quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Para a cidade se orgulhar

Uenf confirmada entre as melhores do Brasil*

Pela segunda vez consecutiva, a Uenf é apontada pelo MEC como uma das 15 melhores universidades do Brasil. A nova versão do Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) - o mais completo indicador de qualidade das instituições de ensino superior - aponta a Uenf como a segunda melhor universidade pública do Estado. No Rio de Janeiro, a exemplo do que ocorreu no índice divulgado em 2008, só a UFRJ e a PUC-Rio somaram mais pontos.
Os dados sobre a nova edição do IGC foram divulgados na tarde desta segunda, 31/08/09, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Na planilha do MEC, a Uenf é a universidade estadual brasileira com melhor pontuação. Numa escala de zero a 500, a Universidade obteve 369 pontos no IGC, posicionando-se em 14.º lugar. Depois da Uenf, a estadual com melhor pontuação é a Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em 17.º lugar, com 363 pontos.
Consulte o IGC de cada instituição
Para o reitor da Uenf, Almy Junior, a reiteração do bom desempenho da instituição na avaliação global do MEC confirma o acerto do modelo proposto por Darcy Ribeiro na década de 1990, baseado na forte ênfase na pesquisa e no efetivo entrelaçamento entre pesquisa, ensino e extensão.
- A universidade brasileira em geral ainda precisa melhorar bastante para se aproximar do padrão do mundo desenvolvido, e quem sabe os recursos do pré-sal podem alavancar o que ainda nos falta. Mas é extremamente gratificante constatar que o modelo implantado por Darcy no interior venha resultando numa instituição sistematicamente reconhecida como uma das melhores do Brasil.
O topo da lista continua com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), com 439 pontos. Na sequência, as 15 melhores universidades segundo o IGC são as seguintes: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Lavras (Ufla), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Universidade Federal de Alfenas (Unifal, MG), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
* site da Uenf.

14 comentários:

Roberto Torres disse...

Viva Darcy Ribeiro e Brizola por acreditarem no desenvolvimento científico como alavanca da evolucao social. As pessoas de bem da cidade esperam que a Uenf ajude a renovar as elites políticas.
Todas as grandes transformacoes ideacionais modernas, ate mesmo as de caráter religioso, tiveram em torno de si universidades atuantes. As elites políticas da colonia espanhola que lutaram contra o colonialismo se formaram em torno de universidades locais, enquanto o Brasil girava em torno de Coimbra.

Carlos Gustavo Sarmet Moreira Smiderle disse...

Queria cumprimentar o blog pelo título do texto. A meu ver, é para a cidade se orgulhar e se inspirar.

Brand Arenari disse...

E um outro motivo para a cidade se orgulhar é que o curso de pedagogia da UENF foi classificado como o 3° melhor do país no Enade. E um motivo, para nós aqui do blog e alguns outros se envergonharem, é que o curso de Ciências Sociais, que há bem pouco tempo era o único do estado do Rio com a nota máxima, entre os 7 melhores do Brasil, recebeu a NOTA 2, o que significa que está abaixo do que é considerado suficiente.
Como diria o Zina, “Um SALVE pra galera do curso de educação”!

Vitor Peixoto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Brand,

Também fiquei estupefato com nota alcançada pela turma de Ciências Sociais. Ao que me disseram, poderia ser efeito de um "boicote" mal sucedido.
Supondo que seja este o caso do curso de Ciências Sociais, alguns desses alunos irão prestar concursos para acadêmia e terão como cartão de visitas uma péssima avaliação no enade. Não adianta espernear, há vários limites que impedem os avaliadores das bancas de ingresso ao mestrado de conceber provas que sejam eficiêntes para selecionar os melhores alunos. Desta forma, muitos utilizarão como complemento de avaliação as notas do enade, e os prejudicados serão exatamente aqueles que se recusaram a fazer a prova.
Imagine uma situação de quase-empate entre candidatos ao mestrado nas provas de instituições como a USP, Iuperj, UFMG (centros de excelência na pós-graduação em Ciências Sociais), qual será a saída para os avaliadores decidirem sobre qual aluno selecionar?
Neste caso, se recusar a prestar a avaliação traz efeitos perversos que marcarão os estudantes por um longo período da vida acadêmica. Infelizmente!

Ao menos que sirva de exemplo para os demais que certamente virão.

Carlos Gustavo Sarmet Moreira Smiderle disse...

Pessoal, sugiro uma olhada panorâmica na situação dos cursos da Uenf (link abaixo). Acho que tem subsídios para boas análises.

http://www.uenf.br/index.php#materias/1252079308

George Gomes Coutinho disse...

Com o nível "2" no ENADE o curso de ciências sociais fulgura entre os colegas, por exemplo, da Estadual do Ceará e a do Estado do Rio Grande do Norte.. Instituições que sofrem miseravelmente pela falta crônica de verbas....

