Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A "burrocracia" ataca as Ciências Sociais


O momento é bastante oportuno e interessante para discutir limites e potencialidades das corporações de ofício, posto que recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu sentença contrária aos mesmos pleitos das corporações de ofício dos jornalistas.

Não há possibilidade de ser sério o livro sobre formação do Estado brasileiro e constituição da identidade nacional que não mencione a importância exercida pelas corporações dos bacharéis em Direito, Medicina e Engenharia. Da mesma forma, e por conseqüência mesmo, também não há outro meio de versar sobre o estágio atual da Educação Superior no Brasil negligenciando as influências das corporações nas instituições reguladoras do Ensino Superior (MEC, CNE, INEP).

Recordo-me de um debate com colegas de profissão, ocorrido em 2004, acerca do conceito de “necessidade social” para a abertura de novos cursos ou vagas no Ensino Superior. Diante da exponencial expansão dos cursos de Ensino Superior, muitas corporações lançaram-se em empreitada contrária a abertura de novas vagas nas IES baseando seus discursos na defesa da qualidade do ensino. Posto que muitas corporações já exerciam controle das reservas de mercado por meio das provas (OAB, principalmente), foi interessante constatar essa nova engenharia montada para se protegerem da concorrência. O conceito de “necessidade social” era uma forma de reserva de mercado inovadora, pois as IES que pretendessem abrir novos cursos (ou simplesmente novas vagas em cursos já existentes) deveriam antes comprovar que a região necessitaria de tais vagas ou cursos. Para operacionalizar tal conceito, inventaram uma esdrúxula fórmula que relacionava o número de vagas existentes no município e o número de habitantes. Construíram um seguinte raciocínio: se muitas vagas, baixa qualidade. Esqueceram-se os defensores da qualidade do ensino de que o número de vagas oferecidas em um determinado município poderia ser oriundo de péssimas IES, portanto, uma IES com boa avaliação não poderia entrar no mercado daquele município com muitas vagas oferecidas por IES com avaliações ruins. Dito de outra: o fato de existir uma relação habitantes/vagas alta não significava que as vagas eram de qualidade. Portanto, no intuito de “proteger” a qualidade, propuseram um péssimo critério que poderia, se implementado, piorar e muito a situação. Por esse conceito, dificilmente a UERJ conseguiria abrir um curso de Direito em Campos, por exemplo.

A tal “necessidade social” é apenas um exemplo da intromissão das corporações de ofício na Educação Superior. Existem muitos outros, tais como o engessamento das grades curriculares e exigência de número mínimo de horas para cada disciplina. Intromissões que já seriam discutíveis caso o Estado as fizessem, porém, quem as produz não é exatamente o Governo ou Parlamento democraticamente eleito, mas sim instituições privadas onde nem o Estado nem a Sociedade possuem qualquer controle, posto que as corporações gozam de quase absoluta liberdade de constituição e formação. Daí surge o pseudo-paradoxo de que maior controle/intromissão significa maior atuação do Estado na Educação Superior. Como exposto, muito provável o oposto, já que os Conselhos são aparelhados pelas corporações de ofício.

Ainda sobre as ingerências das corporações de ofício nos cursos de Ensino Superior e nas reservas da atividade profissional propriamente dita, e aqui me refiro ao exercício profissional no mercado de trabalho, surpreendo-me com uma movimentação audaciosa da Federação Nacional dos Sociólogos (FNS), qual seja, de tomar as mesmas ações das corporações dos jornalistas já recusadas no STF, só que com uma inovação: pretendem ao mesmo tempo impor ingerências tanto no mercado de trabalho quanto nos cursos superiores em Ciências Sociais. Em panos claros, os representantes dos sociólogos pleiteiam exclusividade nas atividades docentes nos cursos de graduação em Ciências Sociais. Pleito completamente desprovido de sentido lógico e que negligencia toda a formação das Ciências Sociais, o que me faz duvidar se os que representam a categoria e possuem o diploma já não constituem as próprias provas concretas que o diploma não garante qualidade alguma.

O mínimo de conhecimento sobre as Ciências Sociais já seria suficiente para constatar as características inter e multidisciplinares da área. Lembro-me de uma das primeiras conferências que assisti na ANPOCS do antropólogo Gilberto Velho, em 1999, que proferiu um discurso sobre a dificuldade de classificação de que áreas comporiam as Ciências Sociais, já que a História se dedicava aos mesmos temas que as três áreas habitualmente reconhecidas como Ciências Sociais (Antropologia, Ciência Política e Sociologia). Eu acrescentaria duas outras áreas: Economia e Psicologia, que em muitos casos guardam mais similaridades com a Ciência Política e Sociologia do que a Antropologia propriamente o faz. Isso sem falar na Filosofia que pode ser considerada a mãe de todas as Ciências, ainda mais no que se refere às Ciências Sociais. Correria o risco ainda de colocar na mesma situação das Disciplinas já citadas tanto a Literatura quanto a Comunicação Social.

O fato de discordar com várias abordagens metodológicas destas disciplinas não permite desprovê-las de sentido ontológico e até mesmo instrumental dentro da constituição do que seriam as Ciências Sociais. Afinal, não há curso sério em Ciências Sociais que exclua das suas grades curriculares essas Disciplinas.

Como se não bastassem os argumentos da constituição e formação das Ciências Sociais, acrescento ainda o fato de que a maior parte da formação do profissional da área se dá nos cursos de pós-graduação, posto que no Mestrado e no Doutorado que o aluno passa maior parte do tempo da sua formação (6 anos nestes e apenas 4 na Graduação). E não somente a maior parte do tempo de formação, como também a parte mais importante desta, ou se esqueceram os sindicalistas que existe hierarquia meritocrática na Academia? Quiçá investissem mais tempo no labor acadêmico os ajudassem a compreender as idiossincrasias da área e dos profissionais que pretendem representar.

Destarte, divulgo abaixo a carta do um coordenador da PUC-SP, Claudio Couto, contra o intento da Federação Nacional dos Sociólogos (FNS), publicado no Boletim da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP). Um libelo pela qualidade e liberdade da Universidade.


Vitor Peixoto






Sobre o requisito do diploma de graduação Ciências Sociais para a
docência em Ciência Política – carta de Cláudio Couto (PUC-SP)

O Boletim publica abaixo a carta que o colega Cláudio Couto, chefe do DCP da PUC-SP, encaminhou à diretoria da ABCP em resposta à carta da Federação Nacional dos Sociólogos (FNS), dirigida ao Reitor da PUC-SP, na qual lhe solicitou que o diploma de graduação em ciências sociais passe a ser exigido nos editais de seleção de professores para disciplinas do curso de graduação em ciências sociais. A FNS justifica essa demanda pelas dificuldades de acesso à carreira docente enfrentadas pelos graduados em ciências sociais, processos judiciais que têm provocado a anulação ou suspensão de processos seletivos e a qualidade do ensino, para a qual é necessário que o conhecimento científico do professor seja adequado à disciplina oferecida.

“Magnífico Sr. Reitor, Sra. Pró-Reitora de Graduação, Sra. Diretora da Faculdade de Ciências Sociais, Sra. Coordenadora do PEPG em Ciências Sociais e chefes de Departamento,

Escrevo-lhes motivado pela carta cuja cópia segue anexa, enviada pela Federação Nacional dos
Sociólogos ao magnífico reitor de nossa Universidade. Como providências cabíveis são solicitadas aos chefes de Departamento, creio que deva me manifestar. Nessa carta, o presidente da referida entidade requere que nossa Universidade restrinja a possibilidade da contratação de professores das áreas de Sociologia, Antropologia e Ciência Política àqueles graduados em cursos de Ciências Sociais, exclusivamente.

Alega que a razão para tal solicitação é o fato de que algumas universidades têm contratado
profissionais com formação em outras áreas do conhecimento, e que isto seria prejudicial à formação de estudantes que precisam cursar disciplinas das três áreas das ciências sociais acima mencionadas. Parece-me que tal solicitação é completamente descabida. Trata-se, para ser mais claro, de um verdadeiro despautério corporativista e, com o perdão do trocadilho, burrocrático.

Em primeiro lugar porque – felizmente – não existe qualquer exigência legal para que sejam contratados exclusivamente graduados em ciências sociais como professores que venham a ministrar disciplinas das três áreas das ciências sociais. Em segundo lugar porque a graduação em cursos que não sejam de ciências sociais não torna os profissionais necessariamente incompetentes na área de ciências sociais. Tal competência pode ser obtida pela atuação profissional e de pesquisa na área, posterior à obtenção da graduação.

Em terceiro lugar porque esse tipo de solicitação representa uma intromissão inaceitável em assuntos acadêmicos internos das Universidades, atentando contra a autonomia universitária num aspecto dos mais importantes: sua independência funcional para definir os critérios de mérito válidos para a seleção de quadros docentes. Se o esdrúxulo critério defendido pela Federação Nacional dos Sociólogos fosse adotado nas instituições de ensino superior brasileiras, não teriam podido atuar como professores de ciências sociais intelectuais notáveis como os que listo a seguir, apenas a título de exemplo:

• Emir Sader – ex-presidente da Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS), atual Secretário do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), graduado em filosofia.
• Maria Manuela Carneiro da Cunha – ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), membro da Academia Brasileira de Ciências, professora titular do Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago, graduada em Matemática Pura.
• Wanderley Guilherme dos Santos – ex-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), membro da Academia Brasileira de Ciências, premiado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico na área de Ciências Sociais e Humanas, ganhador do Prêmio Vitor Nunes Leal para melhor livro no ano 2006 em Ciência Política, por anos principal liderança intelectual do IUPERJ (instituição de ponta na pesquisa e pós-graduação em Ciência Política e Sociologia), graduado em Filosofia.

Tendo isto tudo em vista, creio que devamos simplesmente desconsiderar por completo a carta
enviada a nossa Universidade por essa entidade, que nenhuma relevância tem nos debates travados pela comunidade de ciências sociais em suas principais associações: ANPOCS, ABA, SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia) e ABCP (Associação Brasileira de Ciência Política).

Atenciosamente,
Cláudio Gonçalves Couto
Chefe do Departamento de Política - PUC/SP”

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Nova Cult e pílulas conjunturais sobre a imprensa


Estamos vivendo um momento particularmente interessante na atual conjuntura no que tange uma instituição importantíssima para se avaliar a esfera pública. Ora, falo objetivamente da imprensa tradicional e sua profunda crise de legitimação.

Em sociedades centrais do capitalismo temos uma maior profusão de jornais e revistas, além de opções televisas e radiofônicas, que ao menos transmitem uma relativa sensação de “pluralidade” dentre as fontes expressivas, estéticas e normativas encontradas na sociedade. Podemos discutir a qualidade destas, se escapam de maneira efetiva daquilo que Fredric Jameson chama de “lógica cultural do capitalismo tardio”, com sua reprodução pré-reflexiva do niilismo moral, da apologia ao individualismo possessivo ou mesmo tão pura e simplesmente na recusa deliberada de discutir projetos societários. Afinal, como diria aquela a propaganda da famosa marca de tênis: “Just Do It”. Nestas circunstâncias, para que devemos discutir projetos de longo prazo?

Mas, a despeito das opções normativas rasas impostas, estamos vendo o declínio de uma forma específica de se produzir e circular as informações. O desaparecimento gradativo de jornais tradicionais nos países centrais é apenas um dos elementos mais espetaculares produzidos pelos incrementos tecnológicos nos últimos anos... E de súbito há um aumento exponencial e descentralizado na quantidade de bens simbólicos em circulação, o que faz com que na lógica sistêmica de regulação de mercado possam competir diferentes produtores de informação (amadores ou não). Evidente que, como em qualquer mercado onde há a escassez inerente de recursos, há “pontos na rede” mais aparelhados e outros menos. Mas, hoje mais do que nunca, dificilmente encontramos a viabilidade, em sociedades minimamente abertas, de uma “versão única dos fatos”. Acho pouco crível que mesmo o mais positivista dos jornalistas, com sua apologia de “narrar o ocorrido”, recuse afirmar que a narrativa, em si, é uma leitura possível, dentre outras tantas, sobre aquilo que Bourdieu afirmava ser “construído”. Não há o “fato”, há a narrativa sobre o fato se quisermos realizar uma inflexão hermenêutica. E, quer queiram ou não, este monopólio (ou o oligopólio) da produção de narrativas sobre os fatos morreu com a popularização dos computadores pessoais e as conseqüentes novas ferramentas de informação. Descontando as desproporções entre grandes corporações e os autores domésticos (como eu), não há versão sem contra-versão. Devemos é discutir o alcance real dos movimentos de contra-hegemonia (contra-versões), como já fiz em outro momento.

Nas sociedades periféricas não vislumbramos a pluralidade ou qualquer sinal de democratização das formas de comunicação em um primeiro momento. Com uma estrutura oligopolística bastante fechada de produção de informações em diferentes escalas (local, estadual e nacional), a imprensa brasileira constitui-se enquanto pequenos ou grandes impérios blindados, dependentes profundamente do dinheiro público e/ou simplesmente porta-voz daqueles que mais se beneficiam do erário. O chamado “quarto poder” deu suas inúmeras demonstrações da capacidade de criação de fatos políticos de toda ordem. Este mesmo “quarto poder”, afinal, participou há pouco das mais lamentáveis aventuras republicanas da história do Brasil. Ajudou a eleger e a depor Fernando Collor na nossa recentíssima Nova República. No momento de suspensão da normalidade institucional em 1964 foi adesista de primeira hora, objetivamente a grande imprensa, tripudiando em tom ufanista das instituições democráticas. O que revela o caráter anti-liberal e autoritário de parte de seus quadros. De lá para cá fez todas as chantagens que o leitor bem informado e minimamente culto pode analisar no cotidiano. Enquanto porta-voz onipresente de interesses inconfessáveis ajudou a aprofundar um dos elementos mais danosos e perversos dos nossos mitos de “origem”: o asco ao Estado. O Estado, enquanto pior dos mundos, paradoxalmente é guloseima a ser degustada com propagandas institucionais de toda ordem. Não é à toa que Wanderley Guilherme dos Santos (aqui) nos lembre o quão bárbaro e atrasado pode ser o “quarto poder”.

Por essas e outras considerei interessante e subversiva a resposta em forma de blog dada pela Petrobrás. Na ótica da ruptura com a produção unilateral da “verdade sobre os fatos” a Petrobrás participa diretamente desta possibilidade, em um ato eminentemente de cunho político, de que a imprensa e seus sacerdotes não mais detenham o monopólio da produção dos discursos sobre a sociedade. Tampouco tenha a autoridade discursiva inabalável sobre o real. Creio que finalmente, em uma ótica habermasiana, poderemos ver o triunfo do melhor argumento, algo que a maioria da imprensa esqueceu há tempos de como fazê-lo. O exercício de pluralidade discursiva pode nos levar, sim, a um renascimento da esfera pública onde a imprensa é obrigada a conviver com diferentes e incontroláveis influxos comunicativos. A imprensa morreu, viva a imprensa!

Dentre as possibilidades geradas pela descentralização da circulação de informação eu sinceramente espero que dois bastiões caiam juntos: o da péssima qualidade da produção analítica e textual da imprensa e o do corporativismo jornalístico. Afinal, para se produzir análises de fato relevantes, precisas, informativas e que contribuam com a saúde da esfera pública é necessário algo mais do que um diploma de comunicação social. Certamente não estou reivindicando a regressão de qualquer movimento da divisão social do trabalho, mas, que a formação destes produtores de informação forneça de fato instrumentais que permitam uma atuação reflexiva. Inclusive que se obedeçam a critérios de “qualificação” e não de diploma, em uma reserva de mercado tão cega quanto danosa. Afinal, como bem sabemos, os jornalistas não são os únicos interessados em escrever sobre a sociedade. E estes tem dado demonstrações cabais, salvo as raras e honrosas exceções de sempre, de que quando o fazem nem sempre realizam contribuições efetivas para as instituições ou para a qualidade da democracia.

Espero que a concorrência estimulada no mercado de bens simbólicos, a despeito dos chiliques, nos leve a um patamar de reflexividade não operado ainda. Seja ela de esquerda ou de direita. Afinal, neste campo da disputa no mercado de bens simbólicos, tem sido queixa constante de diferentes segmentos a baixa qualidade, o maniqueísmo de esquerda ou de direita, o faccionismo explícito (traduzido em pressupostos inegociáveis) e a recusa pela crítica dos elementos que constituem aquelas relações. Entre esquerda ou direita a recusa ao esclarecimento não produziu nada mais do que piorar a qualidade de nossa combalida esfera pública. Um lamentável papel, anti-iluminista, ainda não superado até o presente momento onde as expressões alternativas no espaço público somente engatinham.

Portanto não posso deixar de expressar meu entusiasmo com o último número da Revista Cult. Neste momento é a única revista, de periodicidade mensal, que por hábito invisto meus parcos caraminguás há um bom tempo. O número 136 da revista, que custa R$ 9,90 ainda encontrável nas bancas, prossegue em um esforço ainda sem par de divulgação e popularização do que a humanidade produz de mais elevado: a alta cultura. Usualmente o menu oferecido pela Cult é entremeado por literatura, cinema, poesia, artes plásticas, política, filosofia, boa música (popular ou erudita), sociologia e seus sempre informativos dossiês. Já foram capa da revista e objeto de diferentes dossiês: Goethe, Weber, Bourdieu, Hannah Arendt, dentre tantos outros e, desta vez, Jürgen Habermas.

Embora reconheça um certo domínio paulistano usual nas páginas da Cult em sua trajetória, este dossiê especialmente apresenta um painel com alguma diversidade geográfica, com intelectuais de diferentes pontos do sudeste e do sul do Brasil. Diria que faltas sentidas imediatamente foram as dos professores Marcelo Neves, Flavio Beno Siebeneichler e do casal Sérgio Paulo Rouanet e Bárbara Freitag Rouanet que, de maneira diversa, participam de maneira inegável do esforço de divulgação e/ou de interpretação do legado habermasiano entre nós.

Todavia neste dossiê nos oferecem um painel eficiente e, na medida do possível “acessível”, autores que não constituem necessariamente o establishment intelectual do momento como Luiz Bernardo Leite Araújo (UERJ), José Pedro Luchi (UFES), Delamar Volpato Dutra (UFSC), Jessé Souza (UFJF), dentre outros. Possivelmente a escolha destes autores se dê visando obter pontos de interpretação ainda não suficientemente assimilados e/ou divulgados. Ou mesmo como um tom de provocação e desafio aos leitores iniciados ou não no esforço habermasiano de interpretação da modernidade. De forma ou de outra o texto funciona ao apresentar “um pensador da razão pública” como apresenta a capa da revista.

Neste número, como é a tradição da Cult, certamente o leitor não terá a sua inteligência menosprezada. Em verdade é desafiador e corajoso que tenham optado por um autor usualmente tão conhecido nos meios acadêmicos e ainda tão pouco digerido. Mas, creio que Souza, conhecido dos campistas por sua passagem na UENF, nos apresente de maneira tão fulminante quanto desconcertante por qual via Habermas pode ser subversivamente apreendido na periferia: “Pensadores críticos, como Habermas, não devem ser usados apenas como meio de ‘distinção erudita’, como mero ‘adorno da inteligência’, como um fim em si, como é tão comum entre nós. Eles são uma ‘arma prática’ para se perceber nossa própria sociedade de outro modo, mais crítico e menos autoindulgente e superficial como nos acostumamos a nos perceber”. (Souza, Cult 136, 2009: p.62).

Retornando a um dos fios condutores deste ensaio, ora, que estes influxos reflexivos possam ter um retorno para a própria imprensa neste momento de crise de legitimação. Mas, até lá, que contemos com um oásis como a Cult.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Honduras: um golpe que pode fazer diferença

Roberto Torres

Voltemos quatro ou cinco décadas o nosso olhar sobre a história da América Latina. Militares seqüestrando um presidente eleito num pequeno “quintal” da intervenção imperialista dos EUA; a Igreja Católica com sua vocação autoritária e arrogante vindo a público para legitimar o golpe com a desculpa de se preocupar com a vida das pessoas; a imprensa colonizada e golpista do Brasil doida para encontrar um porto seguro que aceite seu discurso de que este golpe não é mais condenável que o “populismo” de Hugo Chaves e sua influencia sobre o presidente deposto, já que ambos desprezam a “democracia”. Muitos ingredientes de fato nos levam ao passado, mas o fim da Guerra Fria e os contornos de uma nova atenção dos EUA para o sul do continente não. O golpe de Estado que afastou o presidente Manuel Zelaya do governo de Honduras nos oferece uma grande chance de observar como as relações políticas do continente atravessam mudanças significativas. Uma combinação contingente de eventos, impulsionada pela nova política externa dos EUA para o continente, faz com que este golpe possa ter um significado muito diferente para as relações políticas do continente do que, por exemplo, o golpe dos generais e empresários venezuelanos contra o presidente eleito Hugo Chaves, quando o governo americano apoiou a intervenção militar.

Pela primeira vez na História os EUA condenam um golpe militar no America Latina. Com isso fortalecem a postura da Organização dos Estados Americanos (OEA) e legitimam a resistência democrática dos hondurenhos que defendem a constituição e a democracia. À medida que a OEA se vê como caixa de ressonância de um discurso público internacional que também condena um golpe militar no continente, abrem-se possibilidades de que este tema permaneça de tal modo na ordem do dia, que a afirmação dos valores democráticos encontre um parâmetro de referencia capaz de balizar um consenso promissor. A condenação ao golpe, ao unir Obama e Hugo Chaves, promete expectativas recíprocas que buscam como ponto de partida a convergência em torno de um programa democrático que simbolicamente une os EUA e as democracias reformistas da América Latina. O “inimigo comum” funciona sempre como referencia eficaz para a produção de uma convergência. Quando a convergência demarca publicamente uma diferença entre os regimes políticos de países como Venezuela e Bolívia e o golpe militar hondurenho, ela funciona como um espaço de dês-estigmatização dos modelos alternativos de constitucionalidade democrática destes dois países e abre precedente, com a demarcação precisa do que é um regime não democrático, para a legitimação internacional em torno da variação das formas institucionais da democracia. Ao condenar a força, não se pode deixar de lembrar que a prática plebiscitária de um Hugo Chaves ou a reforma constitucional de Evo Morales são bem diferentes da truculência e da arrogância das elites golpistas militarizadas. Neste momento, há uma giganteca aglomeracao de hondurenhos marchando para o aeroporto da capital Tegucigalpa para receber o presidente Manuel Zelaia. Os militares cercam o aeroporto e dizem que nao aceitarão o pouso do avião que trará Zelaia. Os olhares da esfera pública internacional esta atentos para o desafio trazido pela atitude de usar a presenca nao violenta no espaco público como acao moral capaz de mobilizar constrangimentos ao uso despido da forca. A estrutura simbólica desta acao consiste em mostrar a arrogancia da forca, precipitando o uso contrário de uma forca resistente. "Eu peço a todos os trabalhadores do campo, das cidades, índios, jovens, amigos, que me acompanhem em meu retorno a Honduras. Não tragam armas. Pratiquem o que eu sempre preguei: a não-violência.", disse Zelaya ao convocar seus apoiadores. O interessante desta vez é que esta resistencia tem o aval da parca opiniao pública internacional. Durante todo o século XX, as inssurecoes democratizantes latino americanas eram fortemente deslegitimadas pela posicao político-ideológica do EUA. O caso de Honduras é uma experiencia interessante na medida em que a posicao americana se ve na contingencia de aceitar como legitima a manifestao dos hondurenhos que "eles também podem", como dizia um indigena em cartao (Obama, we also can!).

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Recontagem


No momento em que o Irã experimenta uma grande indefinição em sua sucessão presidencial, talvez seja interessante lembrarmos de um evento ocorrido em 2000 no Estado da Florida nos EUA.

O filme “Recontagem” (Recount, 2000) traz uma descrição bastante razoável das 5 semanas de batalha judicial americana até o desfecho final que todos conhecemos. Mesmo para os pouco afeitos a discussões políticas o filme pode ser aproveitado para um debate acerca dos conceitos de validade e confiabilidade utilizados na metodologia de pesquisa social. Ou mesmo para discutir as potencialidades dos usos e abusos dos contrafactuais.


Domingo, 21 de Junho de 2009

A quem interessa o conservadorismo


O esforço da mídia hegemônica para deslegitimar o Congresso é a prova de que ela não gosta da Democracia.
Por Tales Faria, do Jornal do Brasil

Sempre gostei do jornalismo investigativo. E nunca fiz coro com aqueles que taxam como denuncismo aquilo que é simplesmente denúncia. E não vejo por que denunciar erros e desmandos em instituições seja uma forma de derrubá-las. Acho que, no mais das vezes, ajuda a aperfeiçoá-las.

