sábado, 3 de maio de 2008

Curiosidades eleitorais....!

Inicio aqui uma série de curiosidades das eleições municipais de 2004. Ela se origina de um trabalho acadêmico, entretanto, apresentarei aqui somente informações que poderia se considerar “resíduos”.

São apenas características peculiares das eleições. Obviamente, os “resíduos” merecem atenção especial numa análise quantitativa séria, mas aqui apresentarei sem qualquer pretensão acadêmica. Não obstante, julgo ser uma boa forma de apresentar informações sobre o sistema eleitoral. Algo que falta a muitos.

Como quase toda atividade laboral digna, a ciência política também tem seus momentos de descontração.

Ao todo foram registradas 362.379 candidaturas. Dessas, 1.059 foram negadas pelo TSE e outras 1.014 foram renunciadas ou os candidatos faleceram.

Para começar a seção “curiosidades eleições 2004” apresento os candidatos que tiveram apenas um único voto. Foram 1.959 candidatos!

O que interessante aqui é que 54,3% (1.063) destes são casado(a)s... Isso significa que... com certeza um dos cônjuges não votou no seu parceiro(a). Pode ser até que os dois não votaram, mas...!

E mais: 1.368 tornaram-se suplentes. Ou seja, pela legislação eleitoral há possibilidades de assumir. Ínfima, mas há! Pelas características do nosso sistema eleitoral, todo e qualquer candidato de um partido que elegeu ao menos um candidato ao cargo legislativo será considerado suplente (com exceção dos que se elegeram, obviamente).

Isso serve para apresentar o conceito de lista partidária. Muitos não conseguem compreender como um candidato se elegeu mesmo que tenha angariado menos votos do que um de outro partido.

Essa confusão tem origem na transposição automática das regras das eleições majoritárias para as eleições proporcionais. Na primeira, no Brasil utilizada para cargos executivos, prefeitos, governadores e presidente, quem tem mais leva.

Nas eleições proporcionais (vereadores, deputado estadual, distrital e federal) o que conta não é somente o candidato em si, mas sim a somatória dos votos de todos os candidatos do partido ou coligação. Por isso a possibilidade de um candidato de um partido ser eleito com menos votos do que outro.

Nas próximas sessões abordarei mais curiosidades destes cálculos.

7 comentários:

George Gomes Coutinho disse...

Vitor,

Interessantes e tragicômicos os dados.

Mas, você se importaria de revelar aos nossos parcos leitores qual a sua hipótese e o que você descobriu ao analisar esses dados sobre o nosso estranho sistema eleitoral?

Abçs!

George Gomes Coutinho disse...

ah, para não termos entendimentos ressentidos: parcos mas BONS leitores.

Vitor Peixoto disse...

Vamos aos poucos George. Devegar irei apresentar as características de nossos candidatos. Meu trabalho foi verificar quais dessas características influenciaram no sucesso/fracasso eleitoral e, mais importante, o quanto influenciaram. Dizer que a mulheres são prejudicadas, muitos já disseram. O que estou a terminar é a estimação desse e de vários outros vetores através das análises multivariadas.

Espero expor aqui primeiro as análises descritivas. Com elas já temos como identificar uma série de aspectos interessantes.

Para não perder o costume, tenho de dizer que não acho o nosso sistema eleitoral tão estranho assim.

Grande abraço,

Brand Arenari disse...

George, mas um pouco de bom humor tb vale né? Eu nao descobri nada até agora, mas já ri um pouco.
ahahaha
abraco

George Gomes Coutinho disse...

ah sim Brand...

Inegável que dei boas risadas aqui tb!

Anônimo disse...

Vcs. poderiam fazer algum comentário a respeito da participação da prof. Arlete Sendra no fim do governo Mocaiber, ou seria, governo Mocaiber do fim?
Afinal, vcs. sendo da UENF devem conhece-la melhor do que nos parcos leitores.
Obrigado

Brand Arenari disse...

Caro anonimo, a verdade é q nós a conhecemos tão pouco como vc. Até onde eu sei, ninguém aqui teve aula ou algum outro contato mais estreito com ela, no máximo cruzamos com ela no corredor. O q eu poderia dizer a respeito é que parece que ela é uma pessoa que merece respeito, e neste caso pecou por um profunda ingenuidade política. Apostando na idoneidade dela, acho que ela se equivoca profundamente em achar que poderá fazer um bom trabalho num governo destes, mal se dando conta que está participando de um plano para dar uma envernizada num móvel completamente corrompido por cupins, ou seja, legitima este governo. De minha parte suspeito fortemente que ela entra no governo com as melhores das intenções, mas como já repetimos mil vezes aqui, é preciso mais q boas intenções para fazer política. Acho q deveríamos lançar uma campanha: “SAÍ DAÍ ARLETE!”