sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tabelas

Grupo 1 Grupo 2

Grupo 3







16 comentários:

DouG disse...

Ótima iniciativa Brand. Prefiro analisar melhor o grupo 1 (Guarus), não nasci aqui, mas minha família tem origens em Guarus, portanto sempre tive contato com a região e como o bom filho a casa torna, assim aconteceu com minha mãe. Há alguns anos moro no Parque Prazeres, muitos não conhecem o bairro, que apesar de periférico, fica aproximadamente 4 km do Centro, logo seria um bairro em que a população possui um maior contato com o Centro da cidade, não teria essa questão da distância, como outros bairros e distritos. Confesso que fiquei surpreso ao ver o bairro no grupo 1 na 4ª posição. No bairro há uma significativa população de baixa renda, mas também há uma significativa população de classe média, creio que nas classes C e D, seria a chamada classe média-baixa ou classe média emergente, lembrando que é uma análise superficial, contudo nos últimos anos tenho observado moradores do bairro que vem aumento seu poder aquisitivo, melhorando de vida na linguagem popular, através de meios lícitos, alguns estudando, fazendo cursos técnicos e/ou curso superior e conseguindo uma melhor posição no mercado de trabalho, outros como microempresários, não vejo isso como um processo isolado no bairro.
Brand, em relação ao Jardim Carioca, sem dúvidas que é um dos bairros que mais concentra a classe média em Guarus, as escolas particulares mais tradicionais de Guarus localizam-se nesse bairro, como Bartolomeu Lisandro e Externato Brasil, o bairro começa a passar por um processo de formação de centro financeiro e econômico, com abertura de novas lojas como a alguns meses a inauguração de uma loja de móveis modulados de uma dessas grandes marcas que possuem loja na Alberto Lamego, algo que alguns anos atrás via como impossível, hoje possui 2 cursos de inglês, 2 agências bancárias e está caminhando para a terceira. Vale lembrar que entre os bairros do Grupo 1 o Jardim Carioca é o mais próximo do Centro, basta atravessar a ponte Barcelos Martins ou Rosinha Garotinho. Entre os bairros de Guarus, o Jardim Carioca é um dos que mais se vê casas estilo classe média.
Em parte do Parque Guarus também é possível observar essas casas estilo classe média, mas ao meu ver também há uma significativa população de baixa renda, o bairro possui relativamente uma vasta opção de comércios como supermercados e mercearias, creio que esse ponto serve como indicador do consumo dos moradores.
O Parque Novo Mundo, não confundam com a região do Posto Novo Mundo, localiza-se na margem direita (sentido Centro - bairro) da Avenida José Carlos Pereira Pinto, avenida onde está o HGG, entre o Super Romão e Viação São João, só quem conhece a região irá saber onde rs. É um bairro que considero mais semelhante ao Parque Prazeres é possível encontrar tanto uma população de baixa renda, quanto de renda média, entretanto, o Parque Novo Mundo possui seus limites com diversos bairros, isso me faz acreditar que nesses votos também estão incluídos votos de bairros vizinhos, nessa inclusão colocaria parte do Parque Presidente Vargas, na margem oposta da Avenida José Carlos Pereira Pinto e parte da população do Parque Rio Branco, bairro mais recente após o CIEP do Calabouço, onde é possível observar casas mais recentes estilo classe média emergente, e o Parque Rio Branco já se tornou alvo da construção civil, através da Rodobens Negócios Imobiliários, que atua em várias cidades médias brasileiras e é especializada em criar novos bairros para a classe média-baixa. Também é válido citar que nos últimos anos o entorno da Avenida José Carlos Pereira Pinto, economicamente falando, vem crescendo bastante.
O Eldorado é o bairro que conheço mais superficialmente entre os do Grupo 1, também é um bairro que possui vários em seu entorno, aparentemente colocaria entre o mais pobre entre os bairros do Grupo 1, mas não tenho certeza.
Lembrando que é uma análise superficial, mas espero ter contribuído com alguma coisa.

Roberto Torres disse...