Mas lembro muito bem um tempo em que sociólogos iluminados e arautos do conservadorismo defendiam arduamente a tese de que precisávamos parar com as denúncias. Que denuncismos não servem para preservar as instituições. Vi também o PT de um lado do balcão, bradindo o megafone das denúncias e, depois, na época do mensalão, atacando a irresponsabilidade dos acusadores. O mundo é assim, tudo depende de que lado cada turma está. Hoje tucanos e ex-pefelistas do DEM não falam mais em denuncismo. Resolveram bater pesado no Congresso. Como acho que DEM, PSDB e PMDB controlaram a maior parte do tempo o Congresso, especialmente o Senado, não posso deixar de concluir que essas denúncias vão acabar recaindo sobre eles próprios. Aí fico meio sem entender por que, então, insistem.

Para tentar compreender um pouco, resolvi dar um passeio pela internet. Naveguei por comentários dos blogs de política. Nos que reproduzem meus artigos, vi coisas como a do leitor que se assina Helvécio Pinton (hpinton@aurortextil.com.br):
“Há muito tempo defendia a ideia de que só uma bomba de nêutrons consertaria esse país. Começo a achar que, do jeito que andam as coisas, nem várias bombas de nêutrons dariam mais jeito... Estamos definitivamente arruinados em matéria de credibilidade”.

O internauta de apelido Beto (paraty47@bol.com.br) enviou:
“Todos os que criticam o período da ditadura militar lamentam a falta de oportunidade daquele período para os escândalos a que estamos assistindo no Executivo e no Legislativo. O limite do brasileiro é realmente muito grande. Em qualquer país civilizado esse Congresso já teria caído fora. Somos todos bobos porque não sabemos defender a nossa nação. Vivemos de jeitinho e somos conhecidos por isso lá fora. A cadeia está cheia de pequenos ladrões enquanto os grandes ladrões mandam no país. Quem manda concordar que as decisões sejam tomadas em Brasília, um verdadeiro arraial de Festa de São João”.

Vi até coisas como este comentário de Zilnard Carvalho (carvalho-43@hotmail.com):
“Quando Collor era candidato à Presidência, declarou certa vez que o Senado era um ninho de ratos e que iria acabar com isso. Ganhou, com uma avalanche de votos e foi deposto pelas intrigas do próprio Senado que soube comprar as declarações do irmão do Collor e, aproveitando-se da força da mídia, inventou, ensinou e incitou os caras pintadas de verde e amarelo a depor o presidente. Aquilo lá já deu até, como cria, chefe de quadrilha de matadores no Norte e Nordeste. Ali é o verdadeiro ninho ‘de tudo que é furto no país’, que o povo e a mídia, se querem uma nação passada a limpo, devem investigar mais ainda, e não fazer como o senhor Lula, que sempre passa a mão na cabeça deles como fez agora com o Sarney e suas trapalhadas. Será que o povo e a mídia já esqueceram que o Sarney, quando presidente do Brasil, esteve à beira do impeachement? Lembram-se quem, e o que o salvou? Pois aí está. Collor agora é da quadrilha e nós, quando povo, e a mídia continuamos a suar a camisa e fazer papel de palhaço às custas desta camarilha instalada em Brasília. O Brasil não é um país sério, disse um presidente francês. Aqui devia ter a guilhotina como teve a França. E a nossa política devia ser como no Líbano: roubou, perde a mão, estuprou é capado, e assim por diante”.

E veja o que postou o Paulo Fernando da Fonseca (paulofonseca60@yahoo.com.br) sobre artigo de outro colunista de política:
“Caro, improdutivo, escandaloso, portanto, nosso Congresso é de todo desnecessário. Sairia mais barato pagar a esses ladrões para que ficassem em suas bases”.

Pior. Em outra coluna, um internauta, dito Sergio-paulista (smassera@terra.com.br), postou a seguinte pérola:
“Este é o governo que permite tudo, desde que o apoie. Uma bomba H em Brasília resolveria todos os nossos problemas!”.

Bem, em política não há espaço para a ingenuidade. Vale perguntar por que quem resistia a dar eco a qualquer denúncia hoje finge não ouvir gritos de guerra como os dos desavisados comentaristas acima.


Sábado, 20 de Junho de 2009

I CONFERENCIA LOCAL DE CONTROLE SOCIAL

Prezad@s,

Divulgo com entusiasmo a programação da "I Conferência Local de Controle Social" em Campos dos Goytacazes, RJ, cidade no Norte Fluminense usualmente dotada de somas vultuosas de recursos e baixíssimo nível de "controle social" ou de "controles democráticos" sobre o erário.

Tanto o é que usualmente as ações de maior impacto político na cidade são deflagradas na esteira do que a literatura contemporânea chama de "judicialização da política", o que significa que o aparato judicial do Estado, mediante seu braço repressivo, desbarata e criminaliza práticas nefastas e ilegais contra o bem público. Mas, como venho argumentando, o revés da judicialização é a inércia dos atores atuantes na sociedade civil que tanto depositam sua fé cívica na ação da justiça quanto aguardam, placidamente, que o poder judiciário faça aquilo que deveria ser sua prerrogativa: a fiscalização do Estado e da classe política.

Por tudo isso a ousada tentativa, mais uma vez capitaneada pelo professor Hamilton Garcia de Lima (Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado - UENF), deve ser acompanhada de perto pelos interessados nas tramas ocorridas no espaço público local. Afinal, fóruns e conferências como as que ele tem promovido são vias de injeçao de reflexividade e crítica em um espaço público carente de intervenções de alto nível (vide os miseráveis debates no legislativo local como um dos nossos exemplos mais patéticos).

Em suma, divulguem e prestigiem. Justamente por se tratar de um projeto de extensão universitária podemos ter aí deflagrados aprendizados políticos e gramáticas morais de grande valia para uma sociedade acostumada com dois móveis rastaquera da ação política: a ação carismática de um lado ou o poder sistêmico e instrumental do "dinheiro fácil" no outro.


I CONFERENCIA LOCAL DE CONTROLE SOCIAL

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) convida todas as entidades civis organizadas e demais interessados na articulação de um movimento de controle dos poderes públicos locais, a participar da I Conferência Local de Controle Social, que será realizada no próximo dia 24/06, às 18h30, no auditório do IFF (antigo Cefet - Campos), localizado na Rua Dr. Siqueira, 273 - Parque Dom Bosco - Campos dos Goytacazes. O evento contará com a presença de técnicos e representantes de movimentos sociais do Rio de Janeiro, Maringá e Campos, além de um representante da CGU, e fornecerá certificado de participação.


Promoção: PROEX/UENF, PROEX/IFF e FPECCR1

Apoio: CCH/UENF, FENORTE/TECNORTE e ANOREG/RJ2

Coordenação:

Hamilton Garcia (Cientista Político/UENF)

PROGRAMAÇÃO

Abertura:

Silvério Freitas (UENF), Roberto Moraes (IFF) e José Francisco (FPECCR)

Palestrantes:

RONI ENARA

Diretora executiva do ICF - Instituto da Cidadania Fiscal, órgão disseminador e gestor da Rede de Observatórios Sociais, que são entidades da sociedade civil que trabalham em favor da transparência e da qualidade na aplicação dos recursos públicos através do controle e da vigilância social no monitoramento das licitações públicas e de ações de educação fiscal.

DÉBORA SANTANA DE OLIVEIRA

Representante do movimento Rio Como Vamos, que integra a Rede cidadã por Cidades Justas e Sustentáveis, cujo objetivo é monitorar e aprimorar a qualidade de vida na cidade. O movimento nasceu inspirado na experiência bem-sucedida de Bogotá,, na Colômbia. No Brasil, a rede começou com o movimento Nossa São Paulo, que acompanha os principais indicadores e metas do Executivo e do Legislativo municipais, a fim de contribuir para a eficácia e transparência das políticas públicas.

FÁBIO FELIX DA SILVA - GERENTE DE FOMENTO AO FORTALECIMENTO DA GESTÃO E CONTROLE SOCIAL DA CGU

Servidor de carreira da Controladoria-Geral da União (Analista de Finanças e Controle), é responsável pela gestão das ações de estímulo ao controle social, das ações educacionais para ética e cidadania dirigidas a crianças e adolescentes, e das ações de fortalecimento da gestão pública.

FRANKLIN DIAS COELHO - PRÓ-REITOR DE EXTENSAO DA UFF

Professor e Assessor da Pró Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense – UFF. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em estudos do poder local, atuando, principalmente, nos seguintes temas: desenvolvimento local, políticas públicas, administração municipal, cadeias produtivas, pequenos empreendedores, inovações tecnológicas e cidades digitais.

DÉBORA SANTANA DE OLIVEIRA - RIO COMO VAMOS

Representante do movimento Rio Como Vamos que integra a Rede cidadã por Cidades Justas e Sustentáveis, com objetivo de monitorar e aprimorar seus indicadores de qualidade de vida. Tem como inspiração a experiência bem-sucedida iniciada na cidade de Bogotá, na Colômbia. No Brasil, a rede começou com o movimento Nossa São Paulo, que acompanha os principais indicadores e metas do Executivo e do Legislativo municipais, a fim de contribuir para a eficácia e transparência das políticas públicas .

RODRIGO VALENTE SERRA - Economista da Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Professor/pesquisador do Mestrado em Engenharia Ambiental do IFF e Especialista em Regulação da ANP, possuindo experiência na área de Economia Regional, com pesquisas nos seguintes temas: cidades médias, desenvolvimento regional, royalties do petróleo: distribuição, desenvolvimento urbano e crescimento econômico.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: CLEBER TINOCO - Servidor publico, advogado e membro da rede blogs de Campos dos Goytacazes. Tem experiência na área de direito administrativo, com ênfase em licitação e contratos administrativos.

Debatedores:

Fábio Siqueira (Diretor Municipal do SEPE)

Geraldo Coutinho (Diretor Regional da FIRJAN)

Sobre as regras:

O formato das conferências que pretendemos realizar ao longo desse projeto comporta dois momentos: o da palestra-debate (em auditório) e da reunião deliberativa (em sala).

Como essa 1ª Conferência tem um certo caráter inaugural desse processo, até pela importância estrutural do tema, como subsídio p/ escolhas institucionais que faremos mais adiante, a mesa ficou grande e o espaço p/ o debate menor. Visando o melhor equilíbrio possível entre exposição/debate, adotamos o critério aproximadamente simétrico da distância p/ balizar a primeira rodada de exposição: quem vem de outros estados terá mais tempo do que os fluminenses e esses mais que os campistas.

Dos palestrantes, o que esperamos é uma carga condensada de informações e problematizações acerca de suas experiências/estudos, dos debatedores, que sistematizem as preocupações locais, à partir das exposições dos convidados, de forma a sistematizar as principais questões p/ a platéia e os palestrantes na 3ª rodada.



Domingo, 14 de Junho de 2009

Tragédia no Céu e na Terra

Fabrício Maciel


Antes do comentário quero publicizar os pêsames do Outros Campos, ainda que atrasados, a todos aqueles que neste momento sofrem a perda de algum ente querido em nossa última tragédia no ar. Acabo de ver o Fantástico e a novela midiática sensacionalizante da tragédia humana continua. O episódio atual é sobre um casal que aguarda notícias do filho. Com o coração apertado escrevo estas linhas. Após a tragédia no céu, na terra ela continua. Continua para as famílias, em particular, e para uma sociedade débil com seus dilemas sociais e humanos. A morte sempre foi ritualizada nas sociedades humanas. Nas modernas, ou avançadas, como gostamos de dizer, algo novo parece ocorrer. Os rituais, típicos da ação humana, naturalizam a dimensão sem precedentes das tragédias que vivemos. Naturalizam também suas causas, sempre omitidas ou simplificadas em nosso imaginário, o que explica a edição sensacionalista da mídia, seu reality show da tragédia.
A solidariedade de classe, em particular, da classe média, e a solidariedade nacional com as classes integradas, no geral, se completam. Não que a classe média seja boazinha, mas suas perdas humanas são sensacionalizadas de modo diferente daquelas da ralé. Nas primeiras são pessoas de verdade que morrem, alguém que fez algo de bom por sua sociedade, a ajudou a desenvolver, e está certo. No segundo caso, as mortes que surgem na mídia geralmente são de delinquentes, que só viram celebridades póstumas por serem considerados inimigos da mesma sociedade construída pelos primeiros. Está errado.
No geral, o triste fato permite algumas constatações igualmente tristes. Primeiro, para não sermos simplistas, a dimensão de perigo fora do alcance da tecnologia, sempre incompleta, fenômeno este mundial. Depois, a debilidade de uma esfera pública e de um imaginário nacional que geralmente funcionam por osmose, como paliativos, geralmente incapazes de se colocarem previamente com análise e ações práticas certo padrão de previsibilidade sobre a segurança nacional de todas as classes. Efeitos de um aprendizado moral e político historicamente fraco, queu só aprendeu a naturalizar certas desgraças como inevitáveis ou como espetáculos de dor. Tristes são estas famílias, com todo o direito. Triste é a nação brasileira agora, pela sensibilidade que o sensacionalismo ainda suscita, e pela incapacidade política. Triste sou eu escrevendo agora. Um abraço forte a todos que sentem agora diretamente ou não com tais perdas.

Domingo, 7 de Junho de 2009

Segundas Debates: Estudos Acadêmicos Complementares à Graduação

Prezad@s,

Divulgo evento promovido pela professora Ana Maria A. da Costa da UFF Campos.

Por conta da correria nem sempre consigo postar os avisos.. mas, desta vez foi possível!

Divulguem e prestigiem:

MEC - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

ESR - INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL

COORDENAÇÃO DE EXTENSÃO

DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL

Projeto de Extensão: “Segundas Debates: Estudos Acadêmicos Complementares à Graduação.”

CONVITE

O Projeto de Extensão Segundas Debates, convida você a participar da Mesa-redonda Os Assentamentos Rurais e a Inclusão Produtiva: um caminho possível, no 15 dia de Junho - segunda-feira, no horário de 16:00 às 18:00 h no ESR/UFF-Campos – sala 01. Convidados:

David Barbosa – Coordenador Geral da COOPERPROCIC( Cooperativa de Produção e Comercialização dos Assentados de Ilha Grande e Che Guevara - Marreca);

Fábio Cunha Coelho – Professor e pesquisador da UENF-CCTA/LFIT .

Mineiro – ( Assentamento Antônio de Faria – Lagoa de Cima).

Profª Ana Maria Almeida da Costa

Coordenadora do Projeto


Informações: Rua José do Patrocínio, 71 – Centro – Tel. 27220622 e 27330319, Ramal 4104 e 4112 no horário de 14:30 às 17:30h. Os certificados poderão ser solicitados na Secretaria da Coordenação de Extensão.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

"Anjos e Demônios": possibilidades de nossos tempos

Fabrício Maciel
Ontem fui ver "Anjos e Demônios", do diretor Ron Howard, baseado na obra de Dan Brown. Não li o livro e por isso não sei se é fiel, mas de todo modo o filme inspira uma discussão central sobre a modernidade. Trata-se da velha guerra entre ciência e religião, ou talvez entre formas dintintas de fé. O filme mostra dificuldades e ambiguidades dos dois lados, e no final faz uma alusão típica dos últimos tempos, ou seja, a necessidade e a possibilidade positiva de união de ambas.
A trama se desenrola no estilão clássico de serial killer. Com a descoberta de uma teconologia que permitiria um uso sem precedentes da força da anti-matéria, a "partícula de Deus", por parte da ciência, é despertado o interesse de uma sociedade secreta, os Illuminati, repudiada na idade média pela Igreja católica, por conta dos interesses científicos que ameaçavam a mesma. Na ocasião da morte do papa e da fragilidade da igreja com sua cadeira de lider vazia, os Illuminati aproveitam para se vingar ritualmente, repetindo o assassinato de quatro homens importantes da igreja, como foi feito com eles no passado, e para destruir totalmente a Igreja, com a força da tal tecnologia, roubada por eles no filme.
É interessante a tensão e ambiguidade em toda a trama. Mostra o quanto há ou pode haver de ciência na religião e vice-versa. A grande descoberta científica em jogo pode ter desdobramentos desastrosos quando em mãos de fanáticos. Do mesmo modo que cientistas podem virar fundamentalistas religiosos, como os Illuminati, pois na verdade trata-se de uma guerra entre duas religiões, no filme, tendo uma delas a ciência como deus. Uma coisa é fazer uso do saber científico, que até um interesse religioso moderado pode fazer. Outra é trata-lo como deus, o que não supera em nada a radicalidade do pensamento religioso.
Para nossa época esta discussão, que apenas levanto aqui, é fundamental, pois todas as combinações são possíveis, e algumas são melhores do que outras. Falo das combinações entre saberes científico-tecnológicos e usos moderados ou radicais. As descobertas em si não garantem um mundo melhor. Seu uso é determinado por forças em tensão, dentre elas a esboçada na guerra secular entre ciência e fé. O dado que parece novo nas últimas décadas pós guerra fria é a tendência crescente de conciliação. Este parece ser o valor destes tempos, o que não garante o fim de conflitos e maus usos de saberes.
O que define também os usos é a moral. E esta parece agora abrir boas possibilidades de combinações moderadas, o que não está garantido, mas possibilitado, e depende de posicionamentos moderados para ganhar força. Talvez uma força da moderação para se chegar a uma moderação de forças. A ciência tem essa possibilidade, se for auto-crítica, sem deixar seu próprio ofício virar deus. Não é por acaso que uma obra de arte tão aceita pelo público faça alusão à união entre ciência e fé. Este tipo de síntese já está presente em nosso imaginário atual. Já ficou claro durante o século XX que forças fundamentalistas em tensão, científicas, religiosas, ou combinadas, geram muitas mortes. Temos agora uma porta aberta para um mundo melhor. Mas ainda é apenas uma possibilidade para uma nova história.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Para rir um pouco... com todo o respeito!

Segue a entrevista do Sr. Francisco de Oliveira publicada ontem pelo Valor Econômico. Impressionou-me a capacidade criativa ilusionária do depoente.

Aviso aos navegantes: Qualquer semelhança com o mundo não-real é absolutamente proprosital. Quiçá, traço que caracteriza boa parte dos analistas tradicionais, que confundem a construção de mundos possíveis com diagnósticos da realidade.

Sem condições de aconselhar nem a mim mesmo, assumo o risco para chamar vossas atenções para a forma que o depoente confessa o desconhecimento acerca das sobreposições de clivagens sociais, ao recusar reconhecer os progressos obtidos nas clivagens de gênero e cor ou raça nos últimos anos.



"Entrevista: Cientista político eleitor de Lula diz que a disputa de 2010 será esvaziada de política e regionalista"Consenso despolitiza sociedade e coloca Lula à direita de FHC""

César Felício, de Belo Horizonte
27/05/2009

Davilym Dourado/Valor
Chico de Oliveira: "Lula tenta se legitimar por consensos que passam pela cooptação dos pobres. Bolsa Família não é direito, é dádiva"

Intelectual historicamente identificado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo sido filiado ao PT até 2003, o professor aposentado de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Francisco de Oliveira tornou-se ao longo do atual governo um dos mais cáusticos críticos à esquerda do lulismo. Para este ano, o acadêmico pernambucano de 75 anos, conhecido como Chico de Oliveira, prepara um livro que irá retratar a construção de uma hegemonia às avessas. Ou seja: como um líder popular carismático trabalharia no sentido contrário aos interesses da base que o elegeu.

No ano em que rompeu com o PT, Oliveira desferiu no front literário um dos mais contundentes ataques sofridos por Lula, ao escrever "o Ornitorrinco", um posfácio ao seu livro "Crítica da Razão Dualista", editado pela primeira vez em 1972.

Neste posfácio, Oliveira procurou fazer uma aproximação entre a elite dirigente do PT e a da oposição tucana, que teriam como grande traço de união o controle do acesso a fundos públicos.

Em setembro de 2004, Oliveira participou da criação do P-SOL, formado por dissidentes do PT que discordavam da moderação econômica do governo Lula, particularmente da reforma da previdência. Meses depois, o partido receberia outra maré de adesões de desiludidos com o petismo depois da eclosão do escândalo do mensalão.

Com a eleição de 2006, ocorre um novo afastamento. Oliveira discordou da condução da candidatura presidencial da então senadora Heloísa Helena (AL), sobretudo da decisão da sigla de permanecer neutra no segundo turno da eleição presidencial, e declarou voto pela reeleição de Lula. Chegou a definir a campanha da candidata do P-SOL, calcada nas denúncias contra o governo federal no plano ético, como um "udenismo de esquerda".

No início da crise econômica global, em janeiro deste ano, Oliveira propôs que o governo federal radicalizasse suas políticas de desenvolvimento, sugerindo que se criassem "cinco Embraer por ano", uma maneira de defender a maior participação do Estado na economia. Mas a ausência de mudanças na estratégia governamental ao longo deste ano fez com que o sociólogo voltasse à posição crítica dos últimos tempos.

Nesta entrevista, concedida por telefone ao Valor, Chico de Oliveira demonstra ceticismo em relação a mudanças no quadro político com as eleições presidenciais do próximo ano. Eis a entrevista:

Valor: Qual a avaliação que o senhor faz do governo Lula, já em seu penúltimo ano? O senhor rompeu publicamente com o PT em 2003, mas depois declarou voto pela reeleição de Lula em 2006...

Francisco de Oliveira : A minha declaração de voto em 2006 foi uma atitude política. Lula estava sob ataque de forças opositoras naquele momento e havia a esperança, uma palavra que nem gosto de usar, de que um segundo mandato fosse promotor de mudanças, mas hoje podemos ver que não houve nenhuma mudança e essa chance passou. O governo de Lula, concretamente, não demonstrou nenhum avanço social no plano dos direitos. Do ponto de vista da condução econômica é uma administração medíocre, que pensou que se salvaria da crise global e percebe-se que não tem nenhum domínio da situação. Economicamente o governo Lula é um barco à deriva, que se as ondas forem boas chega a um bom porto, e caso contrário, não.

Valor: Que comparação pode-se fazer com o governo FHC?

Oliveira: Lula está à direita de Fernando Henrique [Cardoso] ao não recompor as estruturas do Estado e não avançar na ampliação de direitos. O presidente tenta se legitimar promovendo consensos que passam pela cooptação dos mais pobres. O Bolsa Família não é um direito, mas uma dádiva. Neste sentido, vivemos na gestão dele uma regressão política, porque no governo Lula houve uma diminuição do grau de participação popular na esfera pública. E quando se projeta o cenário de 2010 percebe-se como Lula resulta regressivo. Com a força perdida pelo PT e a ausência de alternativas de Lula, uma vez que a doença de sua candidata mostra sinais de gravidade, aparece o terceiro mandato.

Valor: O senhor acha que o governo está criando um caldo de cultura para o terceiro mandato?

Oliveira: Sim, porque Lula aparece, para os olhos de determinados segmentos do meio político e popular, como o homem providencial. E neste sentido a possibilidade de um terceiro mandato é perigosa. Getúlio [Vargas] ensaiou isso com o queremismo, em 1945. Agora, pode muito bem surgir um queremismo lulista: o povo ir às ruas para pedir a continuidade do governo.

Valor: E o senhor acha que o povo irá às ruas?

Oliveira: Não digo o povo, uma categoria imprecisa, mas o PT e a CUT ainda têm capacidade para promover barulho, e barulho é o que é decisivo em uma questão como essa.

Valor: Porque no campo da esquerda nem o P-SOL, nem outras siglas conseguiram se firmar como alternativas a Lula?

Oliveira: Nada surgiu porque, ao tornar-se um mito popular, Lula tornou-se infuso à política. Ele produz um consenso de forças sociais, que estão todas muito contentes com o governo, e assim torna impossível ao eleitorado fazer escolhas reais. Isto explica porque Heloísa Helena, apesar do apelo popular que teve e tem, não se tornar uma alternativa. Vivemos um consenso conservador, no sentido de não se transformar nada, mesmo com a presença das massas populares neste consenso.

Valor: Ao romper com o PT, o senhor disse que o partido poderia ter o mesmo destino do peronismo, tornando-se uma força política que não consegue ter referências ideológicas e prende-se ao espólio de uma liderança...

Oliveira: Se fiz esta aproximação, foi um equívoco meu. A mídia brasileira por vezes passa uma ideia equivocada do que foi [Juan Domingo] Perón na Argentina. O Perón não despolitizou o país. Sob o vezo do autoritarismo, em seu período se produziu uma ampliação de direitos tal que a tradicional oligarquia argentina jamais se recuperou. No caso de Lula, está ocorrendo exatamente o contrário, a diminuição do espaço da política na sociedade.

Valor: O governo Lula não investiu na inclusão de minorias nos espaços de poder, por meio de políticas de ação afirmativas para negros e mulheres?

Oliveira: Ele tomou os vestígios de um discurso sociológico fajuto para negar o conflito de classes. Veja, com a análise da questão das classes se mata as charadas no Brasil. Quando a gente pensa a sociedade por meio destas clivagens de gênero e raça, não se mata charada nenhuma. O problema do Brasil é de uma grande maioria, virtual totalidade mulata, e não pode ser resolvido por políticas afirmativas étnicas, diferentemente do que ocorre na Bolívia e na Venezuela, onde a chave étnica é decisiva. Para resolver os problemas de exclusão social no Brasil, é preciso enfrentar problemas de classe. A política de cotas só faz reafirmar a exclusão. Qual as chances concretas que um negro com grau universitário obtido graças às cotas ampliação de direitos combatem a discriminação.

