sábado, 5 de setembro de 2009

Vida longa à UENF!


Nosso amigo Roberto Torres propôs disponibilizar o espaço do blog OUTOS CAMPOS para os alunos de Ciências Sociais idealizadores do movimento que supostamente boicotou a prova do ENADE. De antemão, julgo que seria de grande importância que aqueles que se lançaram no empreendimento expusessem suas lógicas procedimentais (instrumentais) e morais (normativas). Desta forma, poderíamos discutir as questões que envolvem avaliações e financiamentos de pesquisas e ensino de forma mais acurada.


Confesso publicamente que fiquei um tanto confuso e me senti ainda mais incapaz de compreender de imediato a lógica empregada por aqueles que resolveram boicotar o ENADE.


Adianto que, seja qual for a lógica de justificação da ação, espero que os executores estejam conscientes das conseqüências que provocaram no curso de Ciências Sociais. Provavelmente, deve haver alguma explicação que contraponha os prejuízos causados. Nestes últimos, estão incluídas as dificuldades, imputadas pelo desempenho pífio, à obtenção de recursos para financiar pesquisas, ensino e extensão universitária.

Há muitos pontos importantes para se debater no assunto, sem dúvidas. Espero sinceramente que existam motivos justificadores que possam nos ajudar a apreender tal ação.

De qualquer modo, o comportamento dos alunos de um único curso não deve e não pode sobrepor à conquista de mais um feito da UENF - Instituição periférica na busca incessante pela qualidade e construção de um sonho. Não deve sobrepor à conquista dos alunos que se dispuseram a realizar a prova do ENADE com afinco e dedicação, numa atitude de coragem e competência. Não deve sobrepor aos esforços monumentais de alunos, funcionários e professores para construir uma Universidade no "meio do canavial". Não deve sobrepor ao suor daqueles que trabalham diariamente para substanciar a ousadia e alucinação dos que "inventaram" de construir a UENF. Não deve sobrepor um clamor público local que ensejou e legitimou por meio do movimento popular a favor da instalação da UENF em Campos. Não deve sobrepor à luta por mais investimentos nas Universidades públicas. Não deve sobrepor aos intentos daqueles funcionários, alunos e professores que lutaram arduamente pela autonomia universitária. Não deve sobrepor, enfim, aos resultados cada vez mais visíveis de uma instituição que, contra todos os obstáculos difíceis de serem concebidos até mesmo por um ultra-realista, conseguiu mostrar ao Brasil que é possível sonhar. Que é possível realizar sonhos. Que é possível, sim, com muita com luta e esforço transformar alucinações em realidade!

Vida longa à UENF!

82 comentários:

Anônimo disse...

Longa vida à Uenf, apesar de Garotinho.

Anônimo disse...

Hahahaha... Ô povo pra gostar de Garotinho... Existem mais coias a serem discutidas, além de ser a favor ou contra Garotinho! Vida longa à Uenf, apesar de todo e qualquer governo; apesar de todos os que, externa e (talvez principalmente) internamente, querem impedir seu desenvolvimento!

Abreu disse...

esqueceram que combinar com os adversários, hahahahaham, se fuderam. quem mandou não fazer a lição de casa? boicotaram sozinhos... só mesmo Chaves para dizer "hahahaha.... ai que burros"!

Vida longa à uenf apesar destes imbecis.

Claudio disse...
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Anônimo disse...
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Claudio disse...

Sugiro que os alunos que boicotaram sejam expostos publicamente para toda sociedade saiba quem são os que se negaram a prestar contas dos gastos públicos investidos neles.

Anônimo disse...

Isso se houve boicote... vai que a turma eh fraca mesmo ?

Boicote de verdade tem que ser declarado antes, senao fica facil.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

O número menor em nossa nota, nas Ciências Sociais, indica uma consciência e atitude mais livre e crítica.

Se assim os estudantes estipularam fazer, baseados em sua inteligência, não devemos ignorá-los em suas motivações políticas, muito menos ridicularizá-los como preconceituosos vazios.

Tenho ORGULHO dos meus companheiros que realizaram o BOICOTE, não só pelo BOICOTE mas por sua conduta incorruptível frente às últimas iniciativas do Movimento Estudantil da UENF - sempre pautando suas ações não no interesse individual, mas no interesse público da "UENF Pública e de Qualidade".

Este tópico não é o melhor lugar para o debate sobre as razões que os motivaram, é mais fácil aqui cairmos em baixarias, como a maioria dos que me antecederam...
(na comunidade da UENF no Orkut há um debate sobre.)


Deixo simplesmente registrado que aqueles que pensaram e realizaram o boicote foram, a meu ver, aqueles que mais pensam e REALIZAM a luta por uma Vida Longa e de Qualidade para a nossa Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro!

Não precisamos de avaliações impostas e sim de investimentos! ABAIXO O ENADE! Viva a Universidade Pública!

Anônimo disse...

Eis um amontoado de palavras de ordem. É o que oferecem em resposta a um ato estúpido para aqueles que reivindicam uma resposta aos investimentos da população na universidade. Palavras de ordem e nada mais...

Brand Arenari disse...

Caro Frederico,

que bom que vc veio debater conosco aqui, se criarmos espaços inter-geracionais do CCH para debate seria ótimo.
Gostaria de dizer que eu discordo de vc quanto à natureza deste espaço. Por mais de um ano temos tido grandes debates sobre vários temas neste blog.
Aproveito para reiterar o convite feito por Roberto à vcs. Este blog está aberto para que vcs postem um pequeno artigo ou manifesto do vosso boicote ao ENADE. Assim, vcs teriam mais espaço e visibilidade para argumentar e explicar, melhor do que nos comentários. Reconheço que muito de nós conhece pouco como funciona o ENADE, seria uma oportunidade de apreender.
Neste seu comentário não dá para enxergar muito seus argumentos, fica parecendo que o boicote foi apenas uma rebeldia sem muito sentido, do tipo: “recusamos ser avaliados, pq ninguém nós avaliará” e pronto.
Abraço.

Brand Arenari disse...

Queira comunicar aos nossos leitores que este blog não é adepto de moderação nos comentários, porém se valerá de uma única exceção: não tolerará ofensas puramente pessoais, como chamar o outro(a) debatedor(a) de imbecil, idiota ou alguns xingamentos que ataquem a conduta afetivo-sexual do debatedor(a) ou da Mãe dele(a), como: Filho da puta, puta, viado, baitola, corno etc. No entanto, isso não quer dizer que ataques pessoais referentes à conduta pública do indivíduo não podem ser feitos, como: desonesto, racista, preconceituoso, corrupto etc.
Abraços.

Gustavo disse...

Fredgranico,

Faltou dizer à sociedade os motivos para aplicar mais dinheiro público em um curso que se recusa a prestar contas, ou melhor, de ser avaliado. Se vc pede mais investimentos, deveria justificar mostrando qualidade.

O boicote teve foi uma consequencia contrária, agora os privatistas tem um belo motivo para justificar que a PUC e Candido Mendes merecem mais recursos que a UENF. São instituições privadas que mostraram produzir alunos mais conscientes e responsáveis em suas atitudes do que a UENF.

Eu fui aluno da PEDAGOGIA e sempre ouvi nos corredores que os alunos da CISO eram melhores que nós. Não ficou provado isso. Somos os melhores do Brasil e vocês os piores. Espero que tenham consciencia disso também. De agora em diante quando os recursos chegarem ao CCH espero que os alunos de PEDAGOGIA tenham prioridade, pelo menos nos mostramos para a sociedade que merecemos os investimentos.

Gustavo disse...

Fui na comunidade do ORKUT e trouxe os argumentos do Fred que dizem o seguinte:

"Os argumentos contra o Enade que disponho são os seguintes:

-> Avaliação "DE CIMA PRA BAIXO". (feita pelo MEC e enfiada guela abaixo dos estudantes)
-> Avaliação HOMOGENEIZANTE. (uma avaliação para todo o Brasil).
-> Avaliação de cunho TECNICISTA. (a avaliação se pauta no conhecimento técnico das disciplinas, sem levar em consideração as questões críticas da atualidade)
-> Avaliação FRACA! (universidades particulares ficam mais próximas das públicas do que REALMENTE estão)"


Perguntinhas básicas: porque fizeram o vestibular? É uma prova que contém as mesmas características citadas para o enade. Será que farão provas para o mestrado, ou será que perderão "tanta consciencia política" de uma hora para outra? As provas para o mestrados tem as mesmas caracterísitcas "homogeneizantes","obrigatórias" e "tecnicista". E aí, vão boicotar também, vão colocar o rabinho individualista e egoísta entre as pernas? Avante revolucionários! Boicotem as provas para o mestrado!

Xacal disse...

boicote=tiro no pé...

eu me pergunto: será que os que boicotaram o ENADE(os futuros gênios do CCH), assumirão, frente aos que pretendem desmoralizar e sucatear a Universidade Pública, que os ótimos resultados da UENF são falsos, homogeneizantes, tecnicistas, etc, e etc...???

é lógico que sabemos que as avaliações não trazem por si mesmas, atestados de qualidade para os cursos avaliados...

elas são instrumentos de planejamento e verificação de erros, ou estabelecimentos de padrões desejáveis, e nunca um fim em si mesmas...

mas desprezar que a sociedade deve e merece ter algum método de medição da efetividade dos recursos que aloca em determinados setores é de uma burrice sem par...é mais que burrice: é má-fé arrogante, que nega aos contribuintes exigirem que respondam com qualidade ao investimento feito, e em boa parte, sabemos todos, com o sacrifício de milhões de semi-analfabetos que sustenta os "privilégios" da elite acadêmica...

Se não são imbecis, Brand, o que são: canalhas...???

Me pergunto, novamente: é para isso que serve meu imposto...???

palhares disse...

esse resultado do enade so mostrou a realidade que vcs do blog nao querem enxergar, que essa turma de ciso foi a pior de todos os tempos. lamentavel, mas eh a mais pura verdade.

o que fizeram foi esconder a incompetencia por tras de um boicote. mentira deslavada, sao eh muito fracos.

Brand Arenari disse...

Xacalino meu amigo,
Sinceramente, nao acho que eles sejam nem imbecis e muito menos canalhas. Eles são jovens militantes, como eu fui e muitos daqui também foram, que dentre tantas coisas legais (ainda acho q o movimento estudantil da uenf é diferenciado) cometeram alguns equívocos, só isso. Nós também cometemos equívocos em nosso tempo.
Acho que eles esqueceram que “consciência e atitude livre e mais crítica” é também se contrapor as diretrizes nacionais do movimento estudantil.
Um abraço.

Brand Arenari disse...

Dentre esses argumentos o último é um poço de preconceito, que no fim atinge também as novas universidades como a UENF. O que lhe garante que as particulares são tão ruins assim? O argumento que diz que todas universidades particulares são fracas, é o mesmo que a UNICAMP, USP e outras tradicionais usam contra a UENF e outras novatas. Se acham melhores e se valem da tradição para isso, querem manter o seu poder a toda custo.
Então, ser contra avaliações é ser CONSERVADOR e não revolucionário. É querer CONSERVAR a ordem de poder simbólico intacta, o que no fim é ruim pra nós das novatas.
Abraço.