Depois de olhar as tabelas, e ver os comentarios do Doug, estou pensando numa outra coisa sobre este nosso debate... Devemos estar atentos que os votos de Odete, em sua totalidade,provavelmente nao seria explicados pela identificacao deste grupo. E a identificacao geográfica, junto da qual conseguimos saber muito sobre a mobilidade e o estilo de vida destas pessoas, é muito importante para identificar este grupo. Eu acho que simplesmente identificar o grupo ou tentar tirar uma fotografia de seu comportamento é o tipo de falácia quantitativista que esconde muito mais do que revela. A identificacao do grupo, ao ser colocada como critério quantitativo objetivo para explicar o seu comportamento e o seu significado político, nao considera que o comportamento deste grupo nao se explica senao em relacao ao de outros grupos, na influencia que exerce e que recebe deles. Assim, eu acho que a honestidade intelectual nos obrigado a assumir que uma parte muito sigbificativa do objeto nao deixa medir assim tao facilmente: a dinamica socio-politico que torna o descontentamento característico desta tal classe média algo relavante nao só para seu comportamento, como para os grupos sobres os quais eles os dos quais recebe influencia. Claro, temos que delimitar alguma coisa senao a gente morre e nao analisa nada. Mas temos que saber o que nos escolhemos delimitar. Por exemplo, e ai eu acho que temos uma questao empírica importante, em que medida os votos das camadas pobres obtidos por Odete e Mahkoul também nao se explicam pela influencia dos setores da classe média sobre os pobres? Tudo que no nosso dia dia vemos como influencia pessoal acho que é muito mais o poder de classe sendo tecido em pequeno: o rapaz estudante que influencia seus amigos mais pobres, a menina estudante que influencia o namorado, os filhos que estao se "dando bem na vida" influenciado os mais pobres.. acho que devemos tentar pensar de modo relacional, ou seja, nao há um objeto social na realiade, mas um conjunto de relacoes mais ou menos estáveis, mas também dotada de uma dinamica a qual nao podemos ignorar so pelo fato de nao podermos medi-la tao bem... Ai esta a importancia de nossa margem de especulacao e de nossa genuina "vontade de saber" nao aprisionada pela camisa de forca das máquinas de mensurar.

Xacal disse...

Bom, Roberto...Só falta o Vitor aceitar a provocação...esperemos...

Roberto Torres disse...

Acho que quando falamos na relacao entre os descontentamento de classe média e estes votos devemos saber que, este decontentamento, embora surja com características determinadas, em grupos determinados, nao fica "guardado" neste grupo. Antes mesmo de ser contabilizado como voto, este "interesse ideal", o interesse em algo que nao é diretamente um bem material, "entorna para os lados" de algum modo, levando a criacao de alguma afinidade de interesses entre fracos de classes separadas em outros contextos, por outros interesses... O voto é expressao destas afinidades e nao apenas do descontentamento que a classe média constitui e conduz até as urnas, embora ela seja protagonista política do fenomeno. Estou apenas querendo nao confundir o protagismo de classe na constituicao de interesses com o fato deste protagonismo ser a explicacao para o resultado prático destes interesses na luta politica.

Brand Arenari disse...

Doug, muito valiosas suas descrições, me impressionou particularmente o crescimento de uma nova classe média baixa nestes bairros, o que parece que tem acontecido em boa parte do Brasil. Certamente isto terá fortes impactos na teia social. Não podemos esquecer que não é só a economia que altera o “Habitus” de classe, e neste quesito, a construção de uma unidade do CEFET em Guarus é sintomático, essa medida valerá muito mais do que todas as ruas que Arnaldo Vianna asfaltou por lá. Quem sabe a UENF não segue o exemplo e constrói um Campus lá? Seria ótimo.

Brand Arenari disse...

Roberto, como vc falou sobre vários temas vou dividir minhas respostas

1. A respeito da questão metodológica que vc levantou, acho que o problema não está no quantitativismo em si, mas sim como lidamos com ele. Seria pouco recomendável entender motivações políticas relacionadas à eleição sem um mapeamento detalhado do ponto de vista quantitativo. O problema então é que pra muitos quantitativistas as perguntas se encerram justamente onde elas deveriam começar, e em alguns casos essas perguntas nem sequer são elaboradas num primeiro momento. Por mais que eu ache que o quantitativismo seja pouco útil para se entender boa parte da vida social em profundidade, quando falamos em voto, ele é indispensável. Enfim, quando falamos em voto, o quantitativismo é a porta de entrada, porém quais caminhos tomaremos depois de cruzar a porta ou ficaremos parados na ante-sala que é a questão. Mas acho que não estou discordando de vc aqui, vc concorda com isso né?

