segunda-feira, 21 de abril de 2008

O que você come e em quem você vota


Seguem a charge e o link para o artigo do New York Times sobre hábitos alimentares e comportamento eleitoral. Como disse em comentário ao post anterior, os analistas não utilizam essas informações como explicativas (não chegaram a esse ponto... ainda!), mas apenas como preditoras. Obviamente, são informações importantíssimas utilizadas na comunicação da campanha eleitoral.

What's for Dinner? The Pollster Wants to Know

9 comentários:

Xacal disse...

Muito interessante o texto, mas vamos as considerações:

A fragmentação dos "eleitores" ou público alvo em extratos pequenos, a partir do cruzamento de vários dados, coletados através das várias ferramentas disponíveis (o google, por exemplo) pode surtir efeitos, mas para que enxerga o eleitor sob uma ótica mercadológica, nem sempre eficaz...

Primeiro, hábitos não são constantes, e tais tabulações parecem desprezar essa variação, até para justificar "o cientificismo" que propõe...

Outro aspecto, decisões de consumo às vezes escondem comportamnetos que não podem ser relacionados aos produtos que sugeririam esse ou aqulele "traço de personalidade", ou melhor, pode-se optar por comida chinesa para impressionar uma garota, ou o patrão...que levaria o "pollster" para longe do real caráter da escolha e do escolhedor...

Veja meu exemplo: o texto diz que assinantes de revistas ou newsletters de gourmets e gastronomia são, potencialmente, inclinados a experimentação e a novidade...

Desprezam que esse público pode ser "consevador", justamente para ser novidade em relação ao que se pensa dele...

O execsso de "tranversalidade" pode no fim, nublar opções que estavam bem ali, perto do nariz...

Como disse Nelson Rodrigues: às vezes ninguém desconfia do óbvio...

Esse tema é instigante...

Segue o debate...

Xacal disse...

perdão: (...)para quem enxerga o leitor (...)

Vitor Peixoto disse...

Xacal, eu tenho sempre uma postura um tanto desconfiada dessas coisas. E como eu disse, esses caras não utilizam para explicar as inclinações do voto, mas apenas para terem um preditivo. O que é interessante, na minha opinião, é exatamente o fato de utilizarem essas informações na comunicação da campanha. Como exemplificar alguma contenda sofisticada através de comparações com determinados biscoitos que o seu eleitorado consome.
Isso o Lula faz na intuição, e ninguém faz melhor do que ele! No Brasil as diferenças são muito grandes, mas quando se trata do eleitorado americano de um mesmo partido, essas diferenças tendem a diminuir. Quanto menor essas diferenças, maior a importância das informações sobre os hábitos.
Enfim, vamos combinar aqui, mas tem umas coisas, né? Sei não, hein... às vezes acho que é muito dinheiro à disposição.
Voltando ao assunto sério, eu cada vez me surpreendo com a capacidade da Hillary de ir para o combate. O que me deixa um pouco atordoado, no Brasil a gente não vê embates tão francos entre pessoas do mesmo partido. Pode ser que eu não esteja acostumado com embates francos, mas acho difícil uma posição composição única depois. Imagina vc, que foi achincalhado durante toda a campanha, ter como vice o seu algoz? Ou então, ter como vice alguém que vc achincalhou? O eleitor percebe isso.
A estratégia da Hillary está pouco clara para mim. Não sei o que eles estão pensando... será que ela não pensa na hipótese de vir como vice, ou ter o Obama como tal? Isso pode colocar em jogo a vitória nas eleições!
E outra: vc leu sobre o último debate na ABC? Não houve debate acerca de temas, foi um desastre. Mas os responsabilizados não foram os Candidato, e sim os mediadores. Quase todos os jornais publicaram editoriais criticando os jornalistas mediadores por não terem direcionado o debate para aos temas. Isso também é muito novo para mim, imagina isso no Brasil? A imprensa ser responsabilizada pelo direcionamento do debate? Os jornalistas podem fazer as perguntas mais idiotas possíveis que seus colegas não os criticam!

Grande abraço,

Xacal disse...

Tenho um livro sobre imprensa aqui, de 1996, acho que já explicita esse fenômeno da ausência de conteúdo do debate eleitoral estadunidense...

Acho que Hillary não pensa nisso agora, até porque o ônus de contar com alguém que te distratou e "esculachou" não é dela...é do vencedor...

Sua estratégia é do tudo ou nada...

No Brasil, o PT era uma experiência nova de debates francos entre correligionários, mas foi massacrado e domesticado para "superar" seu embate interno, o que alías, empobreceu demais o debate político brasileiro...

O PT já vivia sua contradição entre a orientação economicista marxista e a base cristã, que prevaleceu com sua subliminação de conflitos através do discurso da assunção de culpa...

Nossa tradição é: melhor um amu cordo que uma boa briga, a qual nem sempre é eficaz para solucionar conflitos...

Voltando a Hillary, acho que sua conta é essa: caso perca, o que é provável, cabe ao vencedor engolir os insultos para construir a chamada unidade...

Um abraço...

Vitor Peixoto disse...

Essa foi exatamente a resposta que deram no debate: "estamos diputando para ver quem será o candidato". Mas minha indagação refere-se a fato desse jogo não ser um uma única rodada. E eleitor não é idiota (mesmo que seja americano), nem aqui nem em lugar nenhum. Isso tem consequências. Pode demonstrar incoerência do discurso, o que causaria uma descredibilidade.
A questão não é a discordância nua e crua, como debate programático franco, mas os tipos de ataques à personalidade etc. Como responder à questão, já na campanha presidencial, de assumir um vice que vc disse a sociedade que não mereceria confiança? Isso do ponto de vista eleitoral.
E mais: não deve ser nada agradável um ocupante de um cargo dormir sabendo que seu vice está com um punhal apontado para ele.
Enfim, onde isso irá chegar, eu não sei... mas é no mínimo curioso.

Abraço,

Xacal disse...

Como disse. Vou procurar o livro para te informar, mas basicamente, trata da cobertura em Washington e proliferação de Talk Shows sensacionalistas, que esmiuçam "comportamento" e a vida privada dos políticos, em detrimento doas discussõres programáticas...

O empobrecimento desse debate coincide com hegemonização da mídia como mediador e propositor da agenda política da sociedade estadunidense...

Esse fenômeno se globalizou, e em cada cultura, assumiu características próprias...veja o nosso caso, aqui em Campos dos G., e reflita...

Vitor Menezes disse...

Blogueiros convocam Ato Público “Chega de Palhaçada!”, em Campos, neste sábado, 26, às 10h. Mais informações no urgente! (http://urgente.blogspot.com). Abração!

Xacal disse...

Vitor, achei o livro...

Aí vai o nome:

Breaking news-How the media undermines american democracy

by James Fallows...

Vitor Peixoto disse...

Valeu!