Roberto Torres disse...

Os argumentos a favor do boicote nao se sustentam.

O alvo visado é traído pelo método irrefletido, que desconsidera os efeitos que depoe contra a alvo visado: defender a universidade pública. Isso é o que Weber chama de ética da conviccao: agimos em nome de uma meta, como um desejo infantil, sem pensar nas consequencias.

Em segundo lugar, como bem disse o gustavo, a própria meta é mal formulada. A univerisade pública é sim um lugar para o INTERESSE INDIVIDUAL, aquele bem compreendido, do qual fala Tocquevile. Quem nao busca desempenho individual nao merece estar na universidade, pois nao contribui para ela. Como disse o gustavo, porque nao boicotam o vestibular entao. É claro que se deve lutar coletivamente, mas achar que isso justifica a falta de compromisso com a busca de metas individuais em nome da propria universidade nao tem cabimento.
Darcy Ribeiro nao quis fundar uma Igreja, ou um partido político parecido com Igreja, mas sim uma universidade moderna.

Meu caro Fred, o boicote é tudo, menos uma atitude crítica de voces! O movimento estudantil da uenf nao precisa sempre comprar a agenda da galera do Rio....

Anônimo disse...

Depois todo mundo reclama do Adorno ter chamado a polícia para conter os estudantes na década de 60... Confundem liberdade com barbárie!

Abreu disse...

Quem esses caras pensam que são para cagar na cabeça da sociedade que banca os altos custos das universidades públicas? Devem ser filhinhos de papai que só vive pedindo mais mesadas no final do mês. Como querem exigir que o políticos mostrem onde são gastos os recursos públicos se os próprios estudantes se recusam a dar transparencia nos gastos em educação? O Estado não pode ser tratado como pai de filhinho playboy metido a revolucionario. Nenhum deles recusou a ganhar bolsa distribuidas aos montes na uenf só porque a seleção era cima pra baixo. Todos eles queriam mamar nas tetas do estado e agora ficam se dizendo com consciencia critica.

Gustavo disse...

Cá com meus botões: o que seriam os neo-liberais sem esses revolucionários?

George Gomes Coutinho disse...

Esse episódio me lembrou do texto "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" de V.I. Lenin. Destaco esse trecho:

"Os revolucionários inexperientes imaginam freqüentemente que os meios legais de luta são oportunistas (...) e que os processos ilegais são revolucionários. Mas isso não é justo (...) os revolucionários que não sabem combinar as formas ilegais de luta com todas as formas legais são péssimos revolucionários"

Não tenho a menor dúvida que tivemos mais um lamentável episódio de "contrismo", um esquerdismo acéfalo, encontrado no oposto de qualquer coisa que possamos chamar de "inteligente" como quer o Fred.

O esquerdismo encontrado em partidos e facções do movimento estudantil redunda em nada mais e nada menos do que em uma leitura das instituições e da luta institucional colonizada por uma densa névoa. O episódio ilustra o que há de mais pobre em uma esquerda que sequer sabe o que é disciplina revolucionária. Que não sabe diferenciar tátita de estratégia. Que não sabe realizar análises de conjuntura... Que separa a vida cotidiana do que lê nos bancos escolares. Em suma, que não sabe o que Weber quer dizer com a idéia de "ciência como vocação".

Por fim, como já disse um dos meus prediletos, o Slavoj Zizek: "Com essa esquerda quem precisa de direita???

fredgranico@yahoo.com.br disse...

É difícil manter uma postura séria em meio a tanto fascismo... Mas tentarei respeitá-los, como não estou sendo.

Antes de tudo: Não boicotei o ENADE, simplesmente defendi que confio em minhas companheiras e companheiros... em suas inteligências - que boicotaram. Não boicotei porque meu nome não constava na lista, mas apoiei e apoio.

Com relação ao vestibular e mestrado: são saidas individuais, onde para conseguirmos viver e alcançar um mínimo de dignidade, temos de nos submeter a coisas que não queremos... Eu, como vocês, também me submeto, não me acho um indivíduo livre e "revolucionário", não sou nem um nem outro, acaso fosse livre, não haveria motivo para a luta.

O ENADE está só começando, embora nos obriguem a estarmos presentes, os métodos de submissão dos alunos a seus interesses ainda não funcionam tão bem (o que nos permite um mínimo de liberdade), quanto provas como o vestibular e o mestrado (os quais se não fizermos, estaremos desempregados.)

Por isso acrescento que a maioria das companheiras e companheiros são pessoas, por acaso, muito batalhadoras, não sendo os adjetivos de "playboy" ou "filhos de papai" adequados para nossa predicação.

Enquanto contribuintes dos recursos públicos, peço desculpas por parecer que "cagamos em seu dinheiro", ao contrário estamos tentando bravamente valorizar esse dinheiro. Essa postura foi o que nos orientou à BR 101, em 2006, para levarmos cacetadas e gás de pimenta da polícia - nos olhos - e, como resultado, conseguimos que o dinheiro dos senhores não fosse retirado da Universidade (mais de 100 mil por mês a menos), conforme decreto já então publicado da então governadora Rosinha Matheus. Foi o mesmo espírito que reivindicou o Bandejão universitário, que será erguido com o vosso dinheiro (dos contribuintes) e através da nossa luta.

Os senhores que aqui escrevem são todos munto inteligentes (alguns nem tanto) e escrevem muito bem. No próximo ano, se tiverem disponibilidade de tempo, venham contribuir conosco, ajudem-nos a organizarmos debates e tragam vossa inteligência não para a crítica infértil (posterior), mas para a construção de um movimento que - como vocês pensam - precisa sim evoluir em consciência nos seus atos.

Peço desculpas se o diploma dos senhores - como o meu - ficará com menor valor... RECLAMEM COM OS CONTADORES DO ESTADO! Porque eles não tiram da conta os estudantes que escrevem BOICOTE em suas provas e nada respondem? Não tiram porque querem gerar exatamente esse conflito entre nós, querem que ou nos submetamos a suas avaliações impostas, ou nos fodamos todos. Se aceitarmos isso agora - que começa o ENADE - aí sim no futuro as coisas serão assim. A resistência à avaliação do MEC é a resistência a sermos escalonados competitivamente.

Nós, do CCH, não somos melhores nem piores que as companheiras da Pedagogia: NÃO QUEREMOS DISPUTAR VERBA NENHUMA! Não precisamos de avaliação administrativa, isso é mais uma HIPOCRISIA do Estado, precisamos de mais investimento e democracia nos cursos e universidades.

E se um curso vai mal, porque há razão para reduzir os investimentos? Os argumentos dos senhores são ainda mais tolos que os meus... Se um curso vai mal, isso é razão para reerguê-lo, caso fossemos ingênuos, e acreditássemos que a avaliação busca a QUALIDADE do ensino.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

Por hora termino afirmando que nosso contato com outros movimentos estudantis foi muito engrandecedor, não estamos falando de UNE aqui - isso não é movimento nem é estudantil -, estamos falando das companheiras pelo Brasil em luta que tivemos a oportunidade de contactar. Na forma como vejo a luta contra o ENADE é justa (deveríamos ter é feito mais do que simplesmente boicotar), os argumentos que disponho e que o colega copiou para esse debate, não foram questionados com outros argumentos. Existem ainda muitos outros argumentos de variados movimentos estudantis DIGNOS. Posta-los-ei no próximo comentário.

Um grande abraço. Só uma coisa: não sejam preconceituosos, não resolvam vosso conflito insultando aqueles que possuem uma postura mais combativa, chamando-os de "pseudo-revolucionários", nenhum dos estudantes são "pseudo-revolucionários", organizamos nosso tempo e nossa energia exercitando nossa solidariedade, nada mais que isso.

Se os senhores estão muito atolados na vida, e não dipoem de tempo para algo mais que seus egos, eu entendo. Sinto isso em minha carne também, não os insultarei, mas porque não conseguem justificar vossas posturas, não insultem aqueles que nos chamam - através de seus atos de luta - a tomarmos alguma posição.

NÃO PRECISAMOS DE AVALIAÇÃO DO MEC! PRECISAMOS DE INVESTIMENTO E DEMOCRACIA!

Vitor Peixoto disse...

Grande Fred!

Bom poder contar com seus argumentos aqui neste espaço. Pode ter certeza que o respeitaremos. Mesmo que não concordemos com suas proposições, sempre serão bem-vindas. Em realidade, este era exatamente o objetivo do convite proposto pelo Roberto e por mim.

Como você já deve ter percebido pelo post, eu tenho uma posição absolutamente divergente no que concerne ao boicote. Não acredito que tenha sido uma boa estratégia pelos motivos já expostos pelos meus colegas, Brand, George e Roberto.

Reconheço muitas das lutas travadas pela qualidade da Universidade que empreenderam nos último anos. Entretanto, considero que exitem outros meios que não o boicote para justificar mais investimentos públicos nas Universidades Públicas. Poderiam, por exemplo, propor novos métodos de avaliação que levassem em conta outras dimensões. Poderia propor um debate amplo sobre o tema, com representantes discentes, docentes, funcionários e especialistas. Desta forma acredito que o movimento poderia até mesmo contar com a presença de representantes da sociedade - a quem devemos sim justificar e explicar nossas atividades.

Seremos avaliados o tempo inteiro na vida acadêmica, e uma postura anti-sistêmica pode dialeticamente produzir efeitos que fortalecem o próprio sistema. Este foi o ponto que respeitosamente defendemos aqui. O boicote que colocaram em prática simplesmente provocou um efeito inverso daquele imaginado por vocês. Uma vez que as Universidades públicas sempre obtem resultados melhores que as particulares, o ENADE veio para fortalecer as IES públicas. Ao boicotá-lo perde-se este argumento. Repito: uma Universidade periférica como a UENF só tem a ganhar com bons resultados apresentados no ENADE (como os de vários cursos). E este sistema de avaliação já é uma realidade, concorde ou não, já está institucionalizado. Como toda realidade, quando não concordamos devemos traçar estratégias pela transformá-la, e não simplesmente negá-la como se faz com o boicote.

Por último, nossos diplomas não perderam peso com este resultado. Na academia se julga muito mais pelo último titulo conquistado. Já passamos da fase de sermos avaliados pelos resultados da graduação. Vocês é quem deveriam se preocupar com a nota do ENADE. Novamente, não se engane, isso contará no currículo de vocês e pesará no momento que forem para uma banca de admissão do mestrado.


Grande abraço, e saiba que sua participação aqui sempre será bem-vinda.