Valor: O senhor analisa o governo Lula como o autor de uma guinada conservadora, mas, com instrumentos como a Carta ao Povo Brasileiro, Lula já não se elegeu sob este signo?

Oliveira: Pelo contrário, Lula foi eleito em um processo de força popular crescente de um movimento político, que acumulou energia de eleição em eleição desde os anos 80. Não foi um episódio que se resume à crônica de 2002, foi um processo longo. Lula foi eleito com uma base progressista. Não houve nenhuma chancela do eleitorado para o que ele faria a seguir.

Valor: Além de sua gestão econômica até certo ponto surpreendente, o primeiro mandato de Lula foi marcado pelos escândalos na área ética, dos quais o do mensalão foi o mais emblemático. Por que a ressonância popular destes problemas foi zero?

Oliveira: Há uma tendência popular de nivelar a todos. Historicamente, a questão ética só estigmatiza políticos de estatura menor, como os exemplos recentes de [Paulo] Maluf e [Orestes] Quércia. Gostaria que tivesse sido diferente, mas este fator jamais foi decisivo em eleições brasileiras e não será na próxima.

Valor: Qual o balanço que o senhor faz da oposição brasileira nestes últimos sete anos?

Oliveira: Que crítica a oposição pode fazer ao governo Lula? Objetivamente nenhuma. Os governadores José Serra e Aécio Neves estão do mesmo lado. Em termos concretos, já há tempos a oposição deixou de existir. Isto porque a política no Brasil perdeu a capacidade decisória.

Valor: Que diferenças o senhor identifica entre Serra e Aécio?

Oliveira: Rejeito ambos por motivos diferentes. Aécio parece mais um político superficial que se faz sob a herança política familiar. Nunca vi uma opinião dele que impressionasse. Serra é uma surpresa. Faz um governo gerencial e até reacionário, ao lidar com o funcionalismo e com a universidade pública. É um político que gradualmente se converteu, quando vemos o passado dele e o local onde atua agora. É o grande líder conservador.

Valor: Sob que signo será disputada a eleição presidencial do próximo ano?

Oliveira: A eleição de 2010 será despolitizada e regionalista. Vejo agora a articulação entre São Paulo e Minas. Antes era o café com leite, hoje talvez seja o café com leite de um lado, a cana e a indústria do outro... a eleição caminha para ser uma disputa entre a confluência de São Paulo com Minas em contraposição à confluência do Nordeste e do Norte. É uma disputa que se dá em termos regionais, sem nenhum ponto político, nenhuma discussão de concepção propriamente política. Ao criar um consenso, Lula foi fortemente despolitizador. É uma dinâmica diferente do tempo de Fernando Henrique. Fernando Henrique buscou subjugar as forças contrárias, Lula as desmobiliza.

Valor: E que papel jogam atualmente os movimentos sociais?

Oliveira: Os movimentos sociais estão apagados, porque tratam-se em sua maioria de articulações em torno de objetivos pontuais, o que tornam limitadas as possibilidades de crescimento. O mais importante deles, que é o MST, busca saídas para a sobrevivência.

Valor: Esta desmobilização política não é um fenômeno global?

Oliveira: Ela é um fenômeno mundial. A França elegeu [Nicolas] Sarkozy, um direitista que se disfarça. Nos Estados Unidos, temos [Barack] Obama, que está recuando de suas posições iniciais. Na Alemanha, Ângela Merkel faz uma conciliação que junta sociais democratas e conservadores. E na Rússia, há um florescer do autocratismo. Todo mundo está convergindo para um ponto médio, que é uma espécie de anulação das posições. Mas no Brasil é mais grave, porque aqui a desigualdade é muito maior.

Domingo, 24 de Maio de 2009

CF 88, PMDB, Judiciário....

Prezad@s,

Neste momento em que os "Outros Campistas" estão demasiado enredados em suas tarefas de preparação para concursos, elaboração de ajustes finais de teses e dissertações ou tão simplesmente tentando sobreviver ao final do semestre em suas realidades, trago um vídeo interessante para o debate.




Trata-se de entrevista concedida pelo professor Marcus Nobre (Unicamp/CEBRAP) sobre os 20 anos da Constituição Federal Brasileira. Todavia o repertório é mais variado com um cardápio envolvendo PMDB, STF, Sarney, Plano Real, etc... De toda maneira, como disse, é uma entrevista interessante pois, a despeito de concordamos com Nobre, este nos ajuda a pensar.


Domingo, 17 de Maio de 2009

Estado & Mercado em defesa da Sociedade Campista

Recentemente, o ministro de assuntos estrategicos Mangabeira Unger, tem reforcado suas propostas, ja esbocadas em textos como seu livro O que a esquerda deve propor, no sentido de uma atuacao do Estado rearticulando na medida do possivel a estrutura do mercado. Dentre outras coisas, isto significa melhorar a infra-estrutura para a atuacao de empresas, bem como facilitar o potencial criativo de determinados mercados locais, com o fomento diversificado a pequenas e medias empresas. No Nordeste, exemplo sempre trazido pelo ministro, ha pequenos mercados produtivos de inventividade local, nos quais o Estado pode atuar, esta e uma das propostas, no sentido de nao impor de cima para baixo a forma de trabalho e seus mecanismos, mas sim de fomentar iniciativas ja presentes no mercado.
Como podemos pensar o Estado tambem em nivel local, uma de suas estrategias deve ser facilitar o fluxo do mercado pela administracao do espaco. Digo isso pensando em certas coisas curiosas que ocorrem em Campos. Por exemplo, a tal fabrica de sucos, totalmente isolada, tem dificil acesso para os trabalhadores e se fosse mais proxima a area urbana poderia mobilizar mercados perifericos em seu entorno. Ha sempre alguem que monta um restaurante proximo por exemplo, o que gera algum emprego. Este tipo de planejamento deve ser assumido pela prefeitura. Certamente o espaco dentro do perimetro urbano e raro e tais decisoes sempre envolvem interesses que muitas vezes contrariam a logica administrativa e sao particularistas. No entanto, faz parte da responsabilidade da administracao publica este tipo de planejamento que oferece potencial de rearticulacao do mercado e de suas possibilidades de desenvolvimento. E algo que esta ao alcance quando se tem administracao seria com planejamento de medio prazo, mas que inicia logo em curto prazo.
Fabricio Maciel

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Em defesa da crítica: sobre a função dos blogs (em Campos e no mundo)


Em virtude do espantoso impacto dos blogs, (vide a reação de importantes instituições como câmara de vereadores, imprensa formal e outros) tem-se nas últimas semanas discutido muito sobre qual é o papel e a função dos blogs na vida social e política. Não vou me arrogar aqui dizer o que os blogs devem ser, até porque acho que eles podem e devem ser coisas muito diversas em relação a propostas e conteúdos, apenas quero pontuar sobre a legitimidade da vertente crítica entre os blogs.

Como primeiro ponto, é importante esclarecer o valor da crítica como elemento genuinamente transformador da realidade, seja esta “realidade” coletiva ou individual, externa ou interna. É através dela (a crítica) que podemos desvelar o universo de idéias que sustentam nossas certezas sobre o mundo e sobre nós, e assim, estão abertas as portas para a transformação e desenvolvimento da personalidade e do mundo como um todo. Como nos diz sua etimologia, a função da crítica é a instauração da crise, e a crise gera sempre o conflito, e o conflito, quando “vencido”, transforma-se em superação e em desenvolvimento. O pólo oposto da crise é a estagnação, o marasmo.

Isso nos mostra que a tríade crítica-crise-conflito faz parte da dinâmica da vida, são como deuses que se impõem frente a nós, pobres mortais. E a história nos ensina que, a atitude mais prudente que os homens devem ter em relação aos deuses é venerá-los no culto, porque caso isso não ocorra, a vingança deles contra nós será implacável. Seguindo esta metáfora, podemos pensar que, se tornar avesso a crítica, negando a existência e o valor do conflito (recalcando-o) é o caminho menos adequado a seguir.

E esse caminho é o que vem sendo tomado pelos conservadores, medrosos, cínicos e covardes de toda ordem que se afeiçoam ao marasmo e a estagnação, seja por covardia ou porque se locupletam de alguma forma desta situação. Através de uma canalhice travestida de “bom mocismo”, querem “higienizar” a esfera pública e a “blogsfera” eliminando a crítica e o conflito, para assim, eliminar a possibilidade de transformação social, o que implicaria no fim de seus privilégios. Deslegitimam a atividade crítica como se essa fosse obra de desocupados, que carecem de polidez necessária a esfera pública, por isso lhes caberia o rótulo de destemperados. Procuram associar a crítica a “faniquitos”, a esperneio infantil. Quanto a estes, o que inclui também os “blogueiros de coleira”, só me resta parafrasear meu amigo Roberto Torres: “Nenhuma tolerância! Nenhuma flexibilidade!”.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

O QUE É ESTADO?

Fabrício Maciel


Inpirado no texto de Roberto sobre o mercado, proponho uma sequência. Enorme literatura poderia ser mobilizada para tanto, mas estarei detido apenas em alguns autores que me parecem apresentar definições críticas. No geral, sabemos que o Estado é uma instituição racional e impessoal tipicamente moderna, central no funcionamento das sociedades democráticas contemporâneas.
Em Pierre Bourdieu, ele é uma instituição ambígua, traço este característico das instituições modernas, assim como a ciência nacional moderna. É ambíguo por que tem o potencial universalista de ser aperfeiçoado e funcionar no sentido de defender e instituir práticas e direitos que contemplem diversas necessidades de classes e grupos sociais distintos sob sua atuação formal. Por outro lado, oferece a possibilidade de ser apropriado por fins particularistas, o que não é incomum na história contemporânea, e quando acontece tende a favorecer classes e frações de classes dominantes, ligadas direta ou indiretamente à sua atuação.
É importante compreender que o desdobramento empírico da história de um Estado não deve necessariamente pender totalmente para um lado ou para o outro, como sugere o tipo de oposição imediata usada por um Roberto DaMatta, onde em nossa cultura teríamos pendido para o jeitinho e improviso, e como faz a tese do patrimonialismo, sua fiel aliada, onde teríamos pendido para o particularismo da apropriação por parte de alguns, de recursos que deveriam ser administrados pelo Estado para todos. Um Estado nacional moderno pode ser empiricamente marcado pela tensão dinâmica entre estas duas possibilidades de desdobramento histórico, o que se define na prática pelo gradiente de forças em oposição que uma sociedade apresenta, em suas lutas de classe ou identitárias, pelo reconhecimento do valor intrínseco de formas de vida distintas que acaba tendo no direito um possível avanço na defesa de seus interesses.
Michel Foucault concordaria em parte, pois para ele o Estado moderno é fruto de conquista histórica da burguesia, que num só movimento o constitui e é por ele constituída como corpo fechado, classe auto-protegida e por isso dominante, através de vitória histórica de seu saber-poder diante de outros estamentos historicos dominantes, como a aristocracia. Em seus termos, podemos dizer que o Estado possui uma função manifesta universalista, mas uma função latente particularista, podendo agir favorecendo e sendo influenciado por saberes-poderes de classes ou grupos específicos.
Estamos falando do Estado nacional moderno, e podemos pensar em seu formato institucional federativo em nosso caso, que se desdobra, dentre outras formas, em governos estaduais e prefeituras municipais, relativamente autônomas em algumas funções e totalmente autonomas em outras, para falar de nossa Campos. A tensão entre potenciais universalistas institucionais e possibilidades de apropriação particularistas também é presente no formato político local, e eu não preciso aqui de nenhum exemplo para dizer que a apropriação particularista em Campos é forte.
Ao invés de ficarmos na simplificação patrimonialista, na tese de que simplesmente em nossa história pendemos para um lado, devemos tematizar a tensão e a possibilidade de desdobramentos empíricos melhores, universalistas. Como disse, eles dependem de lutas concretas entre interesses e idéias opostas, derivados de classes e identidades antagônicos. Compreender isso nos dá força para crermos em qualquer engajamento público possível, seja de grevistas ou de associação de moradores, ainda que falhos e problematicos, e não ficarmos no discurso de que são cooptados. Também cabe aqui apostar no aperfeiçoamento da esfera pública, onde a luta se dá em nível discursivo de onde podem sair propostas de ação efetivas, e a blogsfera de Campos, que já incomodou honoráveis senhores locais, tem apresentado boa atuação neste sentido. Portanto, temos aqui um espaço de ação, pois potenciais de melhora são históricos e dependem de engajamento prático e discursivo.

Os Estados nacionais neste sentido têm sido alterados, pois o fenômeno empírico da globalização e da tecnologia possibilita maior circulação de pessoas no mundo, gerando questões sociais internacionais, como a nova ralé imigrante na Europa, e nos desafiando para um novo conceito de cidadania pós-nacional. Assim, os Estados, em nível internacional e local, precisam enfrentar institucionalmente, assim como as sociedades precisam enfrentar moralmente, as demandas por reconhecimento e inclusão social, que mudando de endereço ou não, precisam e podem contar com novas possibilidades institucionais e sociais de re-articulação. Como disse, a luta e o aprendizado político para tanto podem ser práticos ou ideais e discursivos, dimensões estas que não se separam. Este é o caminho para que Estado e sociedade não se restrinjam à falsa oposição teórica de representantes e representados, ou à falsa rivalidade Estado x mercado, onde a luta contra a desigualdade será sempre o aperfeiçoamento de medidas paliativas.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

3O DIAS DE HUMOR

O SESC Campos traz no mês de maio o projeto "30 dias de humor". Serão apresentadas diversas possibilidades de manifestação humorística, com espetáculos e esquetes teatrais, apresentações circenses, oficinas e comédias cinematográficas tanto para adultos quanto para crianças.

Veja a Programação QUE COMEÇA AMANHÃ:

Festival de Esquetes
O Festival de Esquetes é uma realização do SESC Rio, em parceria com o CBTIJ - Centro Brasileiro de Teatro para Infância e Juventude.
Grátis. 14 anos.

* 13/5, 19h - Noite de Humor - Quatro esquetes:

1- Marília Tagarela Entrevista Renata Sorrateira, com Márcio Machado e Luis Lobianco;
2- A Tragédia de Elizabeth Maria, com Marcio Moura e Álvaro Assad, da Companhia Teatral Etc e Tal;
3- Mau Humor, com Carmen Frenzel;
4- Mamãe É que Tinha Razão, com Anneli Olljum, Márcio Machado e Antonio Carlos Bernardes, da Companhia ACB Teatral.
Coordenação Geral de Antonio Carlos Bernardes.

* 14 a 16/5, 19h - Festival de Esquetes - Apresentação dos espetáculos selecionados pelo Festival.

* 16/5, 20h - Pout-pourrir - Personagens debochados e sarcásticos em atuações solo e em duetos. Criação, texto e direção de Afra Gomes e Leandro Goulart, com Mariana Santos e Cristiana Pompeo.
Confira a programação completa e outros eventos: http://www.sescrio.com.br/data/Pages/LUMISB16C8101PTBRIEGUEST.htm

Vestibular UFF

Já que falamos em UFF...

Segue divulgação oficial da instituição que recebi por e-mail dos professores que a constituem.

Notarão que a área de ciências sociais atenderá um outro público pela modalidade noturna e pela opção na formação de professores. Tudo me leva a crer que teremos um perfil de trabalhadores no curso. Algo diverso no curso de economia, onde se formará o bacharel em modalidade diurna.

Todavia a necessidade objetiva de vender a sua força de trabalho não provoca, necessariamente, um déficit intelectual. Nosso maior sociólogo, Florestan Fernandes, era oriundo deste agrupamento social...

Isto significa apenas que o perfil da UENF, que opta pelo bacharelado em um curso integral/diurno, seguirá atraindo um outro perfil de estudantes, com tempo disponível para ter uma vida de "estudante" por quatro anos em média. Pode ser um perfil diverso de profissionais e de estudantes.

Com Bourdieu entendi que devemos evitar o profetismo. Mas, quem viver verá.


De toda forma divulguem amplamente a informação. As universidades públicas são reconhecidas como lócus de produção de conhecimento e de massa crítica. A ampliação da UFF certamente pode gerar ganhos substantivos no médio prazo para Campos e região. Isto veremos na produção de pesquisas e de conhecimento.


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Estão abertas as inscrições para o Vestibular Extraordinário 2009 da UFF/Polo de Campos dos Goytacazes.

Vertibular 2009

As inscrições estão abertas para três novos cursos, públicos e gratuitos, que serão iniciados em agosto/2009, no ESR - Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional, na R. José do Patrocínio, 59-71. São oferecidas 150 vagas, sendo 50 para o curso de geografia (bacharelado e licenciatura, noturno), 50 para ciências sociais (bacharelado e licenciatura, noturno) e 50 para ciências econômicas (bacharelado, diurno).

A criação dos cursos faz parte do REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, do MEC. As provas serão aplicadas no dia 14 de junho, em uma única etapa, com 40 questões sobre português, matemática, geografia e história, além de redação.

As inscrições vão até 14 de maio, e devem ser feitas pela internet através do site

http://www.coseac.uff.br/campos/2009/index.htm

Maiores informações:

(21) 2629-2805 ou 2629-2806, COSEAC, Niterói

(22) 2722-0622; 2722-0334; 2733-0319; 2722-0310 (ESR/Campos)

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

A UENF sobreviverá ao governo Lula?*


Assim como uma série de áreas do governo Lula, a política para as instituições técnicas e superiores de educação de seu governo é mais uma goleada humilhante no governo do seu antecessor, o emérito sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Durante os 8 anos de FHC, as universidades públicas federais estiveram a míngua: sem verbas, salários defasados, baixo investimento em pesquisa e etc, num claro apoio a privatização paulatina do ensino superior. O governo Lula fez o oposto, a expansão das universidades e do incentivo a pesquisa no seu governo são impressionantes. Isso fica claro na criação das universidades técnicas, como também da valorização dos professores (aumento de salários e de vagas), aumento do número e também do valor das bolsas de incentivo a pesquisa (coisa que jamais aconteceu no 8 anos de FHC). O resultado disso são números não menos impressionantes:

O país apresentou, entre 2007 e 2008, o maior crescimento entre as demais nações: passou de pouco mais de 19 mil para cerca de 30 mil artigos publicados em periódicos científicos indexados. Ultrapassou a Rússia e a Holanda e chegou a 13º melhor produtor de conhecimento do mundo, contribuindo com 2,12% dos artigos de 183 países. “É o maior crescimento da história do país, um feito notável da academia brasileira, que abre um novo horizonte”, disse o ministro.”

Esses números que enchem de orgulho os brasileiros transformam-se numa grande dor de cabeça para as universidades públicas estaduais: como competir com as instituições federais?


No nosso caso local, a UENF, a situação é alarmante. O projeto inicial da UENF previa a formação de uma universidade de ponta, capaz de competir com as grandes universidades do país. Para isso, na sua fase inicial foi tomada uma série de medidas para atrair intelectuais e cientistas de ponta para a remota planície goitacá. No entanto, todas elas já se encontram defasadas hoje. A UENF foi a primeira universidade que só aceitava doutores, agora isso é comum a quase todas universidades do Brasil; a UENF oferecia salários maiores, justamente para atrair cientistas de alto nível dos grandes centros, hoje o seu salário está bem abaixo das instituições federais; e oferecia muitas verbas pra pesquisa, o governo Lula ampliou isso para todos. Se nada for feito pelo governo estadual, a UENF corre o risco de se tornar uma universidade local sem a menor expressão regional, porque almejar uma expressão nacional está ficando cada vez mais longe.


No entanto, a população de Campos não precisa se sentir órfão neste assunto, isso só é mais dolorido pra quem tem alguma relação afetiva com a UENF. Se a universidade de Campos foi deixada de lado pelos governos estaduais, inclusive governos de campistas (Garotinho/Rosinha), a marcante política para o ensino superior do governo Lula atinge a planície goitacá, basta ver a expansão da UFF-Campos, do IFF, a construção da UNED em Guarus. E assim a “universidade do terceiro milênio” vai afundando no pântano goitacá.



*A foto foi copiada do blog "Fotoblog PPF"

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Fidel Light - que tempos são estes?

Fabrício Maciel
Dois fatos recentes me chamam a atenção e parecem concatenados. Fidel nos aparece com um broche contendo a bandeira norte-americana e Obama diz que Lula é o cara, enquanto liderança e político. Há algum tempo atrás o primeiro fato seria estranho até para os mais conservadores. Me parece que ambos traduzem bem a era pós guerra-fria, a "nova ordem mundial", descrita como possivelmente mais democrática, pelo menos na relação entre as nações. Nesta nova era, que até um Caetano celebrou, as relações de poder internacionais são mais difusas e heterogêneas, uma vez que não há mais o mundo polarizado como antes, havendo agora vários polos em busca de hegemonia.
Parece que mais do que nunca estamos na era dos acordos. A política de blocos economicos e políticos, só omite a desigualdade histórica entre as nações. Para um Obama, pega super bem dizer que Lula é o cara. Tal fala, contextualizada se olharmos como Obama olha, de cima, deixa claro que ele diz isso sobre o contexto do eixo Sul. Por aqui de fato Lula é o cara. Seu eficaz governo não deixa de se encaixar no tom do discurso de senso comum mundial atual: Brasil, um país para todos, é a versão brasileira da nova ordem multiculturalista. Este termo sugere uma era que respeita mais as diferenças, mais tolerante, menos agressiva, de mais entendimento, e neste contexto pega bem Fidel aparecer como alguém menos fechado à política mundial, menos radical, menos arrogante (como o lulinha paz e amor) mais aberto ao novo mundo, à nova ordem mundial.
A nova ordem dita multicultural omite, no entanto, que relativamente a lógica da economia mundial mantém um Atlântico Norte rico e legitimado, em detrimento de países inteiros, como na África, afundados em miséria histórica e esperando que a lógica do desenvolvimento chegue. Enquanto isso fatos emblemáticos como os dois citados só reforçam o ideal de ordem mais democrática em todos os aspectos.

Domingo, 3 de Maio de 2009

Segundas Debates - UFF Campos

Divulgando a pedido da Profª Ana Maria da Costa:

MEC- UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL

COORDENAÇÃO DE EXTENSÃO

DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL

Projeto de Extensão: “Segundas Debates: Estudos Acadêmicos Complementares à Graduação em Serviço Social.”

CONVITE

O Projeto de Extensão Segundas Debates convida você a participar no dia 04 de Maio - segunda-feira, no horário de 16:00 às 18:00 h no ESR/UFF – sala 01, da Mesa-redonda: "Os Desafios da Inclusão Produtiva e a contribuição das Instituições de Ensino Superior (IES) Públicas para pensar as necessidades e potencialidades da região". Convidados: Prof. José Luis Vianna da Cruz – Diretor do Pólo Universitário – UFF/Campos ; Prof. Almy Junior Cordeiro de Carvalho - Reitor da UENF e Prof. Roberto Moraes – Pró-reitor de Extensão do IFF .

Profª Ana Maria Almeida da Costa

Coordenadora

Informações: Rua José do Patrocínio, 71 – Centro – Tel. 27220622 e 27330319, Ramal 4104 e 4112 no horário de 14:30 as 17:30h.

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Nós, os “blogueiros desocupados”....

Roberto Torres

Dando uma passeada agora pela rede campista de Blogs, acabo de tomar conhecimento da manifestação do presidente da Camara Municipal diante das críticas que os “vereadores-vendidos” (lembrando o “banqueiro-bandido” do Protógenes) vem sofrendo em alguns Blogs. Segundo Nelson Nahim, tratam-se de “blogueiros desocupados” os que ficam escrevendo contra a “moral de nossos vereadores.” Não quero aqui discutir em que medida os Blogs atacam ou não a moral dos vereadores. O comportamento que a “Casa das Leis”, onde “nós, o povo”, nos faríamos representar, diante de todos os absurdos administrativos e políticos de qualquer governo que compra as suas vozes (seja o do “Macabro”, seja esse ai da família Garotinho...) já basta para provar que eles não agem de acordo com nenhuma moral próxima daquela a que eles juram adesão quando tomam posse. O que eu quero discutir aqui é o conteúdo implícito da fala do presidente da casa.
Qual o sentido de “desocupados” no contexto da gramática política de Nahim e seus “honrados amigos vereadores”, gramática essa que podemos, creio eu, aludir ao que chamamos vagamente de “cultura política local” (que, na verdade, é muito mais que “cultural” e do que “local...”)? Não somos desocupados simplesmente porque temos tempo livre e porque manchamos a moral do trabalho “tao cara” à Nahim e a seus amigos, eleitores e todos os que dão legitimidade a seu discurso e comportamento. Ter tempo livre não é um incomodo para a boa consciência para essa gente que se incomoda com a desocupação dos blogueiros. Eles tem bastante, haja vista a quantidade de faltas nas seções da Casa, e os “debates” sobre o novo Bar da Pelinca quanto estão presentes. O tempo livre em si não é o que contraria essa forma de ver a agir na política que, em Campos, é praticamente feita a céu aberto. Ficar em casa escrevendo na internet não é condenável desde que não se mexa com a vida alheia e com os negócios alheios. É assim que Nahim e seus colegas percebem a vereança: como um negócio particular. A arrogância que sai de sua manifestação expressa mesmo toda a ignorância prática, nada ingenua, sobre o que seja a vida pública: diante de críticas à conduta dos vereadores como homens que desempenham funções públicas, Nahim reage como alguém que se sente violado em sua vida privada.
Não acho que os maiores problemas de uma sociedade, assim como de uma cidade, devam ser compreendidos a partir das mazelas e esquizofrenias do poder público, embora não se possa ignorar isso. Acho que devemos sempre combinar a “crítica da política” com a crítica analítica das condições sociais que dão o sentido à ação de um indivíduo na política. Devemos saber que Nahim fala a gramática predominante da política em Campos e não apenas a sua ou a do “Clã Garotinho”. Mas devemos também saber “o que fazer” com nossa análise quando ela se refere a algo tao absurdamente presente e repugnante para os que querem enfrentar essa gramática que leva a política para dentro de casa e do convívio doméstico. Como só temos as míseras palavras... ai vai minha opinião sobe o que devemos fazer com elas: Nahim foi ridículo e com isso nos mostra que devemos avançar na crítica detalhada que irrite o quando mais esse poder nefasto. Nenhuma tolerância! Nenhuma flexibilidade. Esse é o nosso papel.

