terça-feira, 8 de setembro de 2009

Quem tem medo do Enade?

Por Paulo Sérgio Ribeiro

Os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) evidenciam uma melhoria do ensino e da aprendizagem na Uenf. Hoje, a Uenf se situa entre as 15 melhores instituições de ensino superior do país, segundo o Índice Geral de Cursos (IGC). Neste índice é tomada para efeito de cálculo a média dos conceitos preliminares dos cursos (CPC) de cada instituição. O CPC, por sua vez, é elaborado mediante os resultados do Enade publicados anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP / MEC). Ainda segundo o IGC, dos cursos de graduação oferecidos pela Uenf, dez estão entre os melhores do país *. Brand Arenari ressaltou com justeza que tais resultados figuram a Uenf como a melhor universidade estadual do país. Um fato não apenas notório, mas meritório.

Não obstante os resultados positivos, o desempenho dos graduandos em ciências sociais destoa dos demais cursos e, não menos, do relativo à primeira avaliação a que fomos submetidos em 2005. Neste ano, fui um dos estudantes selecionados para o Enade como concluinte do curso de ciências sociais. Numa escala de 1 a 5, obtivemos o conceito máximo, confirmando nossa graduação como a melhor entre as IES fluminenses até então. Depois de 2005, houve apenas uma avaliação do curso de ciências sociais, referente ao Enade de 2008, cujo resultado atesta um retrocesso para a Uenf, pois descemos para o conceito 2.

Mesmo que não se queira dimensionar o maior ou menor peso do "boicote" ao Enade para a ocorrência desse resultado vexatório, seus efeitos far-se-ão presentes na trajetória dos ingressantes no curso de ciências sociais em uma universidade desafiada a se institucionalizar com e contra uma realidade extramuros muitas vezes refratária ao campo científico. Antes de uma avaliação política da não adesão ao Enade, convém descrever o procedimento de seleção e avaliação dos estudantes para esse exame. Tais como as provas finais das disciplinas obrigatórias, optativas e eletivas e os trabalhos de conclusão de curso, o Enade é um atributo do currículo, sendo obrigatório para os estudantes selecionados para fazê-lo conforme o processo de amostragem do INEP e facultativo para os não-selecionados, importanto assim em uma exigência para a emissão do histórico escolar. O Enade compreende não apenas prova escrita, mas questionário sócio-econômico, questionário do coordenador de curso ou habilitação e o "questionário de impressões dos estudantes sobre a prova", instrumento que sugere relativizar o argumento que postula o Enade como uma medida unilateral. Lembro-me ainda que naquela ocasião pude responder a algumas perguntas de uma equipe do INEP que realizava uma observação in loco de nosso curso. Expus sem maiores constrangimentos opiniões sobre o que julgava passível de alteração no conteúdo ministrado nas aulas, na composição do corpo docente, da representação política dos estudantes na universidade etc.

Confesso que o resultado daquele primeiro Enade superou expectativas. Por um lado, porque era difícil estimar o grau de comprometimento dos estudantes com o exame, devido às polêmicas em torno do antigo "Provão"; por outro, pela subestimação do capital cultural institucionalizado no Centro de Ciências do Homem (CCH), que, aos meus olhos, já adentrava um caminho sem retorno para uma mediana mediocridade. Afirmo isso sem deixar de ser solidário aos professores e estudantes que, a despeito de tudo o que os separa no CCH, empreendem esforços ingentes para reverter ou, ao menos, atenuar a perda de qualidade de nossa formação, um quadro de deterioriação da graduação enfrentado na maioria das universidades públicas no país.

Creio que esse tema ainda exigirá bastante tempo em nossas discussões, mas alguns consensos entre colaboradores e comentaristas já podem ser delineados aqui no blog, principalmente quanto à crítica à política de avaliação do MEC como dependente exclusivamente da não adesão ao Enade. Ora, não seria equívoco pensar que a realização da prova constituiria uma observação privilegiada de prováveis limitações dos critérios de avaliação ali empregados. Invalidar um instrumento sem testá-lo depõe contra a metodologia que aprendemos, pois, conforme já dito, no Enade o estudante não apenas pode como deve avaliar a prova por meio de questionário específico.

