terça-feira, 15 de abril de 2008

Enquanto isso no velho novo mundo de cá: Back to Old West!


Jovens universitários do velho novo mundo pretendem lançar “luz” sobre a política de segurança na Universidade através da liberalização do porte de armas dentro do Campus. Essa imagem ao lado foi a capa de ontem do jornal The Dayly Illini. Por aqui se discuti as mais variadas formas de se prevenir ataques como os que ocorreram em fevereiro em Northern Illinois University (NIU). Algumas curiosas já postas em prática como as “companhias de caminhadas” – algo como um bando de adolescentes vestidos como guardas de trânsitos que voluntariamente acompanham pessoas nas suas caminhadas noturnas munidos de lanternas e coletes refletivos.

Outra forma não tão amistosa é exatamente a que mais mobiliza defensores e críticos, a saber, a política de porte de armas. Os defensores da liberalização são conhecidos pela sigla SCCC (Students for Concealed Carry on Campus) e seus principais argumentos são os de que os assassinos titubeariam em colocar seus planos em ação se soubessem que outros estudantes poderiam estar armados. E complementam: mesmo se decidissem pela execução, o número de vítimas seria menor, já que alguém também armado poderia interromper o assassino antes da política chegar.

Especialistas em segurança advertem para o efeito perverso dessa liberalização. O chefe da segurança da Universidade alertou sobre o “aumento da dinâmica” com a adição de mais armas ao cenário do crime, o que elevaria sobremaneira as incertezas dos desfechos. Segundo sua versão mais pessoas com armas significaria também aumento do número de vítimas. Isso sem falar nas dificuldades para os policiais identificarem quem é o assassino e quem é o defensor, já que todos estariam armados!

Aqui não se faz interessante entrar no mérito da questão (apesar de ter completo pavor a armas, pior ainda nas mãos de estudantes não treinados para utilizá-las), mas me chamou a atenção a extrema organização do movimento estudantil que possui mais de 25.000 membros. Possuem até mesmo um site com possibilidade de o internauta fazer doações online ao grupo por meio de cartão de créditos (http://concealedcampus.org/faq.htm).

Por outro lado, no domingo último outro movimento estudantil se mobilizou e foi às ruas protestar contra a guerra no Iraque. Entretanto, conseguiram arregimentar menos do que 20 participantes.

E o que é mais curioso, posso lhes afirmar com a certeza de um antropólogo de que o movimento contrário à guerra parece uma unanimidade aqui. É notória a insatisfação com os prejuízos causados, não ao Iraquianos, mas sim ao erário público com os 3 trilhões já gastos nesses 5 anos. Os discursos sobre as perdas de soldados na guerra parecem ter menos impacto na opinião pública do que os dispêncios de recursos econômicos.

Isso me faz pensar que os temas e as formas de mobilização de 68 já não são os mesmos...!

Vitor Peixoto

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Ps: Aviso aos navegantes, se você é um defensor das idéias do SCCC, não se preocupe em realizar doações, a indústria bélica aqui nos EUA é bastante desenvolvida e com certeza já providenciou uma poupança gorda para o líderes desse movimento.

Um comentário:

Xacal disse...

É inegável que a sociedade estadunidense erigiu parte de seus valores sob a mira de rifles e pistolas...
Símbolo da autonomia do cidadão, e de suas liberdade individuais perante o Estado, as armas no país do Uncle Sam não alçaram essa nação ao posto de mais violenta do mundo, pelo aspecto dos índices de criminalidade...
A licença, uma espécie de concessão temporária, e passível de suspensão a qualquer tempo, encontra nos constitucionalistas uma polêmica quanto sua natureza, que reflete, de algum modo, esse problema estadunidense...

Querem alguns que a licença é apenas um reconhecimento do estado de um direito subjetivo do indivíduo, ou seja, atendidos os requisitos para fazer jus a utilizar uma arma, dirigir, por exemplo, cabe ao estado homologar esse direito...

Outros argumentam que não basta atender aos requisitos, pois o império do Estado, em defesa da coletividade, prevalece e portanto, o Estado decidirá quando, onde, como, e para quem concederá o gozo desse direito...

Essa é a discussão de pano de fundo, ou seja, uma vez aptos, pode o Estado nos impedir de ter uam arma? de dirigir?

PS:as sanções não fazem parte dessa anáise, pois como o nome diz, são punições a infrações durante o exercício, uma exceção (em tese) a regra....!

PS2:se existir uam arma no recinto, eu quero estar com o dedo no gatilho, e não na ponta do cano...Make my day!