Domingo, 26 de Abril de 2009

O que é Mercado?

Roberto Torres


Talvez a forma mais eficiente que o neoliberalismo encontrou na tentativa de perpetuar sua hegemonia no mundo tenha sido a proclamação do fim das ideologias. A vida social completamente regulada pelas “forcas de mercado” foi trazida à condição de fatalidade contra a qual a política deveria ser perpetuamente limitada. Por mais que a realidade fosse de concentração acentuada do capital, a idéia de um mercado como palco da competição justa se firmou como pedra angular de uma visão de mundo que pretendia ser a única possível. A esquerda foi encurralada. A democracia reduzida, implementada e expandida como formalismo. Respeitar os formatos institucionais que dariam suporte ao mundo justo e competitivo do mercado vitorioso foi colocado como tabu e sua violação passava a render os xingamentos de “atrasado”, “viúvas do muro de Berlin”, entre outros que visavam desautorizar um questionamento político da ordem vigente.
Este mundo do Deus-mercado pretendia que a economia fosse imunizada ao máximo contra a política, como se ela fosse um “dado da evolução humana” em busca do seu bem estar, o qual deveria ser protegido contra quem pudesse usar a política para “reinventar” o mundo, interferir naquilo que funcionaria tao melhor quanto menos intervenção tivesse. Criaram-se critérios quase oficiais para condenar os aventureiros que, se eleitos, podiam ameaçar a marcha soberana da “livre iniciativa”, das “forcas do progresso”. Foi exatamente neste contexto de hegemonia ideológica que as “mentes brilhantes” do liberalismo brasileiro buscaram o conceito de patrimonialismo para legitimar o discurso de demonização do Estado. Segundo a tese de nossos liberais, tudo de ruim que havia no Brasil tinha a ver com a existência de um “estamento burocrático” (termo de Raymundo Faoro) que engolia todas as iniciativas virtuosas dos homens de mercado. Esse estamento, na cabeca de nossos liberais e seus seguidores, tem o poder explicativo que um “encosto” possui na Igreja Universal: ela está em toda parte onde o mal se manifesta.
A falsa dicotomia entre mercado e Estado busca esconder que o mercado é sempre fruto da política, que não funciona sem que seja criado por uma vontade parcial que se impõe sobre as outras, vontade essa que, se vista em seu lastro histórico, sempre vai derivar de um acordo dos vencedores para instaurar a competição. Mercados são áreas de competição, cooperação e consensos valorativos que nunca puderam prescindir de uma ordem social e política. A legalidade quase natural que o neoliberalismo pretende atribuir ao mercado historicamente existente esconde que a competição permitida e percebida como justa é feita por competidores herdeiros do poder, que foram favorecidos por políticas estatais sem as quais a ordem vigente da competição não existira em lugar algum. O liberalismo econômico é uma intervenção política que usa o Estado para fomentar a competição consentida entre si pelos vencedores e esconde todo o esforço político que precisa para ser o que é. Esconder sua ideologia, torná-la espontânea, é o que faz a política do mercado para que este seja percebido como envolvido por nenhuma política.
A crise do “fim das ideologias” traz à esquerda vários desafios, tanto práticos como teóricos. Do ponto de vista teórico, parece fundamental que a esquerda se lance numa discussão sobre o mercado, seu status na História e suas possibilidades evolutivas. O que não pode é a esquerda usar as mesmas armas em sentido contrário, como se bastasse denunciar os esquemas neoliberais de controle do Estado como “patrimonialismo de direita”. Patrimonialismo é um termo do senso comum erudito que serve para mascarar os conflitos sociais entre classes e todo tipo de privilégio que atravessam mercado e Estado. Se os fatos parecem mostrar que o mercado não é o contrário de Estado e muito menos o contrário de política e todas as incertezas e mazelas que associamos à esta em meio à hegemonia de sua demonização, como definir então o mercado? Demonstrando a mentira liberal, sobra algo de positivo no mercado que a esquerda poderia ou deveria incluir em suas proposições? Em que medida o mercado se associa à democracia?. Me parece que uma vertente muito promissora para essa questão é a chamada “nova sociologia econômica”. O que também nao é nenhum um pouco positivo é o revanchismo preguiçoso de alguns que acreditam num mero retorno à Marx como caminho suficiente para uma crítica radical ao capitalismo. No momento em que ninguém pode mais esconder a necessidade de política para restabelecer a ordem dos mercados, nada me parece mais oportuno do que alargar os termos do debate para que a pobreza intelectual que interessa à direita (imagine que hoje Reinaldo de Azevedo e FHC tem igual importância para DEM e PSDB!) não seja mantida com a pretensão de parte da esquerda que acha poder enfrentar o dogmatismo neoliberal sem atualizar Marx

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

I Encontro Nacional sobre o Ensino de Sociologia na Educação Básica

Prezad@s,

A universalização do acesso escolar, sabemos, não é necessariamente sinônimo de democratização do ensino, pois podemos considerar, entre outros exemplos, o demorado retorno da Sociologia às salas de aula no ensino médio, passados mais de duas décadas da redemocratização do país, configurando desde então um prejuízo para a educação escolar dos jovens, privados que foram (e ainda são) do aprendizado dos conceitos básicos dessa ciência e das questões de ontem e de hoje legadas pelos "clássicos" Durkheim, Marx e Weber e pelos demais autores que seguiram suas pegadas e se lançaram em novas trilhas no acidentado terreno da modernidade tardia. À emergência de situações e problemas que desafiam os canônes da razão instuída dentro e fora das escolas, viabilizou-se somente nos anos 2000 o ensino de Sociologia no nível médio e pouco a pouco este tema começa a se institucionalizar como um campo de pesquisa. Nesse sentido, é oportuno o debate organizado pela Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Confiram e participem!

* Texto abaixo extraído de: www.sbsociologia.com.br

I Encontro Nacional sobre o Ensino de Sociologia na Educação Básica
Reflexão sobre as experiências nas universidades e nas escolas.

Data: 25 de julho a 27 de julho de 2009

Local: IFCS/UFRJ, Largo São Francisco, Rio de Janeiro (RJ) Realização: SBS e UFRJ

Inscrições em breve! O evento visa a promover uma discussão ampla sobre as conseqüências da obrigatoriedade do ensino de sociologia na escola média brasileira, como foco: no ensino da disciplina, como conteúdos programáticos, metodologias de ensino, recursos e materiais didáticos; nos cursos de licenciatura e formação de professores; nas pesquisas sobre o ensino da disciplina; na constituição de uma comunidade de professores de sociologia no ensino médio.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Concurso Público UFF Campos RJ - Adjunto e Assistente

Prezad@s,


A pedido dos professores Luiz Claudio Duarte e Ana Maria da Costa venho divulgar concurso público para provimento de vagas na UFF Campos. Este tipo de informe visa cumprir uma das missões, em minha leitura, da blogosfera: democratizar informações relevantes acerca de temas de interesse público. Tudo o que não precisamos é de uma blogosfera ensimesmada.


Boa sorte!



EDITAL Nº 137/2009

CONCURSOS PÚBLICOS DE PROVAS E TÍTULOS PARA A CARREIRA DO MAGISTÉRIO SUPERIOR NA CLASSE DE PROFESSOR ASSISTENTE I - 40 HORAS-DE

Campos dos Goytacazes / RJ

De acordo com o que prevê a Portaria MPOG Nº. 286, de 02 de setembro de 2008 - DOU, de 03 de setembro de 2008, Portaria MEC Nº. 1.226, de 06 de outubro de 2008 - DOU, de 07 de outubro de 2008 e Portaria MPOG Nº. 36, de 26 de fevereiro de 2009 – DOU de 27 de fevereiro de 2009.

ÁREAS DE CONHECIMENTO: HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO

(TRÊS VAGAS) - Período de Realização do Concurso: 11/05 a 14/05/2009; Macroeconomia (duas vagas) Período de Realização do Concurso: 18/05 a 21/05/2009 e Microeconomia (duas vagas) – Período de Realização do Concurso: 04/05 a 07/05/2009. Período de Inscrição: 07/04 a 08/04, de 13/04 a 17/04, 22/04 e 24/04/2009.

Local: Universidade Federal Fluminense - Niterói - RJ.

PRÉ-REQUISITOS: MESTRADO OU DOUTORADO OU LIVRE-DOCENTE OU TÍTULO DE NOTÓRIO SABER, APROVADO PELOS CONSELHOS SUPERIORES DA UFF.

Valor da inscrição: R$ 111,00 (cento e onze reais). Nome do cargo: Professor Assistente I. Remuneração total: R$ R$ 4.442,60 (quatro mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos). Regime de Trabalho: 40 horas com dedicação exclusiva. Prazo de validade do concurso: de 01 (um) ano a partir da Homologação do Resultado do concurso público em DOU, previsto no Artigo 12 da Portaria MPOG N° 450, de 06-11-2002, publicada em DOU de 07-11-2002. Decreto Nº. 4.175, de 27-03-2002. A lotação e o exercício dos candidatos habilitados serão no Departamento de Ensino de Fundamentos de Ciências da Sociedade (SFC) - Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR) - UFF/RJ. O Edital que deu origem ao presente Extrato encontra-se disponível no site: www.uff.br/copemag. Maiores informações na COPEMAG - UFF ou pelo telefone (21) 2629-5272.

ROBERTO DE SOUZA SALLES

Reitor

EDITAL Nº 133/2009

CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS E TÍTULOS PARA A CARREIRA DO MAGISTÉRIO SUPERIOR NA CLASSE DE PROFESSOR ADJUNTO I - 40H-DE

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE RIO DAS OSTRAS (puro) / RJ De acordo com o que prevê a Portaria MPOG Nº. 286, de 02 de setembro de 2008 - DOU, de 03 de setembro de 2008, Portaria MEC Nº. 1.226, de 06 de outubro de 2008 - DOU, de 07 de outubro de 2008 e Portaria MPOG Nº. 36, de 26 de fevereiro de 2009 – DOU de 27 de fevereiro de 2009.

Área de Conhecimento: Estado e Sociedade no capitalismo contemporânea e gestão em políticas sociais (uma vaga).

Período de Realização do Concurso: 27/04 30/04/2009. Período de Inscrição: 07/04 a 08/04; 13/04 a 16/04/2009. Local: Universidade Federal Fluminense - Niterói - RJ. Pré-requisitos: Doutorado ou Livre-Docente ou Título de Notório Saber, aprovado pelos Conselhos Superiores da UFF. Valor da inscrição: R$ 168,00 (cento e sessenta e oito reais). Nome do cargo: Professor Adjunto I. Remuneração total: R$ 6.722,85. Regime de Trabalho: 40 horas - DE. Prazo de validade do concurso: de 01 (um) ano a partir da Homologação do Resultado do

concurso público em DOU, previsto no Artigo 12 da Portaria MPOG N° 450, de 06-11-2002, publicada em DOU de 07-11-2002. Decreto Nº. 4.175, de 27-03-2002. A lotação e o exercício do candidato habilitado serão no Departamento de Ensino Interdisciplinar do Campus Universitário de Rio das Ostras (PURO) / RJ. O Edital que deu origem ao presente Extrato encontra-se disponível no site: www.uff.br/copemag. Maiores informações na COPEMAG

- UFF ou pelo telefone (21) 2629-5272.

ROBERTO DE SOUZA SALLES

Reitor

EDITAL Nº 135/2009

CONCURSOS PÚBLICOS DE PROVAS E TÍTULOS PARA A CARREIRA DO MAGISTÉRIO SUPERIOR NA CLASSE DE PROFESSOR ADJUNTO I - 40 HORAS-DE

(Vagas de CONVERSÃO de PROFESSORES SUBSTITUTOS) NITERÓI / RJ De acordo com o que prevê a Portaria MPOG Nº. 224, de 23 de julho de 2007, publicada no Diário Oficial da União (DOU), de 24 de julho de 2007, em seu anexo, na Portaria Normativa Interministerial, N° 22 de 30 de abril de 2007, DOU de 02/05/2007 e Resoluções números 066, 163, 173 e 386/2008 do Conselho de Ensino e Pesquisa/UFF.

ÁREAS DE CONHECIMENTO: PESQUISA E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO

NO SERVIÇO SOCIAl (uma vaga) –

Período de Realização do Concurso: 15/06 a 18/06/2009 e Questão Social, Serviço Social e Política Social (uma vaga) - Período de Realização do Concurso: 04/05 a 07/05/2009. Período de Inscrição: 07-04 a 08-04, de 13-04 a 17-04, 22-04, de 24-04-2009. Local: Universidade Federal Fluminense - Niterói - RJ. Pré-requisitos: Doutorado ou Livre-Docente ou Título de Notório Saber, aprovado pelos Conselhos Superiores da UFF. Valor da inscrição: R$ 168,00 (cento e sessenta e oito reais). Nome do cargo: Professor Adjunto I. Remuneração total: R$ 6.722,85. Regime de Trabalho: 40 horas com dedicação exclusiva. Prazo de validade dos concursos: de 01 (um) ano a partir da Homologação dos Resultados dos concursos públicos em DOU, previsto no Artigo 12 da Portaria MPOG N° 450, de 06-11-2002, publicada em DOU de 07-11-2002. Decreto nº. 4.175, de 27-03-2002. A lotação e o exercício dos candidatos habilitados serão no Departamento de Ensino de Serviço Social (SSC) - Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR) - UFF/RJ. O Edital que deu origem ao presente Extrato encontra-se disponível no site: www.uff.br/copemag. Maiores informações na COPEMAG - UFF ou pelo telefone (21) 2629-5272.

ROBERTO DE SOUZA SALLES

Reitor

Sábado, 11 de Abril de 2009

Pensando criticamente a blogosfera – limites e potenciais após um ano de “Outros Campos”

George Gomes Coutinho

Neste 11 de abril de 2009 o blog “Outros Campos” completa um ano de seu lançamento. O marco é o seu manifesto de fundação, onde, profundamente influenciados pelos ventos da operação “Telhado de Vidro” de 11 de março de 2008, acreditávamos que se desenharia aí para Campos dos Goytacazes um “outro tempo”. Decerto o desenrolar dos fatos ainda não produziu um cenário diametralmente diverso para a cidade, a despeito da conseqüente euforia cívica decorrente do sentimento de ruptura da sensação de impunidade entre a camarilha do poder local. Mas, há alguns potenciais importantes explorados de maneira insuficiente. Dentre estes o da revitalização da esfera pública local que, ao meu ver, permanece inconclusa.

Pensei que como forma de agradecimento aos que lêem o nosso blog e nos incentivam, inclusive não somente os campistas dado que há leitores de diversos pontos do Brasil e alhures, eu poderia apresentar algumas impressões que me incomodam sobre a relação “esfera pública” e os blogs.

Há uma relativa ansiedade sobre este fenômeno, a proliferação em larga escala dos blogs e a politização dos debates, o que poderá gerar futuramente pesquisas “iluminíferas” como diria o saudoso e exótico Darcy Ribeiro. Neste momento não poderia me dedicar exaustivamente ao tema. Mas, de maneira “ensaística” decidi partilhar estas reflexões primárias influenciado seletivamente pelas ponderações do texto “Why the net is not a public sphere”, de Jodi Dean*, publicado na revista Constellations de 2003. É igualmente um texto não conclusivo, dado que lida com a internet, um fenômeno historicamente muito recente. Também não tem por objeto os “blogs”. Mas, nos servirá como ponto de partida visto a aridez persistente quanto ao tema.

Uma das primeiras coisas que devemos ter em mente quanto aos “blogs” é sua dubiedade (algo que entrecorta a internet segundo Dean): tanto é meramente o reflexo de uma sociedade radicalmente individualista, que se recusa a ter relações “reais”, quanto também possibilita a democratização de informação sob um viés interativo. De maneira aterradora as duas facetas parecem conviver e se retroalimentar. Se pensarmos no caso dos blogs, particularmente, veremos demonstrações narcísicas de toda ordem, com elementos do mais puro fascismo ou demonstrações de ódio e ameaças aos agrupamentos que se rebelam contra o establishment (ou o anti-establishment igualmente vociferando de maneira viril contra o status quo). N

o outro lado da moeda os blogs informam as “outras versões” dos fatos, rompem o cerco do oligopólio das informações em âmbito local e até mesmo nacional ou internacional. Este último ponto explica parcialmente o crescimento quantitativo dos blogs em Campos, visto que havia inegável discrepância entre o que se discutia em determinados momentos no espaço público e o que a midia tradicional de fato divulgava. Com esta esquizofrenia informacional os blogs apresentaram-se como válvula de escape destes anseios e destas informações alijadas . E é neste sentido contra-hegemônico que os blogs conquistam sua legitimidade, ao propagarem leituras de realidade que até então eram solenemente ignoradas.

De toda forma, como deve ter ficado claro, os blogs são espaço de disputa de hegemonia em um sentido gramsciano atualizado. Os projetos de sociedade estão postos e em disputa e a diversidade dos blogs vai a reboque desta diversidade político-normativa.

Portanto não há essencialmente um uso progressista ou positivo dos blogs. Estes são ferramentas, são “meio”, para a circulação em caráter simbólico dos fundamentos políticos e normativos em disputa na sociedade. Portanto são “suporte”, não podem ser “essência” ou “substância” da ação coletiva. Caberia, enquanto pesquisa futura, discutir sob qual(is) ponto(s) do espectro político os blogs locais se encontram. Decerto teríamos um mapa onde veríamos quais elementos programáticos estão disponíveis. Entendam que até mesmo projetos personalistas de poder necessitam de algum tipo de programa. Mas, além disto, seria fundamental avaliar o seu fluxo de leitores. Ai teríamos a possibilidade de avaliar o impacto destes blogs. E temo que o resultado será menos “avant-garde” do que gostaríamos.

Dean argumenta que a “transparência” que a internet reivindica oculta que os atores interagindo em seus blogs estão em uma relação intrinsecamente assimétrica, o que explica a maior ou menor audiência destes "meios". Retomarei este ponto adiante.

Ainda, o autor em seu texto alerta sobre o volume de informações racistas, sexistas, e outros tantos istas, que circulam na grande rede. Possivelmente até mesmo superam uma utilização socialmente progressista da grande rede. Longe de termos algum parâmetro de circulação de informações voltada para a “esfera pública”, onde haveria o pressuposto da formação de consensos e uma prática com pretensões universalistas sobre a sociedade, temos o particularismo enquanto resposta predominante. Este último ponto é passível igualmente de ser constatado localmente.

Seja como for, o que não podemos autorizar é um uso homogêneo do termo “blogosfera”. Não existe uma “blogosfera” em um sentido harmônico com um projeto de sociedade compartilhado. Há uma “blogosfera” altamente fragmentada, em disputa, com níveis desiguais de exposição de seus conteúdos, e com impactos variáveis no espaço público propriamente dito. Evidentemente os blogs não estão dissociados da “vida real”. Há interesses, e os que se locupletam muitas vezes o fazem reproduzindo a hierarquia simbólica situada fora do espaço virtual. Hierarquia acadêmica, política, social, etc.. Os recursos e capitais dispostos de forma desigual, evidentemente, explicam a maior ou menor porosidade de blog “x” ou “y” em detrimento de “z”. Há blogs e blogs.

Para além do fetiche de uma “blogosfera” única, onde haveria supostamente o posicionamento desinteressado da proliferação livre de informações, sentido descartado como já discuti acima, há algo que me preocupa. A dissociação entre esfera pública “real” e a “blogosfera”. Este “gap” será objeto de minha atenção daqui por diante.

Ao depositarmos exclusivamente as nossas energias na “blogosfera” estamos rompendo o circuito potencialmente instaurado que levaria às modificações na “política real”. Reificamos aquilo que é mediação, meio, instrumento, o tornando em atividade “finalística”. Para que este circuito de reflexividade possa gerar os frutos ansiados é fundamental a atuação na vida real, com as interações face-a-face, onde de fato os consensos e conflitos decisivos são apresentados.
Visando ilustrar esse raciocínio proponho o seguinte esquema:



A = Redes construídas na esfera pública, atuação sistemática e programática no espaço público efetivamente
B = Os blogs, que reproduzem os influxos comunicativos das redes e agrupamentos em disputa em “A”
C = O leitor em sua esfera privada que avalia a produção de “B” que representa um posicionamento ante as disputas em “A”

D = A opinião política que constitui-se como reflexão da ação, efetuada pelo somatório de agentes privados, retornando para “A”

Obs: As setas em azul exemplificam a conexão efetiva. A seta em branco representa aquilo que é ainda um potencial ou é frágil na contemporaneidade.


Em forma de “circuito”, como reproduzi de maneira rudimentar acima, procurei explicitar o “gap” na passagem de “D” para “A”. Ou seja, reconhecidamente formamos opinião e incitamos ao debate. Estamos conectados com os projetos em disputa. Mas, as opiniões aí derivadas não se transformam automaticamente em ação política efetiva na esfera pública e tampouco causam repercussão imediata e obrigatória na ação dos atores e redes coletivas que a constituem.

Hoje há uma maior relação esfera pública e blogosfera, na medida que os blogs tem funcionado (parte destes) como instrumentos de controle democrático. Caso ilustrativo, dentre tantos outros, foi o papel desempenhado pelo “Eu penso que” de Ricardo André Vasconcelos onde foi detectada a permanência de uma empresa, denunciada como fantasma, na aproximação com o erário campista (ver aqui). Outros blogs igualmente importantes, vide Roberto Moraes, "Atrolha", Urgente, Cleber Tinoco, dentre outros, justamente em sua postura “não alinhada” causam abalos relativos no tabuleiro do poder local. Outros, como o “Razão e Crítica”, partilham da elaboração de esforços interpretativos sobre a realidade. E sem dúvida todos auxiliam sobremaneira na busca por maior transparência e probidade no uso de recursos públicos.

Mas, ainda tem sido tímidos os rearranjos da política local “real” pela estrutura deste tipo de comunicação, mediada por computadores e usualmente construída na esfera privada. Os blogs podem sim fetichizar a ação ao se tornar objeto de atuação finalística. Possivelmente por isso vimos o caráter efêmero do “Chega de Palhaçada” ou mesmo temos a atuação dos blogs articulados com os movimentos sociais (vide o caso SEPE e eleições diretas para as escolas municipais) ainda configurando um momento raro.

De toda forma, se os membros da blogosfera quiserem dar um passo efetivo adiante, com o upgrade que mereça ser chamada de “blogosfera 2.0”, o debate precisa ser colocado em caráter crítico e não apologético. Os blogs são a possibilidade de gerar o frescor no debate por trazerem opiniões diversas do que se encontra na mídia tradicional, divulgando informações da mais alta qualidade. Em suma, podem ser ferramentas imprescindíveis no que Dean chama de “neodemocracias” na medida que socializam fatos e opiniões que até então era restritos a determinados círculos sociais. Mas, não substituem as interações face-a-face nos partidos, movimentos sociais, sindicatos, associações de moradores, etc.. Em suma: são incapazes de substituir as interações face-a-face, o real fundamento da ação na esfera pública.


* DEAN, Jodi. Why the net is not a public sphere. In: Constellations. Vol. 10, n.1, 2003, p.95-11

texto atualizado em 18:52, 11 de abril de 2009

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009


A foto do G20 e simbologia do mundo dividido em dois

O preconceito contra os pobres que a classe média condensa contra Lula a impede de perceber, por subestimar a inteligencia do Presidente em sintetizar a questao política envolvida na luta de classes que marcou sua trajetória, o sentido da dicotomia entre "brancos de olhos azuís" e "nao brancos sem olhos azuís" que ele usou há poucas semanas. Aferrado na crenca de que somente a formacao escolar pode trazer sabedoria válida na política, o senso comum de classe média só viu nesta frase o uso mau calculado de palavras, com o cheiro de um racismo às avessas, dirigido por Lula aos "brancos de olhos azuis". A cronica de Luis Fernando Veríssimo, publicada há alguns dias no O Globo e que tomei emprestada do Blog do Roberto Moraes, supera esta visao mesquinha e recontextualiza o jogo de palavras de Lula, sugerindo que a divisao de "racas" sugerida pelo nosso presidente nao é meramente aquela que separa mundos pela cor da pele.


