quinta-feira, 29 de abril de 2010

GLOBO E PSDB: amor à primeira vista

Fabrício Maciel
Depois do quase tiro no pé em seu apoio descarado ao PSDB, no caso do ridículo vídeo sobre os 45 anos da emissora, a Globo parece ter aprendido a lição e agora atua com mais sutileza. Ontem a tarde exibia no ingênuo programa Video Show, uma espécie de reality show dos programas da própria emissora, um tipo de túnel do tempo também ingênuo. Como toda história de amor à primeira vista, o programa recordava uma novela na qual um casal apaixonado fugia do Brasil e o motivo afirmado era, pra variar, a corrupção. A mulher perguntava para o ricaço personagem masculino se "valia a pena ser honesto no Brasil". Ele dizia que não, fugindo deste em seu jatinho e com uma mala de dólares. O programa enfatizava veementemente a frase compartilhada pelo casal.
O amor à primeira vista das novelas, aqui, esconde o amor à primeira vista entre a classe média e a classe alta predominante dentro da Globo e também fora dela, com o discurso do PSDB. Dizer que não vale a pena ser honesto no Brasil é uma maneira diferente de repetir o discurso sobre a corrupção inata do brasileiro. Este discurso é essencialista e racista, pois em torno de uma idéia abstrata de cultura brasileira constrói um senso comum conservador no qual o Brasil é o país da sacanagem, desordem, baderna, desorganização, desconfiança e deslealdade. Todos estes defeitos aludidos ao brasileiro são sutilmente sustentados ao mesmo tempo em que se ameniza, em nosso senso comum, o perfil do brasileiro com os ideais de bondade, ingenuidade e sexualidade do brasileiro.
Especialmente a idéia aparentemente positiva de ingenuidade se completa com as idéias negativas sobre o brasileiro apresentadas acima. No fundo, o brasileiro é corrupto não por que é maldoso, mas por que é burro e ingênuo. Não foi por mal. Entretanto, isso não é suficiente para evitar o discurso racista sobre o brasileiro. Racista por que com isso acaba sutilmente colocando o brasileiro em abstrato num patamar inferior a povos como os europeus e o norte-americano. Aqui o culturalismo é racismo disfarçado, como vem afirmando Jessé Souza.
Esta concepção racista, essencialista e abstrata no pior sentido, ou seja, sem referência ao mundo real por qualquer tipo de empiria, sedimenta a idéia de Brasil corrupto, punindo nossa população com altas taxas de juro do capitalismo financeiro internacional, que não aposta em lugares de "desconfiança", como é o caso da crise atual da Grécia. Como tal concepção é um amor à primeira vista com o discurso do PSDB?
O discurso deste partido conservador que representa as classes dominantes e médias brasileiras, privilegiadas com capital econômico, cultural e por osmose social, é o discurso do administrador. Não por acaso, o mesmo mantra que reduz a figura de Lula e por osmose a legitimidade do PT a populismo e carisma, no sentido reduzido, maldoso e distorcido deste termo. Para Max Weber, o carisma era uma virtude necessaria a um político, e não um defeito, ou seja, fazia parte de uma "ética da convicção", um quinhão de fé em algo e de paixão, necessário a qualquer político sério. Em contrapartida, uma "ética da responsabilidade", que aludia a equilíbrio e senso de proporção, deveria equilibrar-se com a paixão pela política.
O discurso do administrador parece simplificar e reduzir esta concepção de política de Max Weber. Ele transforma, consciente ou não, a política a uma polaridade falsa, separando suas características centrais, articuladas por Weber. A figura de Lula é reduzida ao carisma estilo Garotinho, e transforma a ética da convicção em senso comum. Em complemento, a figura do administrador, cristalizada no cisudo Serra, parece uma redução da ética da responsabilidade.
O amor a primeira vista está na relação implícita entre a incapacidade e ingenuidade do brasileiro, por consequencia disso corrupto, com o discurso de transparencia, organização, administração enxuta. Um povo burro assim precisa de um governante sério. Aqui, o discurso da força e da organização nacional retorna revestido em pele de ovelha, na imagem do administrador, que reduz a figura de qualquer político a esta única capacidade, o que é uma simplificação da política e especialmente perigoso quando se trata especificamente da presidencia de uma república que representa populaçao tao grande. Agora, cabe ao leitor interpretar qual é o partido brasileiro que realmente apresenta práticas e um discurso semelhante ao da ditadura...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O PT-Campos e o “Garotismo”: o porquê de o PT rodar, rodar e parar no mesmo lugar


Parte 1 – Introdução

Todos nós que temos debatido na blogsfera campista temos sempre associado as práticas políticas engendradas nestes últimos vinte anos à uma diversidade de fenômenos, que parece ter uma cara um pouco definida. Falamos da “prefeiturização das relações”, do clientelismo barato que se instaura como única linguagem política visível, da compra de votos, da virulência vingativa associada a uma fanfarrice juvenil na fala dos políticos, da cooptação de setores dos movimentos sociais, do uso de contratados como arma política, entre tantas outras. Essa percepção, que não é só minha, mas sim dos debatedores de nossa rede blog, é por nós chamada de “garotismo”. Com isso queremos por um lado denunciar uma falsa oposição, como também demonstrar que esse jeito de fazer política transcende a figura pessoal de Garotinho, impregnando toda a política local.

Desse modo, podemos dizer que, o “garotismo” tem impacto em toda a política, ou melhor, a ascensão de Garotinho, como o maior fenômeno político da região, “moldou” por assim dizer, todas as esferas da política, mesmo aquelas que não são suas “criaturas” diretas.

