTA PARA A POPULAÇÃO DO NORTE/NOROESTE FLUMINENSE

Campos dos Goytacazes, 26 de outubro de 2010

CARTA PARA A POPULAÇÃO DO NORTE/NOROESTE FLUMINENSE

CIDADÃOS E CIDADÃS DAS REGIÕES NORTE E NOROESTE FLUMINENSE

Nós, PROFESSORES E PESQUISADORES que atuamos nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, vimos nos dirigir a todos que contribuem para a construção da sociedade brasileira nesta delicada conjuntura eleitoral. Queremos dar nosso testemunho do quanto é importante votar na DILMA PARA PRESIDENTE para garantir e ampliar as conquistas do nosso povo com o Governo Lula.

A razão desta carta é a defesa veemente da continuidade e do necessário aprimoramento dos investimentos na EDUCAÇÃO, na produção de conhecimento, de pesquisa e na formação de profissionais de excelência no Brasil. Este círculo virtuoso tornou-se realidade justamente com a chegada do Partido dos Trabalhadores e de LULA no executivo federal. Há dados oficiais de diferentes origens que podem atestar o que afirmamos.

Muitos de nós acompanhamos “a grande noite” da temerária gestão do senhor Paulo Renato de Souza, ministro da Educação de Fernando Henrique Cardoso. Seja enquanto servidores públicos ou estudantes vivenciamos a situação de precariedade infra-estrutural, a ausência de concursos públicos, a quantidade irrisória de verbas para a produção de pesquisa o que fez com que os docentes daquele período amargassem achatamento salarial e lidassem invariavelmente com sua criatividade e disposição altruísta no ofício científico. Outros tantos aposentaram-se ou simplesmente se demitiram por não considerarem minimamente atraente a permanência na carreira docente durante os anos de gestão de PSDB. Era comum na época a expressão “fuga de cérebros” que representa, de forma trágica, prejuízos financeiros e simbólicos irreparáveis para o nosso país. Nos Governos do PSDB não se construíram Escolas Técnicas nem Universidades Públicas. Para estudar, só pagando. Foi uma política contra os pobres, contra a maioria do povo.
A recuperação e substantiva ampliação da rede federal de ensino, no âmbito técnico e superior, tornou-se prática sistemática somente após o término deste período de trevas, quando, por exemplo, a biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ ficou simplesmente fechada por um longo período em virtude da ausência de manutenção.

Por tudo isso, em defesa da qualidade do ensino público gratuito e de qualidade, que não se resume somente a Escolas Técnicas, como demagogicamente aponta oposição, vimos lhes convidar para a reflexão necessária.

Devemos ao Governo Lula e à filosofia de trabalho da candidata DILMA ROUSSEF o aumento das vagas e do acesso dos estudantes das famílias mais pobres tanto ao ensino técnico quanto ao ensino superior gratuitos. Além disso, contamos com o futuro GOVERNO DILMA para continuar as políticas de EMPREGO E RENDA que aumentaram enormemente o emprego, a quantidade de trabalhadores com carteira assinada, o salário mínimo e a política de assistência, com o Bolsa Família, o PRONAF, além de muitos outros. A continuidade dessas políticas é fundamental para que os jovens das famílias mais pobres possam se dedicar totalmente ao estudo e à formação profissional e PARA QUE TODOS OS BRASILEIROS TENHAM UM FUTURO MELHOR.

VOTAREMOS, NESTE ESPÍRITO, NA CANDIDATA DILMA ROUSSEF DO PARTIDO DOS TRABALHADORES, NA CERTEZA DE QUE SÓ DILMA PODERÁ GARANTIR A CONTINUIDADE DA INCLUSÃO DE TODOS OS BRASILEIROS NOS DIREITOS DE CIDADANIA.