Lado a lado
“Encosto ou não encosto? Só o joelho. O que pode acontecer? Ela dizer “Mr. Lula, please!” Aí eu recolho o joelho, peço desculpas, “aimsórri, aimsórri” e pronto. Se eu soubesse falar inglês, explicaria. Sabe o que é, Elizabeth? Eu estava aqui pensando: quando é que, lá em Pernambuco, eu ia imaginar que um dia estaria sentado ao lado da rainha da Inglaterra? Não sei quem é que me botou aqui para tirar esta fotografia dos G-20. Não acho que tenha sido um pedido seu, “Quero o bonitinho de barba à minha esquerda”. Claro que não. Mas o fato é que estou aqui e o Barack está aí atrás em algum lugar, de pé e se perguntado o que eu tenho que ele não tem. O Sarkozy não deve nem estar aparecendo. Ficou atrás da Merkel e não vai sair na foto. E eu aqui ao seu lado, na primeira fila. Isto significa muito, viu Elizabeth? Lá na minha terra vai ter gente se mordendo de raiva. Onde já se viu, aquele retirante nordestino que nem fala direito sentado à esquerda da rainha da Inglaterra?

Quando eu me elegi muita gente ficou horrorizada: como é que vai ser quando ele, um torneiro mecânico, tiver que nos representar num jantar oferecido, por exemplo, pela coroa inglesa? Vai ser servido na cozinha, para não dar vexame na escolha dos talheres. E aqui estou eu, sentado ao lado – com todo o respeito – da coroa inglesa em pessoa.

Se foi o protocolo que me botou aqui, ele acertou, viu Beth? Você, queira ou não, não é só a rainha dos ingleses, é, simbolicamente, a rainha de todos os loiros de olhos azuis do mundo, incluindo o Barack. De todos os bandidos que causaram esta crise e hoje nos infernizam a vida. E, de certo modo, eu sou o seu oposto. Sou uma espécie de rei republicano dos não-loiros do mundo – ou pelo menos deve ter sido essa a ideia do protocolo aos nos botar lado a lado. Todos os outros chefes de Estado desta fotografia seriam dispensáveis. A foto poderia ser só de nós dois e estariam todos representados. E isto significa outra coisa também, viu Beth? Eu não me contentei em ter nascido na miséria, no Nordeste, e quis mais. Não me contentei em ser um torneiro mecânico em São Paulo e quis mais. Não me contentei em ser um líder sindical e quis mais. Não me contentei em perder eleição atrás de eleição, insisti e acabei presidente.

Agora estou aqui, lado a lado com a rainha da Inglaterra, num dos pontos mais altos da minha carreira, e também quero mais. Por isso minha perna se moveu e meu joelho encostou no seu. De certa forma, o movimento da minha perna foi o passo final da caminhada que começou em Pernambuco, tantos anos atrás. Já que, ao contrário de você, Beth, não posso ficar no poder para sempre”

Sábado, 4 de Abril de 2009

Em busca da honra (ou o conteúdo cultural do americanismo tardio)

Talvez estejamos ainda estupefatos com a frase de Obama sobre Lula, na reunião do G20. De fato, soa como algo surpreendente porque nós nos acostumamos na velha posição criada por nosso “complexo de vira-lata”, e como que de súbito galgamos patamares evolutivos em direção à nova forma de Pit-Bull. Isto é o que ouvi, em várias análises de jornal, que preferiram isto a ressaltar explicações como “gentileza” ou “afago interessado”. Não é esta a frase que mais me atraiu na reunião do G20. A mais interessante foi a de Lula, explicando o ocorrido: “vocês acham que é fácil para um americano dizer isso?”. Lula aqui inverte o argumento, e de forma perspicaz foca os EUA, não o Brasil. Minha questão principal sobre o ocorrido vem exatamente desta inversão, e pergunto: qual é a atual atmosfera cultural americana sob a qual esta frase faz todo o sentido?
Nenhum outro país se viu tanto no cinema como os americanos (talvez os indianos). Grande parte da vida americana passou na tela, grande parte de seu imaginário foi estampado em película e exportado para o mundo todo. Estamos, pois, diante de um bem cultural que apresenta as auto-representações de uma nação inteira, que ademais serviu para perpetuar duas de suas características mais identificáveis: “a honra e o orgulho americano”. Estes dois elementos combinados criaram a figura do Xerife dos filmes de John Ford, a figura dos pioneiros que em caravanas expandiam os limites territoriais em direção ao oeste profundo. Dois atores marcaram época e incorporaram a imagem da bravura, da honra e do orgulho americano: Henri Fonda e Clint Eastwood. Nesta mesma época, década de 50 e 60, o sonho americano se concretizava na “golden age”. Este era o cenário cultural propício para a exaltação da honra. Isto perdurou e, na política externa, a expressão da honra e do orgulho americano ocorria nas famosas afirmações a respeito da “arrogância americana”, do unilateralismo. G. Bush foi a expressão radicalizada e tardia dessa atmosfera cultural, que obviamente expressava subliminarmente interesses econômicos.
Mas, em Bush, aquela atmosfera já havia mudado (saiu do cargo como o presidente mais detestado da história, e pelos americanos) e ninguém expressou tão bem esta mudança como o cinema. Não falarei da cinematografia de Eastwood, que dá uma guinada (em um de seus últimos, “A troca”, a inimiga é a polícia e no mais recente, “Gran Torino”, os imigrantes asiáticos são amigos). Não falarei também dos últimos filmes dos irmãos Coen, eles são canadenses (“Onde os fracos não tem vez” é emblemático, o xerife corre do bandido). O que mais me interessa é um dos maiores filmes da história do cinema, “Sangue negro” (There will be blood, EUA, 2007, Paul Thomas Anderson). Ali há a materialização de tal mudança na atmosfera cultural americana. Há a desconstrução dos dois personagens mais emblemáticos da história americana: o pioneiro, caracterizado por um pastor evangélico e um capitalista, explorador de petróleo (para a nascente indústria símbolo americana, a indústria de automóveis). Estas figuras, sempre idealizadas, se enfrentam em todo o filme, não pela honra, mas pelos seus próprios interesses econômicos, a ponto do capitalista se converter para que sua reserva seja aprovada pela comunidade, obviamente mediante uma doação para a igreja. Os símbolos da honra americana são figuras ridicularizadas. As cenas mais interessantes são os batismos: o pastor é mergulhado em uma poça de petróleo (à força) e o capitalista no “sangue de cristo” (na cena, Daniel Day-Lewis cinicamente deixa-se banhar). Não há em nenhum momento um único valor nobre a se ressaltar.
Poderia citar vários outros exemplos, eles têm aparecido com mais força. Mas o que interessa é que estes filmes captaram talvez uma mudança nos valores americanos. Em função das migrações latinas e asiáticas? Em função da radicalização da doutrina Bush? Não se sabe, mas talvez tudo isso tenha contribuído. A questão é que em tal atmosfera cultural a frase de Obama é possível e não mais tão difícil de ser dita. Mesmo o Brasil assumindo uma posição ímpar nas relações internacionais, o que acho ser o caso, esta frase só seria dita por um líder americano em tal atmosfera cultural.

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Emprego Público no Brasil - Estudo IPEA

Prezad@s,

Certamente mais um mito do pensamento reacionário que pulula na nossa mídia e nos corações mesquinhos e ressentidos do senso comum da lumpenpetitebourgeoise caiu por terra.

O mito se objetiva em seus “heróis”, Alexandres Garcias, Mainardis, Reinaldos Azevedos e afins, onde suas penas e vozes muitas vezes descreveram ad nauseam um Estado brasileiro “paquidérmico”, com um número excessivo de funcionários, etc... Na verdade tratava-se, antes de constituir-se a partir de estudos efetivos, da mera reprodução do que berravam agências multilaterais em dogmas privatistas que afundaram economias inteiras na aposta irresponsável de um modelo de sociedade construído à imagem e semelhança dos imperativos de mercado. Modelo que, como tudo que é sólido, desmanchou no ar nos últimos meses.

O estudo do IPEA (Instituto de Política Econômica Aplicada) realiza uma análise comparativa entre diferentes Estados-Nacionais e detecta o que o bom senso já havia percebido: ainda o Estado brasileiro é menor do que deveria ser. Se isto não implica que não devamos reclamar por maior eficiência, menos opacidade, e outros parâmetros republicanos no que tange a coisa pública, por outro lado devemos compreender que ainda o Estado brasileiro não atinge todos os campos e cantos do território nacional por uma insuficiência numérica. A despeito do senso comum dos próceres da lumpenpetiteburgeoise.

O estudo do IPEA pode ser lido aqui:

http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/09_03_30_ComunicaPresi_EmpPublico_v19.pdf

Reedição - Minima Moralia - Theodor Adorno

Vale a nota. A "Azougue Editorial" relança o texto "Minima Moralia" de Theodor W. Adorno. Trata-se de uma nova tradução do irônico texto do autor alemão acerca do cotidiano e vida no capitalismo maduro.

Possivelmente é uma resposta ácida ao texto "Magna Moralia" de Aristóteles...

Altamente recomendável. O texto estava fora de catálogo há um bom tempo em nosso país por razões inacessíveis dado que é um texto fundamental da teoria crítica elaborada no século XX.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Festa e escárnio - 45 anos do golpe militar






Hoje é 31 de março de 2009. Há 45 anos atrás agrupamentos de militares, que recebem seu soldo pago pelo contribuinte de esquerda, direita, centro, apolítico, ateu, decidem romper a normalidade institucional sem consultar a população. Apoiados pela lumpenpetitburgeoise e pela imprensa nacional interrompem o ciclo democrático iniciado mais ou menos após a 2ª Grande Guerra.

Os "Gorilas" então, bancados por dinheiro de impostos, resolvem estuprar, torturar, prender... Em nome do Estado. Sempre bancados pelo dinheiro de impostos. Tendo a legitimidade do monopólio "legítimo" da violência. São agentes do Estado e em nome deste atuam.

Agora, 45 anos depois, os "Gorilas", que recebem suas aposentadorias provenientes do dinheiro do contribuinte, em pleno Estado democrático de direito, acham super natural comemorar, mais uma vez com o meu, o seu, o nosso dinheirinho suado ganho sem molestar ninguém, os 45 anos do Golpe. Não precisamos passar por isso.

Por mais esse escárnio eu pergunto o que falta para passarmos a limpo os arquivos? Quem assinou a petição de ação para os "Gorilas"? O que de fato fizeram? Quantos realmente mataram "em nome da democracia"?

Usualmente opto por textos mais analíticos. Mas, análise tem limite. Me incomoda profundamente saber que, dentre os países da América Latina, o Brasil forneça confortável guarita aos torturadores bancados pelo Estado.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Um olhar para o passado com os pés no presente


Nessa entrevista, Eric Hobsbawn (1917-) volta-se para as incertezas do presente, o ocaso do liberalismo econômico e da "esquerda clássica", apontando para a impossibilidade de um retorno ao passado na construção de uma agenda pública para os Estados, no curso da reestruturação da ordem econômica no mundo.

Fonte: Agência Carta Maior
Acesso em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15888


"Com liberdade total para o mercado, quem atende aos pobres?"

Em entrevista publicada no jornal Página 12, o historiador britânico Eric Hobsbawm fala da crise atual e de suas possíveis implicações políticas. Para ele, o mundo está entrando em um período de depressão e os grandes riscos, diante da fragilidade da esquerda mundial, são o crescimento da xenofobia e da extrema-direita. Hobsbawm destaca o que está acontecendo na América Latina e elogia o presidente brasileiro. "É o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. No Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles".

Data: 29/03/2009
Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu "Rebeldes Primitivos", "A Era da Revolução" e a "História do Século XX", entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.

Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou. Rapidamente uma pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma. Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.

- Acabo de me encontrar com um historiador alemão, por isso estou na embaixada, e devo voltar – avisa. Ele chegou de visita a Londres e quis conversar com alguns de nós. Sei que vamos a Canning House. Está bem. Poucas voltas, não?

O carro dá meia volta na Belgrave Square e pára na frente de outro palacete branco de três andares, com uma varanda rodeada de colunas e a porta de madeira pesada. Por algum motivo mágico o motorista de cabelos brancos com uma mecha sobre o rosto, traje azul e sorridente como um ajudante do inspetor Morse de Oxford, já abre a porta a Hobsbawm. Entre essas construções tão parecidas, a elegância do Jaguar o assemelha a uma carruagem recém polida. O motorista sorri quando Hobsbawm desce. O professor lhe devolve a simpatia enquanto sobe com facilidade num hall obscuro. Já entrou em Canning House e à direita vê uma enorme imagem de José de San Martin. À esquerda do corredor, uma grande sala. O chá está servido. Quer dizer, o chá, os pães e uma torta. Outro quadro do mesmo tamanho que o de San Martin. É Simon Bolívar. E também é Bolívar o cavalheiro do busto sobre o aparador.

Quanto chá tomaram Bolívar e San Martin antes de saírem de Londres para a América do Sul, em princípios do século XIX, para cumprir seus planos de independência?

Hobsbawm pega a primeira taça e quer ser quem faz a primeira pergunta.

- Como está a Argentina? - interroga mas não muito, porque não espera e comenta – No ano passado Cristina esteve para vir a Londres para uma reunião de presidentes progressistas e pediu para me ver. Eu disse sim, mas ela não veio. Não foi sua culpa. Estava no meio do confronto com a Sociedade Rural.

Hobsbawm fala um inglês sem afetação nem os trejeitos de alguns acadêmicos do Reino Unido. Mas acaba de pronunciar “Sociedade Rural” em castellhano.

- O que aconteceu com esse conflito?

Durante a explicação, o professor inclina a cabeça, mais curioso que antes, enquanto com a mão direita seu garfo tenta cortar a torta de maçã. É uma tarefa difícil. Então se desconcentra da torta e fixa o olhar esperando, agora sim, alguma pergunta.

- O mundo está complicado – afirma ainda mantendo a iniciativa. Não quero cair em slogans, mas é indubitável que o Consenso de Washington morreu. A desregulação selvagem já não é somente má: é impossível. Há que se reorganizar o sistema financeiro internacional. Minha esperança é que os líderes do mundo se dêem conta de que não se pode renegociar a situação para voltar atrás, senão que há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.

A Argentina experimentou várias crises, a última forte em 2001. Em 2005 o presidente Néstor Kirchner, de acordo com o governo brasileiro, que também o fez, pagou ao FMI e desvinculou a Argentina do organismo para que o país não continuasse submetido a suas condicionalidades.

- É que a esta altura se necessita de um FMI absolutamente distinto, com outros princípios que não dependam apenas dos países mais desenvolvidos e em que uma ou duas pessoas tomam as decisões. É muito importante o que o Brasil e a Argentina estão propondo, para mudar o sistema atual. Como estão as relações de vocês?

- Muito bem

- Isso é muito importante. Mantenham-nas assim. As boas relações entre governos como os de vocês são muito importantes em meio a uma crise que também implica riscos políticos. Para os padrões estadunidenses, o país está girando à esquerda e não à extrema direita. Isso também é bom. A Grande Depressão levou politicamente o mundo para a extrema direita em quase todo o planeta, com exceção dos países escandinavos e dos Estados Unidos de Roosevelt. Inclusive o Reino Unido chegou a ter membros do Parlamento que eram de extrema direita [e começa a entrevista propriamente].

- E que alternativa aparece?
- Não sei. Sabe qual é o drama? O giro à direita teve onde se apoiar: nos conservadores. O giro à esquerda também teve em quem descansar: nos trabalhistas.

- Os trabalhistas governam o Reino Unido.
- Sim, mas eu gostaria de considerar um quadro mais geral. Já não existe esquerda tal como era.

- Isso lhe é estranho?
- Faço apenas o registro.

- A quê se refere quando diz “a esquerda tal como era”?
- Às distintas variantes da esquerda clássica. Aos comunistas, naturalmente. E aos socialdemocratas. Mas, sabe o que acontece? Todas as variantes da esquerda precisam do Estado. E durante décadas de giro à direita conservadora, o controle do Estado se tornou impossível.

- Por que?
- Muito simples. Como você controla o estado em condições de globalização? Convém recordar que, em princípios dos anos 80 não só triunfaram Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Na França, François Miterrand não obteve uma vitória.

- Havia vencido para a presidência dem 1974 e repetiu a vitória em 1981.
- Sim. Mas quando tentou uma unidade das esquerdas para nacionalizar um setor maior da economia, não teve poder suficiente para fazê-lo. Fracassou completamente. A esquerda e os partidos socialdemocratas se retiraram de cena, derrotados, convencidos de que nada se podia fazer. E, então, não só na França como em todo mundo ficou claro que o único modelo que se podia impor com poder real era o capitalismo absolutamente livre.

- Livre, sim. Por que diz “absolutamente”?
- Porque com liberdade absoluta para o mercado, quem atende aos pobres? Essa política, ou a política da não-política, é a que se desenvolveu com Margareth Thatcher e Ronald Reagan. E funcionou – dentro de sua lógica, claro, que não compartilho – até a crise que começou em 2008. Frente à situação anterior a esquerda não tinha alternativa. E frente a esta? Prestemos atenção, por exemplo, à esquerda mais clássica da Europa. É muito débil na Europa. Ou está fragmentada. Ou desapareceu. A Refundação Comunista na Itália é débil e os outros ramos do ex Partido Comunista Italiano estão muito mal. A Esquerda Unida na Espanha também está descendo ladeira abaixo. Algo permaneceu na Alemanha. Algo na França, como Partido Comunista. Nem essas forças, nem menos ainda a extrema esquerda, como os trotskistas, e nem sequer uma socialdemocracia como a que descrevi antes alcançam uma resposta a esta crise a seus perigos, contudo. A mesma debilidade da esquerda aumenta os riscos.

- Que riscos?
- Em períodos de grande descontentamento como o que começamos a viver, o grande perigo é a xenofobia, que alimentará e será por sua vez alimentada pela extrema direita. E quem essa extrema direita buscará? Buscará atrair os “estúpidos” cidadãos que se preocupam com seu trabalho e têm medo de perdê-lo. E digo estúpidos ironicamente, quero deixar claro. Porque aí reside outro fracasso evidente do fundamentalismo de mercado. Deu liberdade para todos, e a verdadeira liberdade de trabalho? A de mudá-lo e melhorar em todos os aspectos? Essa liberdade não foi respeitada porque, para o fundamentalismo de mercado isso tinha se tornado intolerável. Também teriam sido politicamente intoleráveis a liberdade absoluta e a desregulação absoluta em matéria laboral, ao menos na Europa. Eu temo uma era de depressão.

- Você ainda tem dúvidas de que entraremos em depressão?
- Se você quiser posso falar tecnicamente, como os economistas, e quantificar trimestres. Mas isso não é necessário. Que outra palavra pode se usar para denominar um tempo em que muito velozmente milhões de pessoas perdem seu emprego? De qualquer maneira, até o momento no vejo um cenário de uma extrema direita ganhando maioria em eleições, como ocorreu em 1933, quando a Alemanha elegeu Adolf Hitler. É paradoxal, mas com um mundo muito globalizado um fator impedirá a imigração, que por sua vez aparece como a desculpa para a xenofobia e para o giro à extrema direita. E esse fator é que as pessoas emigrarão menos – falo em termos de emigração em massa – ao verem que nos países desenvolvidos a crise é tão grave. Voltando à xenofobia, o problema é que, ainda que a extrema direita não ganhe, poderia ser muito importante na fixação da agenda pública de temas e terminaria por imprimir uma face muito feia na política.

- Deixemos de lado a economia, por um momento. Pensando em política, o que diminuiria o risco da xenofobia?
- Me parece bem, vamos à prática. O perigo diminuiria com governos que gozem de confiança política suficiente por parte do povo em virtude de sua capacidade de restaurar o bem-estar econômico. As pessoas devem ver os políticos como gente capaz de garantir a democracia, os direitos individuais e ao mesmo tempo coordenar planos eficazes para se sair da crise. Agora que falamos deste tema, sabe que vejo os países da América Latina surpreendentemente imunes à xenofobia?

- Por que?
- Eu lhe pergunto se é assim. É assim?

- É possível. Não diria que são imunes, se pensamos, por exemplo, no tratamento racista de um setor da Bolívia frente a Evo Morales, mas ao menos nos últimos 25 anos de democracia, para tomar a idade da democracia argentina, a xenofobia e o racismo nunca foram massivos nem nutriram partidos de extrema direita, que são muito pequenos. Nem sequer com a crise de 2001, que culminou o processo de destruição de milhões de empregos, apesar de que a imigração boliviana já era muito importante em número. Agora, não falamos dos cantos das torcidas de futebol, não é?

- Não, eu penso em termos massivos.

- Então as coisas parecem ser como você pensa, professor. E, como em outros lugares do mundo, o pensamento da extrema direita aparece, por exemplo, com a crispação sobre a segurança e a insegurança das ruas.
- Sim, a América Latina é interessante. Tenho essa intuição. Pense num país maior, o Brasil. Lula manteve algumas idéias de estabilidade econômica de Fernando Henrique Cardoso, mas ampliou enormemente os serviços sociais e a distribuição. Alguns dizem que não é suficiente...

- E você, o que diz?
- Que não é suficiente. Mas que Lula fez, fez. E é muito significativo. Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. E ninguém o havia feito nunca na história desse país. Por isso hoje tem 70% de popularidade, apesar dos problemas prévios às últimas eleições. Porque no Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles, desenvolvendo ao mesmo tempo a indústria e a exportação de produtos manufaturados. A desigualdade ainda assim segue sendo horrorosa. Mas ainda faltam muitos anos para mudar as cosias. Muitos.

- E você pensa que serão de anos de depressão mundial
- Sim. Lamento dizê-lo, mas apostaria que haverá depressão e que durará alguns anos. Estamos entrando em depressão. Sabem como se pode dar conta disso? Falando com gente de negócios. Bom, eles estão mais deprimidos que os economistas e os políticos. E, por sua vez, esta depressão é uma grande mudança para a economia capitalista global.

- Por que está tão seguro desse diagnóstico?
- Porque não há volta atrás para o mercado absoluto que regeu os últimos 40 anos, desde a década de 70. Já não é mais uma questão de ciclos. O sistema deve ser reestruturado.

- Posso lhe perguntar de novo por que está tão seguro?
- Porque esse modelo não é apenas injusto: agora é impossível. As noções básicas segundo as quais as políticas públicas deviam ser abandonadas, agora estão sendo deixadas de lado. Pense no que fazem e às vezes dizem, dirigentes importantes de países desenvolvidos. Estão querendo reestruturar as economias para sair da crise. Não estou elogiando. Estou descrevendo um fenômeno. E esse fenômeno tem um elemento central: ninguém mais se anima a pensar que o Estado pode não ser necessário ao desenvolvimento econômico. Ninguém mais diz que bastará deixar que o mercado flua, com sua liberdade total. Não vê que o sistema financeiro internacional já nem funciona mais? Num sentido, essa crise é pior do que a de 1929-1933, porque é absolutamente global. Nem os bancos funcionam.

- Onde você vivia nesse momento, no começo dos anos 30?
- Nada menos que em Viena e Berlim. Era um menino. Que momento horroroso. Falemos de coisas melhores, como Franklin Delano Roosevelt.

- Numa entrevista para a BBC no começo da crise você o resgatou.
- Sim, e resgato os motivos políticos de Roosevelt. Na política ele aplicou o princípio do “Nunca mais”. Com tantos pobres, com tantos famintos nos Estados Unidos, nunca mais o mercado como fator exclusivo de obtenção de recursos. Por isso decidiu realizar sua política do pleno emprego. E desse modo não somente atenuou os efeitos sociais da crise como seus eventuais efeitos políticos de fascistização com base no medo massivo. O sistema de pleno emprego não modificou a raiz da sociedade, mas funcionou durante décadas. Funcionou razoavelmente bem nos Estados Unidos, funcionou na França, produziu a inclusão social de muita gente, baseou-se no bem-estar combinado com uma economia mista que teve resultados muito razoáveis no mundo do pós-Segunda Guerra. Alguns estados foram mais sistemáticos, como a França, que implantou o capitalismo dirigido, mas em geral as economias eram mistas e o Estado estava presente de um modo ou de outro. Poderemos fazê-lo de novo? Não sei. O que sei é que a solução não estará só na tecnologia e no desenvolvimento econômico. Roosevelt levou em conta o custo humano da situação de crise.