A maneira mais clara que todos nós vemos isso é na relação entre Garotinho e seus “filhos” políticos. Antigos aliados rompem com seu pai político e se tornam seus desafetos, porém, sem com isso apresentar algo de novo, de diferente. O Caso mais exemplar é o de Arnaldo Viana, embora nós podemos lembrar de outros como Sérgio Mendes, Fernando Leite etc. Há também aqueles que não são seus “filhos” diretos, mas agem como se fossem. Não o conheço bem, mas me parece que Barcelar é o melhor exemplo disso. Quer combater Garotinho tentando imitá-lo (consciente ou inconscientemente) ao extremo, tanto na fala quanto nas práticas políticas.

No entanto, há também aqueles que não são seus “filhos” diretos, nem buscam o imitar indiretamente, mas tem todos os seus movimentos políticos (ou quase todos) subjugados ao “garotismo”. A esse aspecto deste fenômeno nos referimos ao PT-Campos. Um partido que, nestes vinte anos de “garotismo”, roda, roda, ensaia mudanças, mas continua no mesmo lugar político, ocupando praticamente a mesma função política. E de certa forma é um partido integrado à lógica política do “garotismo”. A nosso ver os últimos movimentos políticos do partido só confirmam esta tendência. É esta relação e o resultado dela, ou seja, o fracasso do PT em se tornar uma alternativa para Campos, que pretendemos desenvolver nesta análise.
Continua. . .
Por Brand Arenari e Roberto Torres

terça-feira, 27 de abril de 2010

MOSTRA DE CINEMA MARGINAL EM CAMPOS


Car@s,

Wesley Machado nos convida para a Mostra de Cinema Marginal que começa amanhã. Compareçam e curtam!

A escravidão e a culpa nossa de cada dia





Em geral, nós podemos dizer que boa parte de nossa elite nacional ainda guarda fortes traços escravocratas, porém, quando transplantamos isso para a nossa realidade municipal, esses traços tomam proporções muito maiores. O espectro da escravidão nos espreita em cada esquina, em cada casa, em cada cumprimento, em cada olhar desta cidade.

A escravidão em nossos canaviais é, neste sentido, a ponta do iceberg de uma sociedade que é escravocrata não somente no distante mundo rural, mas é escravocrata por inteiro. É escravocrata em boa parte de suas relações cotidianas, em especial, obviamente, nas relações entre patrões e empregados. Isso se mostra em várias formas de exploração do trabalho, como baixíssimos salários e completo desrespeito no trato pessoal. Enfim, poderia ficar o dia inteiro citando exemplos, mas isso não é o mais importante aqui.

O mais importante é entender que, o caso do trabalho escravo nos canaviais é a mostra que este fantasma é tão forte e poderoso em nós, que este pode mostrar seu rosto terrível, desfilando a luz do dia. Ele não precisa esperar anoitecer e se rastejar como cobra entre becos e ruas escuras, tal como acontece com as manifestações de nossas emoções mais sombrias. Em nossa cidade, ou poderíamos dizer, em nossa psique coletiva, a sombra da escravidão não tem o menor respeito ante ao nosso lado mais luminoso, há um desequilíbrio em nossa psique coletiva. Os sentimentos e emoções peculiares a uma sociedade escravocrata, tais como sadismo, perversidade, crueldade, cinismo por um lado, e, medo, raiva, revolta por outro, desfrutam de uma força desproporcional em nossa cidade. E nós temos o dever moral de nos sentirmos culpados por isso.

A nossa sociedade deve se engajar por inteiro na punição dos culpados da escravidão nos canaviais, mas não para transformá-los em bodes expiatórios dessa nossa patologia social, mas sim, enxergando neles o exagero, a caricatura do que há dissimuladamente em nós. Precisamos aprender que somos culpados, porque não há trabalho escravo em uma sociedade que não seja escravocrata, neste caso, os usineiros são a nossa mão sombria que porta o chicote que nós queremos esconder de nós mesmos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Os Campistas e sua heróica luta pela educação de qualidade: o caso Liceu de Humanidades de Campos


A falta de memória nos faz pensar que os campistas são um povo apático, entregues e inertes em relação às políticas mais espúrias perpetradas pelo “garotismo”. No entanto, há muitas histórias heróicas deste povo. No caso da educação, a história do Liceu é exemplar.
O casal de argentinos professores da UENF Silvia Martinez e Marcelo Gantos, junto com a campista Maria Amélia Boynard, nos salva um pouco de nossa falta de memória e contam neste excelente artigo a história do Liceu e a luta do povo campista para a sua instalação.
Para quem quiser ler o artigo na íntegra (o que eu recomendo fortemente) é só clicar no link abaixo:

http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/33SilviaMartinez_e_MariaAmeliaBoynard_e_MarceloGantos.pdf

Espero que a leitura deste artigo, além de informar e divertir, também auxilie os campistas no entendimento que a luta pela educação que acontece agora em Campos, a qual é capitaneada pelo SEPE, não é uma luta só de professores, mas que deve ser de toda a sociedade.

Em defesa da educação

Colegas
Dia 27 de abril, 9 horas da manhã, faremos um grande ATO PÚBLICO em frente à Câmara Municipal. Para que tenhamos sucesso é necessário a presença de todos. São cinco mil concursados a espera de convocação e as vagas reais existem. Só depende do nosso empenho em chamar todo mundo para estar lá.

Neste dia, a Sessão vai ter na pauta este ponto. Faremos o ATO e logo depois entraremos todos para plenária a fim de acompanhar a sessão.

Estamos investigando tudo o que é possível para convencer os vereadores da necessidade da convocação dos concursados. Muitos já estão do nosso lado, agora depende de nossa mobilização.

Convidem todos os amigos para estar lá.