Cabe discutir sobre as responsabilidades e as motivações para um resultado vexatório como esse. Prefiro não acreditar que tivemos opções ingênuas ou irresponsáveis acerca do debate político sobre o Enade.

Roberto Torres disse...

Claro que nao podemos eleger culpados de antemao, mas ha fatos de valor objetivo. Boicote é uma irresponsabilidade sim. Falta de compromisso com a universidade, com a sociedade que a financia. Se o problema nao foi esse e precisao discutir qual foi entao.

Roberto Torres disse...

Eu queria que alguem que boicotou tivesse a chance de justificarar para o publico interessado na uenf, do qual eu faco parte. O nosso blog esta sempre aberto para postagens.

O Pescador disse...

Caros,

Quero fazer apenas um retificação! Não foi a falta de verbas ou recursos que fizeram o curso de ciências sociais da UFRN ficar com "nivel 2" no ENADE, mas por causa do boicote coletivo e irresponsavel dos estudantes do nosso curso de graduação. A situação foi tão vergonhosa para a gente que o curso de graduação em ciências sociais da UERN (universidade federal do RN, composto em quase sua totalidade de quadros docentes formados oriundos da UFRN (ex-estudantes),ficou com um excelente índice de classificação no ENADE.É preciso destacar as condições políticas que possibilitaram esse desastre no curso de CS da UFRN. A base em teoria sociológica do nosso curso é muito forte, temos alunos graduados que foram aprovados em concursos nacionais de peso ou que estão em outras pós-graduação. Não justificava a sacanagem que fizeram; só serviu para reforçar estigmas de outras instituições de ensino superior de partes do país.Não sei qual é o ganho (político, material, etc.) em se sabotar o curso de ciências sociais dessa maneira.

George Gomes Coutinho disse...

Cadu,

Li que a UERN, na tabela disponibilizada pelos próprios avaliadores, teria ficado com nível "2" no ENADE. Recomendo uma olhadela por lá...

E, creia-me.. A UENF é a instituição com um volume de bolsas muitíssimo acima de média... Bolsas de monitoria, "apoio acadêmico", IC.... Não creio que a UERN ou a UFRN tenham esse volume de recursos.. Tampouco a UEC...

Isso explica a motivação para termos um grande volume de cursos com excelente avaliação, incluindo o terceiro melhor curso de pedagogia do Brasil. E torna, por coseguinte, absolutamente INJUSTIFICÁVEL opção política adotada unilateralmente pelas ciências sociais.

Agora terão que conviver com o estigma de serem reconhecidos como "alunos tipo C ou D". Espero que não tenham prejuizos ainda maiores nas avaliações que farão para os mestrados....

Abçs

George

Alexandre disse...

Quem boicotou exerceu um direito, uma liberdade. Nimguém é obrigado a fazer aquilo que não quer ou não concorda.

Da mesma forma, as instituições boicotadas também têm o direito e a liberdade de boicotar esses alunos. Poderiam até instituir as notas do ENADE como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel à moda da monografia de final de curso. Quem fez passa, quem não fez não passa. Simples. Até conseguirem aprovar isso, podem recorrer a punições na pós-graduação. Nenhuma instituição é obrigada a aceitar alunos que irão prejudicar suas avaliações. Basta que não aprovem esses alunos para os respectivos mestrados. Mesmo as instituições que não foram boicotadas têm o direito de se precaverem contra esse tipo de atitude. Os programas de pós-graduação são avaliados sistematicamente, imaginem se irão querer alunos boicotadores em seus quadros?

Liberdade de um e de outro. Todas as liberdades devem ter consequencias. Quem cooperou com as instituições deve ser beneficiado, quem avacalhou deve ser avacalhado de igual forma.

O Pescador disse...

Oi George!

Você tem razão, acabei confundindo os dados entre UFRN e UERN! É que o nosso de graduação em ciências sociais da UFRN passou pelo mesmo problema a 2 anos atrás. Por isso, pensei que fosse referente a esse período. Acho que a postura truculenta dos estudantes em boicotar o ENADE merece uma discussão no blog. Afinal, O que está em jogo nessa quebra de braço com o MEC?
Abraços!

George Gomes Coutinho disse...

Você está correto Cadu...

Precisamos compreender sim uma crítica a critérios de avaliação pouco eficientes na análise do que pretender avaliar. Ao mesmo tempo em que temos que entender que o Estado incorpora rotinas avaliativas visando tanto trazer informações para o gestor quanto para a sociedade...

Vamos ver quais serão os desdobramentos. De toda forma a única a única ação política aceitável seria a proposição de uma forma de avaliação. E um amplo debate, reflexivo, sobre o tema.. O boicote só serve para justificar as assimetrias existentes.