- Quer dizer que para você as sociedades não se suicidam.
(Pensa) – Não deliberadamente. Sim, podem ir cometendo erros que as levam a catástrofes terríveis. Ou ao desastre. Com que razoabilidade, durante esses anos, se podia acreditar que o crescimento com tamanho nível de uma bolha seria ilimitado? Cedo ou tarde isso terminaria e algo deveria ser feito.

- De maneira que não haverá catástrofe.
- Não me interessam as previsões. Observe, se acontece, acontece. Mas se há algo que se possa fazer, façamos-no. Não se pode perdoar alguém por não ter feito nada. Pelo menos uma tentativa. O desastre sobrevirá se permanecermos quietos. A sociedade não pode basear-se numa concepção automática dos processos políticos. Minha geração não ficou quieta nos anos 30 nem nos 40. Na Inglaterra eu cresci, participei ativamente da política, fui acadêmico estudando em Cambridge. E todos éramos muito politizados. A Guerra Civil espanhola nos tocou muito. Por isso fomos firmemente antifascistas.

- Tocou a esquerda de todo o mundo. Também na América Latina
- Claro, foi um tema muito forte para todos. E nós, em Cambridge, víamos que os governos não faziam nada para defender a República. Por isso reagimos contra as velhas gerações e os governos que as representavam. Anos depois entendi a lógica de por quê o governo do Reino Unido, onde nós estávamos, não fez nada contra Francisco Franco. Já tinha a lucidez de se saber um império em decadência e tinha consciência de sua debilidade. A Espanha funcionou como uma distração. E os governos não deviam tê-la tomado assim. Equivocaram-se. O levante contra a República foi um dos feitos mais importantes do século XX. Logo depois, na Segunda Guerra...

- Pouco depois, não? Porque o fim da Guerra Civil Espanhola e a invasão alemã da Tchecoslováquia ocorreu no mesmo ano.
- É verdade. Dizia-lhe que logo depois o liberalismo e o comunismo tiveram uma causa comum. Se deram conta de que, assim não fosse, eram débeis frente ao nazismo. E no caso da América Latina o modelo de Franco influenciou mais que o de Benito Mussolini, com suas idéias conspiratórias da sinarquia, por exemplo. Não tome isso como uma desculpa para Mussolini, por favor. O fascismo europeu em geral é uma ideologia inaceitável, oposta a valores universais.

- Você fala da América Latina...
- Mas não me pergunte da Argentina. Não sei o suficiente de seu país. Todos me perguntam do peronismo. Para mim está claro que não pode ser tomado como um movimento de extrema direita. Foi um movimento popular que organizou os trabalhadores e isso talvez explique sua permanência no tempo. Nem os socialistas nem os comunistas puderam estabelecer uma base forte no movimento sindical. Sei das crises que a Argentina sofreu e sei algo de sua história, do peso da classe média, de sua sociedade avançada culturalmente dentro da América Latina, fenômeno que creio ainda se mantém. Sei da idade de ouro dos anos 20 e sei dos exemplos obscenos de desigualdade comuns a toda a América Latina.

- Você sempre se definiu com um homem de esquerda. Também segue tendo confiança nela?
- Sigo na esquerda, sem dúvida com mais interesse em Marx do que em Lênin. Porque sejamos sinceros, o socialismo soviético fracassou. Foi uma forma extrema de aplicar a lógica do socialismo, assimo como o fundamentalismo de mercado foi uma forma extrema de aplicação da lógica do liberalismo econômico. E também fracassou. A crise global que começou no ano passado é, para a economia de mercado, equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim em 1989. Por isso Marx segue me interessando. Como o capitalismo segue existindo, a análise marxista ainda é uma boa ferramenta para analisá-lo. Ao mesmo tempo, está claro que não só não é possível como não é desejável uma economia socialista sem mercado nem uma economia em geral sem Estado.

- Por que não?
- Se se mira a história e o presente, não há dúvida alguma de que os problemas principais, sobretudo no meio de uma crise profunda, devem e podem ser solucionados pela ação política. O mercado não tem condições de fazê-lo.

(*) Martin Granovsky é analista internacional e presidente da agência de notícias Télam.

Publicado no jornal Página 12, em 29 de março de 2009

Tradução: Katarina Peixoto


Quinta-feira, 26 de Março de 2009

A Caixa Econômica Federal no Governo Lula


Rider de Azevedo Gonçalves Filho tem 48 anos e é funcionário concursado da Caixa Econômica Federal desde 1981, formado em Gestão Estratégica das Organizações, pela Unisul de Santa Catarina foi Superintendente da (CEF) na região entre 2004 e 2008 e nos conta como foi sua experiência na gestão de um dos maiores Bancos do País.


Sr. Rider o que é uma superintendência da Caixa Econômica Federal (CEF)?


Uma superintendência da Caixa é basicamente uma representação regional da presidência da empresa e dá o tom da atuação da mesma em cada região. Funciona numa cidade sede(no nosso caso, Campos) e é responsável pela atuação da Caixa na região( no nosso caso, Norte, Noroeste, região serrana(Friburgo) e Lagos(Macaé e Rio das Ostras), perfazendo um total de 33 municípios). A Caixa possui outras 6 superintendências no Estado com bases em Niterói, Volta Redonda e na cidade do Rio de Janeiro, que possui 4.A superintendência Norte Fluminense tem sob a sua subordinação 22 agências e é também responsável pelo repasse e fiscalização dos recursos do governo federal para as prefeituras.

Como o Sr. Foi escolhido para desempenhar essa função?

Ingressei na Caixa por concurso público em 1981 e de 1984 a 2003 exerci o cargo de gerente geral em 8 cidades na região Norte-Noroeste fluminense, o que me deu um vasto conhecimento sobre a realidade regional. Daí, no início do governo Lula, o PT decidiu apoiar a indicação do meu nome para assumir a Superintendência Regional, mesmo eu não sendo filiado ao partido.
Durante o seu tempo na Superintendência, como foi o relacionamento com o Partido dos Trabalhadores ?

O PT apoiou integralmente o meu trabalho nesses 5 anos, não tendo jamais criado nenhuma situação de desconforto ou constrangimento ou exigido alguma coisa em troca pelo fato de ter indicado o meu nome. Antes disso, me deu total liberdade para que nós pudéssemos implementar com sucesso uma política de governo que viesse a melhorar a qualidade de vida na região.

A Superintendência da CEF é responsável pelo repasse e fiscalização de recursos do Governo Federal, isso obriga o banco a atuar em parceria com as prefeituras da região. Como o Sr. analisa a relação da Caixa com as prefeituras?

A Caixa tem sido responsável pelo repasse dos recursos federais às prefeituras locais, além de acompanhar e fiscalizar a boa aplicação dos mesmos. No final de 2008 esses recursos formavam uma carteira de cerca de R$200 milhões, que são liberados de acordo com um cronograma de execução das obras.
Temos orientado as equipes das prefeituras no sentido de incluir projetos bem estruturados nos sites dos Ministérios, principalmente o das CIDADES, SAÚDE E TURISMO, já que os mesmmos são analisados e autorizados on-line pelos Ministérios, criando uma alternativa interessante de captação de recursos, em contraponto às emendas parlamentares.

A CEF administra os recursos do FGTS e é responsável pelo programa de construção de casas de casas populares o que foi feito nesse setor na região?

Em parceria com várias dessas prefeituras, realizamos diversas operações coletivas habitacionais com recursos subsidiados do FGTS, que juntamente com o programa PAR(programa de Arrendamento Residencial), promoveram a construção de cerca de 2.000 unidades habitacionais nos municipios de CAMPOS, MACAÉ, SÃO JOÃO DA BARRA, MADALENA, CONCEIÇÃO DE MACABU, CARDOSO MOREIRA, SANTO ANTONIO DE PÁDUA E SÃO JOSÉ DE UBÁ). Especificamente em Pádua, construímos uma Agro Vila, ou seja, um conjunto habitacional em área rural, com estrutura de atendimento de saúde, educação e social, além de orientação para plantio, artesanato(produção e venda), que fez com que as famílias beneficiadas tivessem acesso pleno à cidadania e dignidade(moradia e trabalho). Foi um grande trabalho da CAIXA em conjunto com a PREFEITURA DE PÁDUA, EMATER, MESA E EMPRESÁRIOS DE PÁDUA.Ações deste tipo nunca haviam sido promovidas anteriormente pela Caixa na região e pôde acontecer tendo em vista todo o direcionamento da política de governo voltada para o atendimento às camadas mais pobres da população.Ressalto que a escolha das prefeituras contempladas se deu em função do interesse e disposição do poder público local, merecendo o investimento da Caixa nesses municípios, independentemente da cor partidária do executivo local.
Pouco antes de eu sair, deixamos alinhavada a assinatura de um Protocolo de Intenções de R$ 270 milhões com a Prefeitura de Campos, de recursos para serem utilizados na construção de unidades habitacionais para público de baixa renda. Este protocolo deverá ser assinado ainda este mês.

Pensando nas grandes linhas da política do Banco qual foi a grande mudança do governo Lula?

A maior mudança foi o direcionamento do governo no sentido de tornar os produtos bancários acessíveis às camadas mais pobres da população, até então alijadas do mercado bancário nacional, fazendo com que o cidadão mais humilde pudesse ter uma conta bancária, crédito, financiamento para casa própria,etc.

Hoje é possível dizer que pessoas de baixa renda têm condições de possuir uma conta com cartão de crédito e cheque especial?

A Caixa criou a conta CAIXA AQUI, uma conta sem exigência de comprovação de renda, que permite a movimentação por cartão magnético e isento de tarifas bancárias e até de CPMF, bastando que a movimentação não ultrapasse a R$1.000,00. Abrimos milhares dessas contas na região e após algum tempo algumas delas mereceram receber cartão de crédito e um cheque especial de R$200, tendo a vista o controle e o equillibrio que alguns correntistas apresentavam.
A CEF possui um programa de micro crédito como o Sr. avalia os impactos dessa política e qual o percentual de inadimplência?

A disponibilização do micro crédito representa geração de emprego e renda, gerando desenvolvimento na região. Temos apoiado as pessoas físicas, através do penhor, crédito consignado, proger, etc. e as micro e pequenas empresas através de apoio creditício para capital de giro e aquisição de equipamentos, contribuindo para o fortalecimento da economia regional.
A caixa inovou na promoção de patrocínios na região. Como isso foi possível?

O governo Lula promoveu a descentralização das verbas de patrocínio, e assim a CAIXA pôde apoiar diversas iniciativas culturais na região, patrocinando peças teatrais, shows de MPB, concertos musicais, Palestras Empresariais, seminários, feiras temáticas, eventos esportivos, etc, fomentando as mais diversas manifestações culturais da nossa região. Foi um total de cerca de R$500 mil reais investidos nesses 5 anos. Campos e Nova Friburgo foram os municípios mais contemplados, já que apresentaram diversos projetos de boa qualidade.

As ações sociais do banco que beneficiam as camadas mais empobrecidas da região afetaram negativamente o lucro do banco?

Ao contrário, o lucro da Caixa quadruplicou nesses últimos 6 anos, comprovando que as atividades comercial e social de um banco podem caminhar juntas, quando há uma administração firme e criativa por trás.

A crise internacional em curso vai afetar os projetos da (CEF)? Os investimentos sociais do Banco podem sofrer cortes?

Por enquanto não há previsão de cortes nos investimentos da Caixa, já que ela é um dos maiores braços do governo federal no combate à crise e a recessão. Dessa forma a Caixa vem reduzindo sistematicamente suas taxas de juros desde o final do ano passado e há uma boa disponiblização de recursos para crédito, principalmente o habitacional, já que a construção civil é um dos maiores geradores de empregos no país, além de ajudar o governo a vencer o desafio da redução do déficit habitacional.

Por que o atendimento nas agências ainda é muito precário? Qual é o déficit de funcionários da CEF e por que ele permanece?

A Caixa é o único banco que atende o trabalhador brasileiro nas suas grandes demandas como o PIS, FGTS, SEGURO DESEMPREGO, ETC. Isso explica a grande procura por atendimento que as nossas agências têm. A Caixa vêm buscando minimizar esses impactos com diversas medidas de automação´como cartão do cidadão, terminais de auto atendimento, correspondentes bancários, etc, mas reconhecemos que há momentos em que essas medidas não são suficientes. De 2003 para cá a Caixa aumentou o quantitativo de empregados de 65.000 para quase 90.000 e a contratação de mais concursados passa necessariamente por uma autorização do Ministério da Fazenda. Estendemos a rede de atuação da Caixa na região com inauguração de novas agências em GUARUS, PELINCA, RIO DAS OSTRAS E NATIVIDADE, além de CAVALEIROS em Macaé, cuja obra está em andamento com previsão de término para maio/2009. Aumentamos também a rede de lotéricos e correspondentes bancários com cerca de 40 novos postos de atendimento na região, contribuindo para o fortalecimento da economia local nos bairros e distritos que receberam esses postos.

Terça-feira, 24 de Março de 2009

Algumas impressões sobre “O que a esquerda deve propor” ou “O que é que o Mangabeira tem?”

Prezad@s,

Como é praxe neste espaço aprendemos a valorizar as polêmicas. E com elas aprendemos pois aguçamos “as armas da crítica”, algo absolutamente pertinente ao fazer do cientista social que não se atém exclusivamente na busca (sempre precária e ilusória) por mimetizar o real. Valorizando a polêmica sobre o texto de Roberto Mangabeira Unger, sem dúvida um autor importantíssimo para o presente momento histórico, eu irei adiantar alguns pontos de uma resenha que preparo sobre seu último livro lançado em língua portuguesa, “O que a esquerda deve propor” (Editora Civilização Brasileira – 2008). Tudo leva a crer que a versão final do texto ganhará muitíssimo em qualidade com as questões que porventura provenham dos futuros comentários. Desde já agradeço pela oportunidade.

Antes, acho que é importante me posicionar sobre um ponto pertinente na atuação das ciências sociais: as ciências sociais tem um compromisso “normativo” a priori, posto ciência positiva, de compreender e explicar o real. Neste simples enunciado acho que é sintetizado o primado que nos distancia de parte da filosofia “pura”, onde é passível e mesmo cabível perscrutar questões eminentemente especulativas – como afirmar que não existe o real, há jogos de linguagem e etc... O que não é nada menor, diga-se de passagem, pois produz conseqüências inúmeras nos processos de elaboração de conhecimento aplicado ou não. Mas, prosseguindo, justamente por ser ciência social, seus “produtos” (pesquisa, artigos, etc.) obviamente podem e muitas vezes tem conseqüências “normativas” ou, simplesmente, as vezes políticas e morais. Por vezes até mesmo temos conseqüências pragmáticas na execução de políticas públicas, onde obrigatoriamente expressam-se noções de “bem viver” dentre as disponíveis no mercado de legitimações morais, que podem estar conectadas com estudos filosóficos ou sociológicos de toda ordem.

Ainda há a determinação de algo tão basilar, como o recorte do objeto, que é permeado por nossas opções valorativas (Weber). Não disse nenhuma novidade, mas, é importante sabermos de onde estamos falando. O que queria ressaltar que o binarismo “normativos” ou “não normativos” é tão grosseiro quando ingênuo. Sem pretensões de ineditismo (retomarei este ponto adiante).

Portanto não sou positivista ou tampouco algum tipo de “ativista”. E não gostaria que as minhas críticas e observações não fossem neste texto interpretadas sob qualquer tipo de alcunha deste tipo dado que não condizem com a minha proposta. Acredito enquanto valor, sim, que as ciências sociais podem produzir revoluções trazendo a tona o confrontamento com o senso comum e com os sensos informados ideologicamente de todo o tipo. Em suma, desencantando o mundo, mostrando onde este possui suas vértebras, e como estão dispostas. Tudo isto permeado por uma das melhores contribuições das ciências sociais para qualquer projeto civilizatório: o seu próprio pluralismo epistemológico.

Desta feita considero absolutamente inadequado que os atos argumentativos científicos ou pesquisas sejam guiados por um critério de validação que seja estranho ao fazer científico. Me recuso, peremptoriamente, a dividir o universo de cientistas sociais entre aqueles “corajosos” e os “covardes” dado que elementos de virilidade talvez sejam passíveis em eventos de luta livre. Mas não para o fazer científico. Ainda considero que para se fazer ciência se precise muito mais de cérebro do que de culhões. São opções as quais precisam ser compartilhadas. São minhas opções. Como estes pontos foram levantados nos comentários passados, de maneira esparsa, julguei que era importante traze-los a tona nesta análise.

Ainda, no campo da advertências ao leitor, minhas críticas não são para o conjunto da obra do valoroso Mangabeira Unger. E nem ao ministro. Eu não teria competência neste momento para avaliar nem um ou o outro. Na verdade nutro simpatia política por seu papel no Governo Lula e considero progressista sua participação na vida pública brasileira, embora que não sem ambigüidades. Minha leitura se dará unicamente sobre o texto “O que a esquerda deve propor”. Nada mais. E a crítica, antes de significar a prática do desprestígio, implica na possibilidade de avaliar argumentos.

Feitas as justificativas e os backgrounds teóricos-epistemológicos mínimos, vamos então ao texto.

Mangabeira Unger, um homem que logrou logo no início de sua carreira ser resenhado por ninguém menos que Talcott Parsons, nos brinda em seu “O que a esquerda deve propor”, com um complexo corpo de idéias que, em minha leitura, pertencem ao intrincado universo da filosofia política. Ao menos parcialmente pois discute: a) o que pode ser uma ordem coletiva moralmente justa; b) quais caminhos podem ser trilhados, programaticamente, em prol desta nova ordem. Outros elementos que me parecem importantes no debate da filosofia política parecem esmaecidos pois não se discute quem é o ser humano, o agente que faz a política (uma ontologia minimamente presente – natureza humana) e, em uma lógica processualista “neutra”, não se discute Estado, mercado, sociedade. Tem a trilogia hegeliana, a assume enquanto existente, mas não a problematiza adequadamente. Na verdade o autor propõe a inversão de pólos (profundo reajuste estrutural) destas três esferas possibilitando uma “revolução” de tons reformistas – há uma dialética de fato interessante entre reforma e revolução no texto. Todavia tudo se concentra em um “Fiat” (faça-se) pouco crível na medida em que não se dá ao trabalho de realizar um mínimo de análise conjuntural que permita essa “revolução reformista”. O próprio Mangabeira compreende as dificuldades de sua “profecia” – eis o substantivo utilizado pelo autor nos últimos capítulos - pois reconhece que o eleitorado capaz de operar mudanças tão substantivas sequer nasceu (e não há até o momento qualquer evidência que nascerá algum dia).

Prosseguindo, Mangabeira elabora uma crítica, bastante acertada, na aposta da esquerda “tradicional” de concentrar suas esperanças em um tipo de agente social, o famoso agente que resume em si a síntese do espírito histórico. Ora, não é necessário ser um grande leitor das obras socialistas elaboradas a partir do século XIX para compreendermos que na teodicéia secular de esquerda há um agente “ungido” da capacidade de representar o próprio espírito histórico: a classe trabalhadora. Todavia a resposta elaborada para este dilema, a ausência de um agente, se dá.... Retomando a classe trabalhadora!!!!! Simples assim. Renovada em seus anseios pequeno-burgueses, tendo este como um novo telos (mudança qualitativa em padrões de vida) que deve ser o fio interpretativo deste novo-velho agente reformado (?!?!), a classe trabalhadora, sobretudo situada entre os estratos médios, algo deve auxiliar a corporificar as profecias (seria o próprio Mangabeira um profeta?) elaborada em seu “conjunto de proposições”.

Tendo as aspirações pequeno burguesas para a classe trabalhadora é desnecessário dizer algo sobre o papel secundário reservado para a sub-classe e as políticas redistributivas. Ambos (sub-classe e políticas sociais) encontram-se em um grau hierárquico de prioridades menor. De alguma forma na leitura de ação de esquerda do autor há certa mitificação (fetichização pura e simples) dos processos educacionais caríssimos que possibilitariam, talvez, resgatar estes grupos de sua condição de miserabilidade. Sem detalhar em qualquer segundo como de fato seria viável tão ousada política educacional integrada e “para a vida toda” o que relegaria a “ralé” e um tipo de limbo desconfortável da modernidade.

Há coerência discursiva, se pensarmos no “preço” destas políticas educacionais, ao levarmos adiante o debate importante levantado pelo autor acerca da contradição gerada pelo direito de herança pois perpetua as diferenciações entre classes e aniquila em muito qualquer pretensão meritocrática existente na sociedade (outro ponto provocativo importante do texto). Mas, mesmo assim, supondo que políticas do lastro proposto por Mangabeira não se efetivem tão rapidamente (reconhecendo inclusive o elemento reformista de sua proposta), há de se pensar na ralé, que estaria desemparada em sua ascese para se tornar ao menos “gente” por processos educacionais de alta sofisticação. Preterida mais uma vez aqui, tanto como o fez em instigante entrevista para o jornal “O Globo”, onde há a preferência pelos “batalhadores”.

Um elemento muitíssimo interessante é a crítica de uma “leitura de mundo da calamidade” que percorre a esquerda, dado que faticamente alguns dos maiores avanços civilizatórios em um sentido progressista ocorreram em crises profundas. Foi assim após 1929, pós Segunda Grande Guera... E nestes termos há a preocupação do autor em buscar caminhos que fujam desta “pedagogia da crise”. O livro foi publicado originalmente nos EUA em 2005, antes da bolha imobiliária americana estourar levando à catástrofe do sistema financeiro que estamos hoje presenciando. Não teria exatamente, evidentemente, como prever o que estamos vivendo neste início de 2009. A grande ironia histórica é que, pelo caráter cíclico deste tipo de ocorrência estrutural, justamente neste momento temos mais uma crise que nos possibilitará os “experimentalismos institucionais” vaticinados pelo autor! Voltemos para a fática narrativa positiva da calamidade. Em outros termos, não desconsiderando a sua queixa, justa, vemos faticamente mais uma vez a oportunidade histórica de pensarmos determinados elementos do modo de produção sob uma outra ótica. Mesmo que não tenhamos mudanças estruturais. Mas, isto é uma outra questão.

Caminhando para o desfecho: sobre as pretensões de ineditismo.

Não duvido que eu tenha sido demasiado apressado nas minhas colocações, o que poderia permitir que eu não seja suficientemente compreendido em minha inegável crítica quando utilizei o termo “pretensões de ineditismo”. O outro caminho, o do elogio das “pretensões ao ineditismo” nos empurra para o pior dos mundos. Na verdade o elogio das “pretensões de ineditismo” é o elogio da ignorância ou da arrogância da recusa ao diálogo com autores que produziram peças mais convincentes sobre determinado tema. E muitíssimo antes do Mangabeira em questão.

O que devemos lutar, isto sim é fundamental para a ciência, é por estudos originais. Mas, “pretensões de ineditismo” são problemáticas na medida em que se recusam a participar do processo de acumulação do conhecimento. Reitero, a produção teórica deve primar pelo rigor na medida que a produção do conhecimento deve se reconhecer como parte integrante de um esforço coletivo.

Uma das formas possíveis, e me parece absolutamente produtivo que assim o seja, de ler o texto “O que a esquerda deve propor” envolve reconhecermos limites na democracia representativa liberal.

Ora, este formato de organização da ação coletiva, a democracia como via legítima e política, conquista hoje realidades até então impensáveis. Numericamente “nunca fomos tão democráticos”. O imbróglio está na seguinte questão: ouve a ampliação numérica mas sem gerar sociedades “movimentadas” politicamente. Esta é ao menos a impressão, ou o diagnóstico, de parte dos teóricos da sociedade a partir da década de 1990. Creio que Mangabeira faz o mesmo caminho. Portanto, vão me desculpar, aí que as suas “pretensões de ineditismo” (a questão de trazer a tona questões que já foram trabalhadas sem qualquer intenção de acrescentar diretamente com vias de aumentar o acúmulo do debate) vão pras cucuias. Habermas, Giddens, Wallerstein, Boaventura de Sousa Santos, Claus Offe.... Todos estes pensaram os dilemas da esquerda, e da ação coletiva, de maneira ou de outra. Todos reconhecem que a chamada “esquerda tradicional” peca muitíssimo em vários campos de atuação. Todos reconhecem que o Estado, sociedade civil e mercado precisam ser repensandos. Mas, NENHUM deles o faz sem apresentar minimamente as articulações exigidas para um projeto como esse. Há diálogos aí que são claramente construídos nos autores entre pontos de vista diferenciados. Há, evidentemente, problemas quando ocorrem momentos de “pseudo-originalidade”, vide Giddens como autor quase proto-típico. O que os diferencia é que estes autores promovem um diálogo que propicia um sentido acumulativo do debate que é notoriamente enriquecedor. Algo que não é feito por Mangabeira nem por um segundo. Não há qualquer diálogo. Há assinatura de um “manifesto esperançoso” que parece isolado do restante do universo acadêmico de onde o próprio autor provém.