Venceremos!
Graciete Santana
Coordenadora Geral do SEPE/Campos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

exposição Arqueologia de todos os tempos

Prezad@s,

Segue abaixo texto de divulgação da exposição "Arqueologia de todos os tempos" que recebi da jornalista Talita Barros:


"Pensando em aproximar a população campista do passado indígena da região Norte do Estado, a partir de 04 de maio, um grupo de pesquisa da Uenf, coordenado pela professora Simonne Teixeira, e com o apoio da Fundação Cultural jornalista Osvaldo Lima, realizará a exposição Arqueologia de todos os tempos, no Museu Olavo Cardoso. Os visitantes poderão observar peças cerâmicas encontradas em sítios arqueológicos do Norte Fluminense e também entender a história e o modo de vida dos índios Tupi, Coropó, Goitacá, Coroado e Puri, que viveram nessa região em tempos remotos. Ao longo da mostra, que será encerrada a 28 de maio, a programação contará com simulação de sítio arqueológico para as crianças. O índio Thini-à Fulni-ô, que nasceu às margens do Rio Ipanema, um afluente do Rio São Francisco, no Estado de Pernambuco, contará histórias, seguidas de uma sequência de jogos ritualísticos, cantos e danças. Enfim, uma gama de atividades para estimular o entendimento da vida indígena que é pouco conhecida ou mesmo tão homogeneizada. A exposição é gratuita e para todos!! "

Prestigiem e divulguem!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Datafolha “explica” e se complica

Por Brizola Neto http://www.tijolaco.com/

O diretor do Datafolha, Marcos Paulino, tentou explicar, hoje, ao Terra Magazine, a desproporção regional das entrevistas que vários blogs – e o tijolaco.com – apontaram na pesquisa de março, aquela em que Serra “abriu” vantagem para Dilma.

-”Sempre que nós colhemos as amostras para ter um resultado também por Estado, há aumento no número de entrevistas”, afirmou. “Mas isso não significa que o resultado final não seja ponderado para que represente cada Estado”.

Então a explicação é essa? Falta, então, explicar:

1- Se o Datafolha registrou resultados por Estado, porque não os divulgou? São para consumo interno seu ou para o de alguma candidatura?
2- Porque não resistrou no TSE que estava fazendo uma pesquisa estadual?
3- Ponderação do resultado final? Amostra da amostra? Quando, numa pesquisa, você tem uma pequena discrepância no número de entrevistas, até vá lá, embora não seja o método correto quando você tem todo o tempo que quiser para pesquisar o número de questionários desejado. E a Folha não explicou nem aos leitores, como a Datafolha não registrou no TSE que as amostras regionais sofreriam esta “extrapolação”.

Onde está o Ministério Público Eleitoral? Há uma fraude confessada. A abrangência da pesquisa, segundo o registro no TSE, é nacional, não estadual. Onde estão os dados estaduais, que jamais foram publicados?

Se havia um dupla abrangência – estado ou estados – porque a pesquisa foi registrada no TSE apenas como de abrangência regional? A lei é só uma brincadeirinha?

Este escândalo não vai ter repercussão na mídia. Há um silêncio completo nos grandes jornais.

Depende de nós, da nossa mobilização evitar uma fraude contra o processo de formação de consciência do povo brasileiro.

Vocês acham que a Justiça Eleitoral ia tirar do ar o clipe pró-Serra da Globo. Foi mais fácil ela própria tirar, com a nossa pressão, que algum juiz ver o óbvio e tomar as providências. O PT não vai à Justiça com medo de parecer perdedor. O PSDB, por 1%, disso foi, contra a Sensus.

Estamos diante de um caso confesso de, no mínimo, irregularidades numa pesquisa. Vamos ficar parados?

Site da Dilma no ar!

A candidata Dilma lança seu site na internet. O site contém fotos, biografia, notícia, vídeos e propostas da candidata.
Quem quiser conferir: http://www.dilmanaweb.com.br/

terça-feira, 20 de abril de 2010

PT erra ao subestimar a força da velha imprensa; Ali Kamel está na coleira, pronto para o ataque final

Por Rodrigo Viana http://www.rodrigovianna.com.br/

O PT segue calado, quase amortecido. À sombra de Lula.

Trata-se de um erro.

Lula uma vez disse: "que ninguém, nunca mais, ouse duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora".

Mas é preciso lembrar: "que ninguém, jamais, ouse subestimar a capacidade de manipulação da elite brasileira e de sua imprensa oligárquica".

Por que lembro disso?

Semana passada, participei de um debate no Sindicato dos Bancários de São Paulo, sobre internet e eleições.

Minha avaliação, que expus aos sindicalistas, é a seguinte:

1) devemos comemorar o papel dos blogs e redes sociais, como contraponto à velha imprensa;

2) mas não podemos superestimar o papel da chamada blogosfera.

Ainda falamos para um público limitado. Incomodamos, é verdade. Tanto que a Globo teve que suspender o comercial serrista dos 45 anos da emissora - http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/a-globo-e-o-clip-pro-serra-foi-sem-querer-querendo.

Mas não dá pra comparar nosso poder de fogo com a artilharia pesada de Globo, Veja e - em menor escala - de Folha, Estadão, Zero Hora, Correio Braziliense, RBS...

Fazemos guerrilha. Eles tem o exército convencional.

O poder da velha imprensa diminuiu bastante, é verdade. Mas é preciso lembrar que em 2006, por exemplo, a eleição só foi ao segundo turno graças ao bombardeio contra Lula nas duas últimas semanas de campanha. Marcos Coimbra analisou isso de forma precisa - http://mariafro.com.br/wordpress/?p=188.

Quem fez a diferença em 2006? A Globo, sobretudo.

A Globo tem chance de ganhar a eleição para Serra em 2010? Sozinha, não.

2010 não é 1989, quando a Globo "fez" de Collor o presidente.

Mas a Globo e seus alidos do café Millenium podem - sim - garantir 5% ou 6% dos votos, percentual suficiente para decidir um pleito que deve ser tão disputado.

Há um outro detalhe a ressaltar. A Globo precisa agir de forma um pouco mais dissimulada do que seus aliados Milenares. Veja, Folha e Estadão falam para guetos conservadores. A Globo fala para todo Brasil.