Para além da discussão sobre a melhor metodologia a ser utilizada no Enade, negar-se a fazê-lo sem consultar a comunidade acadêmica, a população que contribui para os fundos públicos destinados às atividades-fim da universidade e, quiçá, os próprios colegas de graduação que se dispuseram a fazer a prova com zelo nos remete ao questionamento da orientação valorativa desse "boicote". Ora, as razões pelas quais um grupo de estudantes optou por não fazer a prova foram publicizadas a todos os interessados? Este "protesto" contra a política de avaliação do MEC foi objeto de discussão e deliberação entre os estudantes para, em seguida, ser levado a cabo em todos os colegiados e conselhos da universidade nos quais os representantes discentes tomam assento? Essa decisão fora divulgada nos jornais de grande circulação ou na blogsfera cuja audiência cresce dia a dia? Acaso essas perguntas não tenham se traduzido no fundamento praxiológico de proposições divergentes que pudessem ser acessíveis na esfera pública, o que justificaria não participar de um exame do desempenho escolar - um instrumento de avaliação da eficência e da eficácia da política de ensino superior -, senão um ato arbitrário de estudantes contrários a uma política de Estado supostamente arbitrária?

A contar com os poucos comentários de graduandos de ciências sociais da Uenf que fizeram ou apoiam aqueles que fizeram o "boicote", penso que esse movimento espontâneo coaduna-se com uma falta de ética. Ética não no que o senso comum atribui à honestidade, mas no sentido grego de fidelidade às normas de sua casa ou de sua circunstância. Noutros termos, o que se manifestou no "boicote" foi o desconhecimento da posição da Uenf nessa política de avaliação, acaso esta seja entendida como um campo de lutas pela aquisição ou ampliação de capital simbólico a que estamos sujeitos em quaisquer modalidades de avaliação que, gostemos ou não, balizam o sucesso escolar na graduação e na pós-graduação. Como bem disse Roberto Torres, aderir ao Enade pode também significar um interesse bem compreendido, na medida em que a concorrência inter-institucional pressupõe apostar no próprio desempenho ao pô-lo à prova em avaliações institucionais rotineiras cujos resultados podem se traduzir em ganhos individuais e coletivos no mercado científico, sem prescindir, claro, de acordos intramuros que viabilizem um padrão de competição favorável a uma solidariedade intergeracional na produção do conhecimento.

Quem ganha e quem perde com o rebaixamento do curso de ciências sociais na Uenf? Tenho dúvida quanto à leitura desse "boicote" apoiada na noção de desobediência civil. Talvez aquele seja a exteriorização de um ethos escolar marcado pelo privilégio de um pequeno grupo de letrados que, num país de analfabetos funcionais, se percebe alheio a qualquer avaliação externa, pervetido pela idéia de que sua competência formal não está em questão, o que torna-se um terreno fértil para a perpetuação da velha sinecura acadêmica. Em suma, um ethos anti-republicano que suprime o debate sobre o controle social do financiamento público do ensino superior.

* Site da Uenf.

30 comentários:

George Gomes Coutinho disse...

Paulo.... Impecável. Nada mais e nada menos. Impecável o seu argumento. Que seja lido e amplamente discutido não só nas ciências sociais após o ocaso do enade.

Abçs e considero a sua posição como a síntese da posição coletiva do blog. Mais ética da responsabilidade e menos ética da convicação quando se discute instituições e ethos profissional.

George

George Gomes Coutinho disse...

"ética da convicção" no comentário acima. e não "convicação"

Vitor Peixoto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor Peixoto disse...

Apoiado, caro Paulo!

De quem fez acontecer no ENADE em sua época para todos os que se depararem no futuro com esta avaliação.

Que sua postura (e dos demais de sua turma) sirvam de exemplo para os que virão; os que se lançaram no empreendimento do boicote que sirvam de lição e advertência.


Grande abraço,

Vitor Peixoto

Paulo Sérgio Ribeiro disse...

Obrigado meus caros. A opinião de vocês me é cara. Adiro ao esforço coletivo de defender a dignidade de nosso ofício. Que este blog seja uma de nossas trincheiras.

Abraços.

Bonnie Azevedo disse...