Vitor Peixoto

Xacal disse...

taí, o meu imposto serve para criar "prestidigitadores" como o fred...malabarismos semânticos para esconder incompetência...

ele não concorda, mas confia...será isso uma religião...uma nova religião...???

caro brand,

não é por critérios temporais(idade)ou corte geracionais que as coisas mudam de nome: idiotice é idiotice em qualquer geração...é bem verdade que algumas idiotices servem como aprendizado, mas a julgar pela postura "avestruz" dos psolianos do CCH, não há sinais que isso vá acontecer...

tenho um "pouquinho" mais de idade e experiência para entender as idiotices que fiz, mas as abandonei lá trás, mas elas continuam a se chamar idiotice...é essa compreensão que qualifica nosso amadurecimento...

gente como esse pessoal, sai direto do pseudo revolucionarismo ultra radical para trás das mesas do grande capital, em alguma consultoria de wall street...não há escalas...é do idiotismo vanguardista para a canalhice hipócrita liberal...

não se esqueça Brand: "o relativismo é a pior forma de absolutismo"(Ivan Lessa)...

quem me garante a qualidade é a auferição...é claro, elas não são perfeitas, e nem isentas, como a própria ciência, mas pergunto: há vida para além da ciência...bom, há a fé, mas aí eu desisto...

vamos dissecar os "argumentos do imbecil"

"Com relação ao vestibular e mestrado: são saidas individuais, onde para conseguirmos viver e alcançar um mínimo de dignidade, temos de nos submeter a coisas que
não queremos..."

ué, qual é o limite que mede a sobrevivência legítima das promiscuidade...quem define o que é resistência ao sistema e colaboracionismo...??? a fé revolucionária...??? isso parece conversa de playmate do mês...

outra pérola:
"O ENADE está só começando, embora nos obriguem a estarmos presentes, os métodos de submissão dos alunos a seus interesses ainda não funcionam tão bem (o que nos permite um mínimo de liberdade), quanto provas como o vestibular e o mestrado (os quais se não fizermos, estaremos desempregados.)"

aqui reside a arrogância elitista da casa grande bem letrada...quem sois, ó povo, para exigir alguma satisfação pelo dinheiro que gastam com nosso saber...??? afinal, quais são esses "interesses" que ameaçam a liberdade dessa molecada movida a "danoninho" com nosso dinheiro...???

e tem mais:

"Os senhores que aqui escrevem são todos munto inteligentes (alguns nem tanto) e escrevem muito bem. No próximo ano, se tiverem disponibilidade de tempo, venham contribuir conosco, ajudem-nos a organizarmos debates e tragam vossa inteligência não para a crítica infértil (posterior), mas para a construção de um movimento que - como vocês pensam - precisa sim evoluir em consciência nos seus atos."

querem um debate, onde desde o início, os limites sejam os que favoreçam o que acreditam, e "arbitram" desde já o que é fértil ou não...

pensando bem, ainda bem que boicotaram o ENADE, se fizessem a prova, o resultado seria muito, mas muiiiiito pior...

Alceu disse...

A média dos ingressantes na prova de conhecimentos gerais foi maior que a dos concluintes (41 contra 37). Com ou sem boicote foi um vexame. Nem se os poucos que boicotaram tivessem feito a prova teriam melhorado tanto.

Alceu disse...

Se nota ruim no enade significar consciencia politica dos estudantes, as FACULDADES INTEGRADAS CAMPO-GRANDENSES formam uma consciencia mais forte que as ciencias sociais da UENF.

Não tem solução, quanto mais defendem mais se complicam.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

O senhor comete uma série de enganos (objetivos) misturados com uma boa gama de rancor e ódio fascistas.

1) Nenhuma das companheiras e companheiros fazem ou fizeram parte do PSOL.

2) Não gostaria de ter de me defender da acusação de "incompetente", esta questão - sobre minha competência - não vem ao caso em momento algum.

3) Se a confiança é um fenômeno necessariamente religioso, e o senhor possui aversão (com um caráter de fé fanática às avessas) à religião, então tenho pena de seus entes e amigos mais próximos.

4) Solicito não ser chamado de imbecil, por mais que seja assim que o senhor pense: confie em mim, não estou falando um décimo dos adjetivos que gostaria de usar para caracterizá-lo.


Sobre argumentos... sua posição é burocrática/tecnocrática. Não possui um mínimo de sensibilidade e reivindica um objetivismo descabido.

1) O limite, naturalmente, será o limite que o sujeito achar conveniente. Qual é o seu? Qual é o meu? Eis uma grande questão, mas não será resolvida por algoritimos e funções. Também concordo com o senhor de que algo chamado "fé revolucionária" não faria muito.

2) Não estou entendendo muito bem. Se não somos nós - os que aprendem - que devemos decidir nossos interesses, o interesse de nosso saber... Quem é? Acaso o senhor está propondo uma Instituição Vocacional que defina previamente o que é e o que deixa de ser o "interesse comum"? Reforça minha argumentação contra seu fascismo. 2.1) Os interesses que ameçam nossa liberdade são os mesmos que ameaçam a sua... Os vejo como "os interesses da opressão e da dominação", os interesses que motivam o Estado brasileiro a criar e aplicar o ENADE. 2.2) Infelizmente não sou movido a danoninho, não me lembro de ter comido um pelo menos nos últimos 8 anos, mas não gostaria de debater sobre isso.

3) Peço desculpas se fiz parecer que queremos um debate onde as conclusões estejam previamente estabelecidas. O "infértil" se refere ao "posterior". É claro que uma crítica posterior pode ser fértil, a distinção que eu queria era aquela que demonstrasse que se os senhores pudessem (como propus) participar dos debates previamente aos atos, então poderíamos munidos da energia e saber dos senhores, organizar-mo-nos muito melhor.

* O senhor está muito preocupado com o dinheiro que é gasto na minha formação, provavelmente porque não concorda com meus pensamentos e atitudes (embora pouco os conheça - eis o preconceito), se o senhor fosse ligeiramente mais esperto, zelaria pelo seu dinheiro em outras discussões: por exemplo discussões sobre a CORRUPÇÃO, ou sobre os altos soldos dos juízes, deputados, militares de alta patente; ou ainda sobre as privatizações de seu governo: Nestes casos o seu dinheiro vai ralo a baixo com muito mais velocidade, do que em minha formação - o que é vejo como um grande problema. Acho também que minha formação é muito mais importante do que o gasto desse governo faz parecer, realmente são tempos difíceis.

** Não tente fazer parecer que meus conhecimentos de Ciências Sociais são toscos, que sou incompetente, ou que sou "filho de papai", não sabe nada de mim. Essa é uma estratégia de discussão baixa, você pode fazer melhor que isso!

grande abraço.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

O último comentário foi para o Xacal, este é para o Alceu.

1) Alceu. Suponho que se assim foi, deve ser porque os estudantes mais antigos estavam mais mobilizados, e boicotaram mais que os novos.

2) Você está ignorando os fatos, Alceu. O que quis dizer com essa afirmação se refere a uma realidade onde em uma universidade houve boicote e noutra não. Não é uma proporção generalista que se aplique a qualquer nota baixa no ENADE (se bem que não sei nada das companheiras da Universidade que cita, talvez tenham feito também o boicote por lá).

Alceu disse...

agora não adianta fazer beicinho e dizer que as faculdades integradas campo-grandenses são uma merda. engraçado, quando é a uenf é pq tem aluno consciente e quando é qualquer outra privada é baixa qualidade. vcs se igualaram a eles.

falar de boicote depois do fracasso é fácil, quero ver mostrar serviço.

aqui em minas também teve muito boicotador e ninguem ta com chororo botafoguense.

vejam ai quantas facul ficaram na frente de vcs. só 53 melhores no desempenho especifico dos egressos.



UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL
UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS
UNIVERSIDADE DE BRASÖLIA
INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS APLICADAS - ISCA
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO CERES
UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
UNIVERSIDADE DE FORTALEZA
UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ANÁPOLIS
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA
FACULDADE DE MACAPÁ
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
CENTRO UNIVERSITÁRIO ASSUNÇÃO
CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
CENTRO UNIVERSITÁRIO SANT´ANNA
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO

Alceu disse...

agora vai dizer que vcs são mais conscientes que todas elas?

vamos trabalhar e deixar de conversa mole.

George Gomes Coutinho disse...

Fred,

Li seu relato algumas vezes. E confesso que ainda não vi nada próximo de respostas para as perguntas que mantenho....

a) Qual foi o ganho objetivo com o boicote ao enade? Vocês demoveram o Inep de aplicar a prova? Mudaram as regras do jogo? Criaram um movimento contra-hegemônico exitoso? geraram um novo bloco histórico?

b) Diferentemente de um protesto no espaço público, onde cria-se um fato político ou uma denúncia, o que vocês conseguiram apresentar para a sociedade com o conceito "2"? Desmistificaram a avaliação?

c) Parte do seu argumento é construído nos arredores de algo próximo a um direito de desobediência civil individualizado. Você acredita que instituições devam seguir os preceitos individualizantes da vontade humana pura e simplesmente? Algo como boicotar o enade é similar ao ato pessoal de usar uma camiseta contra o imperialismo ou tomar um porre?

d) Até o momento não vi, fora palavras de ordem ou frases feitas apaixonadas, argumentos em prol de algum tipo de avaliação institucional. Vocês simplesmente não crêem na necessidade de termos avaliações sobre políticas públicas? Crêem que avaliar é uma atitude em si anti-democrática ou meramente reificada?

e) O ensino em uma sociedade deve ter por telos maior serví-la. É de interesse público saber que uma instituição que não presta um bom trabalho de formação deva ser fechada sumariamente. Instituições ruins causam danos para os estudantes e para a sociedade que a custeia. É estelionato educacional com ou sem dinheiro público envolvido diretamente. Você gostaria de premiá-los com mais dinheiro público com o fim de "reerguê-las"????

Não é necessário responder a nenhuma das perguntas acima. São elementos que ilustram esse debate e que são a síntese da insatisfação de muitos de nós com o boicote.. Que só faria sentido se fosse uma ação coletiva com poucas possibilidades reais de falhas. Um boicote só não traria problemas se houvesse a garantia de adesão integral. Quando não há temos meramente algum tipo de "suicídio altruísta" onde o suicida não modifica estruturalmente coisa alguma e entra para a história como um tipo de mártir inconsequente.

Infelizmente, neste momento, vocês apenas causaram prejuizos para a geração de vocês e para a o curso de ciências sociais momentaneamente. Ainda bem que não fizeram arranhões na Instituição, que precisa justificar investimentos, incluso o bandeijão, com excelentes resultados.

Abçs e vamos continuar discutindo civilizadamente sobre nossas divergências. é esse o exercício de racionalidade comunicativa.

George

Alceu disse...

fred os ingressantes da uenf foram melhores do que vcs e ainda conseguiram ficar entre os 22 PEORES do Brasil. ficaram na 53ª posição entre todos os ingressantes. vcs não empataram com eles e ainda querem ganhar de quem?

vcs concluintes não ficaram entre os 36 na media da prova. ficaram na 54ª colocação.


para de chororo e vai mostrar serviço.

Anderson disse...

O ENADE eh a melhor oportunidade das universidades publicas mostrarem que em media sao muito melhores que as privadas. E mais, eh a chance de universidades jovens como a UENF mostrarem que podem se sobressair.

Faco minhas todas as palavras do Xacal e do George. O boicote nao foi contra o ENADE, mas sim contra a UENF, e especialmente contra o curso de Ciencias Sociais, que tera que carregar esta macula.

Aposto que nos EUA, os alunos de Harvard, Stanford e MIT adorariam ter um ENADE para mostrar quem eh quem. O boicote eh apenas um ato de covardia com o intuito de por um veu que encubra as limitacoes intelectuais e falta de confianca dos alunos.