Tudo que a TV carioca não quer é ter Lula por aí a dizer: "a Globo é inimiga do povo". Tudo que a Globo não quer é ganhar o rótulo de antipopular.

Pois é o que Lula deveria fazer...

Sei que no começo do ano o presidente recebeu os Marinho para um conversa. Em tese, uma tentativa de aplainar terreno em ano eleitoral. Os Marinho fingem que ficaram "bonzinhos". Mas Ali Kamel segue na coleira, pronto para ser lançado contra a candidata de Lula.

Depois do recuo da Globo no episódio do clip serrista, imaginem que a a emissora dos Marinho pode se fingir de "neutra" nos próximos 4 ou 5 meses. Afinal vem aí Copa do Mundo, depois o horário político ganha peso...

Mas, na reta final, o povão volta a acompanhar o noticiário, pra decidir. Se a Globo farejar que pode dar o empurrão final para garantir a vitória a Serra, Ali Kamel vai sair da coleira para agir.

Em 2006, foi exatamente assim.

Subestimar o papel do "Jornal Nacional" numa reta final de eleição é desconhecer o que ainda é o Brasil. O Brasil não é a blogosfera!

O PT, estranhamente, segue calado. À sombra de Lula.

Foi preciso um rapaz (Marcelo Branco) - que nem tem mandato político - vir a público botar a Globo contra a parede no episódio do clip serista.

No caso DataSerra, foi preciso um deputado do PDT subir à tribuna para cobrar providências - http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/caso-dataserra-chega-a-camara-e-brizola-nao-o-pt.

O partido do presidente e de Dilma não se manifesta.

Salto alto? Talvez...

Parabéns ao PSOL!

Parece que o PSOL deu um importante passo para se tornar um partido como muitos esperam, ou seja, um genuíno partido de esquerda que possa ser crítico ao PT, empurrando o PT para esquerda, e não sendo uma crítica vingativa ao PT adotando o mesmo discurso da direita, sendo assim quase um neo-udenismo esquerdista.

Esse passo foi dado com a vitória esmagadora do grupo de Plínio Arruda Sampaio sobre o grupo de Heloísa Helena. Enquanto o grupo de HH defendia uma união com o PV de Marina Silva e Gabeira nas eleições, adotando o discurso contra a corrupção, bem ao modo do Udenismo (só falta a vassorinha de Jânio), o grupo de Plínio Arruda defende uma rejeição deste moralismo, como também uma apresentação de um programa de governo de bases socialistas, com peso na luta por uma reforma agrária eficiente.

Além de HH, quem sai perdendo nessa é o DEMo e o PSDB que não poderão contar com o “apoio” do discurso neo-udenista esquerdista, terão que engolir um discurso de esquerda mais programático que busca manter vivo os ideais do socialismo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vitória da blogsfera! O PIG “afinou”.

Depois de denúncias entre os blogs e muitos emails, a rede Göbbels de televisão “afinou”. Decidiu retirar do ar a infame propaganda pró-serra.
É isso aí, o Brasil não pode mais. . .aturar manipulações baratas como esta.

O que representa o “retorno” de Ilsan à câmara?

Certamente é muito cedo para fazer afirmações muito taxativas sobre os impactos políticos da posse de Ilsan, no entanto, algumas coisas parecem óbvias.

A primeira delas, é que isto pode representar o início da recomposição do grupo político capitaneado por Arnaldo, o qual se encontra meio perdido depois da derrota nas últimas eleições municipais. Ilsan pode ser o elo que faltava para recompor as alianças daquilo que nos chamamos de “garotismo anti-garotinho”*. Estes impactos deverão ter efeito a médio e longo prazo.

A curto prazo, acredito que o maior impacto do reaparecimento de Ilsan cairá sobre as ambições da vereadora Odisséia. Até então, a Odisséia ocupava o cargo de “primeira dama do PIG campista”. Era lançada candidata a prefeita pelo PIG, desfrutava de muitas manchetes nos jornais do PIG, entrevistas, blogs, coluna no jornal para o marido etc. E a partir de agora, como será esta relação?
Vale lembrar que Ilsan, além de teoricamente ter maior peso político, tem alianças mais sólidas com o PIG. Por mais que podemos pensar que o mandato de Odisséia é mais um produto de sua aliança com Arnaldo Viana e os “Telhadeiros” do que um produto do PT enquanto partido, há sempre fantasmas no partido querendo puxar a vereadora Odisséia para a esquerda, o que desagrada o PIG.
É claro que, no que depender do PIG, este tentará manter as duas como suas “companheiras”, o difícil (há quem ache que isso não é difícil) é fazer com que alguma ocupe o papel de “amante” enquanto outra de “primeira dama”. Alguém aí terá que repensar suas ambições. . .


* Assim como na mitologia grega, em que os filhos de Saturno se revoltam contra o pai, o “garotismo anti-garotinho” são os “filhos” políticos de Garotinho que se revoltaram contra seu criador. Enfim, é o modelo e prática política criada pelo Garotinho, mas sem ele, ou seja, uma falsa oposição.

Inominável

Nao fui capaz de dar nome a este post, devido ao tamanho do meu espanto. Tentei, mas nao encontrei uma palavra ou frase que pudesse representar o meu sentimento.
A rede Göbbels (alusão à Joseph Göbbels, o demoníaco ministro de propaganda de Hitler) parece ter ultrapassado, com folga, os limites do que qualquer cidadão pode chamar de bom senso. Os otimistas sempre acreditaram que a rede Göbbels jamais repetiria o papel abominável que desempenhou nas eleições presidenciais de “89”, o que não parece ser verdade. Esse vídeo de propaganda eleitoral é só o começo.
Senhores passageiros, preparem o estômago que o jogo sujo das eleições só está começando.