Adorei o texto Paulinho. Parabéns. Desconhecia completamente esse boicote e concordo com vc.
Beijão

Brand Arenari disse...

Mandou benzao garoto! É isso aí! Parabens.

Tahiana disse...

Impecável!

bjs meu caro

Daniel Damasceno disse...

Assim como os colegas, concordo plenamente. O boicote se deu de forma "vazia", sem um propósito maior, colaborando apenas para um "esvaziamento de capital" em nosso reduto intelectual e profissional. É preciso mais comprometimento e menos confete.

Parabéns, Paulo!

Roberto Torres disse...

Talvez aquele seja a exteriorização de um ethos escolar marcado pelo privilégio de um pequeno grupo de letrados num país de analfabetos funcionais que se percebe alheio a qualquer avaliação externa, pervetido pela idéia de que sua competência formal não está em questão, o que torna-se um terreno fértil, a meu ver, para a perpetuação da velha sinecura acadêmica. Em suma, um ethos anti-republicano que suprime o debate sobre o controle social do financiamento público do ensino superior.


Adorei o texto também Paulo.

A discussao dos valores é muito importante. A defesa do "nosso ofício" tem que ser republicana e anti-coporativa, ou seja, deixando que os leigos que nos financiem contém com informacoes para nos avaliar(levantados porquem? Por nós mesmo que somos avaliados? Isso é o cúmulo do corporativismo anti-republicano. Claro que tem que ser pelo Estado!!!!! Ou tem algum anarquista liberal no CCH que sonha Universidade sem Estado?)

Xacal disse...

Paulo, faço minhas as palavras do George...

Mas continuo a achar que se eles fizessem o exame, a nota seria pior...

O "boicote" é uma farsa em si, pois só boicotamos quando nos negamos a entregar algo que possa fazer alguma diferença...

Infelizmente, para a sociedade e para a Universidade, essa geração de alunos do CCH nada têm nada a nos oferecer...Essa geração já nasceu morta...

Essa é a impressão de um "leigo" que torce pelo sucesso dessa Universidade...

Anônimo disse...

Diante da justificativa do boicote, onde lançaram mão de conceitos como imperialismo, privatização e facismo tal qual faz o senso comum (talvez pior até). Será difícil formular qualquer proposição que contrarie as objeções feitas pelo Xacal.

João José disse...

Parabéns aos blogueiros pelo espaço aberto para um debate de tamanha relevância. Alguns aspectos merecem despontar como objetos de investigação.

Primeiramente, se o resultado apresentado pelo ENADE leva em consideração o "boicote" (Ciso/UENF=2) para efeito de classificação das instituições, já sabemos de antemão que os dados não correspondem à realidade.
Se o Estado toma tais resultados como referência para investimentos no ensino superior, me parece certo que as instituições que obtiveram notas abaixo da média mereçam desfrutar de maiores investimentos. Logo, a UENF estaria entre as Universidades merecedoras de tais recursos.

No entanto, ao que parece, os resultados do ENADE têm sido utilizados APENAS para hierarquizar instituições, vide o próprio discurso de vários comentaristas aqui, que destacam a importância simbólica para as tradicionais universidades do país como USP, UNICAMP, de manterem-se no topo do ranking, e outras que sofrem por não desfrutarem de tamanho prestígio acadêmico, como a UFRN e UFC.

O poder simbólico, neste caso, pode ser muito mais perverso do que o corporativismo anti-republicano citado por um dos comentaristas quando se refere aos que se recusaram a participar da avalição, quiçá, se não for o próprio entrave à consolidação de um modelo republicano de Estado.

A quem interessa estabelecer hierarquias institucionais, onde apenas as 15, 20, 30 ou 100 melhores Universidades dispõem de excelência, quando o provedor de todas as universidades é o mesmo Estado, responsável pela manutenção de todas elas?

Não sou contra às avaliações institucionais como mecanismo de controle social, mas a postura política presente no boicote é legítima e indicadora da necessidade de estabelecimento de outros critérios para a aplicação de tais avaliações. Até mesmo a livre escolha por parte dos alunos interessados em participar do processo avaliativo deve ser considerada. E se os resultados do ENADE passarem a ser utilizados como mecanismo de redução das desigualdades entre as instituições de ensino superior, aí sim, a avaliação estará cumprindo seu papel.

