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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pensando o Simpósio de Jornalismo Científico na UENF: Ecos da palestra de Marcelo Canellas

Venho divulgar texto publicado no último sábado na Folha da Manhã devidamente comentado pelo jornalista boa praça Gustavo Smiderle da Assessoria de Comunicação de UENF (ASCOM/UENF). Como estamos nas vésperas do evento penso que de fato as questões aí apresentadas possam ser um nutritivo aperitivo do que terá lugar no I Simpósio de Jornalismo Científico.

Boa leitura!

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Em entrevista publicada na edição deste sábado (21/11/09) do jornal Folha da Manhã (www.fmanha.com.br), o jornalista Marcelo Canellas toca em vários pontos que deverão ser debatidos em profundidade durante o 1.º Simpósio Nacional de Jornalismo Científico, que se realizará dias 25 e 26/11, no Centro de Convenções da Uenf. De forma explícita ou implícita, Canellas antecipa diversas questões de fundo da programação do Simpósio.

O jornalista participou do chamado ‘Pré-Simpósio’, na última quinta, 19/11/09, ministrando a palestra ‘O papel do jornalista na comunicação da ciência’. A entrevista foi concedida ao repórter Ewerton Corrêa, do segundo caderno da Folha da Manhã.

Cabe registrar que a inscrição no Simpósio pode ser feita gratuitamente até 23/11/09, em www.uenf.br/simposio.

Eis os pontos levantados por Canellas, com grifos nossos, seguidos dos respectivos comentários:

        I - Traduzir a linguagem técnica, fugir ao hermetismo

        ‘A contribuição que podemos dar é perceber o que a universidade ou instituto de pesquisa fazem pela própria comunidade. Quais são suas ações e de que modo elas interferem na vida de um todo. E essa ideia de que o conhecimento é algo hermético, que deve ficar circunscrito aos muros das universidades vai contra a democracia. É aí que entra o papel do jornalista, no sentido de ajudar os cientistas e os pesquisadores a tornarem o conhecimento gerado por eles acessível à população.’

Comentário:

Este é o aspecto mais básico, o ponto de partida da discussão: a importância da abertura e reforço de canais de interlocução entre a academia e os demais âmbitos da sociedade. Este ponto tende a ser consensual, mas ainda não toca — como o entrevistado fará adiante — em questões teoricamente mais aprofundadas.

        II - Jornalismo com profundidade

        ‘Precisamos formar jornalistas mais familiarizados com esse tema, com mais ferramentas teóricas, para discutir esse assunto e apresentá-lo para a população que é completamente leiga. Eu não acredito que seja necessária uma formação específica, ou seja, ser um médico ou biólogo, basta exercer um jornalismo como deve ser exercido, com profundidade, buscando conexão entre causa e consequência e tentando explicitar realmente como surgiu determinado conhecimento, como foi gerado e para que ele vai servir.’

Comentário:

Jornalismo de verdade, aplicado a qualquer área (Economia, Política, Ciência, Esporte etc), envolve apreciação crítica, consulta a diferentes fontes, explicitação do processo (e não apenas do resultado), abordagem do ingrediente político (quais são os interesses envolvidos, quais foram as concepções ou visões que se confrontaram até que alguma prevalecesse etc.).

Esta temática levantada por Canellas deve permear todo o Simpósio, mas há de ser analisada mais especificamente na mesa ‘Por um jornalismo científico mais crítico’, dia 25/11, quarta, às 16h, com a participação de Cilene Victor da Silva (presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, ABJC), Ricardo André Vasconcelos (blog ‘Eu penso que...) e Adelfran Lacerda (ex-assessor de Comunicação da Uenf). O tema também é tocado pela presidente da ABJC na entrevista ao próximo número da revista Nossa Uenf (http://www.uenf.br/index.php#paginas/1233180726), que circulará a partir do Simpósio.

        III - Prioridades nas pesquisas

        ‘Um exemplo concreto é que das quatro principais doenças negligenciadas do mundo, três acontecem no Brasil. São doenças negligenciadas por falta de pesquisas científicas. A única que não acontece no Brasil é a doença do sono,existente na África. Mas a malária, leishmaniose e a doença de Chagas são todas elas doenças infecciosas originárias da pobreza, e os laboratórios não têm interesse em pesquisar. Então, caberia às universidades e institutos de pesquisa fazerem isso. Além disso, está faltando da parte da imprensa brasileira colocar esta discussão na sociedade. São milhões de brasileiros que estão carentes desse conhecimento’.