"O Brasil pode mais!"

video

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Jabor não quer pobre em avião. Lugar de pobre é em pau de arara

O Conversa Afiada aceita sugestão de amigo navegante que viaja muito de avião e reproduz discurso em que a Câmara dos Deputados presta singela homenagem a Arnaldo Jabor, cineasta que faz as vezes de cérebro das Organizações (?) Globo:

O SR. FERNANDO MARRONI (PT-RS. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, todos os que nos assistem, quero fazer um pronunciamento que leva o seguinte título: A triste opinião dos pensadores virtuais.
Ontem tive o desprazer de assistir e ouvir no Jornal Nacional, da TV Globo, ao jornalista Arnaldo Jabor, que, em seu editorial, deixou nítida e clara a estratégia, já falida, da oposição capitaneada pelo príncipe Fernando Henrique Cardoso para atacar o Presidente Lula.

Em sua crônica, o jornalista ataca ferozmente a INFRAERO. Diz que a classe média está andando de avião e que os aeroportos estão insuportáveis. Mas, ele, na verdade, se referia à classe média formada por brasileiros que ascenderam das camadas mais baixas da população. E que, de pobres, passaram a ter poder aquisitivo para andar de avião através do nosso querido Brasil. Jabor, do alto de sua intelectualidade esnobe, faz piadas irônicas com os brasileiros que a custo do trabalho duro conseguiram mudar de vida graças à estabilidade econômica do Governo do Presidente Lula. O cronista, do alto de seu palanque eletrônico, tripudia sobre esta população e a critica, porque a população acha chique, bom e barato poder circular pelo Brasil de avião. Ele tripudia dizendo que os nossos aeroportos são insuportáveis.

Filho da alta classe média carioca, Jabor talvez nunca tenha passado horas em uma rodoviária dessas de interior, suja, malcuidada, à espera de um ônibus que demora a chegar ou sair. Então, espanta-se de como a classe média de hoje não vê os problemas que ele enxerga nos aeroportos brasileiros.

Mas, a série de besteiras ditas pelo jornalista não terminam por aí.

Segundo ele, o serviço da INFRAERO é o fim do mundo, pois se trata de uma estatal. E, por isso, estaria mergulhada em corrupção. O cronista da Rede Globo não esconde sua revolta com o fato de a Ministra Dilma dizer que não privatizará a INFRAERO. E ainda pergunta se a Ministra está inspirada em Lênin, Trotsky ou Fidel.

Bem se percebe que esse cidadão, ex-cineasta e hoje cronista eletrônico, parou no tempo, que gravita em um mundo irreal de políticas governantais ultrapassados.

Em suas críticas ásperas e confusas, o advogado que virou jornalista volta às suas origens e faz uma defesa apaixonada do neoliberalismo e seu estado mínimo, incapaz de atender às necessidades mais básicas da população.

Até que beira as raias do absurdo — ou seria do desespero pré-eleitoral,frente ao crescimento impressionante da Ministra Dilma — , e declara, categórico, que o Governo Lula não passa de uma continuidade do Governo Fernando Henrique Cardoso.

Como diria o gaúcho velho, que a esta hora mateia na sombra ou sob o sol na campanha: Que barbaridade!

Para atingir o seu objetivo a qualquer custo, dar força ao projeto neoliberal com o qual Fernando Henrique e Serra irão disputar as eleições deste ano, o cronista apela para tons dramáticos em sua encenação televisiva, tenta fechar os olhos da população para os grandes investimentos e para os esforços feitos pelo Governo para acelerar o crescimento do Brasil e levar este País a ser a quinta maior economia do mundo.

Ao final de tudo, quando cai o pano e se estalam as moedas que anunciam os blocos comerciais, creio acreditar que tamanhas sandices foram ditas no horário nobre para milhões e milhões de pessoas. Talvez o pensador virtual global tenha sido influenciado — e mal influenciado, diga-se de passagem — por seu colega norte-americano James Cameron, que, depois de faturar muitos milhões de dólares com seu Avatar, veio de bem longe ao Brasil para dar palpite sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Metendo o bico onde não foi chamado!

Talvez, a convite de Cameron, Jabour tenha entrado em uma daquelas máquinas futuristas e mergulhado em um mundo de fantasia, distante da realidade nua e crua do Brasil. E, se fizeram isso, espero que fiquem por lá!
Muito obrigado, Sr. Presidente.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Audiência Pública sobre Trabalho Escravo em Campos dos Goytacazes
Comissão de Direitos Humanos vai debater trabalho escravo em Campos
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa do Rio realizará audiência pública sobre trabalho escravo e superexploração do trabalho pelas usinas de cana de açúcar. O debate será feito nesta sexta-feira (16/04), às 14h, na Câmara de Vereadores do município de Campos dos Goytacazes, na Avenida Alberto Torres. O presidente da comissão, Marcelo Freixo (PSOL), destacou que, no ano de 2009, Campos liderou o índice de trabalho escravo no Brasil. Segundo o parlamentar, o Grupo J. Pessoa, dono da Usina Santa Cruz e de maior reincidência em trabalho escravo e crimes trabalhistas, assim como o Grupo Othon, dono das Usinas Barcelos e Cupim, também reincidente nessas práticas, fecharam suas usinas sem cumprir os direitos trabalhistas, deixando mais de 2.000 trabalhadores desempregados e em estado de miséria. Entre os convidados para a discussão está o Comitê Popular de Erradicação do Trabalho Escravo do Norte Fluminense.
Fonte: ALERJ.

Lutar pela UENF é lutar por uma Campos melhor!


Todo apoio a luta dos professoes e funcionários da UENF!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Serra, o Brasil nao pode mais

por Brizola Neto


SERRA, O BRASIL NÃO PODE MAIS - http://www.tijolaco.com/?p=11820

Li boa parte de seu discurso, senhor José Serra. Talvez eu seja hoje o que o senhor foi, na minha idade, quando era um jovem, que presidia a União Nacional dos Estudantes e apoiava o Governo João Goulart no Comício da Central. Quando o senhor defendia o socialismo que hoje condena, o patriotismo que hoje trai, o desenvolvimento autônomo do Brasil do qual hoje o senhor debocha.