Brand Arenari disse...

Xacal, vc quer ver sangue né?

Roberto Torres disse...

Claro Brand, nao podemos falar em votos sem quantificacao, e acho que a quantificacao também é indispensável para mapear e de algum modo delimitar as fronteiras comportamentais entre grupos, classes, fracoes de classe etc, mesmo quando queremos ir além de variáveis como renda e escolaridade. Acho que eu posso ter sido meio confuso no meu post.. mas eu estava basicamente reproduzindo a crítica de Bourdieu (que prezava muito pela estatística como ferramenta medodológica)a como uma construcao estatística de preferencias e adesoes é comportamentais é sempre uma fotografia dos aspéctos que caraterizam um grupo enquanto unidade analiticamente distinta. Mas que é um pouco mais difícil contar com a estatística para analisar a relacao que existe entre as caraterísticas de uma grupo e a dos outros dos quais ele tenta se dinstingir. Acho que o tema em foco, que penso ser bem mais do que os votos, e sim o sentido político destes votos antes e depois do pleitos, precisa ser visto também com esse olhar relacional. Entao, nao nossas especulacoes nao podem ser apenas sobre a classe média, mas sobre as demais classes ou fracoes as quais ela se opoem no voto e no estilo de vida, e sobre as possíveis classes capazes que aderirem a este descontentamento..Nao podemos medir nada disso... mas nao pagamos nada para especular e quem sabe aperfeicoar algo a ser medido depois.

Erik Schunk disse...

Brand achei muito interessante a idéia de tentar identificar a origem dos votos da Odete e em conseqüência entender os possíveis "caminhos da mudança" para o nosso município. Não me sinto com conhecimento nesse campo para opinar, porém reafirmaria o que você já disse ou seja tentar relacionar a renda e a escolaridade (dados do IBGE) com os bairros pode ser um caminho inicial. Acredito também que somente pesquisas qualitativas podem medir a força da relação desses votos com fatores, tais como: "nível de consciência política" e "independência financeira da prefeitura" que identifico como fatores que tenham muito peso nesses votos. Um grande abraço.

DouG disse...

Que bom que gostou Brand. Um campus da UENF seria ótimo tanto para o desenvolvimento intelectual da população, quanto para conhecer melhor a estrutura sociológica dessa região.
Roberto, você ressaltou pontos importantes, entre os quais a identificação geográfica como identificador do grupo, sabendo o estilo de vida dessas pessoas e o fato de que temos que ir além dessa identificação de grupos, chegando à questão empírica, como o fato de um amigo estudante que procura se informar sobre determinados assuntos e assim repassar essas informações, influenciando os demais, isso ocorreu comigo, tanto de transmitirem para mim como eu também ter influenciado. Essa relação de transmitir e influenciar ao próximo, apesar de ter acontecido comigo, não deixa de ser um ponto que já considero um pouco mais complexo e minha mente trava um pouco.
Quanto a essa influencia dos setores da classe média sobre os pobres, ao meu ver existe, porém ainda vejo como algo restrito, mas em processo ascendente, e daí que como você já falou anteriormente que poderia surgir um movimento que venha a influenciar em decisões políticas. Talvez um dos fatores que contribuam nessa relação de influência seja aquela pessoa que possui um maior esclarecimento, seja pelo ambiente de trabalho, ou pela instituição em que estuda, morador da periferia que acaba transmitindo isso ao próximo.
Essa questão de dados do IBGE, que o Erik colocou, também considero interessante, porém estaríamos limitando a questão aos aspectos quantitativos, entretanto a partir do quantitativo que pode se chegar ao qualitativo.
Por favor, corrija-me caso não tenha alcançado a sua idéia.

Vitor Peixoto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vitor Peixoto disse...