Comentário:

Por aqui se vê que a tarefa do Jornalismo Científico é bem mais complexa do que apenas ‘traduzir’ a informação científica para uma linguagem acessível. Quem decide sobre o que é prioridade nos investimentos em ciência e tecnologia? Como decide? Que interesses estão em jogo? Parece claro que o processo será mais transparente e democrático na medida em que setores mais amplos da sociedade sejam informados sobre estas questões.

O Simpósio terá uma mesa com representantes das três principais agências estaduais de fomento do país (Fapesp, Faperj, Fapemig). Eles vão debater os parâmetros que têm regulado o apoio à divulgação científica por parte destas instituições. Será em 26/11, quinta, às 14h.

        IV – Espaços para ciência na mídia

        ‘Existem jornais que têm espaços reservados para ciência e tecnologia, mas ainda é um espaço pequeno. Existe uma demanda reprimida que não é atendida pelos meios de comunicação.’

Comentário:

O aspecto qualitativo das matérias científicas é crucial, mas não é possível pensar em informação qualificada, elaborada e reflexiva sem espaços na mídia. Esta é uma questão nacional, que também cabe no contexto local de Campos (RJ) e região.

No âmbito local, em termos quantitativos, perdemos, junto com a interrupção na circulação do Monitor Campista, uma página semanal de noticiário sobre ciência e tecnologia. Em termos qualitativos, seria o caso de aproveitar o Simpósio para tentar propor a instalação de editorias de ciência nos nossos veículos de comunicação. O material produzido pelas assessorias é um avanço em relação à ausência de matérias sobre ciência, mas o horizonte a ser perseguido provavelmente é o de redações que utilizem estes releases como matéria-prima para suas próprias construções.


Leia também:

Cobertura da palestra de Canellas feita pela Ascom/Uenf:

http://www.uenf.br/index.php#paginas/1233180726

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Palestra Marcelo Canellas hoje, 16h, no Centro de Convenções - UENF

Repassando recado da ASCOM/UENF

À comunidade universitária,

Reforçamos o convite para a palestra de hoje (quinta, 19/11), às 16h, a ser ministrada pelo jornalista Marcelo Canellas, no Centro de Convenções. Canellas, que ganhou mais de 20 prêmios nacionais ou internacionais, vai falar sobre 'O papel do jornalista na comunicação da ciência'.

Aberta ao público, a palestra é uma prévia do 1.º Simpósio Nacional de Jornalismo Científico, que ocorrerá na próxima semana (quarta e quinta, 25 e 26/11), no Centro de Convenções.

Para quem deseja participar das demais atividades do Simpósio, as inscrições continuam abertas até 23/11, em www.uenf.br/simposio. Já somos mais de 400 inscritos, mas ainda há vagas.

Comissão Organizadora / Ascom

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Prorrogadas as inscrições para o I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico (UENF)

I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico

Comunicação de temas científicos para a sociedade em geral entra em pauta na Uenf.
Foram prorrogadas até 23/11/09 as inscrições para o 1.º Simpósio Nacional de Jornalismo Científico, que se realizará em 25 e 26/11/09, no Centro de Convenções da Uenf. Numa prévia do evento, o jornalista Marcelo Canellas, repórter especial da Rede Globo, ministra palestra durante o Pré-Simpósio, em 19/11, às 16h, no mesmo local. Cerca de 270 participantes se inscreveram no Simpósio durante o prazo inicialmente estabelecido.

O Simpósio vai reunir alguns dos mais importantes pesquisadores e profissionais da área de jornalismo científico do país, como o editor da revista Scientific American Brasil, Ulisses Capozzoli. Jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em Ciência pela USP, ele vai ministrar, no dia 25/11, às 15h, a palestra de abertura do Simpósio, intitulada 'Percepção pública da ciência: responsabilidades da mídia e do jornalista'.