O senhor, como Fernando Henrique, é útil aos donos do Brasil – sim, Serra, o Brasil tem donos, poque 1% dos brasileiros mais ricos tem o mesmo que todos os 50% mais pobres – porque foi diferente no passado e, hoje, cobre-se do que foi para que não lhe vejam o que é.

O símbolo do Brasil que não pode mais, que não pode ser mais como o fizeram.

Não pode mais o Brasil ser das elites, porque nossas elites, salvo exceções, desprezam nosso povo, acham-no chinfrim, malandro, preguiçoso, sujo, desonesto, marginal. Têm nojo dele, fecham-lhe os vidros com película para nem serem vistos.

Não pode mais ser o país das elites, porque nossas elites, em geral, não hesitam em vender tudo o que este país possui – como o senhor, aliás, incentivou fazer – para que a “raça superior” venha aqui e explore nossas riquezas de maneira “eficiente” e “lucrativa”. Para eles, é claro, e para os que vivem de suas migalhas.

Não pode mais ser o Brasil dos governantes arrogantes, como o senhor, que falam de cima – quando falam – que empolam o discurso para que, numa língua sofisticada, que o povo não entende, negociem o que pertence a todos em benefício de alguns.

Não pode mais ser o país dos sábios que, de tão sabidos, fizeram ajoelhar este gigante perante o mundo e nos tornaram servos de uma ordem econômica e política injusta. O país dos governantes “cultos”, que sabem miar em francês e dizer “sim, senhor” em inglês.

Não pode mais ser o país do desenvolvimento a conta-gotas, do superávit acima de tudo, dos juros mais acima de tudo ainda, dos lucros acima do povo, do mercado acima da felicidade, do dinheiro acima do ser humano.

O Brasil pode hoje mais do que pôde no governo do que o senhor fez parte.

Pôde enfrentar a mais devastadora crise econômica mundial aumentando salário, renda, consumo, produção, emprego quando passamos décadas ouvindo, diante numa crise na Malásia ou na Tailândia que era preciso arrochar mais o povo.

Pôde falar de igual para igual no mundo, pôde retomar seu petróleo, pôde parar de demitir, pôde retomar investimentos públicos, pôde voltar a investir em moradia, em saneamento, em hidrelétricas, em portos, em ferrovias, em gasodutos. Pôde ampliar o acesso à educação, ainda que abaixo do que mereça o povo, pôde fazer imensas massas de excluídos ingressarem no mundo do consumo e terem direito a sonhar.

Pôde, sim, assumir o papel que cabe no mundo a um grande país, líder de seus irmãos latinoamericanos.

O Brasil pôde ser, finalmente, o país em que seu povo não se sente um pária. Uma país onde o progresso não é mais sinônimo de infelicidade.

É por isso, Serra, que o Brasil não pode mais andar para trás. Não pode voltar para as mãos de gente tão arrogante com seu povo e tão dócil aos graúdos. Não pode mais ser governado por gente fria, que não sente a dor alheia e e não é ansiosa e aflita por mudar.

Não pode mais, Serra, não pode mais ser governado por gente que renegou seus anos mais generosos, mais valentes, mais decididos e que entregou seus sonhos ao pragmatismo, que disfarça de si mesmo sua capitulação ao inimigo em nome do discurso moderno, como se pudesse ser moderno aquilo que é apoiado pelo Brasil mais retrógrado, elitista, escravocrata, reacionário.

Há gente assim no apoio a Lula e a Dilma, por razões de conveniência-político eleitoral, sim. Mas há duzentas vezes mais a seu lado, sem qualquer razão senão a de ver que sua candidatura e sua eleição são a forma de barrar a ascenção da “ralé”. Onde houver um brasileiro empedernidamente reacionário, haverá um eleitor seu, José Serra.

Normalmente não falaria assim a um homem mais velho, não cometeria tal ousadia.

Mas sinto esta necessidade, além de mim, além de minha timidez natural, além de minha própria insuficiência. Sinto-me na obrigação de ser a voz do teu passado, José Serra. É um jovem que a Deus só pede que suas convicções não lhes caiam como o tempo faz cair aos cabelos, que suas causas não fraquejem como o tempo faz fraquejar o corpo, que seu amor ao povo brasileiro sobreviva como a paixão da vida inteira. Que o conhecimento, que o tempo há de trazer, não seja o capital de meu sucesso, mas ferramenta do futuro.

Vi um homem, já idoso, enfrentar derrotas eleitorais e morrer como um vitorioso, por jamais ter traído as idéias que defendeu. Erros, todo humano os comete. Traição, porém, é o assassinato de nós mesmos. Matamos quem fomos em troca de um novo papel.

Talvez venha daí sua dificuldade de dormir.

Na remota hipótese de vencer as eleições, José Serra, o senhor será o derrotado. O senhor é o algoz dos seus melhores sonhos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010



LANÇAMENTO DE LIVRO


Adriano de Freixo convida a tod@s para o lançamento de seu livro "Minha pátria é a língua portuguesa: a construção da idéia da lusofonia em Portugal". O lançamento será no Teatro Municipal Trianon nesta quarta-feira (14/04) com a palestra do autor às 14h.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

De quem é a culpa da tragédia no Rio e Niterói?

Não sou muito fã de ficar elencando culpados nestas horas. Neste momento, acho que isso contribui muito pouco, quando não atrapalha. Porém, como isso parece ser um vício quase incontrolável da população, que se esbalda no espetáculo da mídia, e parece não temos como fugir, melhor que fique claro quem é o principal culpado (porque não há só um) do que aconteceu no Rio e em Niterói.

O principal culpado disto não é a imagem amorfa e abstrata do bode expiatório que a esquizofrenia nacional sempre culpa por qualquer coisa, ou seja: o “Governo”. Dizer que tudo é culpa do “Governo” é a forma infantil que uma gente que não aprendeu a ter responsabilidades por seus atos e escolhas, lida com os problemas.