Votarão 13 no dia 31 de outubro:

Prof. Ana Maria Almeida da Costa UFF-Universidade Federal Fluminense

Artur Dalla Cypreste, Mestrando do PPGSP - Programa de Pós Graduação em Sociologia Política da UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Betina I. Terra Azevedo Arenari - Professora Instituto Federal Fluminense e mestra em Biotecnologia pela UENF

Brand Arenari - Doutorando em sociologia na Universidade Humboldt Berlim-Alemanha


Carla Inês Soares Praxedes - Doutoranda em Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal (UFF) e Professora do Instituto Federal Fluminense (IFF)

Prof. Carlos Eugênio Soares de Lemos, Professor Adjunto de Teoria Social e Coordenador da Universidade da Terceira Idade - UFF- Pólo Universitário de Campos dos Goytacazes

Daniel Pinheiro Caetano Damasceno – Bacharel em Ciência da Educação - UENF (2006) Mestre em Sociologia Política - UENF (2009) e Doutorando em Sociologia Política – UENF

Fabrício Maciel, doutorando em ciências sociais na UFJF e na H S Freiburg, Alemanha. Professor da especialização em políticas públicas e gestão social da UFJF.


Francisca Caroline Rangel de Avila Mestranda em Sociologia Política - UENF - Bacharel em Ciências Sociais - UENF - Bacharelanda em Direito - UCAM


Prof. George Gomes Coutinho – Professor Assistente de Sociologia UFF- Pólo Universitário de Campos dos Goytacazes e Doutorando em Sociologia Política UENF

Gerson Tavares do Carmo - Professor Institutos Superiores de Ensino do CENSA / Professor do Programa de Licenciatura PARFOR-Uenf / Recém Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Uenf

Prof. Guilherme Vieira Dias - Professor de Geografia do Instituto
Federal Fluminense (IFF) e da rede estadual de ensino.

Prof. Halisson dos Santos Paes - Professor da Universidade Cândido Mendes e do ISECENSA - Instituto de Ensino Superior do Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora.

Prof. José Luis Vianna da Cruz – Diretor do Polo Universitário da UFF em Campos dos Goytacazes

José Henrique Mendes Crizostomo - Sociólogo e mestrando em Sociologia Política pela UENF

Lorena Rodrigues Tavares de Freitas Graduação em Ciências Sociais (UENF) Mestrado em Ciências Sociais (UFJF) Doutoranda em Sociologia Política (UENF)

Prof. Maycon Bezerra de Almeida - professor de Sociologia do Instituto
Federal Fluminense

Manuela Vieira Blanc, doutoranda PPGSP/UENF

Marcus Cardoso da Silva Mestrando Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política UENF

Paula Aparecida Martins Borges Bastos - Doutora em Medicina Veterinária - IF Fluminense - campus Bom Jesus do Itabapoana.

Paulo Sérgio Ribeiro da Silva Jr. Sociólogo e Mestre em Políticas Sociais (UENF). Doutorando em Sociologia (UNESP-Araraquara


Renan Lubanco Assis – Licenciado em História pela Uniflu (Campos, RJ) (2007) e Mestrando em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf).

Rafael Pinheiro Caetano Damasceno - Doutorando em Sociologia Política – UENF

Prof. Roberto Moraes – Instituto Federal Fluminense (IFF)

Roberto Dutra Torres Junior - Doutorando em Sociologia pela Humboldt Universität zu Berlin

Prof. Rodrigo Anido Lira - Professor da Universidade Candido Mendes

Prof. Rodrigo Rosselini Julio Rodrigues - Professor do Instituto Federal Fluminense

Sana Gimenes Alvarenga Domingues - Mestre pelo PPGSP/UENF

Suelen Salih Teixeira - Engenheira Metalúrgica pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), mestranda em engenharia mecância na Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita (UNESP)


Prof. Dr. Thiago Motta Venancio - Pós-doutorando do National Institutes of Health (EUA) até 25/11/2010 e Professor Associado do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) - UENF a partir de 27/11/2010

Viviane Aparecida Siqueira Lopes - Professor-Assistente da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Walter Luiz Brasil Medeioros, prof.IFF - Campos -RJ. Doutor em Química Orgânica

Yolanda Gaffrée Ribeiro. Mestranda em Sociologia Política - UENF