Nos das Ciencias Sociais agora teremos que passar mais algum tempo sendo discriminados por mais essa estupidez...

bill disse...

Meus caros,

ótimo debate, a despeito dos excessos. O discurso do Fred é o discurso do calor da luta, da liberdade acadêmica, diria utópico em seu sentimento de "elétron livre", ainda que as forças gravitacionais também operem nele, ainda que ele não as manifeste em seu discurso, deixando para um post "acusá-lo" de ser filiado ao PSOL. O que quero dizer, resignando-me, é que ele reproduz a função que lhe cabe em sua órbita política atual. Ele não é o caso aqui. Essa órbita é a reprodução Ipsis litteris do discurso da década de 1990, sobre os novos critérios de avaliação da universidade pública. Praticamente toda universidade pública foi contra, temendo à privatização (argumento que o próprio Fred usou aqui). O irônico é que nenhuma universidade foi privatizada. Muito pelo contrário, ao mesmo tempo em que houve a expansão das particulares, as públicas também se expandiram, com as limitações estruturais do estado, é claro. o discurso do Fred é um discurso que pertence a um espectro político e é coerente por isso. Não se trata de ser pragmático, tecnocrático, trata-se de política no sentido mais utópico do termo, e mais convicto (como o Roberto assinalou). O ideal de articulação entre convicção e responsabilidade não cabe ao Fred, sua órbita é outra.

Sobre o ENADE, indico o seguinte texto: http://www.schwartzman.org.br/simon/enade.pdf

Abraço.

Muita saudade dos amigos.

Xacal disse...

digo e repito: ainda bem que boicotaram, se fizessem a prova, o desastre seria maior...

nenhuma das perguntas respondidas, como bem lembrou o george...

nada, nada, nada, além de prestidigitação...

o bill tem razão, a órbita de fred é outra, ele está fora de órbita...


vamos responder ao "garoto-danoninho":

quem define o interesse da universidade pública é a sociedade que o sustenta, aí inclusos todo o corpo doente e discente das mesmas, embora o voto de vocês tenha peso sempre menor, uma vez que vocês são "corpos transitórios", portanto, não sobrevalorize o peso político de vocês nessa disputa...

quanto ao controle de outras esferas de "poder", caro fred, só tenho a lhe dizer que é melhor prevenir que remediar, portanto, é melhor "enquadrar" pequenos déspotas como vocês antes que se tornem integrantes de alguma "corporação" mais forte, inclusive aquelas que você cita...antes que o mal cresça, corte-se a cabeça...

temos que matar a serpente do ovo, e creia, se o cch pode ser representado pelo seu discurso, lá está um ninho delas...

com todo respeito aos demais, george, brand, bill, vitor e demais debatedores...esse "garoto-danoninho" é um bunda-mole...

como definir alguém que participa do jogo, e deseja mudar as regras quando essas não lhe convém...

se eu fosse do conselho universitário proporia uma sanção(quem sabe a expulsão)desse pessoal dos quadros da UENF...se afinal, eles dão tão pouca importância a avaliação, notas e diplomas, para quê querem se graduar...???

que tipo de estelionato universitário é esse...???

fred, quanto aos impropérios que quer me dizer, aí vai: atrolha@ig.com.br...mande seu endereço, ou telefone...marcaremos, e você aí fala ao vivo...

quem sabe você tem mais "cojones" do que parece...

eu aposto que não, mas taí a proposta...bunda-mole

Anônimo disse...

Bom, ao que parece o Daniel, o Fernando, o Pedro..e outros que acham que sabem, quando não dão todos os ouvidos para um professor que está tentando destruir o CCH, deixaram o Frederico sozinho aqui? Aí tem coisa. Ninguem ainda me respondeu porque só há evasão de professores na Uenf entre aqueles que estão no CCH. Ambiente de trabalho e serenidade...está faltando. O belo trabaho de mudar Ciência da Educação para Pedagogia já deu resultado. O resto é intriga interna.

George Gomes Coutinho disse...

Caro anônimo,

Por favor não cite nomes de quem quer seja que por quaisquer motivos não tenham se apresentado de forma espontânea no debate. Ainda mais sob o escudo do anonimato. O debate deve ser franco, aberto e direto entre idéias e argumentos. E não entre pessoas.

Tampouco insinuações de bastidor que não podem ser comprovadas devem ter lugar aqui.

Portanto, de uma próxima vez e a despeito do que meus companheiros pensem, eu irei apagar sumariamente comentários desse teor.

Daniel Soares disse...

Eu boicotei o ENADE e boicotaria novamente se a oportunidade aparecesse. De onde vem a reforma universitária privatizante vem essa prova do ENADE; por que as universidades públicas tem de disputar verbas com as particulares? E por que cargas d'água as que menos pontuam devem receber menos recursos? Não faz sentido. E se notas altas no ENADE se traduzissem imediatamente em benefícios de toda ordem para os cursos bem colocados, como se explica o fundo do poço em que se encontra o CCH hoje em dia (com essa evasão de professores), já que antes dessa prova a nota era máxima? O ENADE não tem que existir porque as universidades públicas tem de receber investimentos igualmente públicos em qualquer circunstância, e não deve ser obrigada a os disputar com universidades particulares; isso é absurdo. E, como eu disse, se nota alta é igual a maior volume de recursos e prosperidade, então como USP e UFF não degringolaram, uma vez que, se não estou errado, os alunos dessas universidades boicotam em peso.
Agora, é evidente que o nosso movimento de boicote foi fraco. Devíamos ter feito um movimento de fato, com panfletagem, discussões (devíamos ter organizado um evento para esse fim); devíamos ter contactado a mídia - como fizemos em torno da luta pelo bandejão, aliás...enfim devíamos ter construído uma rede de alianças em torno da legitimação do boicote e em prol de uma proposta diferente. Erramos na estratégia, na minha opinião; mas não me arrependo do boicote. Erramos não porque boicotamos, mas porque só boicotamos.
É isso.
Daniel.

Brand Arenari disse...

E aí Daniel, blz?

Quero confirmar se eu entendi seu argumento. Vcs acham que o ENADE faz parte de um projeto de privatização mais amplo das Universidades públicas? Desse modo a luta de vcs seria mais contra a privatização do que propriamente o Enade?

Quanto ao debate, gostaria de dizer que distribuição de verbas é só a ponta do iceberg, o que está em jogo, e é muito mais importante é a distribuição de prestígio no campo. UFF e USP certamente não perderam nada, é isso que nós tentamos mostrar, que boicotar é vantajoso para eles, mas não para a UENF, está sim, tem o que perder.


Abraços.

Tahiana disse...

Eu fui fazer a prova, presenciei meus colegas de curso saindo da sala, debati várias vezes com as pessoas que idealizaram esse boicote, e após ler os comentários aqui, continuo com a mesma opinião de antes: o discurso dos "revolucionários" não se sustenta porque não é movido por estratégica e sim é uma reprodução de comportamento político partidário.

Daniel Soares disse...

Tahiana minha filha que comportamento político-partidário???????
Brand, é isso aí. Identificamos o ENADE como uma maneira preliminar de privatizar as universidades públicas, como um elemento de um projeto de reforma universitária e boicotamos. O boicote é uma atitude legítima e defensável argumentativamente, embora alguns aqui estejam adotando a postura (que eu considero desonesta e facista) de praticamente desumanizar os que idealizaram e realizaram o boicote. E BRand, "prestígio no campo" é vc indo pra Alemanha e coisas do tipo...é os alunos saindo do cch e arrebentando para além dos muros da uenf. foda - se o enade!

Anônimo disse...

Enade privatizante...
O velho discurso canalha contra o inimigo que nao existe. Quer dizer entao que o governo Lula quer privatizar as universidades ? Parece piada...

Outra coisa... pq as universidades privadas nao podem disputar as verbas de pesquisa com as publicas ? O curso de Ciencias Sociais nao deveria receber verba nenhuma apos esse desempenho pifio.

Todo mundo agora pode voltar para o trailer do gordo para tomar sua cerveja, idolatrando o Fidel/Chavez enquanto usam seus tenis da nike e carros na garagem. O contribuinte continuara pagando por esse tipo de atitude.

Voces querem mesmo eh afundar o CCH. Quer comparar a credibilidade da UENF com a USP, de onde saem ministros, famosos escritores etc ?

Daniel Soares disse...

naõ respondo anônimo

Anônimo disse...

Nao responde a mim e a nenhuma das perguntas acima colocadas pelos leitores. Faz apenas jogo de semantica com suas palavras de ordem.

Acorda cara. Boicotar o ENADE eh como fazer protesto na BR 101 ateando fogo no proprio carro.

As avaliacoes constituem a melhor maneira de expor a qualidade das universidades publicas.

Vitor Peixoto disse...

Deixem o Gordo fora desta discussão! Esse não é o ponto aqui.

E, Daniel, seja bem-vindo mais uma vez. Meus pontos já foram colocados, não tenho mais nenhum novo argumento.

Grande abraço,


ps: Peço que nos atenhamos nos argumentos sérios, se isso for possível. O Blog é composto por várias pessoas que pensam distintamente, e nosso objetivo aqui é possibilitar que os argumentos tenham absoluta prioridade.

George Gomes Coutinho disse...

Daniel

Também não irei apresentar mais argumentos além dos já apresentados.

Mas, a crítica jamais deve ser compreendida como uma prática fascista ou desonesta. A crítica deve ter na universidade seu lócus mais afim. Uma universidade sem crítica não é uma universidade. É uma fábrica de autômatos.

Virar a crítica teórica e política à universidade, aos seus quadros, é promover uma atitude progressista com a própria. Simplesmente aplaudirmos todas as atitudes promovidas pelos seus quadros é, aí sim, um sinal de corporativismo burro, acéfalo, despropositado.

As armas da crítica e a produção da própria "massa crítica" deve se virar para os seus próprios pares se assim quiser manter este status. Estudantes, de graduação ou não, que se negam a prestar um exercício de reflexividade não devem estar nos bancos universitários. Devem estar, como já disse o Fred e o Roberto, em uma igreja.

Por fim, o que há na sua fala: "Identificamos o ENADE como uma maneira preliminar de privatizar as universidades públicas, como um elemento de um projeto de reforma universitária e boicotamos." Me parece um elemento estritamente INTERPRETATIVO, ou seja, o enade PODERIA ser interpretado assim... Da mesma forma que poderia ser INTERPRETADO DE FORMA DIVERSA. Isto sim deveria ter sido calculado nos custos da ação coletiva realizada. E da mesma forma toda ação pode gerar reações, inclusive as não previstas.

Nos colocarmos na oposição ao ato é só uma destas possíveis reações.Algo passível em toda e qualquer ação política.

Abçs

George

Gustavo disse...

Se o emprego correto de conceitos estivesse presente no enade, a nota não teria mudado mesmo sem o boicote.