Diferente disto, fica parecendo aquela velha fogueira de vaidades, tão valorosas ao meio acadêmico.

Abraço pra todos!

Roberto Torres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto Torres disse...

Eu acho muito pertinente questionar e recusar politicamente a intencao de vincular "meritocraticamente", como se o Estado fosse a mesma coisa que o mercado, a avaliacao do Enade e distribuicao de recursos publicos para as universidades. O estado republicano, ou seja, o que visa o bem comum, deve buscar combater as desigualdades regionais que sao tambem sociais, na medida em que elas privem pessoas das chances de levarem uma vida publicamente revelante, digna. E isto inclui investir mais nas universidades alijados dos centros de poder social, como o eixo rio sao paulo. Esta desconfianca e salutar, mas desde que nao impessa de enxergar a realidade, nao o dado, mas a dinamica de transformacao que vai elem deste dado.

Nao acho que a atual politica universitaria do MEC colabore acriticamente com a manutencao do regime de poder simbolico entre centro e periferia da universidade brasileira. Denunciar o poder simbolico pode ser algo muito inutil e vazio quando o tom do discurso sugere que a meta pode ou deve ser o fim do poder simbolico.

O que precisamos e re estruturar o regime do poder simbolico. Foi o resultado de um processo neste sentido que permitiu uma universidade como a uenf produzir e ser bem financiada, comparando com outras estabalecidas. O Enade tem ajudado este processo de reconhecimento da periferia e nao o contrario. Se a usp ainda continua sendo a ponta, isso e realidade que o ao homem adulto cabe adimitir como algo objetivo. Nao e o enade que poe a usp no topo.

Abracos

Xacal disse...

Creio que Roberto tocou em um ponto sensível...Não é o ENADE que ungiu a USP como instituição de excelência...

Não foi o ENADE que definiu que as universidades públicas têm desempenho muito superior às privadas...

Mas talvez a verificação possa ajudar a construir um modelo onde TODAS as universidades públicas se aproximem, a partir do que vem dando certo na usp...e por outro lado, definindo o papel e a vocação das entidades privadas de ensino...

Lutar que as avaliações se afastem de uma hierarquização mercadológica é salutar...Definir o planejamento de investimento a partir dos diagnósticos qualitativos, onde as deficiências sejam reveladas e tratadas, é mais que exigível...

Agora, como respeitar e continuar a "queimar dinheiro público" em um centro(cch)que sequer foi capaz de se submeter a auferição, com argumentos infantis, do tipo pré-puberdade...???

Eu pergunto: qual é a real situação, e quais parâmetros definem hoje o curso de ciências sociais da UENF...??? está bom, ruim, pode melhorar, pode piorar, o que é necessário...????

quem responderá, a fé revolucionária dos ex-quase-futuros-cientistas sociais...????

eu, como contribuinte, me recuso a continuar a jogar dinheiro pela janela...esse país não pode mais se dar ao luxo de desperdiçar tempo e dinheiro...

expulsão para todos que boicotaram o ENADE...que sejam submetidos ao conselho universitário e as instâncias punitivas da UENF, caso contrário, se abrirá perigosos precedente...

uma prova de que a UENF amadureceu é ter a coragem de punir os seus, para além do corporativismo acadêmico...

george.coutinho disse...

Caro João José,

Antes, obrigado por participar do debate. E saiba que um dos seus argumentos, o da crítica da obrigatoriedade da participação dos estudantes selecionados por amostra aleatória, conta com a minha concordância.

Todavia se não fosse a obrigatoriedade o nível de adesão seria infinitamente menor, o que inviabiliza a meta da própria avaliação. Ou então veríamos outros meios sendo utilizados para convencerem os estudantes a fazerem o teste. Por exemplo, dinheiro! Sim, ou você acompanha um alto nível de engajamento e participação entre os estudantes, de modo que teríamos a participação de uma massa politicamente motivada?