Por fim, me causa absoluto desconforto a reedição da idéia de uma “religião da humanidade” secularizada. Tive um déjà vu comteano. Pensei que viria após esta idéia algum tipo de toque de trombetas apocalípticas e em anexo algum homem cabeludo e de vestido dizendo: “I´m the way”. Sem messianismos, por favor, a filosofia e a ciência social não precisam de profetismos ou de guias espirituais. O texto tem insights absolutamente interessantes, passíveis de maior aprofundamento e verificação dentro do corpo metodológico vasto e eclético das ciências sociais, que são amplamente prejudicados por este tipo de messianismo atabalhoado. Ninguém elegeu Mangabeira ou quem quer que seja como líder espiritual.

PS: Claro que a resenha “acadêmica” será mais cuidadosa.

Ensino de Filosofia e Sociologia em debate


Depois
de décadas de seu impedimento (e esquecimento) na educação básica, fruto das políticas educacionais do regime autoritário que não admitia quaisquer formas de pensamento que não se confundissem com uma propaganda dirigida do Estado mal-disfarçada em OSPB, a Filosofia e a Sociologia retornam ao seu lugar de direito: as salas de aula do ensino médio. Um longo caminho ainda está para ser trilhado np debate sobre os procedimentos metodológicos adequados à diversidade de seu público discente, assim como sobre sua plena incorporação como disciplinas regulares nas escolas de ensino médio. A proposta de um mini-curso com base em uma experiência de extensão universitária é mais do que bem-vinda.

Mini-curso de extensão sobre o ensino de Filosofia
e Sociologia no nível médio


Data: dia 27 de março de 2009
Local: Auditório I, Casa de Cultura Villa Maria
(Rua Baronesa da Lagoa Dourada, 234, Centro - Campos dos Goytacazes)

Programação

9h - Abertura e inscrições.

9h30 - Comunicação: "A Filosofia e a Sociologia nas escolas estaduais de ensino médio da região Norte Fluminense I: perfil docente, desafios e perspectivas".

Andreza Barreto (graduanda CISO / CCH / UENF).
Dante Mendonça (graduando CISO / CCH / UENF).
Renata Saul (Graduada CISO / CCH / UENF).

Debatedora: Andréia Trindade.

10h30 - Palestra: "O ensino de Filosofia no Brasil e a experiencia internacional: aproximações e distanciamentos".

Prof. Dr. Dalton José Alves (LEEL / CCH / UENF).

Debatedora: Laís Rodrigues.

12h - Almoço.

14h - Mesa: "A Sociologia no ensino médio: experiência, reflexividade e questões metodológicas atuais".

Profa. Dra. Adelia Miglievich Ribeiro (UFES / APSERJ).
Profa. Lic. Sônia Ferreira Jobim de Carvalho (Colégio Estadual Almirante Frederico Villar e Colégio Municipal Francisco Porto - Arraial do Cabo-RJ).

Debatedora: Andreza Barreto.

15h30 - Intervalo para o café.

16h - Mesa: "A introdução da Filosofia no currículo: a contribuição histórica da SEAF e os desafios da experiência do filosofar em sala de aula".

Profa. Ms. Ana Maria Felippe (Presidente da SEAF).
Prof. Dr. Olinto Pegoraro (UERJ / SEAF).
Prof. Doutorando Rogério Seixas (SEAF / Professor da rede estadual).

Debatedor: Dalton José Alves.

17h30 - Coffee Break e encerramento.
*Pré-inscrição para interessados no próximo curso
Obs.: Inscrições gratuitas, no local.
Obs.2: Haverá certificados emitidos pela PROEX - UENF.

Apoio: PROEX - UENF / Ed. Vapê
Realização: Projeto de extensão "Filosofia e Sociologia nas escolas estaduais de ensino médio da região Norte Fluminense I: capacitação e atualização de docentes"

Informações: (22) 9834-9181 / (22) 9838-7885

Lançamento do livro "Sociedade da Diferença" - Sergio Luiz Pereira da Silva


Prezad@s,

Para os que acompanham sociologicamente as mudanças do mundo contemporâneo sob o enfoque deste fenômeno difuso chamado "globalização": "Sociedade da Diferença: formações identitárias, esfera pública e democracia na ordem global" é o livro que ainda será lançado oficialmente por Sergio Silva, que teve sua temporada pela UENF e agora está na Unirio. Portanto trata-se de um "pré-lançamento" digital aqui no blog.

O projeto é editado pela editora Mauad com apoio Faperj. Quando do lançamento oficial trarei maiores informações.

Domingo, 22 de Março de 2009

Concurso UFF Campos

Divulgando a pedido da professora Ana Maria (DSSC - UFF)

Concurso público para professor na UFF/Campos



A UFF de Campos vai promover concursos públicos de provas e títulos para o ingresso na carreira do Magistério Superior, na classe do professor adjunto 1. As inscrições ficam abertas de 1º de abril a 15 de maio e devem feitas de segunda à sexta-feira, exceto nos feriados incluídos neste período, das 12h às 15h, na Copemag, ao lado da livraria da Editora da UFF (Eduff), reitoria da UFF, na Rua Miguel de Frias número 9, na Praia de Icaraí, em Niterói. Não será aceita a inscrição feita por sedex, fax ou e-mail. Mais informações no edital 82/2009 através do site www.uff.br.

As vagas são para as seguintes áreas do conhecimento: Ambiente e Sociedade; Antropologia; Cartografia, Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto; Ciência Política; Educação; Estatística; Filosofia; Geografia Agrária; Geografia e Ensino; Geografia Física; Geografia Regional; História Econômica; Matemática; e Sociologia. A lotação e o exercício serão no Departamento de Ensino de Fundamentos da Ciência da Sociedade (SFC) do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional – UFF/Campos dos Goytacazes – RJ.

No edital há informações sobre outros requisitos necessários como o número de vagas nas áreas de conhecimento, o regime de trabalho, tipos de provas e a formação dos candidatos. Poderão inscrever-se os portadores dos títulos de doutor ou de Livre Docente ou de Notório Saber autorizado pelos Conselhos Superiores da UFF. A chefia do departamento informará aos candidatos sobre o local, a hora e a data das provas num prazo mínimo de cinco dias antes de suas realizações.

UFF/Campos promove concurso público para preenchimento de cargos técnico-administrativos

A Coordenadoria de Seleção da Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos e o Departamento de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Superintendência de Recursos Humanos, ambos da UFF, abrem inscrições para o concurso público destinado ao provimento de cargos técnico-administrativos em educação. Para a unidade de Campos são oferecidas duas vagas para Assistente de Administração, uma para Técnico de Laboratório na área de Geografia e uma para Técnico de Contabilidade. O acesso ao edital nº 060/2009 com informações detalhadas pode ser feito através do site www.uff.br.

Assessoria de Comunicação da UFF

“Quem quebrou a casa de meu Pai?” Uma breve resenha*

Depois de alguma relutância, que se devia por ter eu uma certa antipatia com quem fez a contra-capa do livro, — acho que quem não admira a vida intelectual e até mesmo se ressente dela não deve ter o direito de participar dela, mesmo que de forma coadjuvante — resolvi ler o livro de Antonio Carlos Pereira Pinto, intitulado “Quem quebrou a casa de meu Pai?”. Pra quem não conhece, o livro narra uma parte da história da decadência das usinas de Campos a partir do olhar de alguém que estava no olho do furacão, o autor, além de ter sido deputado em mais de um mandato (PDT) é filho de um dos importantes usineiros da região no período da decadência.

Ao ler as primeiras páginas do livro, temos a impressão que nos depararemos com um tipo de literatura muito similar à alguns outros livros que tem sido lançados em Campos nos últimos anos, a saber, um conjunto de memórias relatado por uma aristocracia rural que olha para o passado com um saudosismo natural de quem perdeu o prestígio que tinha. Quanto a isso, o livro de Ivone Wagner (“A estrada da Saudade”), no qual ela apresenta um conjunto de relatos dos tempos da fazenda do seu pai, a importante fazenda do colégio, aquela do solar dos jesuítas, é um marcante exemplo deste tipo de literatura. Porém, com o seguimento da leitura do livro percebe-se que este vai muito além de ser apenas um conjunto de memórias pessoais, a narrativa avança sobre outros flancos, nas quais eu destacaria três pontos como valiosos: (1) o conteúdo histórico, (2) o drama familiar que se desenrola, e por último, (3) a personalidade do “personagem” principal, o “velho”.

Numa terra intelectualmente devastada, como é o caso de Campos dos Goytacazes, qualquer relato de memórias já se torna um documento histórico valioso, mesmo de forma simples, preenche um vazio imenso deixado pela intelectualidade local. Vazio este construído pelas faculdades locais e que o Centro de Ciências Humanas da UENF não deu ainda mostras que é capaz de preenchê-lo. Assim, o livro de Pereira Pinto, mesmo nao sendo uma obra construída e elaborada por um rigor científico (não se pretende a isso) se distancia dos meros relatos de memórias, podendo ser um bom instrumento e fonte para quem busca entender a sociedade local. Na leitura do livro podemos mergulhar em parte da história econômica e política de nossa região, como também flertar com a história nacional e seu impacto regional, já que o autor narra fatos do golpe e do governo militar os quais pode presenciar como deputado até sua cassação pelo regime, e depois pode presenciar através de outro ângulo, como empresário (usineiro) na negociação da política econômica do regime militar em relação às usinas do norte fluminense.
Em paralelo aos eventos da história nacional e regional, um drama familiar digno de roteiro de bons filmes se instaura no seio da família Pereira Pinto. A intervenção do regime militar na economia local, que se dá através de uma “proposta” (imposição) de empréstimo fácil de dólares americanos para “modernizar” a produção açucareira do norte-fluminense é o estopim que incendeia um barril de pólvoras na família. A “proposta” tem o mesmo efeito daquela feita por Virgil Solozzo ao clã dos Corleone na obra de Mario Puzzo, adaptada ao cinema sobre o título de “O poderoso Chefão”. Assim como os olhos dos filhos do Don Corleone (Sonny e Tom Hagen) brilharam com a proposta de Solozzo, brilharam também os olhos dos filhos do velho Pereira Pinto com a “proposta” dos militares. Porém, da mesma maneira que com a astúcia de uma raposa o Don Corleone rejeita a proposta de Solozzo, o “velho” Pereira Pinto rejeita a “proposta” dos militares. A experiência de vida tinha ensinado a ambos sempre desconfiar de propostas muito generosas. No seguimento da história a estratégia dos militares não foi muito diferente da de Solozzo, sacar o “velho” da frente dos negócios para implantar seus planos junto aos filhos. Diferente do filme, os militares conseguem colocar os filhos contra o pai, e a partir daí um grande drama se desenrola.

Mesmo descontando os possíveis exageros que o autor possa ter cometido ao descrever o pai (nisso não vai uma crítica, é natural que um filho que ama e admira seu pai proceda assim), o “velho”, como é chamado no livro, tinha uma personalidade extraordinária, era um homem de espírito como diria outrora. Do ponto de vista político, longe de ser um homem de esquerda mantinha-se a léguas de distancia do liberalismo (ou neoliberalismo) que começava a crescer aqui. Na verdade, era um homem de outro tempo, com uma visão orgânica do mundo, diferente daquela visão mecânica que se instalava. Não tinha uma visão fragmentada do mundo, na qual cada um deve ocupar-se e especializar-se em setores isolados da vida, preocupava-se sempre com o todo, e a sua sensibilidade para o universo econômico se baseava nisso. O “velho” tinha uma postura titânica ante ao mundo, queria na verdade construir e gerenciar seu mundo particular, sem a interferência externa, queria fazer de seu conjunto de fazendas e duas usinas uma unidade auto-suficiente, um feudo moderno para ser mais claro. E para consolidar isso, desafiou o seu tempo, mas como era um mortal, o deus do tempo o engoliu, trazendo novos ares, mas não necessariamente melhores.

A meu ver, esses três aspectos que eu pus em destaque, são ao mesmo tempo os trunfos e o calcanhar de Aquiles do livro, são tão fortes que parece que o autor não se decidiu por qual deles iria construir sua narrativa, o livro pendula várias vezes em ser uma narrativa de fatos históricos ou um grande romance de drama familiar ou a biografia de um grande homem. Mas creio ser isso perdoável pra quem não é um profissional do ramo.

O fim desta história é a quebra das usinas e o desmantelamento do poder provindo das oligarquias rurais na região, os desempregados das usinas vindo pra cidade, as favelas aumentando bruscamente, e um profeta da periferia urbana surgindo e arregimentando essa massa, mas isso é uma outra história. . .


* PINTO, Antonio Carlos Pereira. “Quem quebrou a casa de meu pai?”. Niterói, RJ, Comunità: panorama ED, 2004.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009


A questao da “pretensao ao ineditismo
Roberto Torres


No debate do texto anterior, Fabrício critica George, acusando-o de se prender à rótulos ao criticar Mangabeira Unger como um intelectual de pretensao de ineditismo. Me parece estarmos diante não apenas de uma questao pontual aqui nesta peleja, mas sim diante do debate sobre á ética do cientista, seu modo de ser dentro do seu campo, diante de suas tradicoes e da hortodoxia do campo, seja ela definida por um paradigma dominante de modo articulado e explícito, ou de modo inarticualado e implícito. O fato de a ciencia ter que se legitimar enquanto conhecimento patrocinado pela sociedade, e sem isso não há “acoplamento estrutural” que a permita se constituir como sistema social, implica sempre que estaremos ocupados de alguma definicao de como devemos ser enquanto cientistas. Em ciencia como vocacao Weber afirma a autonomia da ciencia contra as exigencias da vocacao política, mas em nome de uma “ética vocacional secular”, engajada com valores que, como ele deixa claro em seus textos políticos, são sempre valores relevantes na política.
Estamos debando os valores que definem nossa vocacao, valores que se adequem mais ou menos com a busca das melhores proposicoes, daquelas que resistem ao tempo ou que são depuradas com o falseamento pedagógico proposto pela razao científica. Eu não acho que este tipo de disputa pelas melhores proposicoes, que se mapeia pelo entendimento discursivo através de razoes empíricas e informadas por provas de falseamento, seja algo impossível na política. Bem, partindo desta proposicao, calcada em História que podemos discurir aqui, digo o seguinte sobre a acusao de George e a resposta de Fabrício:
Diante da possibilidade legítima de criticar um autor, o critério pejorativo da pretensão de ineditismo só pode ser um passo atras em relacao à ciencia. Realmente temos ai o convite a desqualificar o autor só pelo fato dele pretender algo que ninguem pretende, sem mais nenhuma razao. Considere-se que ele não leu muita gente que deveria ler, ainda assim não há como justificar a acusacao. Se o cara tem uma prentensao, analisemo-as, e dizemos o quanto ela é inovadora ou não, e o que isso significa. Pretensao de ineditismo é bom para a ciencia oras... sem uma pretensao como alguém pode querer que seja ouvido? Se ela for maluquisse, é o que podemos dizer ao analisá-la, e com generosidade. Outro princípio irrecusável na definicao da vocacao científica. Vai entao um artigo do Mangabeira, com um pouco de suas prentensoes no campo das idéias análiticas e políticas.
Aproveitando a crise para fazer o mercado



Roberto Mangabeira Unger

A crise financeira de 2008 abre espaço para levar adiante dois projetos de amplas consequências. Um projeto é revisar os acordos pós Segunda Guerra Mundial, com o propósito de tornar os arranjos internacionais mais abertos do que são hoje às divergências entre nações, aos experimentos e às alternativas. O outro projeto é reformular algumas das instituições que definem as economias de mercado, para que possam oferecer mais oportunidades para um número maior de pessoas.
O debate sobre a crise tem sido dominado até agora por duas preocupações justificáveis, mas inadequadas e superficiais: 1) a necessidade de melhor regular os mercados financeiros, dentro dos países e internacionalmente; 2) a conveniência de se adotar políticas monetárias e fiscais expansionistas. Os persistentes desequilíbrios entre economias superavitárias e deficitárias tem aparecido como um tema menor. A mais importante lição da crise - os limites impostos pela forma com que economias de mercado contemporâneas organizam a relação entre setor financeiro e economia real - praticamente não tem sido mencionada. No entanto, nada do que fizermos nas primeiras duas áreas irá funcionar, a menos que façamos algum progresso nas últimas duas.
Políticas monetárias e fiscais expansionistas, aplicadas sem que se considere os desequilíbrios na economia global, podem se revelar danosas ou contraproducentes. A regulação dos mercados financeiros pode se tornar inefetiva ou insuficiente, se não complementada por medidas concebidas para estreitar os laços entre setor financeiro e economia real. Não devemos fazer com que as medidas mais profundas e radicais esperem até que tenhamos concluído as medidas mais superficiais; muito do efeito destas depende das primeiras.
Cada um é refém de suas próprias idéias. Os líderes das vinte maiores economias não precisavam de ter se reunido para que descobríssemos os limites das nossas visões. Quando invocamos os espíritos, eles podem não vir.
Consideremos o formato de discussão que precisamos, e ainda não temos, num espectro que vai do familiar e menos significativo ao de maior alcance e menos reconhecido.
1. A regulação das finanças nacionais e internacionais. As finanças transformaram práticas de gestão de riscos em mecanismos de expansão de apostas. Em muitas dessas práticas, como os derivativos mais sofisticados, a economia real e os requisitos financeiros da produção deixaram de ser a razão de existência e se tornaram mero pretexto. O problema não é que tais atividades sejam especulativas; especulação tem sua utilidade. O problema é que a atividade especulativa está relacionada com a economia real apenas de forma tênue - pouco conectada com o consumo e menos ainda com a produção.
A catástrofe do "subprime", gatilho da crise em seu epicentro norte-americano, foi um exemplo do uso de hipotecas oferecidas a pessoas que não podiam pagá-las como pretexto para a invenção de novas formas de negócios e de apostas.
Um fato adicional inflamou as consequências dessas virada para dentro da inventividade financeira: a distinção equivocada entre mercados financeiros e agentes altamente regulados e fracamente regulados. A justificativa para tal contraste é que investidores profissionais e indivíduos muito capitalizados precisam de menos proteção e se beneficiam da maior liberdade para assumir riscos. Este é um argumento que não leva em conta como a existência de uma zona vale-tudo, de regulação mínima, torna possível contornar muitas das restrições na área mais regulada. Os agentes financeiros podem simplesmente montar os arranjos contratuais da área regulada na linguagem financeira da zona livre de regulação.
A consequência lógica é que a regulação precisa combater a perversão especulativa que transforma gestão de risco em exploração de risco e superar o dualismo auto-destrutivo entre finanças reguladas e não reguladas. Isso já seria algo. Porém, sem uma resposta aos outros problemas considerados acima, não será muito.
2. Keynesianismo Vulgar: políticas monetária e fiscal expansionistas. Quase todo mundo é, mais uma vez, um keynesiano vulgar. Taxas de juro baixas ou negativas e gasto governamental ajudam e são mesmo indispensáveis para uma resposta efetiva à crise. No entanto, sua importância tem sido muito exagerada, fruto do desespero quanto à nossa capacidade de engedrar algo melhor.
Uma política de taxas de juro baixas ou negativas pode causar pouco efeito, além da ameaça latente de mais sofrimento em economias e indivíduos acostumados a poupar e que, consequentemente, dispõem de grande volume de capital à sua disposição. Aos austeros, tal política lhes parece, em primeiro lugar, uma proposta de alimentar vícios que os levaram para o buraco. Além disso, como já é há muito compreendido, ela falha em prover um antídoto efetivo para a dinâmica de deflação de passivos.
A margem de manobra da política fiscal aumentaria com arranjos antícíclicos: o compromisso de acumular superávits fiscais em época de bonança para ser mais capaz de gastá-los em época de crise. Tais arranjos, contudo, assumem um mundo muito diferente do nosso, em que o principal vetor de crescimento tem sido a colusão entre o entesouramento irresponsável de alguns países e o gasto irresponsável de outros.
Nos países que entesouram (China, por exemplo), uma política fiscal expansionista deve funcionar como apoio adicional à necessária mudança rumo ao consumo de massa e à produção para mercado interno. Nos países gastadores (Estados Unidos, por exemplo), pode-se prever que tais políticas fiscais frouxas irão agravar uma já insustentável dependência de déficits comerciais e de poupança externa.
É salutar lembrar as complexidades e contradições das reais visões de Keynes. Seus escritos ocasionais revelam um homem que compreendia que a faculdade de influenciar decisões de investimento era mais importante, embora politicamente mais difícil de se conseguir, do que as tentativas de intervir nos níveis de demanda agregada. O que concebemos como teoria foi, de fato, o resultado de um cálculo oportunista: perseguir o impulso - a melhora da demanda agregada - parecia mais aceitável às circunstâncias da época. Se não colocamos esse cálculo em seu devido lugar e recuperamos o que foi suprimido, corremos o risco de afundar num pragmatismo anti-pragmático.
3. Desequilíbrios estruturais na economia mundial. Muitos agoram falam de um novo Bretton Woods. Será que se esquecem do Bretton Woods que Keynes propôs, distinto do Bretton Woods que foi estabelecido sob direção dos Estados Unidos? O objetivo quase obsessivo do esquema keynesiano era evitar a situação em que nos encontramos agora: grandes economias que cronicamente geram elevados déficits ou superávits comerciais. O complicado mecanismo que ele propôs foi concebido para punir economias superavitárias inveteradas. Não precisamos da complicação, mas precisamos enfrentar o problema provocando respostas distintas dos países superavitários, dos países deficitários e das organizações internacionais.
Das economias superavitárias, a resposta mais efetiva é a conversão radical da produção para o consumo de massa do mercado interno. Nenhum país irá promover tal mudança apenas para agradar e beneficiar estrangeiros. Esta é, contudo, uma mudança justificável por diversas considerações de prudência e de justiça.
Para as economias deficitárias, a prioridade é estimular um aumento na poupança das famílias. Que esse objetivo seja difícil de se atingir não quer dizer que seja impossível. Enfrentá-lo com seriedade significa, por exemplo, redesenhar o sistema de impostos para estimular a poupança. Os impostos sobre gastos pessoais de Nicholas Kaldor (como alternativa aos impostos sobre a renda pessoal), concebidos para taxar, com alíquotas fortemente progressivas, a diferença entre a renda agregada do contribuinte e sua poupança investida é, ao mesmo tempo, a mais justa e mais prática de todas as ferramentas disponíveis.
Para a comunidade internacional, a prioridade deve ser encontrar uma proxy simples para o complicado mecanismo com o qual Keynes queria restringir o neo-mercantilismo dos países superavitários: um mecanismo que deveria ser mais fácil de se impor e de se administrar e menos sobrecarregado das restrições centralizadas e globais a que conservadores e progressistas teem boas razões para resistir. Os países superavitários deveriam ser obrigados a deixar suas moedas flutuarem, com mínima intervenção governamental nos mercados de moeda quando seu superávit atingisse certos limites absolutos e relativos. O critério absoluto se referiria à razão entre superávits (ou déficits) e os PIBs dos maiores parceiros comerciais envolvidos nas relações desequilibradas de comércio.
4. A relação entre finanças e produção. A parte menos mencionada e mais importante de uma resposta adequada a crise tem a ver com a relação entre finanças e a economia real.
Em todas as maiores economias do mundo, o sistema de produção é em larga medida auto-financiado. Diversos estudos empíricos mostraram que nessas economias mais do que 80% do financiamento da produção é gerado internamente pelas próprias empresas, a partir de ganhos acumulados.
Esta constatação aparentemente inócua sugere uma pergunta tão raramente formulada quanto fundamental. Se a produção é em grande medida auto-financiada, qual é o propósito de todo o dinheiro acumulado em bancos e mercados de ações? A questão é, supostamente, mobilizar a poupança acumulada da sociedade para apoiar a produção corrente ou futura, assim como para financiar o consumo daqueles que não têm dinheiro para comprar o que querem consumir.
O problema é que, sob os arranjos com os quais hoje organizamos a relação entre finanças e produção, a maior parte do capital tem relação apenas episódica e indireta com o financiamento de atividades produtivas na economia real. É episódica, por exemplo, na forma de abertura do capital de novos empreendimentos. É indireta, por exemplo, na forma com que o valor de mercado atribuído às empresas estabelece o padrão de crédito bancário que elas podem obter. De acordo com a teoria que diz que o objetivo principal da mobilização de poupanças de uma sociedade por meio do mercado de capitais é financiar a produção e assim tornar fecundo o sacrifício do consumo postergado, alocar "venture capital" deveria ser a principal tarefa dos mercados. Na verdade, em todos os países do mundo, incluindo os Estados Unidos, "venture capital" representa apenas uma pequena porção da atividade financeira.
O setor financeiro, ao invés de se voltar para a economia real, se volta para dentro de si mesmo, ou seja, para uma troca de posições que em geral tem a economia real mais como pretexto do que como objetivo. Nos bons tempos, o setor financeiro causa pouco problema e proporciona pouca ajuda. Nos maus tempos, gerados pelos excessos de seus negócios auto-centrados, o setor financeiro ameaça seriamente a todos fora de sua órbita interna.
A crise deveria, portanto, servir como um convite à reforma dos arranjos que governam a relação entre setor financeiro e economia real. O propósito da reforma deveria ser o estreitamento dos laços entre poupança e produção, de forma a garantir que mais poupança seja posta a serviço da produção.
Uma premissa central dessa idéia é que a ligação entre setor financeiro e economia real é variável. Tal ligação não é garantida por alguma verdade analítica sobre o funcionamento da economia. Ela varia de acordo com os arranjos institucionais que podem estreitá-la ou enfraquecê-la.
Não importa o quão banal e evidente tal proposição possa parecer, ela contradiz preconceitos sacralizados na linguagem estabelecida, assim como nas visões dominantes. De acordo com as regras de contabilidade nacional estabelecidas no pós Segunda Guerra, sob a influência dos discípulos de Keynes, a poupança agregada tem que ser igual ao investimento total. São categorias que tornam difícil a formulação do problema descrito acima e mais ainda a sua solução.
Que o problema surja no mundo e não possa ser solucionado com palavras é facilmente demonstrado por uma série de exemplos históricos. Quando, no tempo de Andrew Jackson, os Estados Unidos dissolveu o Banco Nacional e criou o mais descentralizado sistema de crédito que jamais tinha existido, os norte-americanos não estavam regulando seu setor financeiro. Eles estavam mudando as instituições que moldavam sua relação com o mundo real da produção e do consumo. Eles estavam fazendo o que a análise e o vocabulário correntes supõem ser impossível, mas que, de fato, é repetidamente indispensável. A reconstrução dos arranjos institucionais que governam a relação entre setor financeiro e produção deve ser vista pelo que de fato é: um espécime da reconstrução das instituições que definem o caráter da economia de mercado e que moldam suas consequências sociais.
Nós devemos usar a crise financeira como um chamado à redefinição do lugar das finanças em nossas economias, e devemos tratar tal redefinição como uma ocasião para iniciar experimentos com outros aspectos das instituições de mercado. O propósito da primeira parte de tal resposta deve ser não apenas o de mitigar crises futuras, mas também o de organizar melhor o capital para recuperar agora e prosperar em seguida. O propósito da segunda parte da resposta deve ser o de criar versões da economia de mercado que melhor sirvam ao objetivo que grande parte do mundo almeja: uma decisiva expansão das oportunidades - mais mercados e mais tipos de mercados (organizados por regras diversas e não por um modelo único), abertos a mais pessoas e em mais diversos formatos.
Não há uma fórmula para se começar, apenas a necessidade de se identificar e de se acessar os experimentos mais viáveis e mais promissores. Alguns desses experimentos usariam uma parte limitada dos fundos de aposentadoria da sociedade, sob regimes de pensão de benefícios e contribuições definidos, para se fazer, em larga escala, a tarefa de "venture capital". Em outras palavras, trata-se de se experimentar com as formas de se investir dinheiro, assim como com os usos potenciais para os quais se emprega o dinheiro: práticas iniciadas pelo governo com "venture capital " e "private equity", imitando o mercado e sob gestão competitiva, profissional e independente. Esta é uma direção que vale a pena seguir, mesmo quando a origem do capital é um sistema de pensões com benefícios definidos, controlado pelo governo (como o sistema do Social Security norte-americano).
Outros experimentos utilizariam os poderes do Estado, diretos e indiretos, para formar ou para influenciar decisões de investimento (Keynes deixou de lado o impulso radical quando, por puro cálculo pragmático, decidiu enfatizar o argumento pelo manejo da demanda agregada e tratar a condução política das decisões de investimento como politicamente inacessível). Em países em que o Estado controla bancos de desenvolvimento, a primeira linha de experimento é fazer com que tais bancos emprestem para e invistam em pequenas e médias empresas, que são os mais importantes instrumentos de crescimento econômico com base social ampla. Mesmo nesses países, contudo, muito mais se exigirá. A regulação de instituições financeiras e o desenho dos incentivos e desincentivos fiscais devem trabalhar juntos para encorajar investimentos na economia real e no financiamento das linhas de produção existentes e novas, ao invés de favorecer qualquer setor específico da economia. Ceticismo quanto o favorecimento a setores econômicos é tão salutar quanto danosa é a separação entre especulação financeira e a agenda da produção. Podemos fazer algo a respeito dessa separação, sem usar o governo para suprimir o mercado, mas usando-o para mudar em parte o modo com que organizamos os mercados.
Tais iniciativas representariam um pequeno começo de um amplo deslocamento no foco da controvérsia ideológica. Regular a economia de mercado não é o bastante. Não é o bastante contrabalançar desigualdades geradas pelo mercado através de redistribuições compensatórias via impostos e transferências. É necessário mudar peça por peça e passo a passo as instituições que ligam o setor financeiro à economia real, se é para nos recuperarmos da presente crise de uma forma que evite crises futuras. Outros ideais, de inclusão e oportunidade, irão demandar que ampliemos o escopo dessa prática de reconstrução institucional. A crise é uma oportunidade, mas é também uma muleta. A tarefa da imaginação será a de fazer o trabalho da crise sem a crise.