Anônimo disse...

bom, não gosto muito de participar como um mero anonimo, hoje vou fazer por questões pessoas. Só gostaria de lembrar ao Daniel que o modelo de avaliação praticado no Brasil, desde o FHC, serviu para mostrar que a Universidade Pública tem seu valor e que boa parte das Particulares precisavam ser fechadas. A expansão da Universidade pública promovida pelo Lula tem a ver com isso, se tivessem mostrado que a Universidade particular era boa...bastava avançar no Reuni. No caso da Uenf, costumam dizer que é muito ruim (todas as avaliações mostram o contrário)...mas isso parte principalmente de gente de dentro, falam de sucateamente, da ausencia de professores, das condições de trabalho, da falta de papel higienico. Na verdade, estamos na mesma barca das Universidade públicas brasileiras, que precisam melhorar. O provão e o enade vem mostrando isso. A nota da uenf não chega perto de 10, ela equivale a 8-8,5 para as condições brasileiras. Podemos melhorar se as avaliações fossem feitas e não tivéssemos boicotes (isso não é democrático).

Guilherme disse...

Podem espernear, chamar de imperialismo o governo lula, classificar o enade como política do FMI e o que mais quiserem. O fato é que cairam numa cilada e levaram anos de esforços de toda uma coletividade junto com eles. Os impactos, sejam no campo economico ou no simbólico, permancerão por muito tempo no CCH e, provavelmente, na vida acadêmica desta turma.

É lamentável, é. Tem solução. Tem. Basta a próxima turma levar como lição e advertência o ocorrido. Quanto aos alunos que boicotaram, que sejam responsabilizados pelas consequencias negativas que provocaram. Irão levar no currículo o péssimo desempenho (ninguém irá perguntar na banca se houve boicote! Verão as notas e ponto). Espero que os programas de mestrado façam sua parte e reprimam esse tipo de atitude.

Xacal disse...

repetimos, para que não esqueçamos: ainda bem que boicotaram, se fizessem a prova, a julgar pela pobreza intelectual, o resultado seria muito, mas muiiiito pior...

Guilherme disse...

Cada um usa suas convições e suas armas da forma que melhor lhe convier. A batalha só começou!

Alceu disse...

Como diz o ditado, as consequencias vem depois...

Juliano_CBB disse...

Se a UENF usa o ENEM para o vestibular, também deveria usar o ENADE na admissão ao mestrado. Acabaria essa brincadeira de dizer que o boicote diminuiu a nota da ciencias sociais.

Juliano_CBB disse...

Cá com meus botões: se formandos em ciências sociais pensam como se estivessem na década de 60, em que o curso que fizeram adiantou? Se não conseguem traçar estratégias para suas ações, de que o curso valeu?

Essa nota ridicula do ENADE é mais do que real. Não conseguem separar o comportamento de um cientista de um missionário fundamentalista, queriam o que? O ENADE não é uma prova que dá atesdado ideológico, nem mesmo nas ciências sociais.

Anônimo disse...

Caros,

Meu nome é Yolanda e sou formada em Ciências Sociais pela UENF, como muitos dos que aqui se apresentam.Tenho a impressão que essa discussão sobre o ENADE garantiu uma espaço para questões pessoais e existenciais aflorarem com intensidade (cada um com o seu divã). É claro que isso definitavemente não vem ao caso. O importante é o tal do BOICOTE.
Não fiz a prova porque não fui sorteada e por isso simplesmente também não me interessei pelo debate a favor ou contra a avaliação. Digo isso por perceber a incapacidade de todos os que me antecederam de falar com propriedade sobre esta prova. A favor ou contra, em momento algum se discute o peso real desse mecanismode avaliação, como são definidos seus critérios, enfim. Se uns boicotam por serem contra ordens e outros se vêem obrigados a fazer a prova pois vida é assim mesmo, não me parece serem essas posturas totalmente distintas.
O fato é que não houve efetivamente uma discussão aberta e consolidada sobre o ENADE, muito menos sobre as condições do ensino superior de uma maneira geral e não apenas do curso de Ciências Sociais do CCH ou de indivíduos, ou turmas como alguns preferem, isoladas. Com relação a isso não me eximo pois fiz parte do CA ciso e do DCE da UENF durante alguns anos da graduação. Como essa, inúmeras outras falhas podem ser apontadas.
Como digo não ter conhecimento de causa sobre o ENADE e como tal ignorância não parece ser minha exclusividade, gostaria que me respondessem se é realmente possível (do ponto de vista jurídico ou constitucional e não com relação a nossa rica imaginação) que algum individuo - após os quatro anos de sua graduação - seja impedido de receber o diploma por não ter feito o ENADE?
O mais preocupante é observar o quanto nenhum de nós está apto para defender ou repgunar essa avaliação, afinal o debate só começou pela nota baixa. Não deveríamos começar do começo?
Os tais livros na estante tem ainda alguma importância?
Em tempo: e os demais alunos que aderiram ao boicote, onde estão eles?
Cordialmente,

Roberto Torres disse...

Oi Yolanda,

concordo que o debate pecou em nao detalhar os pressupostos do Enade. Talvez podemos fazer isso no texto que o Paulo pos ontem, ou em outros.

Um abraco

George Gomes Coutinho disse...

Yolanda,

O debate aqui trabalhou com um pressuposto apenas, o que chamamos de "participar ou não das regras do jogo". Ao menos creio que isso foi explicitado, o que inclui apresentar o currículo oculto na vida acadêmica realmente existente brasileira. Com ares de um realismo até cruel. mas, pedagógico e necessário.

Mas, não compreendi um ponto na sua intervenção.... Discutir se o enade é judicializável ou não envolve avançar para qual direção? O texto do Paulo ilustra muito bem que há a obrigadoriedade curricular dos estudantes selecionados participarem. O enade aqui é visto como momento da formação. E a universidade parece operar por regras que são, oras, escolares. E não estritamente judiciárias.

Neste sentido, como uma obrigação escolar, o boicotar o enade tem sido discutido como um boicote a uma das muitas avaliações que realizamos durante a trajetória acadêmica de qualquer estudante. A despeito de área.

Abçs

George

fredgranico@yahoo.com.br disse...

Xacal perde ótimas oportunidades de nada falar...

"com todo respeito aos demais, george, brand, bill, vitor e demais debatedores...esse "garoto-danoninho" é um bunda-mole..."

E termina seu post me chamando (quase) pra porrada.

Sinceramente, é incoerente nessa postura me xingar de "déspota"... Afinal simplesmente estou conversando, expondo meus pontos de vista.

A sua falta de postura numa discussão dispensa qualquer argumentação, aliás deve ser por falta de argumentação que se dá ao luxo de perder suas palavras (e cobrar a atenção das outras pessoas) com tão vãs posicionamentos (baixaria!).

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ENADE é agressão à Autonomia Universitária. Somos nós quem decidimos o que aprender, como desenvolver o curso e não o ESTADO! Fortalecer o ENADE (fazendo a prova), legitimando-o, é permitir o fortalecimento de um potêncial instrumento de coerção.

Para a idéia de que o Governo Lula criou o ENADE (a partir do antigo Provão, de FHC) pensando na qualidade do ensino superior, eu digo que é ingênua.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

MAS O QUE É MAIS IMPORTANTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Os estudantes têm direito de decidirem sua conduta conforme lhes pareça ou não justificável: eis o direito da liberdade.

Noutro sentido, fortaleço a posição das companheiras e companheiros que falaram antes de mim (com posição parecida à minha): De que adiantou o ENADE para o CISO? 13 professores evadidos? O curso caindo aos pedaços?

Vocês deveriam gastar o ódio (de alguns) e a atenção (de todos) com discussões mais sérias! Ao invés de se sentirem ultrajados quando alguns se levantam para discutir sua realidade, ao invés de caminharem o caminho pisado da ignorância, de simplesmente seguir cegamente à lei, deveriam sim discutir assuntos mais sérios.

Não me refiro a um debate sobre o ENADE, mas ao ódio que esse debate causa, às acusações de "revolucionarismo"...

É de um teor conservador acusar todos que pensam diferente de nós de "revolucionários", ou "revolucionários de boteco", ou "playboys filhinhos de papai"...

O que está sendo discutido com esses termos???

NADA! Só demonstram as crises existenciais que possuem consigo mesmo.
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Vamos assumir uma coisa aqui, a qual alguns parecem estar dispostos a assumir, outros não.

NOSSA SOCIEDADE ESTÁ IMERSA EM UM GRANDE ENGANO. EM UM GRANDE ERRO...

E aqueles que boicotaram o ENADE assim o fizeram por achar que precisam criticar algumas coisas, assim o fizeram porque acharam que algumas coisas precisam ser melhoradas - URGENTEMENTE, eu diria -.

Não adianta se esconderem de vossas responsabilidades desumanizando-nos, como se fôssemos imbecis, pseudo-revolucionários, bunda-mole.


Isso não adianta.
Isso dificulta um debate sério.


Estamos pensando em organizar um debate na UENF sobre o ENADE. Por que não gastam vossa energia com coisas mais produtivas do que insultos? Por exemplo organizando um debate de verdade, um movimento de verdade, que questione nossa realidade, que proponha coisas novas que precisamos?!

Enfim estamos pensando nessa possibilidade, acaso tenhamos tempo e tesão, volto a me comunicar sobre...

Grande abraço
Desculpem o comentário disconexo.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

Não vejo problema nenhum em se negar a realizar uma atividade acadêmica em nome de um posicionamento mais amplo, crítico.

Que valor há em cumprir com a "Obrigação Acadêmica" se não se vê um valor social nisso?

Acaso a academia possui um valor em si?

Não vejo.

Xacal disse...

zzzzzzzz...!!!

leiam isso:

"NOSSA SOCIEDADE ESTÁ IMERSA EM UM GRANDE ENGANO. EM UM GRANDE ERRO..."

pelamordedeus, que tipo de imbecis estão sendo graduados nessa espelunca...???

fechem essa joça, rápido...os resultados podem ainda piorar mais, se idiotas como esse resolverem fazer o ENADE...

senhores, senhores, senhores...como se não bastasse, ainda escreve "disconexo"...ui...! mataram o CCH, e agora, de quebra, matam a língua pátria...

é, talvez o pobre alquimista das pseudociências sociais tenha razão: isso tudo é um grande engano...

faça o seguinte, fred: esqueça meus impropérios, e tente responder às questões formuladas pelos seus pares...quem parece querer desviar a atenção para as minhas "supostas" baixarias é você, quem sabe, para desqualificar a tese pelo interlocutor, uma vez que não sejas capaz de enfrentar aqueles que teme, ou seja: os que fizeram aquilo no que você fracassou: uma bela carreira acadêmica...

leiam outra pérola do pobre rapaz, veja que não há necessidade de rebate, é só apontar o quanto é ridículo seu pobre falatório:

"Não vejo problema nenhum em se negar a realizar uma atividade acadêmica em nome de um posicionamento mais amplo, crítico.

Que valor há em cumprir com a "Obrigação Acadêmica" se não se vê um valor social nisso?

Acaso a academia possui um valor em si?

Não vejo"...

o pior cego não é aquele que não quer ver...o pior cego é aquele que só vê o que quer...!!!


PS: como eu supunha, você não aceitou o convite para me dizer os "impropérios" que você tinha para dizer(palavras suas)...além de pouco capaz intectualmente, falta a coragem...uma farsa completa...

senhores, por mim essa discussão com esse beócio já está encerrada...

já "acendi muita vela pr'á pouco defunto"...

Roberto Torres disse...