As instituições que contassem com a adesão "voluntária" ou recorreriam para um diálogo que significasse positivamente as avaliações. Ou determinadas instituições, penso que privadas, ofereceriam incentivos diretos e indiretos para se manterem no establishment. No primeiro caso houve a tentativa de se fazer isso na UENF, no curso de ciências sociais (pelo que soube) e não tivemos sensibilidades mobilizadas.

Saiba que todo sistema de avaliação de política pública não opera com uma noção contra-fática do que é o ser humano, algo encontrável no debate filosófico que muitos de nós aqui defendemos.

Quanto aos recursos empregados. Por vezes eu acho mesmo que pulula por aí uma noção que acredita na abundância eterna de recursos públicos.

Estes recursos, quando alocados em determinada política pública, necessitam de justificativa dado que por serem recursos escassos ao serem alocados em política "X" deixam de entrar na conta de política "Y".

Isto é o básico sobre políticas públicas e sociais. Ao se alocar no orçamento um montante "A" para logística, evidentemente, é preciso justificar os ganhos que a sociedade terá... Dado que seria simplesmente impossível investir todo o montante de recursos públicos somente em educação, saúde, IBAMA....O Estado atua em um número variável de demandas evidentemente.

Nestes termos é mais justificável investir em um curso ruim ou alocar estes recursos para a ampliação de outros melhores, ou mesmo em outras políticas?? Justamente sabendo que dinheiro público não dá em árvore? Fiz essa pergunta anterior: é justo, em um cenário de recursos escassos, premiar cursos com resultados reiteradamente negativos com mais investimentos públicos? O enade não "fecha" a torneira de nenhum curso com um resultado ruim. Trata-se de uma avaliação onde há uma SÉRIE HISTÓRICA onde pode-se efetuar uma análise comparativa entre os resultados.

E sim, por isso deve ser um parâmetro na hora de alocar recursos escassos. E cursos ruins prestam um péssimo serviço para a sociedade ao formarem profissinais de baixa qualidade

Por fim João José, as medidas avaliativas aqui discutidas ao que parece não perpetuam a desigualdade por conta do ranking. Há uma medida auxiliar de análise que é o "CPC contínuo" (conceito preliminar do curso). Aqui podemos avaliar a maior ou menor aproximação entre os resultados globais dos cursos. E veremos, salvo casos extremos, uma incômoda homogeneidade. O que implica uma redução da desigualde sim.. que não é valorativamente positiva !

Recomendo olhar a última coluna da tabela para olhar o índice acima.

Abçs

George

João José disse...

Caro, Roberto!

Permita-me utilizar um trecho de seu pensamento, ainda que não eu tenha a intenção de descontextualizá-lo.

"Nao acho que a atual politica universitaria do MEC colabore acriticamente com a manutencao do regime de poder simbolico entre centro e periferia da universidade brasileira."

A questão fundamental é justamente esta. De modo contrário, acredito que a atual política também não colabore criticamente com a desconstrução do regime de poder simbólico que você citou, e que é uma realidade. A sensação é a de que o ENADE reproduz modelos já conhecidos e que não nos furtamos de criticá-los em outro contexto político.

Continuo acreditando que o "boicote" não deve ser desqualificado enquanto ação política com tanta veemência como visto nos comentários aqui.

A propósito, quando é que o Xacal vai se resolver? O discurso dele é de um stalinismo-Arnaldojaboriano de fazer inveja a qualquer maluco da cidade.

Abraço

Adelia disse...
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Adelia disse...
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Adelia disse...

Prezados Bloggeiros.

Parabéns pela maturidade do debate e, sobretudo, pela aposta aqui na razão comunicativa.

Lendo acerca das metas coletivas (ética, sim, da convicção e da responsabilidade, aliás)versus o consenso hegemônico liberal do "direito a ter direitos", cabe dizer que a recusa de alunos a se submeter a uma prova de conhecimentos (qd. se sabe q outras variáveis do curso tb. estariam sendo avaliadas: titulação e produção docentes; infra-estrutura universitária; bibliotecas ...) revela o perverso individualismo que nada garante acerca de compromisso em torno de outras metas coletivas.

A primeira meta coletiva foi abandonada, a saber, garantir o reconhecimento ( q é diferente de vaidade; trata-se de uma necessidade vital de seres q existem no mundo)na comunidade científica acerca da seriedade na formação de futuros cientistas sociais, como bem dito já aqui, na periferia.