O principal culpado disso também não é o presidente Lula. Culpar o Lula é tão somente a maneira que a mídia golpista se vale da esquizofrenia nacional (que tudo quer culpar o “Governo”), para assim perpetrar o seu golpe. Afinal, para a mídia Lula é o culpado de tudo, desde queda de avião até terremoto. Em breve, a mídia brasileira achará uma camisa do PT numa caverna no Afeganistão, e com isso vai comprovar que Bin Laden é petista. Logo, defenderão a tese de que os EUA devem invadir o Brasil.

No entanto, gostaria que ficasse claro para todos que, a maior culpada desta tragédia é nada mais nada menos que a nossa elite. Foi esta elite que até hoje é escravocrata no fundo da alma, que permitiu que por mais de um século essas “senzalas modernas” existissem nestas cidades. Nestes últimos cem anos, esta elite que se escandaliza com o MST, nunca se escandalizou com as condições sub-humanas que muitos brasileiros vivem nos morros. Esta elite nada fez para que outros seres humanos vivessem em melhores condições.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cuidado com a neutralidade!

Fabrício Maciel
Cada dia a mais rumo às eleições é um a menos para as análises. Todo intelectual brasileiro que se preza ou que tenha um nomezinho a zelar tem que se pronunciar. Tenho observado mais uma vez o canto da sereia da neutralidade. A neutralidade é forte porque quase nunca se apresenta como tal. Ela simplesmente é. É simplesmente uma tentativa de interpretação dos fatos da "conjuntura". Somos bombardeados a cada dia com uma chuva de "análises sóbrias" sobre as eleições, sobre a evidente disputa entre PT e PSDB, a trajetória dos candidatos e bla, bla, bla. Análises sóbrias, principalmente de nossos cientistas políticos. Não dá mais pra aguentar esta onda. A galera vai ter que se posicionar. Só dois exemplos: outro dia vi a "análise" de Bernardo Ricupero, colunista do Yahoo, e a de um de nossos maiores nomes, Werneck Vianna, no site "Gramsci".
A primeira é um bom exemplo da "neutralidade" e da análise "sóbria". Descrição da conjuntura e de fatos recentes. No fim PT e PSDB pouco diferem. A análise pouco ajuda o leitor a se definir. A segunda é mais assumidamente crítica. Não sei o que é pior. Pois a crítica de Werneck sintetiza outro canto da sereira que acaba falando contra o PT, ainda que não explicitamente nem intencionalmente. Ora, se se encontra sempre defeitos e continuidades no governo PT, e só se tem um adversário forte do outro lado, a quem tal análise crítica favorece, na véspera da eleição? É claro que aprendemos sempre com o mestre Werneck. Mas precisamos ser críticos da crítica. (esta frase é só para antecipar a "crítica" da "neutralidade", em contrapartida, que dirá: cuidado com os "críticos"!!!) O cerne da crítica em questão é que o PT no fundo nunca foi o que deveria ou poderia ser.
Ora, a questão deveria ser aqui o que ele realmente tem sido. E isso já vem sendo argumentado aqui: os números, ora mais uma vez eles...deixam claro que o PT é superação e inovação em termos de política econômica, política externa e política social. Não somos nós que dizemos. Uma das principais testemunhas que se pronuncia cotidianamente é a "comunidade internacional". Nome bonito este. Melhor ainda é uma das poucas coisas bonitas que ela as vezes faz, que é reconhecer um bom governo. E só reconhece quando é bom mesmo...Lula está quase sempre em todos os grandes jornais internacionais e na boca dos representantes do mundo, dos políticos e de seus acessores.
Enquanto internamente, as análises sóbrias em todo o seu brio (seria melhor, sutileza?)apontam para a continuidade em todos os aspectos, fingindo reconhecer "avanços" no governo Lula. Coisas do tipo: ele até fez tal coisinha...É tipico das análises sóbrias, politicamente corretas e, o mais importante, "neutras". No fim, como faz Ricupero, e é só um de milhoes de exemplos, recorre-se sutilmente às análises "sobrias" de FHC. Ai é sacanagem...Aí eu não aguento...Não dá mais pra aguentar esta neutralidade. Vamo mostrar a cara minha gente, que o bicho já ta pegando...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Audiência pública sobre trabalho escravo e superexploração do trabalho pelas usinas

Caros,

Repasso convite que recebi da professora Isabel Cristina C. Lopes (UFF Campos).



CONVITE

Audiência pública sobre trabalho escravo e superexploração do trabalho pelas usinas

A comissão de Direitos Humanos da ALERJ (Assembléia Legislativa do RJ) convida toda a sociedade do norte e noroeste fluminense para participar da audiência pública sobre trabalho escravo e superexploração do trabalho pelas usinas. Em 2009 o município de Campos dos Goytacazes liderou os índices de trabalho escravo no Brasil.

O Comitê contra o Trabalho escravo do Norte Fluminense convida a todos os trabalhadores e trabalhadoras e toda a sociedade campista a participarem da audiência e do Ato que realizaremos para cobrar das autoridades os direitos que vêm sendo negados.