Fred, existem críticas substanciais que nós levantamos. É um erro voce dizer que nao estamos discutindo questoes importantes, sérias. O Enade foi apenas o comeco de uma discussao que gira em torno da questao de se é ou nao justificável a obrigacao de um estudande de Universidade Pública de ser avaliado pelo Estado. Estamos com isso debatendo questoes sobre a nocao de liberdade, de bem comum, de indivíduo e de Estado, e de sociedade civil.

As qualificacoes pessoas sao justas e adequadas, a meu ver, na medida, e somente na medida em que apontam e criticam posicoes no debate, posicoes que sao pessoais.Para que o debate seja o reino dos argumentos é preciso a todo tempo limpar o terreno, mostrando nossas incoerencias e os pressupostos fora de foco que informam nossas posicoes. Entao, quando, adjativacoes como "esquerdismo, doenca infantil do comunismo", nao é para chamar ninguém de "infantil" strictu sensu, mas para dizer que uma determinada posicao política é infantil, inócua.

Numa de suas últimas postagens voce diz o seguinte: "Os estudantes têm direito de decidirem sua conduta conforme lhes pareça ou não justificável: eis o direito da liberdade". Ou seja, voce afirma que somente os estudantes tem o direito de regular a sua própria liberdade. Cara, o que é isso? Como voce quer que seja qualificada uma concepcao como essa?

Entao quer dizer que o público interessado, eu, inclusive que nao sou mais um estudantre da Uenf, nada pode dizer sobre a conduta de voces enquanto estudantes?

Chamando isto de arrogancia, o que eu estou fazendo? Te ofendendo pessoalmente.. nao posso lhe impedir de se sentir assim caso se surpeenda com o titulo compatível com tal concepcao de liberdade. Para mim, estou elucidando o pressuposto, a disposicao irrefletida, que nomeio arrogancia, da concepcao de liberdade que voce nos apresenta.

Um abraco

fredgranico@yahoo.com.br disse...

Não acredito que em todas as minhas falas só encontrou UM ÚNICO ERRO DE PORTUGUÊS. Não acredito, leia melhor, devem haver vários outros!
:)

Erro muito no português porque talvez eu seja um burro, imbecil, idiota, fracassado academicamente...
Realmente estou em frangalhos...

Xacal, sua arrogância não me insulta.

Não perderei tempo lhe xingando pelo e-mail, como você solicita, o que eu ganho com isso rapaz? É isso que chama de coragem? Xingar uma outra pessoa que nem se conhece? A isso eu dou outros nomes, não tão positivos como "coragem", mas negativos.

Pelo menos chegamos a uma conclusão. Não há nenhuma razão para essa nossa discussão idiota. Penso que é assim porque você cisma em pautar o debate em agressões pessoais. Você pensa que é assim porque eu sou imbecil. Então vamos fazer melhor do que estamos fazendo... Vamos calar a boca.

um grande abraço, pena não poder dizer que foi um prazer.

fredgranico@yahoo.com.br disse...

"Numa de suas últimas postagens voce diz o seguinte: 'Os estudantes têm direito de decidirem sua conduta conforme lhes pareça ou não justificável: eis o direito da liberdade'. Ou seja, voce afirma que somente os estudantes tem o direito de regular a sua própria liberdade. Cara, o que é isso?"

Perceba que o "SOMENTE" foi você quem disse, não eu.

Quando debato aqui acabo generalizando algumas argumentações, mas me refiro em especial a algumas posturas. Acho válido o debate, acho válido que discutamos "liberdade", "bem-comum"... Você me conhece, sabe que não tenho nada contra estas discussões, ao contrário: Precisamos discutir é muito mais (não só discutir, mas agir - essa é outra história).

Peço desculpas se soou arrogância a minha afirmação de que os estudantes têm liberdade para agirem conforme achem correto. Não quis dizer com isso que não devemos debater o nosso "correto" publicamente, definitivamente que não foi isso.

Só quis dizer que as pessoas não têm direito de nos desqualificar por conta de uma posição política que - como estamos debatendo - é defensável.

Podemos discordar... Se discordarmos com maturidade, provavelmente, iremos avançar no debate, pois acredito SINCERAMENTE que a grande maioria aqui sonha sonhos muito parecidos para o nosso país... Sendo realmente só uma questão de conversarmos e nos entendermos...

Estou cobrando simplesmente - quando alego nossa liberdade - que nos respeitem, a nós e a nossos posicionamentos.

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Sinceramente Roberto, não sejamos hipócritas, a postura de muitos nesse debate mostra algo mais que discordância: mostra preconceitos sérios e perigosos. Capacidade de desumanizar o outro com uma facilidade que me assusta.

Se tudo o que você tem a dizer sobre isso é endossar o tipo de posicionamento fascista que foi demonstrado nestas linhas, então sinto lhe informar que fico decepcionado com você.

-> Não me refiro ao posicionamento do George, que em meio a tantas agressões pessoais sequer tive tempo de debater... George se posiciona com muita elegância, e se cita o texto de Lênin eu aceito essa citação, esse lembrete de que não devemos ser simplesmente 'rebeldes sem causa', esquerdistas despolitizados. Embora eu não concorde que essa caraceterização se aplique ao ENADE, respeito o argumento.

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Acho que isso de escrevermos sem nos olharmos facilita um excesso (excesso está escrito corretamente?) desnecessário e improdutivo.

Somos todos latino-americanos, acredito sinceramente que no fundo temos sonhos parecidos. Não vejo razão para alarde, mas para trablharmos seriamente e construirmos.

Não adianta descobrir aqui nesse debate quem é o imbecil, quem é o infantil, quem é o arrogante...

É isso que se quer? Debater até concluirmos quem é um grande idiota?

Se for por aí, então desqualifico este espaço.

A falta do respeito dificulta o debate.

grande abraço.

lucas disse...

então rapaziada, pra quem não me conhece, meu nome é lucas, sou da turma em questão, não boicotei o enad. Não sou nenhum gênio da sociologia, tampouco me considero um imbecil, enfim tenho umas opniões sobre essa polemica toda.

1)acho muito cômodo quem se utiliza de anonimatos mil para vir até aqui e ofender seja quem for, ao menos mostrem quem são ora bolas!

2)acho muito triste que o respeito em debates seja obtido simplesmente por títulos acadêmicos ou pelo nível de prolixidade, ou uma combinação dos dois, linguagem pra mim é comunicação, e, francamente, uma palavra digitada errada pode ser contornável pra quem quer se comunicar de fato.

3)fiz a prova, não por concordar com a política educacional, mas pelo aspecto simbólico em relação a consolidação da uenf, que passa também por esses aspectos institucionais formais, creio eu.
(por sinal, uma prova que na minha opnião, não disse muito, técnica no pior sentido da palavra)

4)Não acho que ser um bom cientista social seja dominar autores e uma linguagem de um campo científico específico, apesar de isso ser importante também. Ainda bem que existem várias concepções de ciencia de maneira que não acho nem um pouco absurdo ver pessoas que acreditam em outras formas de ciencia.

5)aproveitando a deixa, acho que a ciência envolve a crença também, opções pessoais são feitas na construção científica, não acredito numa razão pura ou numa objetividade absoluta.

6)concordo quando dizem que a ação dos alunos do boicote não foi ideal, porém não me sinto ofendido pela ação deles.Acho plausível em tempos onde vemos a razão e a ordem serem usados das maneiras mais absurdas possíveis.

7)conheço pessoas da turma, desse blog também, e como alguém disse aí atrás, isso é um debate, um diálogo, discordar não quer dizer que as pessoas tenham que relembrar briguinhas de quinta série.

8)"atire a primeira pedra" quem não tiver nenhuma contradição.

Roberto Torres disse...

Eu queria dizer, e enfatizar isso, que concordo com o Fred, o Lucas e o Daniel, que nao é desejável, bom, honesto e nem inteligente, ter como meta de um debate, a conclusao de que uns sao imbecis, arrogantes, isso ou aquilo. Peco desculpas se cai nesta tentacao.

Todos nós somos cheios de contradicoes, algumas das quais buscamos superar, outras das quais nao, e o espaco publico nao é o lugar para mapear isso. Eu acredito que a identificacao das contradicoes "pessoais" so faz sentuido enquanto identificacao de posicoes pessoais contraditórias, ne medida em que estas comprometam o debate. De resto somos todos "pecadores" e ninguem tem moral para atirar pedras, a nao ser em casos bem determinados e extremados.


Acredito que sonhamos coisas parecidas como projeto de país sim, embora no momento estejamos em lados diferentes, já que identificamos no governo Lula o curso de um processo de transformacao social de proporcoes radicais, enquando voces acham que nao.

Mas isso faz parte da vida e da democracia. Espereo que tenhamos aprendido um pouco com nossas posicoes.

Um grande abraco

George Gomes Coutinho disse...

Caros,

Eu não ia realizar mais nenhuma intervenção. Apresentei elementos objetivos que, creio, justificam o meu repúdio político a uma ação política determinada. Portanto argumentos judiciais, psicológicos, existenciais não participam aqui do que estamos fazendo: debatendo a ação coletiva e ações vinculantes correlatas. É isso que se trata a ação política. A resolução de dilemas da ação coletiva ante a criação de decisões vinculantes.

Neste tocante gostaria de solicitar que o discurso da "desumanização" fosse ocultado, excluído. Não somos pretores romanos jogando pobres e esfarrapados cristãos aos leões. Não é um debate entre bem e mal como o rótulo de "desumanizadores" de forma maniqueísta insiste em apresentar.

Tampouco possuímos uma pedra filosofal capaz de torná-los outra coisa que não humanos. Por favor. Igualmente não se trata de um debate moral acerca do caráter individual de quem quer que seja. Tratam-se de críticas políticas a um ato político. Reitero: UM ATO POLÍTICO. E a partir disso discutimos as consequencias institucionais disto. Ponto.

Se vocês tomam um ato político e não crêem que seja fundamental debater no espaço público, é melhor reconsiderar sobre a atuação política de vocês. Ações políticas precisam sim ser pensadas e discutidas no espaço público e a ação militante não é ungida de nenhum elemento que a exima disto.

Acreditar que o ato de militância não precise de maiores explicações é apostar na metafísica da classe trabalhadora como a senhora de todas as verdades. Ora, se estamos com a classe trabalhadora, quem está contra nós??

Vou me ater agora em diante sobre a observação de Fred sobre Lenin. Foi esta a minha motivação para escrever este comentário.

Fred, citações, como poderia afirmar qualquer manual acadêmico mediano, não são pinçadas para que concordemos com elas ou não. Elas são retiradas de seu contexto original para ilustrar, usualmente de forma exemplar, um determinado conceito, atitude, conjuntura histórica....

George Gomes Coutinho disse...

O que eu queria dizer ao citar o "esquerdimo, doença infantil do comunismo"? Ora, citando mais uma vez Lenin, que vocês não fizeram a análise concreta da situação concreta.

Lenin é um autor da política do século XX extremamente rico e contraditório. Oscila entre o líder revolucionário apaixonado (vide as "Cartas de Fora", "Que fazer", "Cartas da Revolução") e o pragmatismo da realpolitik.