O que DouG acabou de expor passa a ser um ponto central nessa discussão, a saber, o processo de tomada de decisão eleitoral. Juntamente com o caráter relacional (entre indivíduos), há tempos a Ciência Política adicionou a característica auto-referenciada das tomadas de decisão. Dito de outra: além das relações inter-individuais, que se referem às influências que os indivíduos exercem entre si, os indivíduos também consideram nas suas decisões as condições sobre si mesmo no passado (retrospectivas) e perspectivas de futuro (prospectivas). Essas duas dimensões, “relacional” e “auto-referenciada”, são interativas e talvez a separação seja possível apenas num plano analítico.
Exemplo daquela interação pode ser demonstrado com a avaliação da própria condição atual em comparação a do “vizinho”. Formalmente, além das avaliações do tempo T1 onde o referencial é si próprio no tempo T0 e da expectativa da sua condição no tempo T2 (auto-referenciada), o indivíduo tem como referenciais também as condições de seus próximos nos tempos T0, T1 e T2 (relacional). Estudo clássico que demonstrou essas questões de maneira muito interessante, publicado dois anos antes de Bourdieu ingressar na Faculdade de Letras, foi realizado por Stouffer, DeVinney, Suchman, Star e Robin Jr. (em 1949!) sobre as condições dos soldados americanos na Segunda Guerra Mundial. Esses pesquisadores encontraram membros das forças armadas dos EUA mais descontentes com as promoções exatamente nos batalhões onde se encontravam as maiores proporções de membros promovidos – daí se “construiu” o conceito de “privação relativa”. Exemplo do comportamento semelhante, porém em sentido oposto, é citado por Amartya Sen em “Desigualdade Reexaminada”, onde o autor se refere a estudos com populações que permanecem longos períodos em situações de “privação absoluta” e sem expectativas de alteração. Essas pessoas, segundo Sen, constroem mecanismos de auto-proteção de forma obstruir sentimentos de insatisfação (pesquisas de opinião demonstraram que, naquela situação, indivíduos tendem a se considerar satisfeitos!).
De certo, esse fenômeno é apontado desde os utilitaristas – o que me faz pensar que grande parte das críticas que hoje fazem a esse grupo são muitas vezes tagarelices dos que se contentaram em “lê-los” apenas por comentaristas adversários em outros planos. Mas esse é outro ponto (deixemos para ocasião apropriada).
Não se pode negar que quando a dimensão relacional é levada a cabo não somente como comparações que os indivíduos fazem entre si, mas também como influências comunicativas, há um ganho analítico e aqueles estudos se tornam mais proveitosos. Esse é o ponto, quiçá, mais profícuo da dimensão relacional; e, acredito, encontra-se tanto calcanhar de Aquiles quanto o ponto mais forte daqueles que se apropriaram inadvertidamente dos achados da escola de Michigan. Pois, ao mesmo tempo em que consideram importantes as influências entre os grupos e indivíduos, sobredimensionaram o caminho up-down desta influência. Reverberam como novidade e inovação teórica a importância das relações entre grupos, entretanto, consideram apenas uma delas como emissor das informações. Simplesmente mutilam o aspecto mais importante de uma relação, como se esta fosse unidirecional. Ou seja, um grupo é considerado o influente, e o outro o influenciado.
Também conhecida com a “teoria da pedra no lago”, essa relação unidirecional foi muito utilizada pelos comunicólogos que tratam de comunicação eleitoral até que as eleições presidenciais de 2006. Exatamente quando foi posta em xeque, pois se constatou que os indivíduos menos abastados, menos escolaridade, desempregados, de municípios pequenos, em situação de privação de condições objetivas decidiram seus votos antes mesmo dos seus concidadãos mais abastados (isto pode ser observado nas pesquisas de opinião de todos os institutos). Isso não significa que as camadas da base da pirâmide social contagiaram o topo. Entretanto, pela teoria da causalidade, as causas antecedem os efeitos, mesmo as que as causas sejam simplesmente expectativas. A teoria que tagarela a classe média como formadora de opinião foi para o ralo! Falaram muito da ralé, mas se esqueceram de combinar com ela. A realidade mostrou que as influências inter-individuais são muito mais complexas dos que o simples caminho up-down.