(periferia, leia-se: o lugar de onde não haveria de se sair os melhores quadros profissionais ... na lógica da reprodução do status quo).

Acerca de uma possível outra meta coletiva: a defesa da Universidade Pública contra avaliações equivocadas q deturpariam finalidades ... ora, não se atinge tal meta boicotando ações, mas promovendo outras tantas.

Se recursos devem vir p as instituições de menor desempenho, a isso se segue o compromisso com sua melhoria. Ao se registrar vulnerabilidades, concomitante a um real esforço de seus discentes e docentes em superá-las, legitima-se lutas concretas por recursos. O contrário, não.

Ninguém fará uma "análise semiótica" das provas. Elas cumprem apenas seu papel de "provar" a má formação recebida no respectivo curso na UENF hoje.

Quem perdeu?

Não foram tt. os professores ... estes já têm seus empregos garantidos no mercado capitalista.

Foi, para variar, aqueles q boicotaram a prova e seus "representados" (caso tenham esquecido, é bom lembrar q/, naquele momento, eram eles + do que "indivíduos q têm direito a ter direitos" (o de boicotar provas) mas membros de uma coletividade: os alunos do curso de ciências sociais da UENF.

Instituições não sobrevivem sem metas coletivas. Nem cursos.

Neste quesito, a nota apenas revelou o real problema do curso (q não é a ausência de concursos e/ou recursos).

Aliás, parabéns à jovem universidade da periferia pelo excepcional resultado nos cursos dos demais centros da universidade.

Saudades dos bloggeiros, eu?

Sempre!

Abçs.

Xacal disse...

jão-zé...a julgar pela pobreza de seus argumentos, sua definição do meu discurso é um baita elogio...

esse é desrespeito arrogante de quem não é capaz de contrapor críticas para além de rótulos, e que só enxerga "pureza" do debate entre os "seus"...

pobre criança...e pensar que estuda para falar esse monte de asneiras às custas do sacrifício de tantos excluídos da Universidade...

vejam bem a regrinha de debate rasteiro que ele aprendeu nos "manuais revolucionários":

retira uma parte do raciocínio do Roberto, isola e descontextualiza...e voilá, temos aí um novo-mágico, ex-quase-futuro-alquimista das ciências sociais...

devolvam minha parte do imposto que desperdicei, pelamodrdeus...

Fabrício Maciel disse...

Paulo exprime perfeitamente a realidade do fato. Eu fico curioso sobre o perfil social da maioria que apoiou o boicote. Concordo plenamente que foi um prejuízo para o curso.

Paulo Sérgio Ribeiro disse...
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Paulo Sérgio Ribeiro disse...

Caro Xacal, é justamente a "douta ignorância" o que procuramos combater por aqui. Aprendemos todos, "leigos" ou não, em nossos consensos e dissensos. Sobre o caráter farsesco do "boicote", tendo a concordar com você.

Adelia, saudades muitas de você. Seu comentário é uma síntese de nossas preocupações quanto ao tema em discussão.

Fabrício, essa pergunta é fundamental.

Abraços.

Anônimo disse...

E agora Jose ?

George Gomes Coutinho disse...

fonte: http://www.uenf.br/index.php

A volta por cima

Como a Pedagogia saiu do ostracismo para virar vitrine em apenas dois anos

Há apenas dois anos, o que hoje é considerado pelo MEC o terceiro melhor curso de Pedagogia do Brasil era uma carreira praticamente ignorada pelos candidatos à Uenf - eram apenas sete candidatos para as 30 vagas oferecidas no Exame Discursivo do Vestibular Estadual 2008. Neste curto período, o curso não apenas passou a atrair centenas de candidatos, mas também se transformou numa das vitrines da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, com a terceira melhor pontuação no Conceito Preliminar de Curso (CPC contínuo) do MEC entre 763 cursos da área avaliados em todo o país. Como explicar tamanha reviravolta?