O objetivo de vocês, confessadamente, era o de ilustrar duas coisas com o boicote:

a) a denúncia de um estado de coisas onde por uma verdade secular revelada vocês enfrentam os inimigos de sempre: neoliberalismo, privatismo, FMI, o Estado opressor;

b) A defesa intransigente da universidade pública.

Não vou discutir em detalhes ambos elementos. Vou me ater ao "item b".

A citação de "esquerdismo do Lenin" deriva de um contexto. Lenin profere um senhor esporro na esquerda que se recusaria, por princípio, a participar da chamada "democracia burguesa". Por esta ser a antítese de uma política libertadora, determinados companheiros optaram por uma luta clandestina (o terrorismo) mesmo que houvesse a possibilidade real de propagar o ideário comunista em uma via legal no espaço das eleições regulares.

Lenin define como "esquerdismo", uma doença da imaturidade política, esta CONDENAÇÃO POR PRESSUPOSTO de qualquer tipo de atuação institucional por esta ser definida como "burguesa", "autoritária", "falsa consciência". Neste ponto diferenciamos a idéia de tática (ação de curto prazo) e estratégia (metas de longo prazo). Taticamente é fundamental participar das instituições legais. Estrategicamente é igualmente fundamental não se perder de vista a possibilidade de transformá-las.

Portanto a crítica aqui ao boicote é uma crítica à tática. Todos aqui somos defensores da universidade pública. Todos militamos igualmente, em outro momento, em prol da universidade pública. Fizemos barricadas, acampamentos, enfrentamentos físicos...

Todas as ações da militância em prol da universidade pública.

Mas, nunca deixamos de nos utilizar dos mecanismos institucionais em prol do prestígio da nossa instituição. Sempre compreendemos que se faz necessário uma ponte de ligação entre nós e quem nos custeia (a sociedade). Essa é a outra face da tática. Não só os meios militantes, mas, os meios institucionais para ilustrar que o dinheiro público é bem empregado.



Isto é uma forma de defender a universidade pública ante uma opinião pública pouco refratária às verdades seculares reveladas pela esquerda. Taticamente vocês se equivocaram. Deram um tiro em quem juraram defender. No caso, nem tanto a universidade, mas, entregaram o curso de ciências sociais à crítica dos leões que consideram o emprego de dinheiro público nas humanidades uma perda de tempo.

Em prol de uma negativa por pressuposto. Isto sim é o esquerdismo denunciado por Lenin. E é perfeitamente adequado para ilustrar a atitude e as consequencias de um boicote que afetou um curso que precisa justificar diariamente sua existência ante um cenário pouco acolhedor em uma universidade confessadamente tecnológica. Entenda que os "outros" podem errar. Nós não. A ação política que se recusa a passar pelo crivo da reflexividade não pode ser mais do que esquerdismo. Lenin estava, desta vez, correto.

Grande abraço,

George

Anônimo disse...

Caros,

Não concordo que possamos equiparar o enade às demais avaliações pelas quais passamos no ensino superior. Considero negativo o fato de todas as universidades sejam submetidas a uma prova uniforme haja vista que os curriculos são diferenciados. Na minha opinião, trata-se de uma padronização excessiva que não leva em conta as caracteristicas e potencialidaddes de cada curso, de cda universidade, seja ela pública ou privada. Mas nem tudo é ruim no enade, isso é verdade. Um dos criterios é a avaliação das ESTRUTURAS físicas dos centros de pesquisa, o NUMERO de professores, bem como sua qualificação. Assim, os colegas favoráveis ao enade são ingênuos - ao culpar os alunos que boicotaram - pelo mau desempenho do curso, pois foi também levado em conta algo que falta (e muito) ao CCH. Nesse caso, ao invés de retirar investimentos, o centro deveria receber apoio financeiro e institucional, começando pela reposição salarial dos docentes (não só do CCH, é claro)…
- Tenho, ainda, uma pergunta: quais foram as melhorias para o curso desde e a “conquista” da nota máxima em anos anteriores? o CCH cresceu desde então? Enfim, o enade é uma ganho em que medida?
O movimento do boicote foi arbitrário por não propor discutir democraticamente a atitude a ser tomada. Uma posição politica não em si equivocada, mas contraditória, pois exige um movimento de adesão, publicidade da questão e dos argumentos, enfim, algo que não ocorreu.
George, em relação a judicialização do enade, gostaria mesmo de saber se essa obrigatoriedade curricular a qual se refere existe mesmo, só isso. Devo ter me expressado mal!?
Por favor respondam a pergunta elaborada anteriormente

abraço

Yolanda

Vitor Peixoto disse...

Prezada Yolanda,

Irei lhe responder por acreditar que seus argumentos são bastante pertinentes e a forma que os postou demonstrou elegância e educação. Algo fundamental para que ocorra um debate qualificado.

Vou deixar as questões judiciais de fora por me julgar incapacitado para opinar sobre o assunto. Irei me concentrar em dois aspectos da avaliação, quais sejam, a universalidade dos temas no Enade e os demais quesitos como infraestrutura e formação dos docentes.

O primeiro ponto a destacar refere-se ao caráter não paroquial da prova. Por mais que existam heterogeneidade dos currículos das Ciências Sociais, a disciplina possui uma série muito maior de pontos universais que não se restringem (tautologimente!) às questões paroquiais. Temas como desigualdades (questão explorada no Enade em três questões objetivas e outras tantas possíveis de exploração nas discursivas) não são restritos à Bahia ou ao Rio Grande do Sul. Parte-se do princípio que TODOS os estudantes de Ciências Sociais tenham capacidade de formular e responder questões sobre o tema - por mais que a região seja uma variável importante. A prova também explorou uma série de questões teóricas, que igualmente deveria ser dominada por todos, independentes da unidade da federação em que se encontram os alunos, ou mesmo País! O argumento a favor do paroquialismo é um equívoco extamente por defender que as especificidades regionais devem ser tratadas somente por aqueles que residem nelas. Por isso, não se sustenta. Regionalização do tema ainda é aceitável, mas jamais do conhecimento!
Em minha concepção, um dos maiores desafios do Enade não consiste em questões paroquiais, mas sim em conceber perguntas cujas respostas não são passíveis de consenso na área. As Ciências Sociais possuem muitos desacordos, e isso não é uma fragilidade, muito antes pelo contrário; mas há de se considerar o desafio e enfrentá-los tentando resgatar questões consensuais mínimas. Isso pode não ter sido observado na questão sobre corrupção e fragmentação partidária - mas volto a repetir: isso é um desafio, não uma impossibilidade!

Continua...

Vitor Peixoto disse...

Continuação...

O segundo ponto concerne à avaliação da infraestrutura e à formação dos docentes, e nestes aspectos a CISO na UENF está muito melhor do que seus pares. Para observar essa questão, aconselho verificar a posição geral das Ciências Sociais (36ª colocação) e o posicionamento na prova do Enade (54ª colocação). Ou seja, o incremento dos outros quesitos que não a prova em si foi o que não possibilitou ser o resultado pior. Infelizmente, isso não é para ser comemorado, pois sabemos que a situação de outros cursos é péssima.

Outra questão apontada por você, muito bem apontada por sinal, refere-se aos ganhos da boa colocação no Enade anterior e suas conseqüências. Por mais que não percebamos que houve ganhos materiais imediatos, pode ter certeza que impossibilitou perdas consistentes. Como já foi dito aqui, o CCH foi um acidente dentro da concepção da UENF, e sempre recebeu menos recursos (com a falsa justificativa que as Ciências Humanas não precisam de equipamentos, apenas livros. Uma falácia! A realização de surveys é cara e exige recursos humanos e tecnológicos muito específicos, por exemplo). A posição interna do CCH na UENF é uma variável que foi negativamente afetada com o baixo desempenho no Enade. Dou-lhe um exemplo: como sustentar a criação do curso de licenciatura em Ciências Sociais (o que exige recursos consideráveis) se o bacherelado demonstrou-se ineficiente? Não tenha dúvidas quanto a utilização da nota no Enade contra o CCH.

Por fim, a concepção do Enade é absolutamente diferente do antigo Provão. E os ganhos são muitos. Destaca-se, por exemplo, a consideração de aspectos para além do desempenho do egresso, tal qual a comparação com os ingressantes que não existia no provão. As verificações in locus das instalações, bibliotecas; assim como a avaliação dos professores.

Não obstante os apontamentos acima, o Enade ainda precisa ser reformulado em uma série de pontos. Como a periodicidade (que deveria ser anual), como o fato de somente se inscreverem os alunos que realmente se formaram (alguns alunos que prestaram o último Enade não se formaram, e pelo que eles mesmo me disseram, alguns não se formarão nem no próximo ano, pois repetiram disciplinas que trancam outras tantas), maior participação das coordenações de curso na confecção da prova, etc. Entretanto, são aspectos para serem aperfeiçoados ao longo do tempo e com muita prática também.


Grande abraço e seja bem-vinda sempre aqui neste espaço.

Vitor Peixoto

George Gomes Coutinho disse...

Prezada Yolanda,

Também não tenho clareza sobre a obrigação judicial do aluno, para se formar, se estando na amostra aleatória realizada para realizar o Enade, se este não terá direito ao diploma caso se recuse a fazer o exame.

Entendi que sim. Mas, entre meu entendimento e o que diz o direito positivo há, sem dúvida, grande distância.

Só irei complementar alguns elementos apontados pelo Vitor.

Bem, desculpe-me começar com um elemento fático inegável: há parâmetros curriculares nacionais sim. Um médico no Amapá deve ter elementos em sua formação em nada inferiores a um médico formado na UFRGS. Os parâmetros curriculares nacionais, regulados pelo MEC e pelos profissionais, colocam elementos de formação do graduado em todo o território nacional.

Se assim não fosse seu diploma não valeria nacionalmente. E este, neste momento, é o maior imbróglio para termos diplomas válidos no Cone Sul. O que se exige consensualmente minimanente para que se tenha um bacharel no Uruguay não é o mesmo na Argentina e daí por diante.

Isto já nos permite compararmos sim os cursos. Seja no Ceará ou em Santa Catarina. Isto faz com que sejam aplicáveis questões objetivas que um sociólogo virtualmente deve saber. Tal como o Vitor apresentou.

Também creio que há uma confusão. O índice final, ao qual Vitor se refere e onde entram os professores, estrutura e etc, é o chamado CPC (Conceito Preliminar de Curso) + a nota do ENADE. O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, perdoe reiterar o ululante, é sobre os ESTUDANTES exclusivamente.

O CPC da UENF não ficou tão baixo por conta da infra-estrutura, que se é insuficiente, ainda é comparativamente melhor do que a maioria das outras instituições. O CPC, onde entra docentes + infra permitiu um resultado menos vexatório. Se nós pegarmos somente o ENADE, onde entra o desempenho dos estudantes, aí sim temos o desastre da nota 2 e a colocação entre os 30 piores cursos do Brasil.

Quanto às suas outras perguntas eu recomendo ler atentamente as exposições aqui realizadas e o texto, bastante claro, do Paulo Sérgio. Trata-se de uma sugestão apenas dado que argumentamos sobre o que está em jogo quando se discute o boicote e uma nota ruim no enade. Afinal, cabe inverter e perguntar quais os ganhos objetivos do boicote no curto, médio e longo prazo.