* Stouffer, Samuel A., Edward A. Suchman, Leland C. DeVinney, Shirley A. Star, and Robin M. Williams, Jr. Studies in Social Psychology in World War II: The American Soldier. Vol. 1, Adjustment During Army Life. Princeton: Princeton University Press, 1949.

Vitor Peixoto disse...

Outro ponto, este provocado pelo Brand, diz respeito à retomada da geografia eleitoral nos estudos recentes. Ao contrário dos críticos incautos, a localização geográfica não é utilizada como proxie das condições econômicas (apesar de o serem TAMBÉM). Muito antes pelo contrário, avalia-se exatamente a variação das condições objetivas e sujetivas (às vezes até mesmo pelos hábitos!) dos indivíduos e grupos em uma mesma região, e inter-regiões. Isso pode ser realizado mesmo sem os chamados mapas georeferenciados. Testes simples como a ANOVA são extremamente úteis.

Em tempo, o Brand incorreu não em uma falácia quantitativa (isso é veborragia de quem nunca leu nada em metodologia, qualitativa e quantitativa!), as inferencias para comportamentos individuais a partir de dados agregados é chamado de "falácia ecológica". E, desde que se tenha consciência disso, como o próprio Brand demonstrou ao dizer que eram simples impressões, as inferencias ecológica são um caminho barato e bastante usual em análises preliminares. Há até métodos mais sofisticados que tentam calcular os riscos destas inferências, exatamente para que possam ser utilizadas na impossibilidade de se ter acesso aos microdados (Ver King, Gary. A solution to the ecological inference).

Como primeira aproximação, e se tratando de um Blog de ensaiso, Brand deu uma enorme contribuição.

Roberto Torres disse...

Vitor,

quando eu falo de uma metodologia relacional eu nao quero apenas dizer que as decioes indiviaus se pautam numa comparacao com o "vizinho". Eu quero dizer que as decioes individuais sao melhor explicadas se forem analisadas como posicionadas em uma relacao de grupos ou classes sociais. Isto significa que o indivíduo, ao levar em conta a sua trajetória, seu passado e sua perspectiva de futuro, toma uma decisao a partir de uma heranca de classe: a gente aprende desde cedo que algumas coisas nao sao para nós... assim aprendemos a como nao almejar cetos alvos na vida..Esse é o tema que Bourdieu conseguiu levar a cabo muito bem com a ajuda da estatística. Acho que é isso que acontece no exemplo do Sen que vc lembrou, onde as pessoas aprendem nao desejarem subir na vida e assim a esquecer alguns vizinhos coletivos, se apegando ao máximo a um modelo herdado de trajetória dentro de seu grupo.

Acontece que esta fronteira exemplificada pelo Sen nao acontece numa sociedade competitiva como a nossa onde o desejo generalizado de subir na vida faz de algumas classes sociais parametro para as outras, na forma de organizar a vida, e várias outras decisoes, incluindo ai o voto. O ascetismo religioso, em países como o Marrocos, tem sido uma forma bem atual de legitimar e tornar viável o comportamento de recusa do mundo,"nao quero subir na vida", "nao quero consumir"...

Entao podemos falar em influencia privilegiada de um grupo, e nao unilateral, como traco fundamental de uma relacao social marcada pelo poder. Um grupo consegue ser protagonista em como subir na vida etc., por dominar os meios para isso, e outros tentam imitar enquanto isso da certo, ou mudar quando se percebe que ta dando errado. Eu acho que assim podemos incluir uma análise de mudancas de interesse tendo como ponto de partida a capacidade inovadora de algumas classes,nao so em influenciar, mas em saber receber influencia, de modo a sistematizar em uma doutrina politica uma especie de fusao de interesses... meu caro, a assimetria existe e esta em todos os lados... so podemos pensar a mudanca pensando as contradicoes criativas da assimetria..

Xacal disse...

"tá" esquentando...

Vitor Peixoto disse...

Roberto, depois conversamos sobre isso. Meu comentário sobre seleção de casos não se referia ao tema em debate (era apenas para chamar a atenção que vc havia falado em outra questão que não fosse somente a ralé).

Quero saber onde está o Xacal, que vem aqui, coloca a mão no meio e diz: "quem for homem tem cuspir aqui" rs,rs,rs... e depois desaparece.