No mesmo dia, às 16h, a mesa-redonda 'Por um jornalismo científico mais crítico' vai reunir o professor Cidoval Moraes de Souza (Universidade Estadual da Paraíba), a jornalista Cilene Victor da Silva (presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico-ABJC) e o jornalista Ricardo André Vasconcelos (autor do blog 'Eu penso que...'). A mesa será mediada pelo jornalista Martinho Santafé (Revista Visão Social).

Às 18h30, será realizado debate sobre o tema 'Cientista e divulgação: o papel das universidades e instituições de pesquisa', reunindo os jornalistas Maurício Yared (editor do programa Globo Universidade), Cláudio Márcio Magalhães (presidente da Associação Brasileira de TVs Universitárias-ABTU) e Adelfran Lacerda (ex-assessor de Comunicação da Uenf). A mediação do debate ficará a cargo da jornalista Fúlvia D'Alessandri, da Assessoria de Comunicação da Uenf.

No dia 26/11, às 14h, haverá mesa-redonda sobre o tema 'Apoio à divulgação científica', reunindo dirigentes de agências de fomento. As três Fundações de Amparo à Pesquisa mais importantes do país estarão representadas por Roberto Dória (chefe de Gabinete da Presidência da Faperj), Mariluce Moura (diretora de Redação da Revista Fapesp) e Vanessa Oliveira Fagundes (assessora de Comunicação da Fapemig). Em seguida, às 16h, o professor Luiz Antônio da Silva Teixeira, da Fiocruz, ministra palestra sobre o tema 'A cobertura jornalística da gripe suína no Brasil - uma abordagem a partir da História da Ciência'.

Fechando a programação, será realizada às 18h30 a Roda de Ciência sobre o tema 'A compreensão pública da ciência no século XXI'. Os debatedores serão a professora Maria das Graças Caldas (Unesp), o professor Walter Ruggeri Waldman (LCQUI/Uenf) e o jornalista Maurício Tuffani (Assessor de comunicação da Unesp e editor do blog Laudas Críticas). A Roda será moderada pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa, diretor de redação do jornal Folha da Manhã, de Campos.

O Simpósio terá ainda dois minicursos (sobre tratamento de imagem digital e confecção de blogs) e uma série de atividades paralelas.

Fonte: http://www.uenf.br/

terça-feira, 27 de outubro de 2009

I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico - UENF - Campos dos Goytacazes - RJ

Prezad@s,

Como é praxe neste espaço divulgamos as boas iniciativas acadêmicas que ocorrem em Campos e alhures. Esta terá lugar justamente em Campos, na UENF, e está sendo cuidadosamente planejada pelo competente grupo da Assessoria de Comunicação da UENF (ASCOM). Trata-se do I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico (maiores informações aqui), que ocorrerá nos dias 25 e 26 de novembro do ano corrente.

Na realidade para Campos, especialmente, há um significado especial. Afinal, há aqui a expansão da UFF, o IFF, o campus de pesquisas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a própria e premiadíssima UENF... e um jornalismo científico ainda deficitário, aparentemente pouco preparado para fazer com que a população em geral compreenda o que é feito nas diferentes áreas de pesquisa, muitas vezes apresentando-se enquanto gargalo “em si” para a boa divulgação científica. Talvez esse déficit de formação explique, dentre outras variáveis, a baixa entrada da alta produção de pesquisas na mídia local....Ressalto apenas que o Simpósio, nacional, não objetiva por razões óbvias solucionar essa questão. Mas, decerto oferecerá um bom momento para o debate em diferentes níveis, sobre e para além do nível local.



Este “vácuo” de informação certamente poderia ser enfrentado e iniciativas deste quilate oferecem uma excelente oportunidade para pensarmos a ciência não como elemento exótico das sociedades humanas, vide a imagem caricata do cientista de jaleco branco, óculos e cabelos desgrenhados. O debate sobre ciência deve ter um retorno direto para a sociedade, a grande financiadora dos avanços científicos na periferia, dado que se não fosse o repasse estatal dos impostos arrecadados, simplesmente estaríamos ainda na era da “roca de fiar” dado o nosso empreendedorismo de mercado invariavelmente paralítico.


Não percam! Mas, notem que o prazo para inscrição, on-line e realizado no site do próprio evento, irá até o dia 31 de outubro.