Resumidamente ao mantermos um alto nível estamos lutando bravamente por um capital escasso, o prestígio, sobre o qual deve-se ler atentamente Bourdieu para compreender.

Por fim, desculpe-me se não compreendi perfeitamente o sentido da sua questão. Estava clara sim.

Abçs e reitero o que Vitor disse. Seja bem vinda.

George

George Gomes Coutinho disse...

Caros,

No trecho "O CPC da UENF" leia-se "O CPC de Ciências Sociais na Uenf".

Anônimo disse...

Caros,

Não tenho dúvidas sobre a existência de parâmetros curriculares nacionais e que estes devem continuar a existir, bem como do consenso sobre diversas questões concernentes às ciências sociais. É claro que isso permite uma comunicação prévia entre pares e a consolidação do campo científico, embora as divergências sejam também muito valiosas, como bem sabem. A padronização que considero excessiva diz respeito a não participação das coordenações de curso na elaboração da prova, pelo menos acredito que isso não ocorra. A despeito do formulário onde o estudante pode fazer criticas, não acredito haver participação dos membros da comunidade cientifica na elaboração da prova, de modo amplo, digo.
Desde o meu primeiro comentário deixei claro não ter conhecimento sobre a prova, por isso errei ao considerar a avaliação sobre as condições estruturais e a prova de conhecimentos sob a mesma denominação, de enade. São parametros distintos que se complementam, entendo. O CCH, então, apesar de uma biblioteca defasada, de poucos professores concursados em atividade, entre outras questões, está a frente de outros 35 cursos no Brasil!?
O fato do CCH receber menos recursos com relação aos demais cursos da UENF não é uma exclusividade. Em todos os tempos e universidades os cursos de humanidades são preteridos diante das areas ‘duras’, fato.
Victor, não estou de acordo com a impossibilidade de reivindicar a licenciatura em Ciências Sociais ou mesmo a implantação de outros cursos no CCH em função da nota no enade. Contra ou a favor, o movimento de boicote ocorreu e isso não equivale a uma ineficiência comprovada do bacharelado, peloamordedeus….
Na minha opinião, os alunos que boicotaram devem se preocupar em explicitar seus motivos e adotar uma posição pública sobre a questão. Não podemos depender do enade para (des)legitimar recursos para as ciências sociais. A luta esteve desde sempre travada.
George, quanto as minha dúvidas, elas não haviam sido esclarecidas nos tópicos anteriores, definitivamente, e muito menos pelo que vivencio em nosso Centro.
Entendo a postura de utilizar o enade como uma mecanismo de pressão, mas não acredito ser a melhor maneira de provar um ‘alto nível’ do curso. O erro do movimento de boicote, reitero, foi não discutir democraticamente suas justificativas e debater suas consequências. Afinal, se tivessem feito assembléias ou reuniões sobre o tema e os alunos entendessem que o boicote é justificavel, não poderíamos desqualificá-lo.

Valeu pela recepção respeitosa no debate,
abçs

Yolanda

George Gomes Coutinho disse...

Prezada Yolanda,

Também, enquanto sugestão, recomendo a leitura deste texto aqui: http://www.enap.gov.br/downloads/ec43ea4findic-curso-texto.pdf

Do mesmo autor há um outro texto, não achei na internet:

JANNUZZI, Paulo de Martino . Considerações sobre o uso, mau uso e abuso dos indicadores sociais na formulação e avaliação de políticas públicas municipais.. RAP. Revista Brasileira de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, p. 51-72, 2002.

O último eu tenho em xerox.

Você verá que em todo processo de elaboração de índices/indicadores há o risco de termos "déficits democráticos": isto implica que nem sempre todos os membros de uma comunidade serão consultados. Dentre outras razões, que não sao apenas autocráticas, envolve-se o tempo e os custos operacionais para fazer isso.

Provavelmente uma assembléia com os coordenadores dos 84 cursos duraria meses... sem atingir um consenso mínimo. Isto se ficarmos só nos cursos de ciências sociais. Imagina assembléias com todas as graduações! Isso inviabilizaria qualquer tomada de decisão.

Todavia, como vc verá no(s) texto(s), isto não significa que os índices/indicadores de avaliação sejam menos necessários. Falamos aqui do Enade e do CPC. Na verdade, na conjuntura onde não temos outros elementos para avaliação dos cursos, só estes, sim torna-se fundamental participarmos do Enade. Algo que a pedagogia fez e obteve uma resultado excelente.

O Enade deve ser aperfeiçoado enquanto indicador de aprendizagem. Mas, não deve ser simplesmente ignorado ou boicotado. É preciso entender que critérios de avaliação das políticas públicas fazem parte da rotina de qualquer Estado democrático. Querem os colegas do boicote entenderem isso ou não.

Neste momento perante a opinião pública o Enade é sim uma via de legitimação de gastos públicos no ensino superior. Concordemos ou não. Por isso nosso esforço em defender a avaliação. Que se não fosse essa, que fosse outra, mas na ausência de alternativas participamos daquilo que é proposto. Até o momento em que apareçam outras e, quem sabe, melhores vias de mensurar ensino/aprendizagem no ensino superior.

Por fim concordo com vc em um ponto:
"O CCH, então, apesar de uma biblioteca defasada, de poucos professores concursados em atividade, entre outras questões, está a frente de outros 35 cursos no Brasil!?"

É de fato chocante... mas, imagina a estrutura dos outros cursos... Já vi in loco algumas estruturas e de fato a coisa é de chorar. Basta lembrarmos q houve um tempo em que nem a biblioteca dos estudantes do IFCS/UFRJ, nos anos "dourados" do FHC, poderiam entrar.

Meu sonho de consumo é a biblioteca do IUPERJ ou da USP... Mas... há mesmo lugares infinitamente piores em que nem se sonha com a digitalização do acervo para consulta na internet. Recomendo olhar a biblioteca da UFF-Campos para ver bem o que estou dizendo.

Abçs

George

Xacal disse...

ainda bem que não fizeram o exame...o "desastre" poderia ser bem maior...

fred, criança, quem fez menção a milhares de impropérios foi você, não eu...

creio ter ficado claro aqui, sua incapacidade de debater qualquer tema...

perdoem-me os demais debatedores, mas o exageros do "personagem" são instrumentos "pedagógicos" para imbecis desse tipo: provocam uma reação agressiva, e depois correm para, embaixo da "saia da mamãe", reclamares da violência com a qual foram tratados...

é o dito popular: abusam do direito de serem fracos...

mas nada tema, ó fred, eu mesmo me encarrego de te achar, e quem sabe, você poderá me dizer o que acha de mim, pessoalmente...

um abraço, criança, e até breve...

Vitor Peixoto disse...

Prezada Yolanda,

Quanto a sua proposição que diz:

"Victor, não estou de acordo com a impossibilidade de reivindicar a licenciatura em Ciências Sociais ou mesmo a implantação de outros cursos no CCH em função da nota no enade. Contra ou a favor, o movimento de boicote ocorreu e isso não equivale a uma ineficiência comprovada do bacharelado, peloamordedeus…."

Eu não afirmei em momento algum que há impossibilidade, entretanto, negar que a nota no último Enade criou dificuldades seria demasiadamente otimista e incauta. Seria fechar os olhos para a luta interna e externa por mais recursos, onde outras instituições e mesmo outros cursos dentro da UENF se lançam com todas as armas na luta por um bem que é absolutamente escasso.

Como apontou o George, não importa o que pensemos sobre o que significa o Enade, o fato é que já está institucionalizado pela comunidade academica como uma avaliação válida e confiável da politica educacional.

Independentemente da justificativa moral da ação (das quais discordo absolutamente), as consequencias para o curso de Ciências Sociais provocadas pelo boicote serão inequivocamente negativas. A ação coletiva do boicote não aconteceu entre todos os egressos de CISO (vide a média de 37.qualquercoisa), muito menos entre todos os cursos da UENF. Existem jogos dentro de jogos, ou seja, a luta não se restringe somente entre a UENF com as demais Universidades, mas entre os cursos da própria UENF. As consequencias serão exponenciais por conta dessa simultaneidade.

Mais claro: ninguém irá tratar as ciências sociais da UENF como uma pobre coitada que sofreu um boicote na prova do Enade. Não tenha dúvidas, utilizarão o Enade contra o curso. E isso irá dificultar ainda mais sua institucionalização, independentemente da opinião dos boicotadores.

Não adianta imaginar que irão todos dar as mãos e cantar glória à terra, ao mar e à natureza. Lamento informar, o projeto de solidariedade cristã não decantou na realidade.


Grande abraço,

Marcela Pessôa disse...

aih, aih..
o Enade é tão eficiente quanto a política do "passe para a frente" do Ensino Médio...
...

Sim, o Enade é institucionalizado...
pelo academicismo reinante neste país, que tenta encontrar na quantidade a qualidade...
(tenta!... sabe como é!!!)

Lição de casa:relacionar os números do "crescimento da educação" no Brasil com o apoio dos órgãos financeiros internacionais...
...

Ano passado mesmo tinha uma propaganda escancarada (e falseada) na tv sobre isto(aquele em que uma moça sobe): os "degraus do desenvolvimento da educação nacional"...
E, nossa... Como a educação no Brasil vai bem... mal!
...

Lembro-me do comentário de um professor NOSSO sobre os procedimentos que as instituições particulares realizam para aumentar suas notas no ENADE... Inteligentes...mas, isto não cabe aqui...
...

Eu me lembro das perguntas da prova...
Os colegas já tiveram o interesse de ter em mãos a prova que fizemos?
(ou não fizemos... tanto faz!)
...

Lembro-me também que a Marlúcia teve um ataque de risos na questão do Malinowsky!!! haha...
...

Definitivamente, não é aquilo ali que vai testar a minha capacidade, tão pouco o dos meus digníssimos colegas...
Alguns dos quais, inclusive tive vários arranca-rabos durante a graduação, (não é Fred?!) mas que, no entanto não perdem a minha admiração, mesmo que sejamos assim, tão diferentes...


Eu me lamento por não ter aderido ao boicote...
Faltou-nos todos uma conversa franca sobre a coletividade da ação...
Mas...
isto (infelizmente) é normal numa universidade onde tão poucas cabeças metem a cara para defender os recursos existenciais da mesma...
Retrato do Brasil.

Para findar a verborragia sobre o ENADE do jeito que lhes agrada, me aproprio grosseiramente das palavras de Alain Rouquié:

"No continente deduzido, tudo é de segunda mão. Os deuses e as palavras"


E reafirmo, é por isto que o CHapolin continua a ser o grande herói latino-americano...

Anônimo disse...

- Uma pena que não boicotou o Enade! No contexto da sua frase é "tampouco" e não "tão pouco"!!!!! Se não sabe nem escrever, imagina se saberia fazer a prova.

- Sugiro que financie pesquisas com suas questões existenciais.

- Pelo que vi no seu Lattes vc está dando aula de sociologia em uma escola. Tá lendo o q? Monteiro Lobato?

Perdido...^^ disse...

E eu que vou entrar agora no curso de Ciencias Sociais na UENF fico meio perdido. Discussao demaaaais. (heheh).