Data- 16/04/2010 - sexta-feira

Hora- 14h

Local- Câmara de vereadores (antigo Fórum) Av. Alberto Torres

Campos dos Goytacazes - RJ

Concentração - 13h - Praça S. Salvador

sábado, 3 de abril de 2010

Campista é eleito o craque da maior conquista da história do Bahia, a taça Brasil de 59


50 anos Taça Brasil: Vicente Arenari foi eleito o craque do time de 1959


Marcelo Sant''''Anna Redação CORREIO

Vicente amanheceu como um noivo em dia de domingo; como todo tricolor, um noivo da vitória. Trêmulo, mas confiante. Para o quarto-zagueiro, a final começou na véspera. O gosto do título, também.
Bahia e Santos decidiriam naquele 29 de março de 1960 a a Taça Brasil, no Maracanã. O Bahia ganhou por 3 x 2 na Vila Belmiro e o Santos, por 2 x 0, na Fonte Nova. Vicente ganhou de véspera: 5 x 2 em julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, após três horas e meia. Expulso na Fonte Nova, estava liberado após brilhante defesa do advogado Octávio Vilas Boas. Vicente acordou trêmulo e confiante.
Coutinho fez 1 x 0, Vicente empatou, de falta. Léo virou e Alencar definiu: 3 x 1. “Desculpa, tô até nervoso em falar”, diz Vicente Arenari, três vezes durante a entrevista, 50 anos depois do título. “É que resolvíamos nossos complexos em campo. Entre nós, os jogadores, a gente conversava muito, porque futebol é no campo”.
No campo, o Santos fez 99 jogos em 59. Perdeu 14 - um pra o Bahia, na Vila. Marcou 342 gols. “A gente acreditava. Geninho dava muita confiança e assim entramos em acreditava. Geninho dava muita confiança e assim entramos em campo”.
Trajetória
Vicente, filho de pai italiano e mãe brasileira, nasceu dia 23 de março de 1935 em Campos dos Goytacazes, no Rio. Primeiro drible foi na desconfiança da família. “No início, tinha aquela história que não dava certo. Futebol só tinha mau elemento”, lembra Capistrano, irmão mais novo de Vicente Arenari Filho.
Em época de passe preso, o talento reconhecido no interior do Rio abriu exceção. “O contrato permitia que ele saísse quando quisesse sem pagar multa. Era difícil e, na época, outro caso parecido foi com Evaristo de Macedo”.
Evaristo deixou o Flamengo em 1957, aos 24 anos, indo pra o Barcelona. Um ano antes, Vicente, com 21, havia acertado a vinda para o Bahia. “Osório(Vilas Boas, presidente) foi lá no Flamengo. Zagallo, que já era conhecido, falou pra ele que eu tinha qualidade, era bom na saída de bola”.
Poucos meses depois, casou- se com Maria. O clube viajava muito e faria em 57 sua primeira excursão pra Europa. A irmã Ada veio fazer companhia - casou com Evandro Simões, sobrinho de Hamilton Figueira Simões, presidente do Bahia durante alguns meses de 1961. Entre os fatos, Vicente conquistou o elenco.
Craque
“Quando ele jogava bem, a gente ia bem. Se ia mal... Era nossa segurança”, elogia o goleiro Nadinho. O ponta Marito concorda. Ambos escolheram Vicente como o melhor do time de 1959. “Eu me dava bem com todos. Deve ter sido um ato de bondade dos amigos”, diminui Vicente. “Era um grupo que todos jogavam. Ambiente era bom e não tinha um destaque. Fazia parte do conjunto”, reforça.
Em 1960, Salvador, com 655 mil habitantes, ganhou a primeira emissora de TV, a Itapoan. Talvez se a TV tivesse chegado antes,Vicente seria reconhecido craque. Craque que não tremia. Exalava confiança.
Esquecimento
Cadê Vicente? O zagueiro não ficou no Time dos Sonhos na eleição da Placar, em novembro de 1994. Foi lembrado por seis dos 33 que votaram: Osório Vilas Boas, ex-presidente; Alemão, massagista; Ivan Pedro, jornalista; Jones, massagista; Jomar Maia, ex-árbitro; e Rubens Pitangueiras, ex-médico. Eleitos: Roberto Rebouças (29) e Henrique (19). Sapatão teve seis votos.
Revolução na imprensa
Em 1958, primeira temporada completa de Vicente em Salvador, existiam no Brasil 708 estações de rádio, oito de TV e 252 jornais diários. A Copa da Suécia foi a primeira Copa transmitida pra Europa. No Brasil, com dois dias de atraso, exibiam-se videotapes com 30 minutos.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica (Abinee), havia, no máximo, mil receptores de TV. Em 60, o número chegou a 621.919 unidades.Ouso do videotape se popularizou no ano seguinte. Em 62, indicado por Geninho, Vicente foi ao Palmeiras de Ademir da Guia.
A primeira vez no Maracanã
O Vasco tinha desde atletas geniosos, como Almir Pernambuquinho; a geniais, como Bellini, capitão do Brasil na Copa de 1958. “(Almir) é o jogador mais desleal que já vi na minha vida. Preferível era o Bigode, que, pelo menos, dava pela frente”, criticou o técnico Geninho, ex-Botafogo, após o jogo apitado pelo baiano Climanute França - em Salvador, apito do carioca Francisco Moreno Biriba, por exemplo, voltou com a cabeça enfaixada após entrada de Paulinho.
Se não fosse o jogo duro e tenso, a viagem teria sido tranquila. “Não tinha diferença nenhuma jogar lá. A gente conhecia demais o campo”, diz Vicente, ex-Flamengo, como Leone. Outros experientes eram o goleiro Nadinho, ex-Bangu; Henrique, ex-Portuguesa-RJ; e Mário, ex-Flu e Botafogo.
(Notícia publicada na edição impressa do dia 25/03/2010 do CORREIO)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Obrigado IFF!

Como não me canso de dizer neste blog, instituições tem um papel decisivo na sociedade, elas tem o poder de mudar a sociedade, gerando aprendizados políticos coletivos fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. E quanto a isso, talvez a antiga escola de aprendizes e artífices e hoje IFF tenha sido a instituição que mais nos ensinou coletivamente nas últimas décadas.

O IFF nos ensinou muito sobre democracia. Não foi a toa que dali surgiram vários grupos políticos progressistas, e muitas lutas políticas internas refletiram em boa parte da sociedade campista. E nestas últimas eleições, independente do resultado, mais uma vez o IFF nos deu uma aula de democracia.

Obrigado IFF!