14º CISO - Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste

O tema do XIV CISO será “Desigualdade e justiça social: regiões, classes e identidades no mundo globalizado”. Trata-se de um eixo temático que busca estimular o enfoque crítico e o debate ético sobre o problema das desigualdades sociais, em suas “novas” formas ou aparências, e em suas dimensões territoriais/regionais, econômicas, políticas e culturais, em perspectiva sincrônica e diacrônica.

Nos anos recentes tem havido uma maior ênfase, tanto nos debates acadêmicos como no debate público, sobre a clara correlação entre a intensificação da lógica do mercado e das interconexões globais entre economias, sociedades e culturas, e o aumento das desigualdades.

As regiões Norte e Nordeste do Brasil, por quase todos os indicadores possíveis, surgem neste contexto como lugares de concentração de persistentes e gritantes desigualdades. Há termos de comparação e estereótipos fortemente associados a tais regiões que têm impedido de se perceber e enfrentar devidamente o problema, atentando-se para transformações realizadas e em curso que atestam a contemporaneidade dessas regiões com o mundo a sua volta, para bem e para mal.

O quadro geral no qual o Norte e o Nordeste brasileiro figuram sinaliza para um maior número de pessoas e países perdedores quanto aos resultados dos processos acima mencionados. Mas também aponta para a ativação de lutas distributivas e por reconhecimento, que não só se configuram como mas também questionam clássicas modalidades de constituição de atores coletivos e de subjetividades sociais e políticas.

Por meio destas lutas a vivência e a percepção das desigualdades têm sido associadas a questões de justiça, questionando as primeiras em nome de assimetrias, violências e discriminações que violam direitos e expectativas de direitos e politizam as demandas, ainda quando elas provêm de atores inesperados e sob formas não ou pouco convencionais.

Neste sentido, o sub-título do tema geral do Encontro assinala três dessas modalidades (regiões, classes e identidades) que, embora não necessariamente novas, assumem novas configurações, visibilidade e formas de articulação de demandas vis-à-vis as referências globais (que podem se expressar de várias formas, local, regional, nacional e internacionalmente). Assim, é necessário ao mesmo tempo reiterar sua relevância e por sob claro escrutínio formas tradicionais de compreendê-las e vivenciá-las. é necessário, num Encontro cuja principal forma de identifica ção remete a uma delimitação regional, projetar a compreensão desta para além de uma demarcação meramente territorial, permitindo assim perceber os múltiplos processos e atores que a cruzam.

Teremos ainda oportunidade de reunir reflexões em torno de problemas sociais e políticos vividos pela sociedade brasileira num mundo globalizado a partir das mais variadas e diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. Tal pluralismo de práticas intelectuais é uma exigência, por um lado, de um mundo em que se disseminam os princípios democráticos da confrontação de idéias, valores e interesses, bem como da abertura intercultural à alteridade, e, por outro lado, de uma longa tradição associada à emergência das ciências sociais modernas como discurso crítico do e sobre o social.

Neste contexto,é importante reafirmar que as reflexões do XIV CISO visam contemplar não só problemas referentes às especificidades do Norte-Nordeste, mas, também, questões referentes à própria Teoria Social contemporânea.

A condição de relativa subalternidade dessas duas regiões no contexto brasileiro não as sujeita a restringir sua reflexão à descrição de problemas a serem resolvidos nem as priva de articularem um discurso teórico sobre o mundo mais abrangente no qual se definem e são definidas. O Encontro estimulará a produção de discursos em que especificidades e teorização se fertilizem e desafiem mutuamente, dando lugar a expressões de lutas distributivas e por reconhecimento também no interior do próprio debate acadêmico, reconfigurando sua geopolítica. Donde, mais uma vez, a importância de atrair pesquisadores(as) latino-americanos, nesta edição do Encontro.

Não há dúvidas de que os Encontros de Ciências Sociais têm cumprido a tarefa de dinamização e consolidação não só dos Programas de Pós-Graduação e centros de pesquisa como, também, dos Cursos de Graduação em Ciências Sociais. Será mantida, no XIV CISO, a possibilidade de apresentação de trabalhos de estudantes de graduação, sendo esta uma forma de despertá-los, desde cedo, para a importância da produção acadêmica estimulando, assim, o surgimento de novos(as) pesquisadores(as) na área de Ciências Sociais.

Fonte: http://xivciso.educacao.ws/?p=ciso

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

UMA POLÍTICA DEMOCRÁTICA ENERGIZANTE

Fabrício Maciel
Escrevo em resposta ao debate suscitado sobre um trecho do livro de Mangabeira Unger, "O que a esquerda deve propor", em post anterior aqui. Primeiro, acho ruim a idéia da competição entre blogs sobre trechos de livros. Debates não se fazem sobre trechos, mas sobre sínteses que fazemos sobre livros ou textos. Como acabei de ler este livro, vou falar dele. Diferente da análise no post anterior de que o livro seria confuso e obtuso, acho exatamente o contrário. Mangabeira tem uma proposta muito clara. Trata-se de ousada e original crítica a um objetivismo das ciencias sociais que perdeu de vista o indivíduo. Sendo hoje um homem do poder, Ministro de assuntos estratégicos, ele apresenta corajosa crítica de alguém que ainda acredita em algo, coisa que nenhum intelectual em sua posição hoje faz.
Nos limites institucionais da ação política, a crença em um ideal democrático que considere as pontencialidades individuais é fundamental. Nâo se faz boa política sem compreender as capacidades e limites das pessoas que compõem o público alvo. Nas classes sociais que ocupam o trabalho precário, encontramos pessoas com potencial para o trabalho que podem ser ajudadas em tal potencial. Este é um exemplo da preocupação de Mangabeira, que acredita em uma política democrática somente se esta se preocupar em resgatar pessoas, em acreditar em sua ação autonoma, sem romantizar tal realidade, mas buscando nos limites do Estado as possibilidades de estudar tais pessoas e montar políticas melhores do que as assistencialistas para potencializar suas capacidades no mercado.
A idéia central é desenvolver uma política democrática energizante. Ela considera o potencial de ação relativo a cada fração de classe, com ênfase nas que mais precisam de apoio do Estado. Este apoio pode ser não paternalista, mas justo, usando-se o Estado para administrar recursos em favor de todos os seus contribuintes. Isso é um pensamento revolucionário. Antes da ação, é preciso mudar nossos ideais, é preciso ver o mundo de forma diferente, diferente do abstracionismo das ciencias sociais, onde tudo são representações, fatos sociais, identidades, e nunca pessoas de carne e osso.
Mangabeira vê no sofrimento dos trabalhadores do mundo inteiro um potencial de mudança, uma crise pessoal e humana contida, não tematizada nas ciencias sociais, preocupadas com as falsas crises do mercado financeiro, sempre estruturais do capitalismo, que como agora, com toda esta propaganda, só o escondem em sua verdadeira lógica, na qual a crise traz lucro para o "capitalismo top", o financeiro. Mangabeira crê que uma proposta de esquerda deve mobilizar teórica e politicamente tal crise humana e transformá-la em potencial de mudança. Está no limite da ação política consciente possível, pelo menos para quem tem a força do Estado ou da ciência para fazê-lo. Ele quer acreditar nisso e tenta fazer a parte dele no Estado. Eu também quero, e tento fazer a minha na ciência.

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Consórcio de Informações Sociais


Caros,
Segue abaixo o informativo do CIS. Muitos já o conhecem, porém, creio que seu uso ainda está abaixo de seu verdadeiro potencial.

Após um breve cadastro, os usuários podem "baixar" arquivos de bancos de dados, tanto qualitativos quanto quantitativos. Este consórcio cumpre um papel fundamental na academia brasileira, qual seja, o de facilitar o acesso aos bancos de dados produzidos e criar uma rede de pesquisadores das Ciências Sociais. Em um país que os recursos para pesquisas são escassos como o nosso, essa função se torna ainda mais importante.

Cordial abraço,

Vitor Peixoto



CIS - CONSÓRCIO DE INFORMAÇÕES SOCIAIS

Sobre o CIS:

O Consórcio de Informações Sociais é um sistema cooperativo que visa coletar, organizar adequadamente em meio eletrônico e dar amplo acesso às bases de dados e instrumentos de coleta de informações sociais já produzidas, ou que vierem a sê-lo, sobre os mais diferentes aspectos da sociedade brasileira. A expansão e o êxito dessa iniciativa dependem da colaboração de todos!



Destaque do mês:

Censo do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ – CIS0250

Esta pesquisa traça o perfil socioeconômico dos alunos de graduação do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, abordando também temas relacionados à experiência acadêmica, aos sentimentos em relação à universidade, às experiências vividas dentro e fora dela e ao processo seletivo.


Outras novidades em nosso acervo:

CIS0229 – Racismo, 2003 – Perseu Abramo
CIS0158 – Avaliação do Presidente Fernando Henrique Cardoso, junho de 1998 – DATAFOLHA
CIS0244 – Apoio dos empresários a Marcílio, junho de 1992 – DATAFOLHA


Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Duelo de letras - desafio dos blogs locais

Circula na Internet, dentre os blogs da planície, um interessante, instrutivo e curioso desafio.

Trata-se de buscar, dentre um dos livros em que o blogueiro esteja com suas atenções voltadas, uma página qualquer. Deve-se citar literalmente e repassar o desafio.

Aceitei a provocação do camarada Xacal (aqui) e reproduzo um trecho do livro "O que a esquerda deve propor" de Roberto Mangabeira Unger, originalmente publicado em inglês no ano de 2005. No ano de 2008 o livro ganhou tradução para o português pela editora Civilização Brasileira.

Eis o Trecho:

"A intervenção progressista no campo da oferta deveria, portanto, tomar a forma de inovações institucionais que estendessem radicalmente o acesso a crédito, tecnologia e expertise e ajudassem a identificar, desenvolver e propagar os experimentos produtivos e as inovações tecnológicas locais de êxito comprovado. Uma suposição pesaria contra a idéia de uma ascensão uniforme evolucionária unilinear, que faria, dos países em desenvolvimento, plataformas para a tradicional e rígida indústria de produção em massa, ora em declínio nas economias mais ricas." (Unger, 2008: 83)

Como muitos dos blogs já foram convidados para o debate eu faria o convite "internamente" para os meus colegas do "Outros Campos". O que estão lendo? Selecionem de forma aleatória um parágrafo... E vejamos o que diabos acontece.

Abçs!

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

aula inaugural - 2009 - sociologia política - uenf

O PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA POLÍTICA E O CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

CONVIDAM PARA A AULA INAUGURAL DE 2009

"OS 20 ANOS DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA"

DRª MARIA ALICE REZENDE DE CARVALHO

Departamento de Sociologia e Política, PUC-RIO

Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais - ANPOCS

Data: 18 de março de 2009 às 09 horas

Local: Centro de Convenções da UENF

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Informações NEDIGER - UFF Campos

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa

NEDIGER - Núcleo de Estudos sobre Ética e Diversidade de Gênero, Etnia e Racismo.

Por intermédio deste vimos informar que, na data de 20 de março, às 15 horas, na UFF/ESR, o Nediger (Núcleo de Estudos sobre Ética Diversidade de Gênero, Etnia e Racismo) reinicia as atividades de seu grupo de estudos “Emancipação Humana, Gênero e Racismo”, que é parte complementar do projeto de pesquisa integrado “Mediações necessárias e possíveis ao processo de emancipação humana em Marx, no contexto da reestruturação produtiva capitalista e dos direitos humanos”, realizada pelo núcleo.

A abertura do grupo de estudos ocorrerá com a apresentação intitulada "Mulher negra, gênero e religiosidade em territórios negros" a ser realizada pela profª Magaly Almeida da Uerj (Proafro).

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Novos tempos, novos líderes


A Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) seguiu o caminho de outras de outras frentes guerrilheiras da América Latina, desde 1992 depôs suas armas se convertendo em partido político que busca o poder através do voto. No próximo dia 15 haverá eleições presidenciais em El Salvador e o candidato de esquerda Maurício Funes da FMLN é apontado pelas pesquisas com favorito. A direita articulada na ARENA – Aliança Republicana Nacionalista - do atual presidente Antonio Saca procura atacar Funes tentando associa-lo a líderes taxados de “extrema esquerda” como Hugo Chaves e Fidel Castro. Em resposta a campanha de Funes procura associar sua imagem aos Presidentes Lula e Obama.
Em vários spost de trinta segundos o candidato da FMLN aparece entre duas fotos gigantes dos presidentes do Brasil e dos EUA. Diz o texto: “Quero estar ao lado de líderes inovadores como Lula e Obama”... “Lula demonstrou que é possível fazer um governo popular, democrático, com uma economia forte e com distribuição de riqueza. São dois exemplos que quero seguir..”

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Amnésia seletiva da grande imprensa brasileira

Em breve postarei um texto que está em fase de acabamento, onde recolhi algumas formas reiteradas da cobertura da imprensa econômica no Brasil. Especificamente, o texto buscará evidenciar os usos dos indicadores econômicos nas reportagens sobre a crise mundial.
Até a finalização, fica uma avaliação relativamente recente do Luciano Costa publicada pelo Observatório da Imprensa.


20/02/2009 - 01h02
A imprensa ignora o Brasil

Por Luciano Martins Costa, para o Observatório da Imprensa


Já se passou mais de uma semana da divulgação, pela Fundação Getúlio Vargas, da pesquisa sobre a mobilidade social no Brasil. As conclusões são interessantes e deveriam estar inspirando debates muito mais ricos do que tem sido admitido pela imprensa sobre o nosso modelo econômico e as chances brasileiras diante da crise mundial.

Aliás, uma leitura cuidadosa do estudo autoriza a jogar no lixo muita coisa que se tem publicado ultimamente sobre macroeconomia, crise, programas de inclusão social e alguns outros temas muito em voga.

A principal constatação do trabalho da Fundação Getúlio Vargas revela que a crise financeira internacional vem atingindo com mais força as classes de renda A e B do que a classe média e os mais pobres. O indicador desse fenômeno é a mobilidade social: tomados proporcionalmente ao seu peso no total da população, os indivíduos das classes de renda privilegiadas correm mais risco de cair para uma faixa de renda inferior, enquanto os mais pobres continuam ascendendo às classes médias.

Jornalistas distraídos

A explicação oferecida pelos coordenadores do estudo é que as pessoas com renda mais alta estão mais vinculadas aos setores impactados mais fortemente pela crise, como as exportações, os setores financeiro e imobiliário. As dificuldades desses setores não afetam tanto a maioria de classe média porque são menos importantes no Brasil em termos de geração de emprego e de indicadores de renda do que em outros países.

No extremo inferior da pirâmide social, as classes D e E também estão encolhendo, com maior número de famílias ascendendo à classe C. A informação é de extrema relevância e alguns analistas estranham o fato de que a imprensa não tenha manifestado maior interesse pelo assunto.

Um dos aspectos que deveriam estar movimentando os comentadores de jornais e dos noticiários televisivos e radiofônicos é a possibilidade de estarmos assistindo a uma alteração profunda no desenho da pirâmide social do Brasil.

Trata-se de um tema fascinante até mesmo para o jornalista mais distraído, mas parece que a imprensa faz questão de ignorar a realidade brasileira.

Sociedade em mutação

O estudo da Fundação Getúlio Vargas considera que, na última década, as mudanças no modelo econômico brasileiro têm produzido um novo desenho na sociedade, o que acaba por levantar defesas contra a crise internacional.

Algumas iniciativas dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, provendo estabilidade aos negócios, estimulando a exportação e facilitando a criação de um sistema bancário sólido e competitivo, criaram as bases para investimentos produtivos de longo prazo e para a modernização de alguns setores, como o das telecomunicações.

Os projetos sociais de transferência de renda, criados ou ampliados nos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva, tiraram da miséria milhões de famílias e produziram a nova classe média que agora sustenta em grande parte a economia brasileira.

A pesquisa de mobilidade social revela os números dessa mudança de posições. Ela é importante porque pode orientar inovações nas estratégias das empresas e nas políticas públicas. Uma classe ascendente tem sempre um enorme potencial de energia criativa e de consumo.

As primeiras gerações das famílias que ascendem socialmente são um fator importante de desenvolvimento, e, conforme observam os coordenadores da pesquisa, 25% dos brasileiros se encontram nessa condição.

Pauta esquecida

A prosseguir a tendência apontada pelo estudo, teremos em algum tempo não exatamente uma pirâmide social, mas um hectaedro, com uma base e um ápice mais estreitos e uma parte central mais avantajada, formada pela maioria da classe média.

Claro que, diante desses indicadores, tornam-se importantes novos negócios dirigidos a essa nova classe média, o que já vem sendo explorado por algumas empresas. A imprensa também se beneficia desse fenômeno, pois quase todas as empresas jornalísticas têm um título popular, e esse é o nicho que mais cresce no Brasil.

Por todos esses motivos, torna-se incompreensível que a imprensa, de modo geral, tenha se esquivado de se aprofundar no tema.


(Envolverde/Observatório da Imprensa)

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

O Brasil visto pela imprensa norte americana


Quer saber como está o Brasil? Leia a imprensa internacional.

O Jornal Norte americano "Christian Science Monitor" que completou Cem anos de jornalismo de qualidade atestada pelos seus sete Pulitzer exibe em sua página principal um link para uma série de reportagens sobre o Brasil. Vale a pena conferir.
http://www.csmonitor.com/


Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Lula e seus antípodas

Esta entrevista do grande ator Carlos Vereza ao Jô é extremamente lúcida ao mostrar o que pensa uma parte do país não muito eufórica com as conquistas do atual governo. Cortando as normais arestas intempestivas que todo descontente apresenta, a entrevista pode ser uma boa apresentação para a discussão do blog a respeito do governo Lula, que já caminha para a substituição. Ou não...

Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=AP4iBgKl1mQ

Abraço.

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Revista Nossa Uenf - março/abril de 2009

Prezad@s

Novo número da revista Nossa UENF disponível aqui.

Eis os artigos deste número, segundo divulgação da Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual do Norte Fluminense:

- Foco nos Direitos Humanos (Novas ações da Uenf após receber o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos)
- 'É preciso ter missões ambiciosas' (Entrevista com o professor André Lázaro, titular da Secad/MEC)
- Amostras da nossa flora (Atividades do Herbário Uenf)
- Integração pela música (Recém-criado Coral da Uenf)
- No continente gelado (Missão de pesquisador da Uenf à Antártica)
- Resgate da história escolar (Pesquisa da Uenf no Arquivo Histórico do Liceu de Humanidades de Campos)
- Doutorado da Uenf no Espírito Santo (Dinter na Escola Agrotécnica Federal de Alegre, ES)
- Biologia para todos (Produção de atlas para aprendizado de embriologia humana por deficientes visuais)
- Projeto incentiva avicultura (Ação desenvolvida no Norte e Noroeste Fluminense)
- Adeus à professora Thereza Kipnis (Registro da contribuição de uma das mais qualificadas pesquisadoras da Uenf, falecida em 2008).

Boa leitura!

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Publicações PNUD - Reforma Política

Prezad@s,

Desta vez trago o link para o download das publicações disponibilizadas no site do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): http://www.pnud.org.br/publicacoes/

No site particularmente recomendo o download do livro "Reforma Política no Brasil" onde há a colaboração, dentre outros, dos respeitados Fabio Wanderley Reis e Leonardo Avritzer.

Imagino que esta leitura gere interesse também ao leitor não especialista dado que este ano há a promessa da votação da matéria pelo legislativo brasileiro. Note-se que a proposta foi "fatiada" de modo a ser votada de maneira flexível, possivelmente para não ferir suscetibilidades...

Acompanhemos o desenrolar desta igualmente ansiada questão... Virá a Reforma Política a nos redimir? Aos esperançosos advirto que os textos do livro sugerem algum tipo de luz ao final do túnel....

Terça-feira, 3 de Março de 2009

Aula Inaugural - Mestrado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades


Prezad@s

Divulgo aula inaugural do Mestrado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades, que irá ocorrer no próximo dia 05 de março (quinta-feira), na Universidade Cândido Mendes, Campus de Campos dos Goytacazes, RJ.

O Endereço da UCAM-Campos é> Rua Anita Peçanha, 100, Parque São Caetano.

É possível se inscrever pelo e-mail: posgraduacao@ucam-campos.br