Para o coordenador do curso, professor Sérgio Arruda, o bom resultado no CPC reflete o fato de a Uenf ser no geral uma universidade diferenciada, com todos os professores com doutorado e atuando em regime de dedicação exclusiva, entre outras características. Mas estes aspectos já estavam presentes desde a fundação da Uenf, e por isso é preciso buscar explicação também em fatores mais específicos.

Boa parte do segredo do sucesso do curso parece estar nas modificações empreendidas nos últimos anos em seu currículo. O que antes era um curso de bacharelado em Ciência da Educação - formação que não deixava muito claras as perspectivas de inserção dos formandos no mercado de trabalho - se transformou em Licenciatura em Pedagogia. Como lembram a pró-reitora de Graduação Lílian Bahia e a professora Silvia Alicia Martinez (do Laboratório de Estudos da Educação e da Linguagem), a mudança adequou o currículo a todas as exigências da legislação relativa ao curso de Pedagogia. Esta foi a primeira vez que o curso foi avaliado pelo MEC, mas tudo indica que as mudanças foram importantes no conceito máximo obtido pelos alunos no exame (Enade) do MEC.

Por outro lado, outras transformações tornaram o curso mais atraente para os potenciais alunos. Primeiro: deixou de ser diurno, passando ao horário noturno. Segundo: o curso foi incluído no Vestibular Específico da Uenf, o que facilitou a divulgação entre os candidatos do Norte e Noroeste Fluminense. Os reflexos na demanda pela carreira foram imediatos e surpreendentes. A média de candidatos por vaga subiu de 0,23 em 2008 para 3,0 em 2009 - ou seja, a procura saltou de sete para 90 candidatos. Os números se referem à segunda etapa de ambos os vestibulares.

Nenhuma destas mudanças foi isenta de controvérsias, como é comum no rito decisório colegiado próprio de qualquer universidade. A transformação de Ciência da Educação em Pedagogia, por exemplo, já era recomendada pelo Conselho Estadual de Educação havia muitos anos, mas demorou a se efetivar. A aposta no Vestibular Específico, afinal bem sucedida, também não era propriamente uma unanimidade no primeiro momento. Mas as mudanças foram feitas, e os resultados apareceram.

George Gomes Coutinho disse...

(continuação)

Neste ano, seleção será pelo Enem

Os próximos alunos do curso de Licenciatura em Pedagogia da Uenf serão selecionados através do novo Enem. É que neste ano as provas do Vestibular Específico - que inclui ainda os cursos de Agronomia, Zootecnia e as licenciaturas em Biologia, Física, Matemática e Química - serão exclusivamente as do Enem.

Para a professora Vera Deps, que coordenou o curso em 2007 e 2008, outro diferencial da Uenf que se manifesta na Pedagogia é o envolvimento dos alunos, através de bolsas, em projetos de Iniciação Científica e Extensão, o que torna muito próximo o contato entre alunos e professores, tanto dentro quanto fora da sala de aula.

O estudante Roberto Junior da Silva Carvalho traduz a mesma ideia de outra forma: para ele, o volume de leituras exigido pelos professores dá a sensação de uma exigência 'próxima do mestrado'. Roberto tem uma trajetória inusitada: na condição de estudante de Marketing, atuou na divulgação do Vestibular Específico como estagiário da Assessoria de Comunicação da Uenf em 2008, principalmente visitando escolas públicas. Roberto acreditou tanto no próprio discurso, que decidiu também se candidatar, e foi classificado. Sua intenção é atuar, depois de formado, em pedagogia empresarial.

O licenciado em Pedagogia pode ministrar aulas na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio Normal e na Educação Profissional, como também atuar na gestão, supervisão e orientação da educação. Neste segundo semestre de 2009, o curso de Licenciatura em Pedagogia da Uenf recebeu os primeiros alunos recrutados através do Plano Nacional de Formação de Professores, do MEC.

Apesar dos êxitos, o curso de Pedagogia continua buscando superar algumas dificuldades. Uma delas é a reposição de sete professores que se afastaram por aposentadoria ou por classificação em concursos para outras universidades. A abertura de concurso para professores da área está em negociação com o governo do Estado.

Marcela Pessôa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcela Pessôa disse...

hahahahaha...
[...]

enfim...

e é por isto que o CHapolin é o grande herói latino-americano...

(será que também irão deletar meu post?!)